{"id":25035,"date":"2010-10-26T12:00:22","date_gmt":"2010-10-26T12:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25035"},"modified":"2014-09-07T03:01:04","modified_gmt":"2014-09-07T03:01:04","slug":"sociedade-civil-exige-regulacao-de-artigos-constitucionais-da-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25035","title":{"rendered":"Sociedade civil exige regula\u00e7\u00e3o de artigos constitucionais da comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie negou o andamento da A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade por Omiss&atilde;o (ADO n&ordm;9) movida pela Federa&ccedil;&atilde;o dos Radialistas (Fitert) e a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj). A A&ccedil;&atilde;o foi ajuizada na quarta-feira (20) e arquivada na quinta (21). As organiza&ccedil;&otilde;es sindicais, com o aux&iacute;lio do professor da Faculdade de Direito da Universidade de S&atilde;o Paulo e jurista F&aacute;bio Konder Comparato, pediam que a Justi&ccedil;a declarasse omiss&atilde;o inconstitucional do Congresso Nacional em legislar sobre algumas leis da Constitui&ccedil;&atilde;o sobre comunica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o foram regulamentadas, como os artigos 220 e 221.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Se a reivindica&ccedil;&atilde;o da Fitert e da Fenaj for aceita pelo STF, o Congresso ter&aacute; que providenciar a regulamenta&ccedil;&atilde;o dos artigos constitucionais em regime de urg&ecirc;ncia. No entanto, a ministra Ellen Gracie, relatora da ADO 9, entendeu que as entidades sindicais n&atilde;o tinham legitimidade para serem as proponentes da A&ccedil;&atilde;o. &ldquo;No &acirc;mbito das associa&ccedil;&otilde;es sindicais, apenas est&atilde;o aptas a deflagrar o controle concentrado de constitucionalidade as entidades de terceiro grau, ou seja, as confedera&ccedil;&otilde;es sindicais, excluindo-se, portanto, os sindicatos e as federa&ccedil;&otilde;es, ainda que possuam abrang&ecirc;ncia nacional&rdquo;, disse ela, em not&iacute;cia publicada no site do Supremo. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A batalha, por&eacute;m, n&atilde;o est&aacute; perdida. O jurista F&aacute;bio Comparato criticou a decis&atilde;o monocr&aacute;tica da ministra Ellen Gracie. Ele afirmou que vai entrar com um agravo regimental no STF nesta ter&ccedil;a-feira (26). Trata-se de um recurso judicial que pede que a decis&atilde;o sobre a quest&atilde;o seja tomada pelo conjunto dos ministros do Supremo. Se o colegiado tiver o mesmo entendimento que Ellen Gracie, Comparato deve apresentar a A&ccedil;&atilde;o novamente por meio de uma confedera&ccedil;&atilde;o sindical. At&eacute; o momento, portanto, o m&eacute;rito da ADO 9 sequer foi analisado. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Regulamenta&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A A&ccedil;&atilde;o proposta pela Fitert e Fenaj centra seu pedido em tr&ecirc;s pontos. O primeiro questiona a omiss&atilde;o legislativa quanto ao direito de resposta. Tal dispositivo existe na Constitui&ccedil;&atilde;o, mas a sua regula&ccedil;&atilde;o foi extinta junto com a Lei de Imprensa (Lei n&deg; 5.250, de 9 de fevereiro de 1967) pelo pr&oacute;prio STF em 19 de abril de 2009. Com isso, a aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica desse direito ficou prejudicada pela falta de par&acirc;metros.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">&ldquo;Se, por exemplo, o jornal ou peri&oacute;dico publica a resposta do ofendido em caracteres bem menores que os da mat&eacute;ria considerada ofensiva, ou em se&ccedil;&atilde;o diversa daquela em que apareceu a not&iacute;cia a ser retificada, ter&aacute; sido dado cumprimento ao preceito constitucional? Analogamente, quando a ofensa &agrave; honra individual, ou a not&iacute;cia err&ocirc;nea, s&atilde;o divulgadas por emissora de r&aacute;dio ou televis&atilde;o, caso a transmiss&atilde;o da resposta ou da retifica&ccedil;&atilde;o do ofendido for feita em outra emissora da mesma cadeia de r&aacute;dio ou televis&atilde;o, ou em programa e hor&aacute;rio diversos da transmiss&atilde;o ofensiva ou err&ocirc;nea, ter&aacute; sido cumprido o dever fundamental de resposta?&rdquo;, questiona a A&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">O texto da ADO tamb&eacute;m lembra, ainda sobre esse ponto, que at&eacute; hoje n&atilde;o existe uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica que regule o direito de resposta quando a ofensa ou a informa&ccedil;&atilde;o equivocada for divulgada pela internet. &ldquo;Quando muito, a Justi&ccedil;a Eleitoral procura, bem ou mal, remediar essa tremenda lacuna com a utiliza&ccedil;&atilde;o dos parcos meios legais de bordo &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, esclarece a ADO.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A segunda quest&atilde;o levantada pelas entidades sindicais &eacute; a falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios dispostos no art. 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. O citado artigo define que a prefer&ecirc;ncia das programa&ccedil;&otilde;es deve servir &agrave; finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas; que deve promover a cultura nacional e regional, estimulando a produ&ccedil;&atilde;o independente; que deve assegurar a regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica, conforme percentuais estabelecidos em lei; e que respeite os valores &eacute;ticos e sociais da pessoas e da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">No entanto, todo o artigo est&aacute; prejudicado pela falta de regula&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m de uma a&ccedil;&atilde;o fiscalizat&oacute;ria mais ativa por parte do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom). Para ficar apenas no problema da falta de regionaliza&ccedil;&atilde;o, vale citar um estudo realizado por este Observat&oacute;rio a partir da an&aacute;lise de 58 emissoras em onze capitais das cinco regi&otilde;es do pa&iacute;s. Ele demonstrou que apenas 10,8% do tempo veiculado &eacute; ocupado com conte&uacute;dos de origem local. O &iacute;ndice &eacute; bastante inferior ao percentual de 30% previsto no Projeto de Lei n&ordm; 256\/1991 da ent&atilde;o deputada &ndash; eleita novamente este ano &#8211; Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que visa regulamentar o dispositivo constitucional citado acima, tramitando no Congresso Nacional h&aacute; 19 anos. Conhe&ccedil;a a pesquisa <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=22572\" target=\"_blank\">&ldquo;Produ&ccedil;&atilde;o Regional na TV Aberta Brasileira&rdquo;<\/a>.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Sobre o assunto, a ADO diz: &ldquo;Nem se argumente, para contestar a ocorr&ecirc;ncia dessa omiss&atilde;o legislativa inconstitucional, com a perman&ecirc;ncia em vigor do C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Lei n&deg; 4.117, de 27 de agosto de 1962), promulgado antes do advento do regime militar de exce&ccedil;&atilde;o. A rigor, a &uacute;nica disposi&ccedil;&atilde;o desse C&oacute;digo, pertinente aos princ&iacute;pios enunciados no art. 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, &eacute; a do seu art. 38, alinea h, a qual determina deverem as emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o destinar um m&iacute;nimo de 5% (cinco por cento) de seu tempo para transmiss&atilde;o de servi&ccedil;o noticioso; sem qualquer refer&ecirc;ncia &agrave;s transmiss&otilde;es com finalidades educativas, culturais ou art&iacute;sticas.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A omiss&atilde;o legislativa em regular a proibi&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lio ou oligop&oacute;lio dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social &eacute; o terceiro ponto da A&ccedil;&atilde;o ajuizada por Comparato em conjunto com as entidades sindicais. Apesar de estar presente no artigo 220 da Constitui&ccedil;&atilde;o, tal medida n&atilde;o &eacute; regulamentada e tampouco auto-aplicada no pa&iacute;s. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A defini&ccedil;&atilde;o legal que existe sobre o assunto &eacute; um Decreto-Lei 236 de 1967, que estabelece os limites referentes &agrave;s outorgas que podem ser obtidas por uma &ldquo;entidade&rdquo;. Em n&iacute;vel regional, tal restri&ccedil;&atilde;o &eacute; de quatro esta&ccedil;&otilde;es de Ondas M&eacute;dias e seis de FM. Em n&iacute;vel nacional cada ente s&oacute; pode operar at&eacute; duas esta&ccedil;&otilde;es de Onda Curtas e de Ondas M&eacute;dias e at&eacute; dez emissoras de TV, sendo no m&aacute;ximo cinco em VHF e duas por estado. No entanto, v&aacute;rios grupos burlam tal decreto, usando pessoas jur&iacute;dicas diferentes, mas que pertecem aos mesmos grupos econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos para conseguir as concess&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A A&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m cita um caso norte-americano para exemplificar como a regula&ccedil;&atilde;o &eacute; importante para frear a tend&ecirc;ncia monopolista do mercado capitalista. Ela lembra que em 1966, no auge da press&atilde;o desregulamentadora do movimento neoliberal, o Congresso dos Estados Unidos votou o Telecommunications Act, que eliminou a maior parte das restri&ccedil;&otilde;es &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de grupos de controle no setor de comunica&ccedil;&otilde;es de massa, estabelecidas por uma lei anterior, de 1934.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">&ldquo;O resultado n&atilde;o se fez esperar: enquanto em 1983 existiam nos Estados Unidos 50 grupos de comunica&ccedil;&atilde;o social, menos de 10 anos ap&oacute;s a edi&ccedil;&atilde;o do Telecommunications Act de 1996 o mercado norte-americano do setor passou a ser dominado por 5 macroconglomerados de comunica&ccedil;&atilde;o de massa; os quais diferem entre si unicamente pelo estilo das publica&ccedil;&otilde;es e transmiss&otilde;es, pois o conte&uacute;do das mensagens divulgadas &eacute; exatamente o mesmo&rdquo;, relata a ADO.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Motiva&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O coordenador da Fitert, Nascimento Silva, explica que um dos motivos para a A&ccedil;&atilde;o &eacute; a dificuldade que a sociedade tem encontrado de fazer com que o legislativo crie e regulamente leis para a &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o em defesa do interesse p&uacute;blico. Ele lembra, por exemplo, que tanto a C&acirc;mara quanto o Senado pouco fizeram para dar encaminhamentos as mais de 600 propostas aprovadas na Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que ocorreu no fim de 2009. <\/p>\n<p>Apesar de este recurso judicial escolhido pelas entidades sindicais ter poucos precedentes no pa&iacute;s, o jurista F&aacute;bio Comparato acredita ser essencial que o Estado tenha uma atua&ccedil;&atilde;o mais forte no setor. &ldquo;Essa conversa fiada de excesso regulamentar, no setor, &eacute; t&iacute;pica da mentalidade capitalista. At&eacute; a velhinha de Taubat&eacute; sabia que o mercado s&oacute; &eacute; livre quando o abuso de poder &eacute; impedido por adequadas disposi&ccedil;&otilde;es legais e administrativas. Sem isto, prevalece necessariamente a lei do mais forte, ou melhor, do que tem menos escr&uacute;pulos&rdquo;, arremata.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">* Leia tamb&eacute;m a <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=25032\" target=\"_blank\">entrevista<\/a>  do jurista F&aacute;bio Konder Comparato sobre o tema. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em A&ccedil;&atilde;o ajuizada no STF, entidades pedem que o &oacute;rg&atilde;o exija do Congresso regulamenta&ccedil;&atilde;o de artigos constitucionais relativos &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1433],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25035"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25035"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25035\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28185,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25035\/revisions\/28185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}