{"id":25044,"date":"2010-10-27T17:25:33","date_gmt":"2010-10-27T17:25:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25044"},"modified":"2014-09-07T03:01:10","modified_gmt":"2014-09-07T03:01:10","slug":"conselhos-sao-embrioes-de-politicas-publicas-constitucionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25044","title":{"rendered":"Conselhos s\u00e3o embri\u00f5es de pol\u00edticas p\u00fablicas constitucionais"},"content":{"rendered":"<div>\n<p class=\"padrao\">A  aprova&ccedil;&atilde;o de um indicativo para implementa&ccedil;&atilde;o do Conselho de  Comunica&ccedil;&atilde;o Social do Cear&aacute; foi propagada como medida obscurantista pela  maioria da grande imprensa e radiodifus&atilde;o brasileira. A iniciativa da  deputada Raquel Marques (PT), apreciada por unanimidade pela Assembl&eacute;ia  Legislativa e encaminhada para o governador reeleito Cid Gomes (PSB),  foi taxada como perigo a liberdade imprensa e express&atilde;o pela Associa&ccedil;&atilde;o  Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e TV (Abert), Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de  Jornais (ANJ) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). J&aacute; o Ministro do  Superior Tribunal Federal (STF) Marco Aur&eacute;lio Mello se pronunciou&sup1; que  nem a Lei, nem &oacute;rg&atilde;o administrativo, podem criar quaisquer embara&ccedil;o &agrave;  informa&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Abert,  ANJ, o Ministro do STF e setores da m&iacute;dia distorcem os fatos para  amedrontar a sociedade sobre o papel dos Conselhos. N&atilde;o &eacute; uma resolu&ccedil;&atilde;o  da I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom) a instala&ccedil;&atilde;o desses  &oacute;rg&atilde;os. A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal no Art 224 j&aacute; prev&ecirc; o Conselho de  Comunica&ccedil;&atilde;o Social pelo Congresso Nacional, a fim de regulamentar os  artigos 220, 221, 222 e 223, do Cap&iacute;tulo V da Carta Magna. Infelizmente o  Senado, respons&aacute;vel pelo Conselho, o mant&eacute;m desativado.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Em  n&iacute;vel estadual, Constitui&ccedil;&otilde;es como do Par&aacute;, Bahia, Alagoas, Rio de  Janeiro, Rio Grande do Sul e Goi&aacute;s tamb&eacute;m deliberam pela convoca&ccedil;&atilde;o de  Conselho Estadual. Assim, a I Confecom buscou orientar para  complementariedade entre Uni&atilde;o, Estados e Municipios, atenta para o fato  de nenhuma pol&iacute;tica p&uacute;blica no pa&iacute;s se constituir sem a participa&ccedil;&atilde;o  dos tr&ecirc;s entes federativos. &nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">No  caso dos Conselhos Estaduais n&atilde;o h&aacute; nada a temer entre suas fun&ccedil;&otilde;es  deliberativas, consultivas e fiscalizat&oacute;rias. As Constitui&ccedil;&otilde;es dos  estados sub nacionais brasileiros costumam destacar a comunica&ccedil;&atilde;o nas  responsabilidades, culturais, sociais e econ&ocirc;micas, a exemplo do Cear&aacute;.  Envolver a comunica&ccedil;&atilde;o nesses termos j&aacute; &eacute; m&eacute;rito destac&aacute;vel. Resolu&ccedil;&otilde;es  na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) j&aacute; apontam para essas atribui&ccedil;&otilde;es  aos governantes h&aacute; cerca de 50 anos, em especial no processo que  desencadeou o relat&oacute;rio &quot;Um Mundo e Muitas Vozes. Comunica&ccedil;&atilde;o e  informa&ccedil;&atilde;o na nossa &eacute;poca&quot; lan&ccedil;ado em 1981 e considerado at&eacute; hoje o  documento mais completo sobre os desafios do setor para as sociedades  modernas. &nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Entre  os problemas elencados pelo relat&oacute;rio est&atilde;o as disparidades regionais e  a concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, e curiosamente o Brasil j&aacute; &eacute; citado como  exemplo negativo neste quesito. No caso da legisla&ccedil;&atilde;o e estrutura  administrativa nacional o condensamento de atribui&ccedil;&otilde;es a Uni&atilde;o na  comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das caracter&iacute;sticas que representam sua defasagem. Tal  situa&ccedil;&atilde;o impede o Estado de atenuar as desigualdades e incluir a  comunica&ccedil;&atilde;o como vetor num desenvolvimento socioecon&ocirc;mico  horizontalizado.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Durante  a I Confecom setores empresariais destac&aacute;veis participaram at&eacute; o fim,  como a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (ABRA) e Associa&ccedil;&atilde;o  Brasileira de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Telebrasil). Uma das condi&ccedil;&otilde;es impostas  por esses setores foi vetar a vota&ccedil;&atilde;o de propostas em estados e  municipios. A medida, apelidada de <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23492\" target=\"_blank\">&quot;AI-8&quot; da Confecom<\/a>,  visava estancar a intensa mobiliza&ccedil;&atilde;o das Comiss&otilde;es Pr&oacute; Confer&ecirc;ncia  (CPC), diretamente respons&aacute;veis em tornar a Confecom irrevers&iacute;vel na sua  caminhada ardilosa. Impedia-se assim que a sociedade civil se  apropiasse das complexas pautas negociadas nos Grupos de Trabalho (GT) e  plen&aacute;rio da Confecom, posteriormente no Congresso e na agenda eleitoral  nos tr&ecirc;s n&iacute;veis da federa&ccedil;&atilde;o. Ao final, a implementa&ccedil;&atilde;o de Conselhos  foi uma das poucas resolu&ccedil;&otilde;es da Confecom que apontou para a  descentraliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Finalizada  a Confecom alguns estados e munic&iacute;pios e a sociedade civil conseguiram  ultrapassar os limites do poder Federal. Na Bahia, a I Confer&ecirc;ncia  Estadual de 2008 sinalizou que as for&ccedil;as regionais come&ccedil;avam a se  movimentar com relativa autonomia. O processo foi considerado  alavancador da Confecom e teve a implementa&ccedil;&atilde;o do<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24273\" target=\"_blank\"> Conselho ponto priorit&aacute;rio entre governo, sociedade civil e empres&aacute;rios<\/a>, com Projeto de Lei pronto para ser enviado &agrave; Assembl&eacute;ia ainda em 2010.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">No Piau&iacute;, enquanto <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24661\" target=\"_blank\">governado por Wellington Dias (PT<\/a>),  foi desenvolvido uma Unidade de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Comunica&ccedil;&atilde;o,  voltada para radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria, e p&oacute;s Confecom encaminhado um  projeto de lei para o Conselho Estadual. Em <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24864\" target=\"_blank\">Sergipe um GT formulou propostas para fortalecimento da radiodifus&atilde;o p&uacute;blica<\/a> local, j&aacute; em<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24488\" target=\"_blank\"> Pernambuco a TV p&uacute;blica passa por renascimento<\/a>,  ambos, com ampla participa&ccedil;&atilde;o da sociedade. No Cear&aacute;, a CPC local se  constituiu como Rede Cearense pela Comunica&ccedil;&atilde;o (Redcom) e formulou a  proposta de Conselho Estadual encampada pela parlamentar petista. &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Vale  ressaltar que as propostas de Conselho no Cear&aacute;, S&atilde;o Paulo, Alagoas,  Bahia e Piau&iacute; prev&ecirc;em a participa&ccedil;&atilde;o empresarial, em propor&ccedil;&atilde;o muito  superior a m&eacute;dia dos demais Conselhos de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como sa&uacute;de e  educa&ccedil;&atilde;o. Na Bahia, entidades empresariais participaram ativamente do  Grupo de Trabalho que finalizou uma proposta de consenso do Conselho,  atualmente sob estudo pela Procuradoria Geral do Estado.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\"><strong>V&aacute;cuos hist&oacute;ricos<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Tais  propostas estaduais, em especial os Conselhos, caminham sob v&aacute;cuos  hist&oacute;ricos do setor, nos quais valem destacar: estrutura administrativa,  racionaliza&ccedil;&atilde;o das verbas publicit&aacute;rias, fortalecimento do sistema  p&uacute;blico, observat&oacute;rio &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos na m&iacute;dia,  acompanhamento da utiliza&ccedil;&atilde;o do espectro e libera&ccedil;&atilde;o de outorgas e  tamb&eacute;m da qualidade dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">O  primeiro v&aacute;cuo &eacute; que os governos estaduais n&atilde;o det&eacute;m estruturas  administrativas aptas para tocar as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o sob  interesses sociais e como vetor de desenvolvimento. Geralmente as  secretarias de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o meras assessorias de imprensa do governo e  respons&aacute;veis em distribuir as verbas publicit&aacute;rias. S&atilde;o desarticuladas  as a&ccedil;&otilde;es das emissoras p&uacute;blicas, empresas gr&aacute;ficas, ouvidorias e at&eacute; secretarias, em especial as com rela&ccedil;&otilde;es mais diretas com a comunica&ccedil;&atilde;o,  a exemplo da cultura, educa&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia e tecnologia. Assim, o  Conselho tem o papel de auxiliar o governo na condu&ccedil;&atilde;o de pontos  convergentes entre &oacute;rg&atilde;os que podem dar corpo coerente a Planos  Estaduais de Comunica&ccedil;&atilde;o e futuramente Secretarias dotadas de estrutura  humana e f&iacute;sica apropriada.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\"><strong>Racionaliza&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">O  segundo v&aacute;cuo &eacute; o planejamento de pol&iacute;ticas estaduais com participa&ccedil;&atilde;o  da sociedade civil e atentas para os gastos com publicidade e  propaganda. &nbsp;Atualmente as pol&iacute;ticas estaduais s&atilde;o focalizadas em  injetar volumosas verbas de publicidade e propaganda. Em 2009, os  governos estaduais gastaram R$ 1,69 bilh&otilde;es neste quesito, valor em  crescimento progressivo ano a ano. S&atilde;o Paulo &eacute; o recordista e representa  20% deste total, R$ 311 milh&otilde;es&sup2;.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Tal  montante torna os poderes executivos anunciantes de peso  &nbsp;-provavelmente os maiores- no varejo local e reproduzem a mesma l&oacute;gica  nacional: se beneficiam destes recursos aqueles que det&eacute;m maior  audi&ecirc;ncia, tiragem ou acesso, crit&eacute;rios &quot;t&eacute;cnicos&quot; utilizados para  distribui&ccedil;&atilde;o destas verbas.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Ainda  nas verbas de propaganda, &eacute; not&oacute;ria a aus&ecirc;ncia de transpar&ecirc;ncia na sua  destina&ccedil;&atilde;o.O caminho tradicional do repasse destes recursos &eacute; a  contrata&ccedil;&atilde;o de ag&ecirc;ncias de publicidade que compram os an&uacute;ncios no  varejo, caracterizando uma rela&ccedil;&atilde;o entre iniciativa privada, a pre&ccedil;os  livres de concorr&ecirc;ncia, deixando a sociedade e org&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o de  gastos, como os tribunais de contas, sem par&acirc;metros claros do destino  final e quantidade dos recursos alocados.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">J&aacute;  os pequenos e m&eacute;dios ve&iacute;culos, sem condi&ccedil;&otilde;es de medir ou alcan&ccedil;ar  percentuais significativos nos crit&eacute;rios de contrata&ccedil;&atilde;o das ag&ecirc;ncias,  ficam vulner&aacute;veis a terem afinidades com a linha editorial das  assessorias de comunica&ccedil;&atilde;o dos governos para tentar receber parte deste  recurso.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Neste  cen&aacute;rio os Conselhos podem se tornar espa&ccedil;os de racionaliza&ccedil;&atilde;o das  verbas publicit&aacute;rias, protegendo empresas jornal&iacute;sticas e governos.  Ganha o cidad&atilde;o ao ter jornalismo aut&ocirc;nomo, sem embara&ccedil;os econ&ocirc;micos e  pol&iacute;ticos, e tamb&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es sobre a legalidade e viabilidade dos  gastos p&uacute;blicos em publicidade. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\"><strong>Fortalecimento do Sistema P&uacute;blico<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">O  terceiro v&aacute;cuo &eacute; o fortalecimento dos ve&iacute;culos de car&aacute;ter p&uacute;blico. As  emissoras p&uacute;blicas s&atilde;o historicamente sucateadas, com baixos n&iacute;veis de  audi&ecirc;ncia. Enquanto a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) se estrutura  com relativa velocidade em n&iacute;vel nacional, as TV&#39;s estaduais continuam  sob inger&ecirc;ncia do poder Executivo e a aus&ecirc;ncia de fontes perenes de  financiamento.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&Agrave;s  emissoras comunit&aacute;rias s&atilde;o negados programas em complementariedade as  demais pol&iacute;ticas sociais e as verbas publicit&aacute;rias s&atilde;o proibidas pela lei. N&atilde;o &eacute; novidade o papel da comunica&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento  socioecon&ocirc;mico e promo&ccedil;&atilde;o de valores compat&iacute;veis com a dignidade humana.  Nas periferias dos centros urbanos e na zona rural brasileira os  ve&iacute;culos comunit&aacute;rios s&atilde;o alternativas vi&aacute;veis para informes educativos e  valoriza&ccedil;&atilde;o cultural. Liberar novas outorgas comunit&aacute;rias n&atilde;o altera  tal panorama, porque o comunicador, sem mecanismos de sustentabilidade,  fica &agrave; merc&ecirc; de &quot;padrinhos&quot; pol&iacute;ticos ou religiosos, deteriorando a  qualidade da informa&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span class=\"padrao\">Se  trata de papel do Estado promover a sustentabilidade da radiodifus&atilde;o  p&uacute;blica e comunit&aacute;ria, conforme aponta a Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados  Americanos (OEA), na sua<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24497\" target=\"_blank\"> Relatoria Anual para Liberdade de Express&atilde;o.<\/a><\/span> <span class=\"padrao\">Para a OEA a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade comercial da radiodifus&atilde;o tem efeito similiar a censura: o sil&ecirc;ncio.&nbsp;<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Assim,  os Conselhos Estaduais podem se tornar espa&ccedil;os embrion&aacute;rios na  elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas com participa&ccedil;&atilde;o social, n&atilde;o s&oacute; para revis&atilde;o do  car&aacute;ter das verbas publicit&aacute;rias, mas tamb&eacute;m de diagn&oacute;sticos,  desenvolvimento de fundos de fomento, cursos, redes e assessoria  t&eacute;cnica, para os ve&iacute;culos comprometidos com a diversidade e pluralidade,  desafogando a Uni&atilde;o de responsabilidade sob esses meios. &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\"><strong>Observat&oacute;rio &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es aos Direitos Humanos<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Um  &oacute;rg&atilde;o administrativo do Executivo estadual, como o Conselho, n&atilde;o tem  compet&ecirc;ncia legal para interferir no conte&uacute;do dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. O  quarto v&aacute;cuo cumprido por estes &oacute;rg&atilde;os &eacute; de observar &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es aos  direitos humanos e encaminhar relat&oacute;rios para o Minist&eacute;rio P&uacute;blico  Estadual ou Federal tomarem as provid&ecirc;ncias necess&aacute;rias.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Atualmente  a grade regional &eacute; abarrotada por programas policialescos, transmitidos  em hor&aacute;rios inapropriados para crian&ccedil;as e adolescentes, permeados de  sangue, criminaliza&ccedil;&atilde;o de grupos hitoricamente discriminados e  setenciamento ilegal.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">O  Cear&aacute; teve tr&ecirc;s programas notificados pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (MJ)  em 2004, quando se tentou efetivar a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa: &ldquo;Barra  Pesada&rdquo; da TV Jangadeiro (SBT), &ldquo;Cidade 190&rdquo; da TV Cidade (Record) e  &ldquo;Rota 22&rdquo; da TV Di&aacute;rio (Globo). &nbsp;Na Bahia um <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24898\" target=\"_blank\">monitoramento &nbsp;entre os meses de janeiro e julho de 2010 sistematizou este conjunto de viola&ccedil;&otilde;e<\/a>s.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Neste  quesito os Conselhos se tornam espa&ccedil;os fundamentais para  institucionalizar estas den&uacute;ncias, buscando interlocu&ccedil;&atilde;o direta com os  empres&aacute;rios, que det&eacute;m cadeiras cativas na composi&ccedil;&atilde;o, bem como  estimular interven&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio P&uacute;blico junto ao poder Judici&aacute;rio.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\"><strong>Utiliza&ccedil;&atilde;o do espectro&nbsp;<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">A  libera&ccedil;&atilde;o de outorgas de radiodifus&atilde;o &eacute; de compet&ecirc;ncia da Uni&atilde;o,  segundo a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. O tr&acirc;mite para obter uma concess&atilde;o j&aacute; &eacute;  dotado de pouca transpar&ecirc;ncia e envolve as comiss&otilde;es tem&aacute;ticas do  Congresso, fartamente frequentada por pol&iacute;ticos radiodifusores. A  sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade se reverte na utiliza&ccedil;&atilde;o do espectro. &Eacute; comum  r&aacute;dios e TV&#39;s pelo pa&iacute;s expandirem suas transmiss&otilde;es para localidade  onde n&atilde;o foram licenciadas ou mesmo continuarem a operar com o prazo do  contrato expirado. Caberia ent&atilde;o ao Conselho Estadual encaminhar &agrave;  Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) e ao Conselho Nacional  relat&oacute;rios sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o do espectro e dar maior transpar&ecirc;ncia  local aos processos de outorgas.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">No  caso das emissoras comunit&aacute;rias o caminho para obter uma outorga come&ccedil;a  pela barreira t&eacute;cnica, na qual as comunidades mais humildes t&ecirc;m  dificuldade de responder. S&atilde;o comuns os pol&iacute;ticos e\/ou religiosos que se  especializaram em preencher tais requisitos para trocar por favores  pol&iacute;ticos aos comunicadores. O quinto v&aacute;cuo do Conselho Estadual se  conclui ao prestar assessorias t&eacute;cnicas aos comunidadores comunit&aacute;rios e  acompanhar o processo de libera&ccedil;&atilde;o de outorgas, a fim de atenuar, na  origem, as distor&ccedil;&otilde;es na radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. &nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\"><strong>Servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Na  d&eacute;cada de 1990 a privatiza&ccedil;&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es tornou os governos  estaduais meros recolhedores e impostos nesse segmento. O Imposto de  Circula&ccedil;&atilde;o de Mercadorias (ICMS) nas teles costuma encarecer os  servi&ccedil;os, representando at&eacute; 60% do valor total em n&iacute;vel estadual, em  alguns casos o montante &eacute; superior a armamentos e cosm&eacute;ticos, &nbsp;segundo o  <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24535\" target=\"_blank\">Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea<\/a>).  A arrecada&ccedil;&atilde;o do ICMS &eacute; distribu&iacute;da para diversas pol&iacute;ticas, como  sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a p&uacute;blica, mas as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o  ficam &oacute;rf&atilde;s do que movimentam economicamente. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">O  resultado &eacute; que os governos estaduais se resumem em aplicar iniciativas  de inclus&atilde;o digital via telecentros e parcerias com empresas de  telecomunica&ccedil;&otilde;es para prover internet em escolas p&uacute;blicas. A&ccedil;&otilde;es que  pouco interferem para atenuar as disparidades regionais do setor e  promover a universaliza&ccedil;&atilde;o no acesso &agrave; internet em alta velocidade  (banda larga), telefonia fixa ou mesmo barateamento das tarifas na  telefonia m&oacute;vel. Esse &eacute; o sexto v&aacute;cuo destac&aacute;vel das pol&iacute;ticas  estaduais.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">Caberia  ent&atilde;o aos Conselhos Estaduais encaminhar sugest&otilde;es para o poder  Executivo e a Assembl&eacute;ia Legislativa para promover a expans&atilde;o destes  servi&ccedil;os. Podendo se pensar, inclusive, em reativar as empresas estatais  de telecomunica&ccedil;&otilde;es, em complementariedade &agrave; Telebr&aacute;s. Tamb&eacute;m se faz  necess&aacute;rio um &oacute;rg&atilde;o que d&ecirc; legitimidade &agrave;s den&uacute;ncias aos abusos  cometidos pelas empresas e as redirecione &agrave; Anatel e Conselho Nacional.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\"><em>* Pedro Carib&eacute; &eacute; jornalista, rep&oacute;rter do Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e integrante do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. <\/em><\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">1 &#8211; Jornal Nacional do dia 21\/10\/2010<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"padrao\">2 -Informa&ccedil;&atilde;o publicada na Folha de S&atilde;o Paulo, 24\/05\/2010.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aprova&ccedil;&atilde;o do projeto que cria Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o do Cear&aacute; pela Assembl&eacute;ia Legislativa &eacute; um avan&ccedil;o para a democracia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25044"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25044"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25044\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28193,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25044\/revisions\/28193"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}