{"id":25129,"date":"2010-11-30T15:11:19","date_gmt":"2010-11-30T15:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25129"},"modified":"2010-11-30T15:11:19","modified_gmt":"2010-11-30T15:11:19","slug":"os-brasileiros-ja-vem-fazendo-politica-nesses-novos-paradigmas-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25129","title":{"rendered":"&#8220;Os brasileiros j\u00e1 vem fazendo pol\u00edtica nesses novos paradigmas da internet&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">O Observat&oacute;rio conversou com Marcelo Branco sobre internet, m&iacute;dias sociais e pol&iacute;tica. Geek desde os anos 80, ele &eacute; um dos principais militantes de software livre do pa&iacute;s. Como conta, est&aacute; na internet antes mesmo dela nascer, mexendo com tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o h&aacute; 30 anos. &Eacute; membro do Conselho cient&iacute;fico do programa internacional de estudos superiores em software livre na Universidade Aberta de Catalunha, foi coordenador do projeto Software Livre Brasil,&nbsp; e diretor do Campus Party Brasil por tr&ecirc;s anos. Mais recentemente, foi coordenador de m&iacute;dias sociais na campanha da candidata eleita Dilma Rousseff do PT.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Ativista pela liberdade do conhecimento, como se define, Marcelo &eacute; a favor de uma internet rica e libert&aacute;ria, e acredita que, mais do que um novo meio de comunica&ccedil;&atilde;o, ela est&aacute; mudando a forma dos humanos se relacionarem, inclusive politicamente, que pressiona Estado e setores da sociedade a tomarem novos valores como transpar&ecirc;ncia, participa&ccedil;&atilde;o, fim de hierarquia, liberdade de express&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span class=\"padrao\">Milit&acirc;ncia na internet: se trata de furar bloqueio da m&iacute;dia?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Acho que algumas vezes milit&acirc;ncia na internet pode furar bloqueio da m&iacute;dia, mas vai al&eacute;m do embate. A m&iacute;dia de massas muitas vezes na vis&atilde;o de jornalistas se expressa dessa forma, como espa&ccedil;o de contrapor a m&iacute;dia e grupos de comunica&ccedil;&atilde;o. Serve para isso tamb&eacute;m, mas o objetivo &eacute; muito mais amplo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A internet transformou formas de relacionamento e organiza&ccedil;&atilde;o que surgiram na era industrial, e isso se manifesta nos ve&iacute;culos de massa &ndash; eles s&atilde;o espa&ccedil;os tecnol&oacute;gicos da era industrial, de per&iacute;odo anterior.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Internet trouxe inova&ccedil;&atilde;o na forma de se relacionar. &Eacute; um novo espa&ccedil;o de disputa, n&atilde;o &eacute; mais um meio de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, diferente do per&iacute;odo anterior &eacute; uma nova forma de fazer as coisas. A esquerda tem tido dificuldades para utilizar esse meio pela falta de compreens&atilde;o do novo per&iacute;odo, mais do que a pr&oacute;pria direita. Quem n&atilde;o modificar a forma como faz as coisas, pensar de forma anal&oacute;gica no per&iacute;odo digital&#8230;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Milit&acirc;ncia na rede pode furar bloqueio da m&iacute;dia e pauta m&iacute;dia de massa, que foi o que aconteceu na minha vida agora [nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais]. Acho que &eacute; nova forma de organiza&ccedil;&atilde;o dos movimentos, nova possibilidade de organiza&ccedil;&atilde;o dos movimentos que a humanidade n&atilde;o tinha experimentado.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A comunidade software livre, est&aacute; na origem da internet, a comunidade que deu origem a essa rede. Os criadores da internet obviamente, por terem criado a tecnologia, experimentaram essa nova forma de relacionamento onde a colabora&ccedil;&atilde;o &eacute; valor mais importante que competi&ccedil;&atilde;o. Nas sociedades em rede, a prote&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; propriedade intelectual, segredo industrial s&atilde;o valores ultrapassados. Os conceitos agora s&atilde;o abertura, inova&ccedil;&atilde;o&#8230; Mas isso n&atilde;o significa que conceitos novos sejam conceitos da esquerda.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A esquerda e os movimentos populares sofrem a mesma dificuldade de se reposicionar nesse novo cen&aacute;rio, mais do que capitalismo e corpora&ccedil;&otilde;es, porque tamb&eacute;m s&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es da era industrial.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Os movimentos sociais est&atilde;o fazendo isso, aprendendo a mexer com internet. Para o militante, serve para organizar atividades, mobiliza&ccedil;&atilde;o, &eacute; diferente de como era no per&iacute;odo anterior. O espa&ccedil;o agora &eacute; horizontal, n&atilde;o tem hierarquia na a forma de organizar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">As organiza&ccedil;&otilde;es do passado, partido sindicato, tem conselho, executiva, presidente, e essa estrutura hier&aacute;rquica. No caso da nova forma de se associar na rede, esses valores n&atilde;o s&atilde;o importantes, eles atrapalham. Isso de centralizar a partir do voto n&atilde;o serva na internet. L&aacute;, &eacute; ades&atilde;o espont&acirc;nea, vai ter ades&atilde;o de milhares. &Eacute; ato volunt&aacute;rio, mas jamais na internet existe centralismo. A ades&atilde;o a uma a&ccedil;&atilde;o vai depender da capacidade de sedu&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o. Essa tem sido a din&acirc;mica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A comunidade software livre foi a primeira comunidade. Ela apontou as formas de relacionamento que est&atilde;o indo pros demais setores. Hoje no capitalismo h&aacute; trabalhos colaborativos, as grandes corpora&ccedil;&otilde;es perseguem isso, n&atilde;o &eacute; s&oacute; da esquerda. A economia precisa se abrir, se adaptar aos novos valores da era da sociedade de rede. E os movimentos sociais acho que tamb&eacute;m.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Acho que deixei muito comprido. Mas resumindo, internet n&atilde;o &eacute; espa&ccedil;o s&oacute; pra combater a m&iacute;dia. As empresas de comunica&ccedil;&atilde;o t&atilde;o indo mais r&aacute;pido de compartilhar do que os partidos de esquerda. &ldquo;Suba as fotos, voc&ecirc; que est&aacute; na esquina, suba a foto, mande um v&iacute;deo do youtube&rdquo;. Quantos sindicatos quantas organiza&ccedil;&otilde;es populares fazem isso? Esse novo espa&ccedil;o, de fazer as coisas diferentes: abertura, transpar&ecirc;ncia como obter mais ades&atilde;o poss&iacute;vel &agrave;s suas propostas?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">O capitalismo usa os novos atributos da rede pra vender. No caso desse espa&ccedil;os de colabora&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o necessariamente &eacute; espa&ccedil;o onde a esquerda est&aacute; familiarizada, pois obedeceu historicamente a estruturas r&iacute;gidas hier&aacute;rquicas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Em rela&ccedil;&atilde;o a comunica&ccedil;&atilde;o, o que muda na comunica&ccedil;&atilde;o? &Eacute; s&oacute; um aspecto, no caso, veio pra mudar. A primeira fase da internet, que &eacute; 1.0, era a dos grandes portais, e est&aacute; sendo substitu&iacute;da. A era dos portais transmitia conte&uacute;dos de v&iacute;deo, de textos e de &aacute;udio, de voz atrav&eacute;s de mat&eacute;rias jornal&iacute;sticas no mesmo espa&ccedil;o. Ent&atilde;o com bons ou maus conte&uacute;dos, era aquele o espa&ccedil;o de transmiss&atilde;o de conte&uacute;do.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A 2.0 ou colaborativa essa sim, dos &uacute;ltimos cinco anos, que os usu&aacute;rios se apropriaram dela, passou a ser internet que muda a natureza da comunica&ccedil;&atilde;o. A internet &eacute; espa&ccedil;o de colabora&ccedil;&atilde;o. E &eacute; a primeira vez que a matriz de uso do p&uacute;blico &eacute; a mesma do jornalista e do editor.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">R&aacute;dio, TV, seja do movimento popular, partido ou Folha de S.Paulo, voc&ecirc; n&atilde;o podia responder, pois a matriz de m&iacute;dia do p&uacute;blico e do editor era diferenciada. &Eacute; uma grande mudan&ccedil;a que acontece, pela primeira vez na hist&oacute;ria da humanidade, a matriz do p&uacute;blico &eacute; a mesma matriz do jornalista. N&atilde;o existem mais diferen&ccedil;as de potencial tecnol&oacute;gico entre editor e p&uacute;blico.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Isso possibilitou din&acirc;mica de rela&ccedil;&atilde;o horizontal. No passado as maiores audi&ecirc;ncias eram da BBC de Londres, e nos EUA o The New York Times pois tinham bons conte&uacute;dos. E isso mudou hoje: os espa&ccedil;os na internet de maior audi&ecirc;ncia s&atilde;o onde o p&uacute;blico interage, que hoje s&atilde;o os de maior conte&uacute;do. O p&uacute;blico internauta n&atilde;o vai dar audi&ecirc;ncia apenas ao local onde tem mais conte&uacute;do, mas onde pode proporcionar conte&uacute;do.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A natureza da comunica&ccedil;&atilde;o na internet &eacute; diferente da natureza anterior, onde um gupo de comunica&ccedil;&atilde;o, um sindicato, constru&iacute;am conte&uacute;dos e coloca para ser consumido pelo p&uacute;blico, que &eacute; a forma hist&oacute;rica de fazer.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Comunica&ccedil;&atilde;o de rede &eacute; diferente da comunica&ccedil;&atilde;o de massa. Tudo isso &eacute; mudan&ccedil;a muito forte dos valores da internet. A internet verdadeira &eacute; essa dos &uacute;ltimos anos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">As mudan&ccedil;as que estamos enfrentando na humanidade &eacute; uma mudan&ccedil;a de paradigma. Todo intermedi&aacute;rio vive uma crise. A internet veio pra questionar o papel do intermedi&aacute;rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">O que fazia a ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica. Ela tinha o artista que cria a m&uacute;sica, a banda que grava a m&uacute;sica, era necess&aacute;rio passar por processo industrial, prensar vinil e CD, depois log&iacute;stica cara, para chegar &agrave;s lojas e ao consumidor. A internet nos final dos anos 90 arrebentou esse tipo de neg&oacute;cio. P&uacute;blico podia chegar no artista sem passar pela distribui&ccedil;&atilde;o. Observou-se que o papel do intermedi&aacute;rio exige novo modelo, isso se aplica a todos os demais setores da sociedade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">No jornalismo isso ta acontecendo. Ele intermediava o fato. Tinha acidente de autom&oacute;vel na esquina, passava pelo editor, publicava isso no ve&iacute;culo, e o ve&iacute;culo fazia isso chegar ao grande p&uacute;blico. Agora, o povo que viu o acidente sobe o conte&uacute;do pra internet. Pela primeira vez humanidade tem capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o global.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Resumindo a &oacute;pera a comunica&ccedil;&atilde;o em rede na &eacute;poca das redes &eacute; diferente da comunica&ccedil;&atilde;o feita na era das comunica&ccedil;&otilde;es de massa. Exige participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, horizontalidade entre p&uacute;blico e editor e isso vai proporcionar audi&ecirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span class=\"padrao\">Politicamente, como a internet muda a mente dos brasileiros?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Os brasileiros j&aacute; vem fazendo pol&iacute;tica nesses novos paradigmas da internet h&aacute; alguns anos acho que quem n&atilde;o tinha experimentado eram os pol&iacute;ticos dos partidos, os estados. O entanto existem novos movimentos s&oacute;cias que trabalham na rede h&aacute; mais tempo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Nesta elei&ccedil;&atilde;o a grande novidade foi que pela primeira vez, pol&iacute;ticos ou pol&iacute;tica tradicional, eleitores, pol&iacute;ticos que est&atilde;o nos estados passaram a convive r com essa nova forma de relacionamento. Massiva, do encontro dos pol&iacute;ticos tradicionais do mundo. Pela primeira vez a pol&iacute;tica tradicional faz o encontro com novas formas de relacionamentos. Mas j&aacute; tinha indiv&iacute;duo e grupos que fizerem pol&iacute;tica na rede. Quem n&atilde;o fazia eram os partidos, por n&atilde;o conhecerem.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Resumindo: o que mudou no Brasil foi mudan&ccedil;a na legisla&ccedil;&atilde;o anterior. Diferente das elei&ccedil;&otilde;es anteriores que consideravam a internet mais um meio de comunica&ccedil;&atilde;o de massas, eles regulavam a rede de forma r&iacute;gida. Assim como regula propaganda na TV e no r&aacute;dio, a legisla&ccedil;&atilde;o mudou e gra&ccedil;as a dois vetos do presidente Lula a internet passou a ser lugar de participa&ccedil;&atilde;o mais livre.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Ela passou a ser pros legisladores, espa&ccedil;o de express&atilde;o individual. N&atilde;o s&oacute; os candidatos, mas qualquer pessoa poderia se manifestar. Vivemos um dos momentos mais ricos da democracia brasileira dos &uacute;ltimos anos. Milh&otilde;es de pessoas se posicionaram em rela&ccedil;&atilde;o ao processo pol&iacute;tico utilizando ferramentas multim&iacute;dias, subindo v&iacute;deos, sejam caseiros, elaborados, fazendo cobertura jornal&iacute;stica&#8230; Demos prioridade &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do na campanha da Dilma. Neste ano nessas elei&ccedil;&otilde;es que passaram, pela primeira vez cidad&atilde;o pol&iacute;ticos apoiadores passaram a ser protagonistas dos conte&uacute;dos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; disputa eleitoral.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Apenas no r&aacute;dio e TV, apoiadores da candidatura n&atilde;o podiam contribuir com conte&uacute;do, n&atilde;o tinha papel protagonista. Aquilo que a campanha falaria. Quem deu os rumos das mais diversas candidaturas foram os eleitores na rede.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Passamos na campanha da Dilma a deixar sua pr&oacute;pria opini&atilde;o a respeito do que vinha acontecendo no processo eleitoral. Sua pr&oacute;pria particularidade de texto. A elei&ccedil;&atilde;o no Brasil devolveu ao militante protagonismo do processo pol&iacute;tico. Coisa que n&atilde;o acontecia h&aacute; muito tempo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Internet &eacute; espa&ccedil;o incontrol&aacute;vel. N&atilde;o tem como dizer &ldquo;s&oacute; pode falar isso sobre a Dilma&rdquo;. Isso n&atilde;o acontece. N&oacute;s estimulamos a descentraliza&ccedil;&atilde;o, militantes se manifestaram de forma massiva, milhares de blogueiros e militantes tiveram protagonismo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><a href=\"http:\/\/www.trezentos.blog.br\/?p=1955\" target=\"_blank\">Falei sobre pol&iacute;tica em entrevista<\/a>  ao Antonio Martins do Le monde Brasil. Tem dois anos esse artigos. <a href=\"http:\/\/www.agenciafisl.com\/category\/audio\/\" target=\"_blank\">Confira o a&uacute;dio.<\/a> <br \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span class=\"padrao\">Democracia<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A internet qualificou a democracia. N&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; disputa dos projetos, mas tamb&eacute;m democratizou a possibilidade do militante influir na campanha do seu pr&oacute;prio candidato. N&atilde;o &eacute; s&oacute; democracia entre projetos. Tamb&eacute;m internamente nas campanhas, democratizou a constru&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, e isso deu poder ao internauta, que n&atilde;o tinha em rela&ccedil;&atilde;o com seu candidato. Ent&atilde;o &eacute; claro que democratizou do ponto de vista da democracia &#8211; milh&otilde;es de pessoas se pronunciando, Isso n&atilde;o acontecia antes, para a democracia isso &eacute; fant&aacute;stico. Os internautas colocaram suas opini&otilde;es. Foram e filmaram os com&iacute;cios. Ent&atilde;o, acho que isso fez acontecer o processo democr&aacute;tico, se deu no Brasil e tamb&eacute;m nos EUA.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Obama fez o uso internet mais primitiva. O Obama falando com os eleitores. Esse foi o forte da campanha dele, no Brasil n&atilde;o aconteceu da mesma forma. Os pr&oacute;prios eleitores falando, &ldquo;oi Dilma!&rdquo;, isso n&atilde;o se deu desta maneira.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&Eacute; incontrol&aacute;vel do ponto de vista da liberdade de express&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; como enquadrar ou centralizar, e isto &eacute; rico. Pois nenhum individuo pode ser controlado. No seu Orkut, no seu Facebook, ou no seu blog. Enquanto tivermos liberdade na internet, ela &eacute; incontrol&aacute;vel do ponto de vista positivo que isso possa significar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Mas h&aacute; riscos &ndash; ela est&aacute; sob amea&ccedil;a. Com o fim da neutralidade da rede, pois hoje a gente goza de neutralidade, e isso &eacute; um conceito de origem. Os criadores da web defendem a manuten&ccedil;&atilde;o da neutralidade da rede, conceito raiz da internet: ningu&eacute;m pode controlar fluxo das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Por exemplo, falar qual a velocidade de v&iacute;deo, de mp3, se for fulano, se ele paga menos, vai ser diferente do que de algu&eacute;m que paga mais. A operadora pode oferecer mais banda, mas n&atilde;o pode controlar o fluxo da banda que contratou. O fim da neutralidade, &eacute; que ela possa ser controlada por quest&otilde;es econ&ocirc;micas ou pol&iacute;ticas. A neutralidade &eacute; b&aacute;sica, &eacute; amea&ccedil;a do senador Azeredo. Senado aprovou ano retrasado projeto de lei que o presidente Lula na semana passada, pela 2&ordf; vez se manifesta contra a lei [PL 84\/99]. Pra garantir liberdade de express&atilde;o &eacute; preciso garantir liberdade na rede. Em v&aacute;rios lugares onde a liberdade de express&atilde;o ta amea&ccedil;ada, internautas conseguem furar controle e censura porque internet &eacute; livre.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span class=\"padrao\">A internet &eacute; democr&aacute;tica?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&Eacute; a m&iacute;dia mais democr&aacute;tica que existe no mundo. N&atilde;o tem plataforma democr&aacute;tica com essa possibilidade. Grande pra&ccedil;a publica, &aacute;gora, onde todos, tendo conectividade, podem se manifestar. A barreira est&aacute; na conectividade, a banda. Essa &eacute; a barreira. Ent&atilde;o &eacute; claro que &eacute; democr&aacute;tica, n&atilde;o h&aacute; nenhum espa&ccedil;o onde esses canais podem se expressar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">[Nesse cen&aacute;rio], o papel do Estado, rela&ccedil;&atilde;o do Estado, precisa mudar. N&atilde;o tem sentido a sociedade se comunicar de uma forma pra organizar festa, pra manifesta&ccedil;&atilde;o, e quando a sociedade se relaciona com a Estado &eacute; daquela forma burocr&aacute;tica. Acho que o Estado vai ficar mais 2.0. depois dessas elei&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span class=\"padrao\">Jovens<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Sobre o ponto de vista, da gera&ccedil;&atilde;o Y, dos direitos civis, liberdade de express&atilde;o, eles tem em m&eacute;dia conceitos resolvidos, superiores a gera&ccedil;&otilde;es anteriores. Liberdade de express&atilde;o: sindicato, partido pol&iacute;tico, feminismo, essas coisas nos ensinava valores. A m&eacute;dia da sociedade n&atilde;o tinha isso como direito, mas hoje qualquer jovem dos 9 aos 15 anos, tem claro esses valores. Eles s&atilde;o contra censura, controle. A nova gera&ccedil;&atilde;o p&oacute;s internet tem constru&iacute;do direitos civis sobre o direito de se express&atilde;o superior &agrave; minha gera&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">No entanto, &eacute; &oacute;bvio. Como a esquerda t&aacute; custando a compreender os outros valores politizados, a forma de relacionamentos da internet, d&aacute; para dizer que nos outros aspectos os jovens n&atilde;o assimilaram os valores do passado. Valores como reforma agr&aacute;ria, socialismo.. Isso pode ser constru&iacute;do.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Quem defende esses conceitos, continuar dizendo [palavras de ordem como] &ldquo;todos &agrave; luta&rdquo;, n&atilde;o vai funcionar. A forma de se comunicar com esses jovens precisa ser alterada pelos interlocutores que tem id&eacute;ias, do meu ponto de vista, positivas, propostas que fazem a sociedade avan&ccedil;ar. D&aacute; para dizer que o nativo digital &eacute; nativo na defesa da liberdade de express&atilde;o e contra a censura. N&atilde;o aprendeu isso na cartilha da esquerda.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span class=\"padrao\">E o que achou da express&atilde;o dos jovens nessas elei&ccedil;&otilde;es?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&Eacute; &oacute;bvio nessa campanha da Dilma tive oportundade de ver militantes do Serra, apoiadores, milhares de pessoas na rede se posicionando contra a Dilma com vis&atilde;o homof&oacute;bica, machista, preconceituosa, racista. Discriminat&oacute;ria. Isso foi a coisa que mais me deixou preocupado e indignado. At&eacute; agora p&oacute;s elei&ccedil;&otilde;es ainda fa&ccedil;o a varredura di&aacute;ria, e &eacute; puro preconceito. Que ela &eacute; feia, sapatona, guerrilheira, a guerra religiosa&#8230; Eu acho que a campanha do Serra ajudou a dar visibilidade a vis&otilde;es racistas, xenof&oacute;bicas. Em rela&ccedil;&atilde;o a valores da sociedade, que remetem aos anos 60, mas ao mesmo tempo h&aacute; jovens progressistas, os valores conservadores est&atilde;o em disputa. As redes socais e a internet n&atilde;o &eacute; espa&ccedil;o da direita ou da esquerda.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A internet permite novos relacionamentos, onde novas disputas v&atilde;o se combater. E h&aacute; espa&ccedil;o para aparecer uma juventude fascistinha. Um dia depois que a Dilma ganha fazem campanha contra nordestinos. Depois teve a campanha contra direito de livre express&atilde;o dos homossexuais. Coisas inadmiss&iacute;veis na sociedade moderna. Temos que travar dura batalha na rede contra esse tipo de atitude conservadora. Combater isso de forma pol&iacute;tica na rede, e em alguns casos utilizando o aparato judicial. Preconceito racial &eacute; crime no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span class=\"padrao\">Socialismo e Internet<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Tenho forma&ccedil;&atilde;o de esquerda socialista hist&oacute;rica. A Internet como forma de funcionamento est&aacute; mais perto dos valores do anarquismo do que do socialismo, pois h&aacute; a pr&oacute;pria forma descentralizada aut&ocirc;noma.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&Eacute; Claro que a vis&atilde;o hist&oacute;rica socialista pode se beneficiar com a Internet. H&aacute; um campo positivo pra ser constru&iacute;do e refundado sob os novos valores. Agora n&atilde;o d&aacute; pra esquecer o que eu lhe falei anteriormente: o pr&oacute;prio socialismo, e os partidos de esquerda socialista, s&atilde;o frutos de organiza&ccedil;&otilde;es de origem industrial. Foram fortes porque existiam em cima dessas ideias, desse mundo oper&aacute;rio. Para os ideias socialistas terem for&ccedil;a na rede, a pr&aacute;tica dos militantes t&ecirc;m que se modificar. E passar a construir seus valores de forma dogm&aacute;tica, n&atilde;o pode.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Ningu&eacute;m vai seguir uma ideia. E ao n&atilde;o seguir, ent&atilde;o acho que a internet &eacute; boa possibilidade dos ideais socialistas se refundarem. Com novas ideias progressistas, avan&ccedil;adas que surgir&aacute; com Internet, e que esquerda n&atilde;o dominava. A esquerda at&eacute; pouco tempo defendia as patentes, e ainda h&aacute; pessoas que as defendem.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Militante do PC &#8211; vamos falar de liberdade da propriedade do conhecimento. Se ele falasse isto h&aacute; 15 anos tr&aacute;s, &iacute;amos agora falar que queremos socializar os meios de produ&ccedil;&atilde;o, e democratizar movimento, e isso n&atilde;o &eacute; o que a esquerda que defendeu. A esquerda pra ter &ecirc;xito na internet, precisa aprender bastante; e, principalmente, com jovens que talvez n&atilde;o entendam tanto de socialismo, mas sabem se comunicar nas redes sociais, e assim a constru&ccedil;&atilde;o coletiva pode superar a esquerda tradicional.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O ativista do Software  Livre tamb&eacute;m foi coordenador de m&iacute;dias sociais da  campanha de Dilma Rousseff<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1318],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25129"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25129"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25129\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}