{"id":25176,"date":"2010-12-13T16:57:41","date_gmt":"2010-12-13T16:57:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25176"},"modified":"2010-12-13T16:57:41","modified_gmt":"2010-12-13T16:57:41","slug":"o-balanco-dos-governos-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25176","title":{"rendered":"O balan\u00e7o dos governos Lula"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Este texto pretende fazer um breve balan&ccedil;o cr&iacute;tico da pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&otilde;es ao longo dos oito anos de governo Lula (2003-2010), sobretudo no que se refere ao servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o. Obedecendo aos eixos tem&aacute;ticos definidos pela Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert, trata dos principais condicionantes estruturais do pluralismo e da diversidade &ndash; estrutura legal, concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade e fontes de financiamento &ndash;, al&eacute;m de descrever avan&ccedil;os, derrotas e recuos na pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&otilde;es, e de identificar tend&ecirc;ncias do contexto e das estrat&eacute;gias de disputa em torno da regula&ccedil;&atilde;o do setor.<\/p>\n<p><strong>1. Estrutura do sistema de meios de comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>1.1 Marco Regulat&oacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>&quot;Trusteeship model&quot; &#8211; A primeira caracter&iacute;stica &quot;moderna&quot; da m&iacute;dia brasileira &eacute; que o Estado fez uma op&ccedil;&atilde;o &ndash; ainda na d&eacute;cada de 1930 &ndash; por um modelo de explora&ccedil;&atilde;o da radiodifus&atilde;o que privilegia a atividade privada comercial. Poderia ter sido de outra forma. Para ficar com o exemplo cl&aacute;ssico, na mesma &eacute;poca, a Inglaterra fazia a op&ccedil;&atilde;o oposta, isto &eacute;, privilegiou o pr&oacute;prio Estado como operador e executor da atividade de radiodifus&atilde;o. Mas, no que se refere ao r&aacute;dio e a televis&atilde;o, adotamos o modelo que tem origem nos Estados Unidos. &Eacute; mais ou menos uma curadoria: compete &agrave; Uni&atilde;o a explora&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o que o delega para administra&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o de terceiros.<\/p>\n<p>O r&aacute;dio e a televis&atilde;o s&atilde;o, em sua maioria, outorgas do Poder P&uacute;blico para a iniciativa privada. O prazo de vig&ecirc;ncia para as concess&otilde;es de r&aacute;dio &eacute; de 10 anos e de televis&atilde;o, 15 anos. Na pr&aacute;tica elas se transformam em propriedade privada, j&aacute; que a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o ou o cancelamento de uma concess&atilde;o s&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es praticamente imposs&iacute;veis do ponto de vista legal. Desde quando o r&aacute;dio foi introduzido no Brasil, e foi regulado pelo Estado, optou-se por privilegiar esse modelo de curadoria. N&atilde;o foi uma op&ccedil;&atilde;o que contou com a participa&ccedil;&atilde;o popular. Ao contr&aacute;rio, foi uma decis&atilde;o de gabinete, sem que houvesse qualquer debate ou participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p>&quot;No law&quot; &ndash; Na m&iacute;dia brasileira predomina a no law, ou seja, a aus&ecirc;ncia de regula&ccedil;&atilde;o. A principal refer&ecirc;ncia legal ainda &eacute; o quase cinquenten&aacute;rio C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, de 1962. Desatualizado, foi fragmentado pela Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, de 1997 e &eacute; complementado por v&aacute;rias normas avulsas para servi&ccedil;os espec&iacute;ficos (diferentes modalidades de televis&atilde;o paga, por exemplo) que, em alguns casos, s&atilde;o at&eacute; mesmo contradit&oacute;rias. Ademais, as normas constitucionais existentes, em sua maioria, n&atilde;o foram regulamentadas pelo Congresso Nacional e, portanto, n&atilde;o s&atilde;o cumpridas. Um exemplo emblem&aacute;tico s&atilde;o os princ&iacute;pios para a produ&ccedil;&atilde;o e a programa&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o (Artigo 221), que deveriam tamb&eacute;m servir de crit&eacute;rio para a outorga e a renova&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es e, no entanto, s&atilde;o ignorados.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; de tal forma grave que, em novembro de 2010, a Federa&ccedil;&atilde;o Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifus&atilde;o e Televis&atilde;o (FITERT) e a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (FENAJ) protocolaram uma A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade por Omiss&atilde;o (ADO n&ordm; 09) pedindo ao Supremo Tribunal Federal que declare &quot;a omiss&atilde;o inconstitucional do Congresso Nacional&quot; em legislar sobre a mat&eacute;ria.<\/p>\n<p>Situa&ccedil;&atilde;o ao final do governo Lula<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Lei Geral de Comunica&ccedil;&atilde;o Eletr&ocirc;nica de Massa (LGCEM) &ndash; Durante o primeiro governo Lula, duas comiss&otilde;es foram criadas com a finalidade de produzir um pr&eacute;-projeto de LGCEM. No entanto, elas nunca chegaram a se reunir. A primeira &ndash; que era um GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) &ndash; esperou oito ou nove meses para que seus membros fossem indicados. Quando finalmente indicados e marcada uma primeira reuni&atilde;o, o governo decidiu que n&atilde;o seria mais um GTI, mas sim uma Comiss&atilde;o Interministerial (CI), com representantes tamb&eacute;m da Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica e outros &oacute;rg&atilde;os. A primeira comiss&atilde;o, um GTI, deixou de existir, embora nunca tivesse se reunido. E a nova, uma CI, tamb&eacute;m nunca se reuniu.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>O tema, no entanto, n&atilde;o morreu. Em julho de 2010, o presidente Lula assinou novo decreto criando outra CI para &quot;elaborar estudos e apresentar propostas de revis&atilde;o do marco regulat&oacute;rio da organiza&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es e de radiofus&atilde;o&quot;. Fazem parte da nova comiss&atilde;o representantes da Casa Civil, dos minist&eacute;rios das Comunica&ccedil;&otilde;es e da Fazenda, da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia (SECOM) e da Advocacia Geral da Uni&atilde;o. Representantes de &oacute;rg&atilde;os e entidades da administra&ccedil;&atilde;o federal, estadual e municipal, al&eacute;m de entidades privadas, poder&atilde;o ser convidados a participar das reuni&otilde;es. O artigo&#12288;6&ordm; do decreto diz que &quot;a Comiss&atilde;o Interministerial encerrar&aacute; seus trabalhos com a apresenta&ccedil;&atilde;o, ao Presidente da Rep&uacute;blica, de relat&oacute;rio final&quot;, mas n&atilde;o estabelece prazo para que isso ocorra [&iacute;ntegra do decreto].<\/p>\n<p>A pouco menos de dois meses do t&eacute;rmino do governo Lula, em novembro de 2010, um primeiro resultado p&uacute;blico do trabalho da nova CI, liderado pela SECOM, se materializou na realiza&ccedil;&atilde;o do &quot;Semin&aacute;rio Internacional Comunica&ccedil;&otilde;es Eletr&ocirc;nicas e Converg&ecirc;ncias de M&iacute;dias&quot;, em Bras&iacute;lia. Representantes de tr&ecirc;s organismos internacionais &ndash; Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, OCDE (Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico) e UNESCO &ndash; e de &oacute;rg&atilde;os reguladores de cinco pa&iacute;ses &ndash; Portugal, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Argentina &ndash; debateram, ao longo de dois dias, com empres&aacute;rios de m&iacute;dia, jornalistas, parlamentares, acad&ecirc;micos, ONGs, movimentos sociais e funcion&aacute;rios p&uacute;blicos graduados, diferentes formas adotadas para regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do setor de comunica&ccedil;&otilde;es. [As proferidas do Semin&aacute;rio est&atilde;o dispon&iacute;veis aqui.] Al&eacute;m de qualificar o debate p&uacute;blico do tema com o conhecimento das experi&ecirc;ncias internacionais, um dos objetivos era fornecer subs&iacute;dios para (finalmente) a elabora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-projeto de um &quot;marco regulat&oacute;rio da organiza&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es e de radiodifus&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema e do Audiovisual (ANCINAV) &ndash; O projeto de transformar a ANCINE (Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema) em Ancinav &ndash; que seria o &oacute;rg&atilde;o regulador e fiscalizador da produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos audiovisuais &ndash; n&atilde;o chegou sequer a ter uma vers&atilde;o final. Um pr&eacute;-projeto n&atilde;o oficial vazado para a imprensa provocou uma feroz e intensa campanha de oposi&ccedil;&atilde;o, movida, sobretudo, pelos grupos tradicionais de m&iacute;dia. Diante disso o governo decidiu, em janeiro de 2005, que os estudos prosseguiriam mas que, prioritariamente, deveria ser constru&iacute;da uma proposta de regula&ccedil;&atilde;o mais ampla dentro da qual a transforma&ccedil;&atilde;o da ANCINE em ANCINAV pudesse ser inclu&iacute;da. O argumento foi de que n&atilde;o se poderia implantar uma ag&ecirc;ncia reguladora do audiovisual sem se ter primeiro uma LGCEM.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Em janeiro de 2005 o governo anunciou que seria encaminhada ao Congresso Nacional uma nova proposta de legisla&ccedil;&atilde;o contemplando apenas os setores de fomento e de fiscaliza&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual. Isso atendia aos interesses de grupos que faziam oposi&ccedil;&atilde;o ao projeto de transforma&ccedil;&atilde;o da ANCINE em ANCINAV. A nova proposta de lei foi de fato elaborada e enviada ao Congresso Nacional, em junho do ano seguinte, e seis meses depois transformada na Lei n&ordm; 11.437, de 28 de dezembro de 2006, que criou o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) regulamentado pelo Decreto n&ordm; 6.299, de 12 de dezembro de 2007.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">R&aacute;dios comunit&aacute;rias &ndash; O governo Lula n&atilde;o foi capaz de implementar pol&iacute;ticas democratizantes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias, que continuam regidas por uma legisla&ccedil;&atilde;o excludente aprovada no governo de Fernando Henrique Cardoso (Lei n&ordm; 9.612\/1998). Ainda em 2003 foi criado um Grupo de Trabalho (GT) que chegou a produzir um relat&oacute;rio final. Mudou-se o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, criou-se agora um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), que se reuniu ao longo de 2010 produzindo tamb&eacute;m extenso relat&oacute;rio final. Mudou-se novamente o ministro e o novo titular da pasta n&atilde;o aceitou o relat&oacute;rio final do GTI, que nunca chegou a ser encaminhado &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A repress&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias &ndash; que n&atilde;o conseguem se legalizar, na maioria das vezes por inoper&acirc;ncia do pr&oacute;prio Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es &ndash; em certos momentos chegou mesmo a aumentar, comparada ao governo anterior.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">RTVIs &ndash; As RTVIs (Retransmissoras de TV Institucionais) foram criadas pelo Decreto n&ordm; 5.371, de 17 de fevereiro de 2005. Elas representavam uma excelente oportunidade para o poder municipal se tornar retransmissor de emissoras de TV do campo p&uacute;blico e, tamb&eacute;m, produtor de conte&uacute;do. O decreto abria a possibilidade de uso da TV a cabo por prefeituras em at&eacute; 15% do tempo total de retransmiss&atilde;o.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>A &quot;brecha&quot; foi saudada por todos os que se interessam pela democratiza&ccedil;&atilde;o do mercado da comunica&ccedil;&atilde;o e o fortalecimento da televis&atilde;o p&uacute;blica. A TV a cabo, ainda hoje, alcan&ccedil;a apenas cerca de 260 munic&iacute;pios dos mais de 5.600 existentes no pa&iacute;s. Como as operadoras de TV a cabo s&atilde;o obrigadas, por lei, a transmitir canais comunit&aacute;rios, as atividades das C&acirc;maras de Vereadores seriam transmitidas e haveria tamb&eacute;m a possibilidade da gera&ccedil;&atilde;o de receitas publicit&aacute;rias e do in&iacute;cio da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do local. Houve, no entanto, uma forte rea&ccedil;&atilde;o dos grupos privados de radiodifus&atilde;o e, menos de dois meses depois da assinatura do Decreto 5.371, um novo Decreto &ndash; de n&ordm; 5.413, de 6 de abril de 2005 &ndash; foi assinado voltando atr&aacute;s e extinguindo as RTVIs.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">TV Digital &ndash; A escolha do modelo japon&ecirc;s para a implanta&ccedil;&atilde;o da TV Digital no Brasil, consolidada ao longo de uma profunda crise pol&iacute;tica (2005) e em ano eleitoral (2006), sinalizou um recuo importante na postura anterior do governo Lula em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;tica de digitaliza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>No in&iacute;cio do processo, o Decreto n&ordm; 4.901 de 26\/11\/2003, que criou o Sistema Brasileiro de Televis&atilde;o Digital (SBTVD), contemplou a participa&ccedil;&atilde;o direta de representantes da sociedade civil organizada que j&aacute; faziam parte do Comit&ecirc; Consultivo do SBTVD e discutiam as alternativas de pol&iacute;tica. No entanto, a partir da nomea&ccedil;&atilde;o do senador H&eacute;lio Costa (PMDB-MG) para ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, em julho de 2005, esse comit&ecirc; foi sendo esvaziado e marginalizado pelo pr&oacute;prio Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e os representantes da sociedade civil perdendo a voz at&eacute; que, na decis&atilde;o final, n&atilde;o tiveram qualquer interfer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Dois anos e sete meses ap&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o do SBTVD, um novo decreto altera radicalmente a pol&iacute;tica anterior. O Decreto n&ordm; 5.820 de 29\/06\/2006 &ndash; apesar de criar um canal &quot;de cultura&quot;, destinado &agrave; transmiss&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o cultural e programas regionais, e um canal &quot;de cidadania&quot; para transmiss&atilde;o, dentre outros, de programas de comunidades locais &ndash; atendeu diretamente aos grupos dominantes de m&iacute;dia, em especial aos radiodifusores. A eles interessava garantir a comercializa&ccedil;&atilde;o de seus conte&uacute;dos diretamente aos usu&aacute;rios da telefonia m&oacute;vel, sem depender da intermedia&ccedil;&atilde;o das empresas de telefonia. Mas, sobretudo, interessava evitar a oportunidade hist&oacute;rica de amplia&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de concession&aacute;rios de televis&atilde;o no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Minas Gerais iniciou a&ccedil;&atilde;o civil junto &agrave; Justi&ccedil;a Federal pela nulidade do Decreto n&ordm; 5.820, ainda em agosto de 2006, mas n&atilde;o logrou sucesso na iniciativa. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), por sua vez, protocolou no Supremo Tribunal Federal, em agosto de 2007, uma A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra o mesmo decreto que veio, finalmente, a ser julgada improcedente tr&ecirc;s anos depois, em 5 de agosto de 2010.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Regulamenta&ccedil;&atilde;o da TV Paga &ndash; Desde 2007 tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que &quot;abre o setor de TV por assinatura para as teles, cria a separa&ccedil;&atilde;o de mercado entre produtores de conte&uacute;do e empresas de distribui&ccedil;&atilde;o e ainda cria cotas de programa&ccedil;&atilde;o nacional nos pacotes de canais pagos&quot;, al&eacute;m de revogar a Lei do Cabo de 1995.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Na sua complicada e controversa vers&atilde;o atual, o projeto &ndash; PLC 116 do Senado Federal &ndash; &eacute; o resultado da articula&ccedil;&atilde;o inicial de tr&ecirc;s propostas representando grupos e interesses distintos: o PL 29\/2007, do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), representa as empresas de telefonia; o PL 70\/2007, do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), representa os radiodifusores; e o PL 323\/2007, dos deputados Walter Pinheiro (PT-BA) e Paulo Teixeira (PT-SP), que se situa em posi&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria entre os interesses dos dois setores.<\/p>\n<p>Aprovado em junho de 2010 na C&acirc;mara dos Deputados, a posi&ccedil;&atilde;o de diferentes atores em rela&ccedil;&atilde;o ao projeto tem oscilado na medida mesma em que o pr&oacute;prio projeto sofre altera&ccedil;&otilde;es. A operadora Sky (associa&ccedil;&atilde;o dos grupos News Corporation e Globo) e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Programadores de TV por Assinatura (ABPTA) patrocinam uma campanha publicit&aacute;ria denominada &quot;Liberdade na TV&quot;, contr&aacute;ria ao projeto com o mote &quot;querem intervir na sua TV por assinatura&quot;.<\/p>\n<p><strong>1.2 N&iacute;veis de concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade<\/strong><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Propriedade cruzada &ndash; A legisla&ccedil;&atilde;o brasileira nunca se preocupou de forma efetiva com a propriedade cruzada dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. O mais pr&oacute;ximo que se chegou dessa preocupa&ccedil;&atilde;o foi na d&eacute;cada de 1960, durante o regime militar, quando houve uma tentativa, atrav&eacute;s do Decreto-Lei 236\/1967, de se estabelecer limites para o n&uacute;mero de concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o que um mesmo grupo privado poderia controlar. Esses limites, no entanto, n&atilde;o foram obedecidos. O Estado, que &eacute; o &oacute;rg&atilde;o fiscalizador, jamais interpretou a norma legal como forma de regular a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>N&atilde;o h&aacute;, portanto, na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, sobretudo na de radiodifus&atilde;o, preocupa&ccedil;&atilde;o com o fato de que o mesmo grupo empresarial, no mesmo mercado, seja concession&aacute;rio de emissora de r&aacute;dio e\/ou de televis&atilde;o, e ainda propriet&aacute;rio de empresas de jornais e\/ou de revistas.<\/p>\n<p>Os principais grupos empresariais que existiram e ainda existem na m&iacute;dia brasileira s&atilde;o multim&iacute;dia, baseados na propriedade cruzada. Isso foi verdade para os Di&aacute;rios Associados &ndash; o primeiro grupo dominante no pa&iacute;s &ndash; e &eacute;, evidentemente, verdade para as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo &ndash; o maior grupo de m&iacute;dia que existe no Brasil hoje.<\/p>\n<p>A propriedade cruzada, para efeito de um diagn&oacute;stico da m&iacute;dia brasileira na perspectiva da economia pol&iacute;tica do setor, torna irrelevante a diferen&ccedil;a entre m&iacute;dia impressa e m&iacute;dia eletr&ocirc;nica. Nos casos mais importantes, os grupos controladores de uma e de outra s&atilde;o os mesmos.<\/p>\n<p>Uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias dessa omiss&atilde;o reguladora &eacute; que a m&iacute;dia privada comercial foi sempre oligopolizada, exatamente porque se formou com base na aus&ecirc;ncia de restri&ccedil;&otilde;es legais &agrave; propriedade cruzada dos diferentes meios.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Oligarquias pol&iacute;ticas e familiares &ndash; A m&iacute;dia brasileira &eacute; controlada por uns poucos grupos familiares. Mas n&atilde;o s&oacute; por grupos familiares. Eles s&atilde;o tamb&eacute;m os mesmos grupos olig&aacute;rquicos da pol&iacute;tica regional e local. Aparece, ent&atilde;o, uma quest&atilde;o extremamente importante: o coronelismo eletr&ocirc;nico, pr&aacute;tica pol&iacute;tica atrav&eacute;s da qual for&ccedil;as no controle do aparelho de Estado se utilizam das outorgas de radiodifus&atilde;o como moeda de barganha pol&iacute;tica. Dessa forma, o poder concedente desse servi&ccedil;o p&uacute;blico, muitas vezes, se confunde com o pr&oacute;prio concession&aacute;rio, atualizando e reproduzindo, com roupagem nova, o coronelismo pol&iacute;tico da Rep&uacute;blica Velha para o tempo presente. [Para uma discuss&atilde;o conceitual sobre a pr&aacute;tica pol&iacute;tica do &quot;coronelismo&quot; ver, neste Observat&oacute;rio, Ven&iacute;cio A. de Lima e Cristiano Aguiar Lopes, &quot;R&aacute;dios Comunit&aacute;rias: Coronelismo eletr&ocirc;nico de novo tipo (1999-2004)&quot;.]<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Igrejas &ndash; Tem havido um avan&ccedil;o importante do controle tanto da radiodifus&atilde;o quanto da m&iacute;dia impressa brasileiras por diferentes igrejas. O maior avan&ccedil;o &eacute; das igrejas evang&eacute;licas neopentecostais, embora, historicamente, a igreja cat&oacute;lica seja a maior concession&aacute;ria de emissoras de r&aacute;dio no Brasil. Em alguns casos, a presen&ccedil;a das igrejas como concession&aacute;rias &eacute; bastante evidente &ndash; como, por exemplo, na programa&ccedil;&atilde;o vespertina dos canais da TV aberta, tanto em VHF como em UHF.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Hegemonia de um &uacute;nico grupo privado &ndash; As Organiza&ccedil;&otilde;es Globo concentram as verbas publicit&aacute;rias, de maneira desproporcional &agrave; audi&ecirc;ncia relativa de seus ve&iacute;culos: em torno de 60% do &quot;bolo publicit&aacute;rio&quot;. Para a Rede Globo de Televis&atilde;o, que lidera a audi&ecirc;ncia deste segmento, o percentual chega a ser ainda maior, de tal forma que se somarmos todas as outras emissoras comerciais de televis&atilde;o veremos que a elas s&atilde;o destinados apenas entre 35% e 40% do volume total de publicidade.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade &ndash; Quando se trata da radiodifus&atilde;o e da imprensa, o Brasil se antecipou &agrave; tend&ecirc;ncia de concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade na m&iacute;dia manifestada pelo processo de globaliza&ccedil;&atilde;o. A propriedade sempre foi concentrada e, ademais, concentrada dentro de par&acirc;metros inexistentes em outros pa&iacute;ses. A sinergia verticalizada em &aacute;reas da produ&ccedil;&atilde;o de entretenimento (telenovelas, por exemplo) &eacute; pr&aacute;tica consagrada na TV comercial h&aacute; muitos anos. N&atilde;o h&aacute; rigor no cumprimento dos poucos limites existentes em lei com rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero poss&iacute;vel de concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV para o mesmo grupo empresarial no mesmo mercado. A propriedade cruzada na radiodifus&atilde;o e entre a radiodifus&atilde;o e a imprensa &eacute; permitida sem restri&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o h&aacute; limites para o tamanho das audi&ecirc;ncias das redes de televis&atilde;o. Esse quadro regulat&oacute;rio gerou um fen&ocirc;meno de concentra&ccedil;&atilde;o horizontal, vertical, cruzado e &quot;em cruz&quot;, sem paralelo. O Brasil &eacute; o para&iacute;so da radiodifus&atilde;o privada comercial oligopolizada.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Balan&ccedil;o do governo Lula:<\/p>\n<p>N&atilde;o houve qualquer altera&ccedil;&atilde;o fundamental no quadro de concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade da m&iacute;dia no Brasil entre 2003 e 2010.<\/p>\n<p><strong>1.3 Financiamento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Na tradi&ccedil;&atilde;o brasileira, o Estado tem sido &ndash; direta ou indiretamente &ndash; uma das principais e, em muitos casos, a principal fonte de financiamento da m&iacute;dia privada comercial, seja ela impressa ou eletr&ocirc;nica. Basta verificar quais s&atilde;o os maiores (em termos de recursos publicit&aacute;rios) anunciantes dos jornais, das revistas semanais e dos telejornais das principais redes de televis&atilde;o privada do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Balan&ccedil;o do governo Lula:<\/p>\n<p>Reorienta&ccedil;&atilde;o na publicidade oficial &ndash; Uma importante descentraliza&ccedil;&atilde;o na aloca&ccedil;&atilde;o dos recursos publicit&aacute;rios oficiais teve in&iacute;cio em 2003. Apesar dos grupos dominantes da grande m&iacute;dia continuarem a ser os destinat&aacute;rios priorit&aacute;rios das verbas, o n&uacute;mero de munic&iacute;pios cobertos pulou de 182, em 2003, para 2.184, em 2009, e o n&uacute;mero de meios de comunica&ccedil;&atilde;o programados subiu de 499 para 7.047, no mesmo per&iacute;odo.<\/p>\n<p><strong>2. Principais avan&ccedil;os, recuos e derrotas<\/p>\n<p>2.1. Avan&ccedil;os<\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m do in&iacute;cio do mencionado processo de regionaliza&ccedil;&atilde;o da aloca&ccedil;&atilde;o dos recursos de publicidade oficial, registrem-se os outros seguintes avan&ccedil;os:<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) &ndash; O ano de 2007 ficar&aacute; marcado pelo nascimento da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC-TV Brasil), resultado da fus&atilde;o da Radiobr&aacute;s com a ACERP\/TVE, a TVE do Maranh&atilde;o e o canal digital de S&atilde;o Paulo. Sua conforma&ccedil;&atilde;o final surgiu das dezenas de emendas que a Medida Provis&oacute;ria 398\/07 recebeu no Congresso Nacional.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Apesar das cr&iacute;ticas que podem ser feitas ao processo de sua implanta&ccedil;&atilde;o &ndash; e s&atilde;o muitas &ndash;, a EBC, finalmente criada pela Lei 11.652, de 7 de abril de 2008, representa um importante avan&ccedil;o: est&aacute; &quot;no ar&quot; uma TV que institucionalmente se define como p&uacute;blica e a disputa para definir o que &eacute; uma televis&atilde;o p&uacute;blica se desloca agora para a sua pr&aacute;tica.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">1&ordf;. Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (CONFECOM) &ndash; A realiza&ccedil;&atilde;o da CONFECOM &ndash; a &uacute;ltima conferencia nacional a ser convocada de todos os setores contemplados pelo &quot;T&iacute;tulo VIII &#8211; Da Ordem Social&quot; na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 &ndash; sempre encontrou enormes resist&ecirc;ncias dos grandes grupos de m&iacute;dia. Seis entidades empresariais se retiraram da Comiss&atilde;o Organizadora: Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de Radio e Televis&atilde;o (ABERT); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Internet (ABRANET); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TV por Assinatura (ABTA); Associa&ccedil;&atilde;o dos Jornais e Revistas do Interior do Brasil (ADJORI Brasil); Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Editores de Revistas (ANER) e Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais (ANJ). Permaneceram a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (ABRA), uma dissid&ecirc;ncia da ABERT fundada pelas redes Bandeirantes e Rede TV!, em maio de 2005; e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (TELEBRASIL), criada em 1974, com a miss&atilde;o de &quot;congregar os setores oficial e privado das telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileiras visando &agrave; defesa de seus interesses e o seu desenvolvimento&quot;.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Afinal realizada em Bras&iacute;lia, de 14 a 17 de dezembro de 2009, a 1&ordf; CONFECOM teve a participa&ccedil;&atilde;o de mais de 1.600 delegados, democraticamente escolhidos em confer&ecirc;ncias estaduais nas 27 unidades da Federa&ccedil;&atilde;o, representando movimentos sociais, parte dos empres&aacute;rios de comunica&ccedil;&atilde;o e telecomunica&ccedil;&otilde;es e o governo. Dela sa&iacute;ram mais de 600 propostas que dever&atilde;o servir de refer&ecirc;ncia para apoio e\/ou apresenta&ccedil;&atilde;o de projetos de regula&ccedil;&atilde;o do setor de comunica&ccedil;&otilde;es no Congresso Nacional. Acima de tudo, e independente do boicote e da sataniza&ccedil;&atilde;o quase un&acirc;nime por parte da grande m&iacute;dia, a 1&ordf; CONFECOM ampliou de forma in&eacute;dita a mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil e o espa&ccedil;o p&uacute;blico de debate sobre as comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) &ndash; Em maio de 2010 foi institu&iacute;do o Programa Nacional de Banda Larga pelo decreto n. 7.175\/2010 com o objetivo de &quot;fomentar e difundir o uso e o fornecimento de bens e servi&ccedil;os de tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, de modo a: massificar o acesso a servi&ccedil;os de conex&atilde;o &agrave; Internet em banda larga; acelerar o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social; promover a inclus&atilde;o digital; reduzir as desigualdades social e regional; promover a gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda; ampliar os servi&ccedil;os de Governo Eletr&ocirc;nico e facilitar aos cidad&atilde;os o uso dos servi&ccedil;os do Estado; promover a capacita&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para o uso das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o; e aumentar a autonomia tecnol&oacute;gica e a competitividade brasileiras.&quot; A Telecomunica&ccedil;&otilde;es Brasileiras S.A. (Telebr&aacute;s) foi reativada e ser&aacute; a gestora do plano, estando prevista a atua&ccedil;&atilde;o de empresas privadas de forma complementar para fazer os servi&ccedil;os chegarem ao usu&aacute;rio final.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>O PNBL ainda &eacute; uma promessa e o presidente da Telebr&aacute;s tem acusado as empresas privadas de telefonia de o boicotarem. Na verdade, cinco grupos s&atilde;o respons&aacute;veis por 95% da oferta atual de banda larga no Brasil &ndash; Oi, Telef&ocirc;nica, Embratel\/Net, GVT e CTBC &ndash; enquanto 2.125 pequenos provedores respondem pelos restantes 5% do mercado. H&aacute; pouca ou nenhuma competi&ccedil;&atilde;o e os grupos dominantes s&atilde;o contra a inclus&atilde;o de metas de expans&atilde;o da infraestrutura de banda larga nos contratos de concess&atilde;o das empresas de telefonia que est&atilde;o em fase de revis&atilde;o na ANATEL, a ag&ecirc;ncia reguladora do setor.<\/p>\n<p><strong>2.2 Recuos e derrotas<\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m dos registros j&aacute; feitos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; n&atilde;o elabora&ccedil;&atilde;o at&eacute; mesmo de um projeto de Lei Geral para regula&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica; do recuo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o da ANCINE em ANCINAV; da inoper&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias; do recuo em rela&ccedil;&atilde;o ao decreto das RTVIs e &agrave; escolha do modelo tecnol&oacute;gico para implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital, tamb&eacute;m merecem men&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Cadastro geral dos concession&aacute;rios de radiodifus&atilde;o &ndash; O primeiro ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es do governo Lula, deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), ao assumir a pasta, em janeiro de 2003, prometeu que tornaria p&uacute;blico o cadastro com os nomes de todos os concession&aacute;rios das emissoras de r&aacute;dio e de televis&atilde;o no pa&iacute;s. De fato, cumpriu a promessa em novembro de 2003: o cadastro, embora incompleto e falho, passou a estar dispon&iacute;vel no site do MiniCom.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Foi a primeira vez que o p&uacute;blico tomou conhecimento dessa informa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Os Decretos Legislativos confirmando as outorgas s&atilde;o publicados no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o (DOU), mas trazem apenas os nomes das empresas. N&atilde;o especificam os nomes de seus s&oacute;cios.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio de 2007, o cadastro &quot;desapareceu&quot; do site do MiniCom. Desde ent&atilde;o, o interessado em informa&ccedil;&otilde;es oficiais s&oacute; pode recorrer &agrave;quelas dispon&iacute;veis no site da ANATEL. L&aacute; n&atilde;o existe um cadastro geral com a rela&ccedil;&atilde;o de concession&aacute;rios, mas sim dois bancos de dados: o Sistema de Acompanhamento de Controle Societ&aacute;rio (SIACCO) e o Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o de Massa (SISCOM).<\/p>\n<p>No SIACCO pode-se pesquisar o &quot;perfil das empresas&quot; por raz&atilde;o social ou CNPJ e, a partir da&iacute;, chega-se ao quadro societ&aacute;rio e\/ou &agrave; diretoria das entidades &ndash; em geral, incompletos. J&aacute; no SISCOM a busca pode ser feita por localidade e por servi&ccedil;o. Vale dizer: aquele que quiser compor um cadastro completo dever&aacute; pesquisar munic&iacute;pio por munic&iacute;pio.<\/p>\n<p>Do cadastro geral disponibilizado ao p&uacute;blico em novembro de 2003 regredimos para uma informa&ccedil;&atilde;o fragmentada que, na pr&aacute;tica, impede a constru&ccedil;&atilde;o de um quadro geral das concess&otilde;es e de seus concession&aacute;rios.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) &ndash; O governo encaminhou projeto de cria&ccedil;&atilde;o do CFJ ao Congresso Nacional em 4 de agosto de 2004. Segundo a FENAJ (Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornalistas), o principal objetivo era &quot;promover uma cultura de respeito ao C&oacute;digo de &Eacute;tica dos Jornalistas&quot;. Diante da intensa e violenta oposi&ccedil;&atilde;o da grande m&iacute;dia, no entanto, a pr&oacute;pria FENAJ, preparou e distribuiu, em Bras&iacute;lia, um substitutivo ao projeto original, no dia 13 de novembro, agora de cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho Federal de Jornalistas como &quot;&oacute;rg&atilde;o de habilita&ccedil;&atilde;o, representa&ccedil;&atilde;o e defesa do jornalista e de normatiza&ccedil;&atilde;o &eacute;tica e disciplina do exerc&iacute;cio profissional de jornalista&quot;. Apesar disso, atrav&eacute;s de vota&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, por acordo de lideran&ccedil;as, a C&acirc;mara dos Deputados decidiu desconsiderar o substitutivo e rejeitar o primeiro projeto, em 15 de dezembro de 2004.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) &ndash; Houve importante recuo do governo Lula em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s diretrizes originais para a comunica&ccedil;&atilde;o constantes do PNDH3 (Decreto n&ordm; 7.037, de 21 de Dezembro de 2009). Menos de cinco meses depois, novo decreto (Decreto n&ordm;. 7.177 de 12 de maio de 2010) alterou o anterior e, no que se refere especificamente ao direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o: (a) manteve a a&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica (letra a) da Diretriz 22 que prop&otilde;e &quot;a cria&ccedil;&atilde;o de marco legal, nos termos do art. 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o (r&aacute;dio e televis&atilde;o) concedidos, permitidos ou autorizados&quot;; (b) exclui as eventuais penalidades previstas no caso de desrespeito &agrave;s regras definidas; e (c) exclui tamb&eacute;m a letra d, que propunha a elabora&ccedil;&atilde;o de &quot;crit&eacute;rios de acompanhamento editorial&quot; para a cria&ccedil;&atilde;o de um ranking nacional de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Na Constituinte de 1987-88, a proposta original de cria&ccedil;&atilde;o de um &quot;&oacute;rg&atilde;o regulador independente e aut&ocirc;nomo&quot; foi transformada em &quot;&oacute;rg&atilde;o auxiliar&quot; que deveria apenas ser ouvido quando o Congresso Nacional julgasse necess&aacute;rio (Artigo 224). Essa altera&ccedil;&atilde;o deu origem ao Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (CCS). Apesar de criado, todavia, o CCS sempre enfrentou forte resist&ecirc;ncia de boa parte dos parlamentares.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>A lei que regulamentou a cria&ccedil;&atilde;o do CCS (Lei 8339\/1991) foi aprovada pelo Congresso Nacional em 1991, mas ele s&oacute; logrou ser instalado em 2002, como parte de um pol&ecirc;mico acordo para aprova&ccedil;&atilde;o da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que, naquele momento, constitu&iacute;a interesse priorit&aacute;rio para os empres&aacute;rios da grande m&iacute;dia. A Emenda Constitucional n&ordm; 36 (Artigo 222), aprovada em maio de 2002, permitiu a propriedade de empresas jornal&iacute;sticas e de radiodifus&atilde;o por pessoas jur&iacute;dicas e a participa&ccedil;&atilde;o de capital estrangeiro em at&eacute; 30% do seu capital total.<\/p>\n<p>Mesmo sendo apenas um &oacute;rg&atilde;o auxiliar, o CCS, quando instalado, demonstrou ser um espa&ccedil;o relativamente plural de debate de quest&otilde;es importantes do setor &ndash; concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade, outorga e renova&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es, regionaliza&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o, TV digital, radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria etc. Vencidos os mandatos de seus primeiros membros, houve um atraso na confirma&ccedil;&atilde;o dos membros para o novo per&iacute;odo de dois anos, o que ocorreu apenas em fevereiro de 2005. Ao final de 2006, no entanto, totalmente esvaziado, o CCS fez sua &uacute;ltima reuni&atilde;o. Os membros para um terceiro mandato n&atilde;o foram indicados e o CCS n&atilde;o mais se reuniu.<\/p>\n<p><strong>3. Contexto e estrat&eacute;gias<\/strong><\/p>\n<p>A maioria das propostas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que a sociedade civil organizada considera avan&ccedil;os no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foi implementada no per&iacute;odo 2003-2010. Ao contr&aacute;rio, muitas das iniciativas neste sentido, como vimos, foram sendo, uma a uma, abandonadas ou substitu&iacute;das por outras que negavam as inten&ccedil;&otilde;es originais. Existem, no entanto, exce&ccedil;&otilde;es importantes.<\/p>\n<p>Em diferentes ocasi&otilde;es, ficaram tamb&eacute;m evidentes as contradi&ccedil;&otilde;es e conflitos de orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre setores internos ao pr&oacute;prio governo, em especial o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, o Minist&eacute;rio da Cultura e a SECOM-PR. Registre-se, por exemplo, a aus&ecirc;ncia, na pr&aacute;tica, do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es tanto do esfor&ccedil;o de elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto de LGCEM (liderado pela SECOM), quanto da institui&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o do PNBL (liderado pelo Comit&ecirc; Gestor do Programa de Inclus&atilde;o Digital, vinculado diretamente ao Gabinete Pessoal do Presidente da Rep&uacute;blica).<\/p>\n<p>Da mesma forma, ficou mais de uma vez evidente a impot&ecirc;ncia do Estado diante dos grandes grupos de m&iacute;dia, assim como ficou claro o enorme poder hist&oacute;rico desses grupos, ainda capazes de interfer&ecirc;ncia direta na pr&oacute;pria governabilidade do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Considere-se ainda que algumas quest&otilde;es relevantes n&atilde;o puderam ser tratadas aqui. Dois exemplos: (1) houve ou n&atilde;o continuidade na pr&aacute;tica do coronelismo eletr&ocirc;nico, isto &eacute;, no uso das autoriza&ccedil;&otilde;es, concess&otilde;es e renova&ccedil;&otilde;es de radiodifus&atilde;o como moeda de barganha pol&iacute;tica? (2) de que forma decis&otilde;es do Judici&aacute;rio afetaram direta ou indiretamente a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es [n&atilde;o exig&ecirc;ncia do diploma para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o de jornalista; inconstitucionalidade total da Lei de Imprensa de 1967 e o direito de resposta]?<\/p>\n<p>O per&iacute;odo 2003-2010 foi tamb&eacute;m marcado (1) pelo formid&aacute;vel avan&ccedil;o da internet e (2) pelo recrudescimento da posi&ccedil;&atilde;o radical dos grupos privados de m&iacute;dia em rela&ccedil;&atilde;o a qualquer proposta de regula&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es, oriunda ou n&atilde;o do governo.<\/p>\n<p><strong>3.1 Avan&ccedil;o da internet<\/strong><\/p>\n<p>Dados do Ibope revelam que &quot;das cerca de 60 milh&otilde;es de pessoas que acessaram a internet em 2008, 67% fazem parte das classes C, D e E. Cerca de 80% dessas pessoas t&ecirc;m renda familiar mensal de at&eacute; cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos&quot;. Dessa forma, &quot;de ferramenta quase exclusiva da elite nos anos 1990, a internet encerra a primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo 21 tendo como usu&aacute;rio um indiv&iacute;duo cada vez mais parecido com o brasileiro m&eacute;dio&quot;.<\/p>\n<p>Por outro lado, o PNBL &ndash; j&aacute; mencionado &ndash; se devidamente implementado em articula&ccedil;&atilde;o com pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas de inclus&atilde;o digital, renova esperan&ccedil;as de avan&ccedil;o ainda maior no processo de universaliza&ccedil;&atilde;o da internet nos pr&oacute;ximos anos.<\/p>\n<p>3.2 Intoler&acirc;ncia<\/p>\n<p>Alguns exemplos da radicaliza&ccedil;&atilde;o crescente por parte dos atores dominantes no campo das comunica&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">Partidariza&ccedil;&atilde;o &ndash; A presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais admitiu publicamente a partidariza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia ao afirmar, em mar&ccedil;o de 2010:<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>&quot;A liberdade de imprensa &eacute; um bem maior que n&atilde;o deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto &eacute; sempre a quest&atilde;o da responsabilidade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. E, obviamente, esses meios de comunica&ccedil;&atilde;o est&atilde;o fazendo, de fato, a posi&ccedil;&atilde;o oposicionista deste pa&iacute;s, j&aacute; que a oposi&ccedil;&atilde;o est&aacute; profundamente fragilizada. E esse papel de oposi&ccedil;&atilde;o, de investiga&ccedil;&atilde;o, sem d&uacute;vida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.&quot; (Cf. &quot;A&ccedil;&otilde;es contra tentativa de cercear a imprensa&quot;, O Globo, 19\/3\/2010, p. 10)<\/p>\n<p>Essa partidariza&ccedil;&atilde;o tem sido evidenciada rotineiramente na cobertura pol&iacute;tica realizada pela grande m&iacute;dia, em particular ao tempo das campanhas eleitorais [cf. Ven&iacute;cio A. de Lima (org.); A M&iacute;dia nas Elei&ccedil;&otilde;es de 2006. S&atilde;o Paulo: Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007].<\/p>\n<p>&Eacute; oportuno registrar que a partidariza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia tem como corol&aacute;rio n&atilde;o s&oacute; o enfraquecimento dos partidos, como sua pr&oacute;pria despolitiza&ccedil;&atilde;o, na medida em que s&atilde;o afastados da pol&iacute;tica cotidiana e confinados &agrave;s formalidades e &agrave; burocracia de seu funcionamento legal e dos procedimentos eleitorais.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"padrao\">&quot;Democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o&quot; &ndash; A radicaliza&ccedil;&atilde;o chegou a tal ponto que at&eacute; a express&atilde;o &quot;democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o&quot; passou a ser satanizada pela grande m&iacute;dia. Propostas para a &quot;democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o&quot;, muitas vezes simples refer&ecirc;ncias a normas e princ&iacute;pios consagrados na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, passam a ser imediatamente rotuladas de autorit&aacute;rias ou de amea&ccedil;as &agrave; liberdade da imprensa. Praticamente n&atilde;o h&aacute; di&aacute;logo ou negocia&ccedil;&atilde;o entre os atores dominantes e a sociedade civil. A retirada das associa&ccedil;&otilde;es que representam os principais grupos de m&iacute;dia da Comiss&atilde;o Organizadora da 1&ordf; CONFECOM talvez seja o caso mais emblem&aacute;tico desse tipo de intoler&acirc;ncia.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Em 19 de outubro de 2010, a aprova&ccedil;&atilde;o pela Assembl&eacute;ia Legislativa do Cear&aacute; do &quot;Projeto de Indica&ccedil;&atilde;o n&ordm; 72.10&quot;, que prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (CECS), detonou um novo ciclo de generalizada rea&ccedil;&atilde;o da grande m&iacute;dia e da pr&oacute;pria OAB nacional. Na ocasi&atilde;o, o advogado e editor do suplemento &quot;Direito &amp; Justi&ccedil;a&quot; do Correio Braziliense, referindo-se &agrave;s propostas aprovadas pela 1&ordf;. CONFECOM, chegou a afirmar que &quot;Goebbels, encarregado por Hitler da difus&atilde;o da propaganda nazista e de eliminar advers&aacute;rios do regime, n&atilde;o teria feito melhor&quot; (cf. Josemar Dantas, &quot;Democracia em Risco&quot;, suplemento &quot;Direito&amp;Justi&ccedil;a&quot;, Correio Braziliense, 8\/11\/2010, p. 2).<\/p>\n<p>Considerando a radicaliza&ccedil;&atilde;o e a intoler&acirc;ncia que t&ecirc;m marcado a rela&ccedil;&atilde;o entre os principais atores do campo nos &uacute;ltimos anos, o futuro pr&oacute;ximo certamente reserva imensos desafios para a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil.<\/p>\n<p><em>*Texto comissionado pela Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (FES) e apresentado no semin&aacute;rio &quot;Partidos Pol&iacute;ticos Progresistas y Medios de Comunicaci&oacute;n en el Cone Sur&quot;, realizado em Santiago (Chile), de 6 a 7 de dezembro de 2010; t&iacute;tulo original &quot;Pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&otilde;es no governo Lula (2003-2010)&quot;<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um balan&ccedil;o cr&iacute;tico da pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&otilde;es dos oito  anos de governo Lula (2003-2010), sobretudo no que se refere ao servi&ccedil;o  p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25176"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}