{"id":25163,"date":"2010-12-09T12:09:47","date_gmt":"2010-12-09T12:09:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25163"},"modified":"2010-12-09T12:09:47","modified_gmt":"2010-12-09T12:09:47","slug":"rio-de-janeiro-avanca-na-criacao-do-conselho-de-comunicacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25163","title":{"rendered":"Rio de Janeiro avan\u00e7a na cria\u00e7\u00e3o do Conselho de Comunica\u00e7\u00e3o\u00a0Social"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\" align=\"JUSTIFY\">Aconteceu nesta segunda-feira, 06\/12, a Audi&ecirc;ncia P&uacute;blica para debater a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do Rio de Janeiro, CECS-RJ, realizada na Assembl&eacute;ia Legislativa do Rio de Janeiro, ALERJ.&nbsp; O deputado Paulo Ramos, presidente da Comiss&atilde;o de Comiss&atilde;o de Trabalho, Legisla&ccedil;&atilde;o e Seguridade Social da Alerj, apresentou para debate o projeto de lei 3.323\/10, de sua autoria, que trata da cria&ccedil;&atilde;o do conselho. Esse debate &eacute; uma iniciativa extremamente importante para a sociedade, e enfrenta uma campanha desleal de alguns segmentos que tentam lhe imputar o estigma de censura, com o peso sombrio de retrocesso ao que tivemos em &eacute;pocas de ditadura. Mais do que relatar o que aconteceu, quero apresentar algumas reflex&otilde;es.<\/p>\n<p>O encontro contou com a presen&ccedil;a de interlocutores importantes, em grande parte j&aacute; engajados na discuss&atilde;o do papel da Comunica&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio social. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; comum a v&aacute;rios pa&iacute;ses desenvolvidos, democr&aacute;ticos e defensores da liberdade de express&atilde;o, como Estados Unidos, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia, Inglaterra, Portugal e Espanha. O parlamentar apresentou um levantamento&nbsp; sobre a legisla&ccedil;&atilde;o desses pa&iacute;ses que t&ecirc;m ag&ecirc;ncias reguladoras e conselhos destinados a regulamentar a comunica&ccedil;&atilde;o. Porque no Brasil ainda n&atilde;o conseguimos avan&ccedil;ar nesse sentido?&nbsp; Vou arriscar um palpite: a sedimenta&ccedil;&atilde;o do aparato da grande m&iacute;dia em monop&oacute;lios familiares acostumados ao n&atilde;o questionamento de suas estrat&eacute;gias de manipula&ccedil;&atilde;o e poder.<\/p>\n<p>A cria&ccedil;&atilde;o do conselho trata t&atilde;o somente de regular o que &eacute; feito de uma concess&atilde;o p&uacute;blica de radiodifus&atilde;o. Uma concess&atilde;o que, diga-se de passagem, n&atilde;o &eacute; algo facilmente obtido nem est&aacute; ao acesso de qualquer cidad&atilde;o que deseje se aventurar no mercado de comunica&ccedil;&atilde;o. Toda concess&atilde;o p&uacute;blica deve prestar contas &agrave; sociedade se est&aacute; atingindo seu prop&oacute;sito. Seja qual for o segmento. N&atilde;o cabe a sociedade, por exemplo, arbitrar sobre o lucro obtido pela SuperVia ou pelo Metr&ocirc;, mas se n&atilde;o atendem a suas finalidades de transporte, podem e devem ser questionados publicamente. Porque ent&atilde;o as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o querem pleitear para si o direito de intoc&aacute;veis, detentoras de direitos de liberdade e isenta de deveres sociais. Uma concess&atilde;o implica em obriga&ccedil;&otilde;es, em grande parte n&atilde;o cumpridas pela m&iacute;dia comercial. Questionar isso &eacute; censura?<\/p>\n<p>A jornalista Claudia Abreu, representante da campanha &ldquo;&Eacute;tica na TV&rdquo; e diretora da Tv Comunit&aacute;ria de Niter&oacute;i, defendeu a necessidade de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica para os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, como forma de assegurar a liberdade de express&atilde;o e a democratiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O fim da censura foi uma conquista muito importante, mas ela n&atilde;o pode ser um cheque em branco para os radiodifusores&rdquo;, argumenta.<\/p>\n<p>Ela citou o caso do ex-BBB Marcelo Dourado que afirmou no programa que &ldquo;homem h&eacute;tero n&atilde;o pega AIDS&rdquo;. A emissora se defendeu na figura do apresentador Pedro Bial, que se limitou a dizer logo ap&oacute;s a exibi&ccedil;&atilde;o do trecho que &ldquo;as opini&otilde;es e batatadas emitidas pelos participantes deste programa s&atilde;o de responsabilidade exclusiva dos participantes deste programa. Para ter acesso a informa&ccedil;&otilde;es corretas sobre como &eacute; transmitido o v&iacute;rus HIV, acesse o site do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de&rdquo;. Verdade isso? A emissora n&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por promover um retrocesso em anos de campanhas de preven&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>O programa &eacute; um &ldquo;reality show&rdquo; transmitido em sua totalidade e ao vivo somente para assinantes desse produto espec&iacute;fico. Mesmo para usu&aacute;rios de tv por assinatura &eacute; preciso contratar a parte a libera&ccedil;&atilde;o dessas imagens. Grande parte do que acontece nesses programas ficar&aacute; restrita a uma minoria que adquirir esse pacote. Como vender esse produto t&atilde;o estranho: o voyeurismo de estranhos confinados em uma casa? A emissora vem apostando nas pol&ecirc;micas, no apelo sexual, nos &ldquo;barracos&rdquo;. Quando ela edita, entre tantas imagens captadas em um dia, a tal &ldquo;batatada&rdquo; de Dourado para ser exibida no hor&aacute;rio nobre na tv aberta, ela passa a ser respons&aacute;vel sim. Edi&ccedil;&atilde;o &eacute; escolha, e somos todos respons&aacute;veis por nossas escolhas. Ou pelo menos dever&iacute;amos ser.<\/p>\n<p>O procurador Cristiano Taveira, defendeu a proposta como vi&aacute;vel e constitucional, e n&atilde;o pode ser confundida com censura. &ldquo;Censura &eacute; quando a liberdade se concentra nas m&atilde;os de uma minoria&rdquo;, ele pondera. O procurador ressalta que a Constitui&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; uma s&eacute;rie de obriga&ccedil;&otilde;es, refentes a concess&atilde;o dos meios de radiodifus&atilde;o, que n&atilde;o s&atilde;o cumpridas pelos ve&iacute;culos comerciais. &ldquo;H&aacute; princ&iacute;pios constitucionais como o pluralismo, o princ&iacute;pio democr&aacute;tico, o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e a proibi&ccedil;&atilde;o do monop&oacute;lio, entre outros. O que estamos defendendo &eacute; o pluralismo na m&iacute;dia, e n&atilde;o a censura&rdquo; destacou Taveira.<\/p>\n<p>Orlando Guilhon presidente da Associa&ccedil;&atilde;o das R&aacute;dios P&uacute;blicas do Brasil (ARPUB) lembrou que &ldquo;o termo controle n&atilde;o facilita junto a setores que tentam imputar o estigma de retorno &agrave; censura&rdquo;. Precisamos nos despir desse preconceito sen&atilde;o corremos o risco de nos perdermos em considera&ccedil;&otilde;es pragm&aacute;ticas quanto ao peso das palavras. Para Guilhon, para avan&ccedil;ar na proposta falta organiza&ccedil;&atilde;o, mobiliza&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o da sociedade. Concordo plenamente. E lembro que boa parte da mobiliza&ccedil;&atilde;o pelo projeto Ficha Limpa foi feita por meio virtual, atrav&eacute;s das redes sociais, f&oacute;runs, blogs e outros espa&ccedil;os. J&aacute; vimos que &eacute; poss&iacute;vel fazer acontecer. Fa&ccedil;amos novamente.<\/p>\n<p>Roseli Goffman, do Conselho Nacional de Psicologia ressaltou que &eacute; dif&iacute;cil definir o que &eacute; censura, e apresentou algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre o momento delicado vivido pelos cariocas e espetacularizado pela grande imprensa. &ldquo;A fic&ccedil;&atilde;o da guerra do Iraque foi vivida aqui no Rio de Janeiro&rdquo;, ela disse. Uma frase impactante e terrivelmente ver&iacute;dica. Alguns jornais at&eacute; apresentaram um comparativo de imagens. Era preciso informar a popula&ccedil;&atilde;o sobre os acontecimentos? Com certeza. A quest&atilde;o muitas vezes n&atilde;o est&aacute; no conte&uacute;do, mas no formato. Quais os efeitos subliminares do formato adotado? Essa &eacute; uma quest&atilde;o social relevante. Eu escrevi uma monografia sobre como a viol&ecirc;ncia transformada em espet&aacute;culo afeta o imagin&aacute;rio social. Est&aacute; dispon&iacute;vel na se&ccedil;&atilde;o &ldquo;Caixa P&rdquo;, eu autorizo a reprodu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-comercial, s&oacute; pe&ccedil;o o cr&eacute;dito de autoria e a gentileza de me enviarem mail informando.<\/p>\n<p>&ldquo;Eu vejo com muita preocupa&ccedil;&atilde;o a inexist&ecirc;ncia de uma regula&ccedil;&atilde;o para o setor, o que faz com que alguns poucos poderosos se apropriem de uma liberdade que &eacute; de toda a sociedade&rdquo;, afirmou o deputado Paulo Ramos. &ldquo;O que existe hoje n&atilde;o &eacute; liberdade, &eacute; o monop&oacute;lio, a censura por parte do poder econ&ocirc;mico&rdquo;, ele acrescenta. O parlamentar mencionou exemplos de outros conselhos em funcionamento, e a semelhan&ccedil;a do seu projeto com o aprovado recentemente pelo estado do Cear&aacute;. Entre as muitas proposi&ccedil;&otilde;es apresentadas pelos presentes, destaco: a cria&ccedil;&atilde;o de grupos de trabalho, a necessidade de mobilizar a sociedade para participa&ccedil;&atilde;o na discuss&atilde;o, a necessidade de garantir a pluralidade no conselho, a necessidade de estrat&eacute;gias pol&iacute;ticas para tramita&ccedil;&atilde;o do projeto. Uma unanimidade aparente, &eacute; preciso avan&ccedil;ar e os presentes estavam dispostos a contribuir com id&eacute;ias e a&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Estiveram presentes na audi&ecirc;ncia representantes da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Imprensa (ABI), de emissoras de TV comunit&aacute;rias do Estado, do Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (Intervozes),da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Abra&ccedil;o), do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro),dos Diret&oacute;rios Centrais dos Estudantes (DCEs) da Universidade Federal Fluminense (UFF) e das Faculdades Integradas H&eacute;lio Alonso (Facha), do Movimento dos Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro (#RIOBLOGPROG), o diretor do curso de Jornalismo da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica (PUC-Rio) e da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Leonel Aguiar, e o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Diretores de Jornais do Interior do Estado, &Aacute;lvaro Brito.<\/p>\n<p>Apesar da relev&acirc;ncia profissional do que estava sendo tratado nessa audi&ecirc;ncia, da grande m&iacute;dia comercial somente o Estad&atilde;o e a CBN enviaram jornalistas, e n&atilde;o para represent&aacute;-los no debate, mas t&atilde;o somente para cobrir o evento. O deputado Paulo Ramos encerrou agradecendo a presen&ccedil;a de todos, garantindo que outras reuni&otilde;es v&atilde;o acontecer, com todas as partes interessadas, para acolher sugest&otilde;es de modifica&ccedil;&otilde;es no texto do projeto, e afirmando que &eacute; preciso &ldquo;inserir a Assembl&eacute;ia Legislativa de uma maneira institucionalizada nessa discuss&atilde;o&rdquo;.&nbsp; Em seguida, concedeu uma coletiva, cujo trecho em audio disponibilizo abaixo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aconteceu nesta segunda-feira, 06\/12, a Audi&ecirc;ncia P&uacute;blica para debater a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do Rio de Janeiro, CECS-RJ, realizada na Assembl&eacute;ia Legislativa do Rio de Janeiro, ALERJ.&nbsp; O deputado Paulo Ramos, presidente da Comiss&atilde;o de Comiss&atilde;o de Trabalho, Legisla&ccedil;&atilde;o e Seguridade Social da Alerj, apresentou para debate o projeto de lei &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25163\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Rio de Janeiro avan\u00e7a na cria\u00e7\u00e3o do Conselho de Comunica\u00e7\u00e3o\u00a0Social<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1454],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25163"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25163"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25163\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}