{"id":25198,"date":"2010-12-20T14:38:03","date_gmt":"2010-12-20T14:38:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25198"},"modified":"2010-12-20T14:38:03","modified_gmt":"2010-12-20T14:38:03","slug":"o-wikileaks-infectou-o-sistema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25198","title":{"rendered":"O Wikileaks infectou o sistema?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Julian Assange foi preso. O idealizador do Wikileaks desnudou as opera&ccedil;&otilde;es de um imp&eacute;rio em decad&ecirc;ncia e se tornou prisioneiro na Inglaterra por supostos crimes cometidos na Su&eacute;cia. Ao que tudo indica, Assange se relacionou sexualmente sem usar preservativos com mulheres que consentiram a rela&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o a falta do preservativo.<\/p>\n<p>A primeira rea&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica &eacute; identificar a lei sueca como demasiadamente rigorosa. A Su&eacute;cia &eacute; um pa&iacute;s soberano e tem direito de formular leis mais ou menos rigorosas, se entender que s&atilde;o bons instrumentos para a defesa da mulher ou de qualquer cidad&atilde;o de seu pa&iacute;s. &Eacute; justo que Assange pague pelos seus crimes se de fato os cometeu, mas &eacute; inocente at&eacute; que se prove o contr&aacute;rio. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o j&aacute; o condenaram antes de qualquer julgamento. Mesmo que a pr&aacute;tica de ferir a presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia seja algo corrente na m&iacute;dia, a acusa&ccedil;&atilde;o contra Assange tem um objetivo espec&iacute;fico: desmontar o mais rapidamente a imagem positiva de algu&eacute;m que ousou dizer algumas verdades ao imp&eacute;rio.<\/p>\n<p>Com isso se tenta desviar a aten&ccedil;&atilde;o do fato de que Julian Assange &eacute; um preso pol&iacute;tico. Ou algu&eacute;m acha que ele seria ca&ccedil;ado pela Interpol se, em vez de fundador do Wikileaks, fosse um engenheiro desenhista dos avi&otilde;es militares negociados com o Brasil ou mesmo um simples padeiro? Para a sorte dos povos que vivem no Oriente M&eacute;dio Julian Assange nasceu na Austr&aacute;lia. Caso seu parto tivesse ocorrido em um pa&iacute;s &aacute;rabe provavelmente esse j&aacute; teria perdido sua soberania a essa altura.<\/p>\n<p>O Wikileaks abriu a caixa de Pandora e s&oacute; n&atilde;o foi destro&ccedil;ado por ter uma estrat&eacute;gia bem desenhada de distribui&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m da inteligente arquitetura de armazenamento desses dados de modo a n&atilde;o serem destru&iacute;dos, a parceria com grandes ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o no mundo construiu c&uacute;mplices que n&atilde;o podem ser atacados pela m&aacute;quina de guerra. Os ataques ao Wikileaks resvalam tamb&eacute;m no New York Times (EUA), The Guardian (Inglaterra), El Pa&iacute;s (Espanha), Le Monde (Fr&acirc;n&ccedil;a) e na revista alem&atilde; Der Spiegel que noticiam os documentos colhidos. Al&eacute;m de garantir a repercuss&atilde;o mundial necess&aacute;ria, o Wikileaks fez aliados involunt&aacute;rios no confronto com o imp&eacute;rio.<\/p>\n<p>No Brasil, os parceiros escolhidos foram os ve&iacute;culos Folha de S&atilde;o Paulo e Organiza&ccedil;&otilde;es Globo. Nessa escolha os mesmos crit&eacute;rios adotados internacionalmente foram usados no pa&iacute;s sul americano: capacidade de repercuss&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o noticiada. Com isso, o movimento pelo direito a comunica&ccedil;&atilde;o brasileiro (que ap&oacute;ia o Wikileaks) se pergunta: Por que justamente corpora&ccedil;&otilde;es que historicamente atuaram para concentrar a propriedade sobre a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o escolhidas para ter exclusividade da divulga&ccedil;&atilde;o desses documentos? Por que a rela&ccedil;&atilde;o de exclusividade se mant&eacute;m se n&atilde;o h&aacute; qualquer afinidade pol&iacute;tica ou retorno financeiro? O espanto talvez venha do fato do movimento tratar o Wikileaks da mesma forma como tratam a defesa do software livre. Se o Wikileaks fosse um software ele n&atilde;o seria um software livre, mas sim um software propriet&aacute;rio gratuito, uma vez que tem seus interesses a defender, e no momento eles se concentram em impactar o maior n&uacute;mero de pessoas no mundo e sobreviver ao contra-ataque.<\/p>\n<p>Apesar do espanto do movimento social a escolha t&aacute;tica de aliados n&atilde;o alinhados ideologicamente para resistir a um inimigo maior est&aacute; correta. Se o Wikileaks tivesse que contar apenas com um punhado de entidades de defesa dos direitos humanos em vez de grandes corpora&ccedil;&otilde;es acostumadas aos corredores do poder, provavelmente teria sido exterminado sem que o grande p&uacute;blico sequer percebesse o que aconteceu.<\/p>\n<p>At&eacute; agora os documentos referentes ao Brasil revelados contam majoritariamente das rela&ccedil;&otilde;es com a embaixada americana. Hoje Folha e Globo se valem de poder revelar as informa&ccedil;&otilde;es exclusivas, mas o que acontecer&aacute; quando os documentos fornecidos a eles pelo Wikileaks tratarem da intimidade destes ve&iacute;culos com a ditadura brasileira?<\/p>\n<p>N&atilde;o se pode afirmar que Julian Assange realmente fez sexo sem prote&ccedil;&atilde;o com mulheres na Su&eacute;cia, mas certamente o Wikileaks n&atilde;o usou preservativos na sua rela&ccedil;&atilde;o com o oligop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o brasileira e pode ter infectado o sistema.<\/p>\n<p><em><strong>Pedro Ekman<\/strong> &eacute; militante do Intervozes. Colaborou Sergio Gomes com uma conversa certamente mais longa que o curto texto apresentado.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Wikileaks abriu a caixa de Pandora e s&oacute; n&atilde;o foi  destro&ccedil;ado por ter uma estrat&eacute;gia bem desenhada de distribui&ccedil;&atilde;o das  informa&ccedil;&otilde;es<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[363],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25198"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25198\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}