{"id":25000,"date":"2010-10-14T15:32:30","date_gmt":"2010-10-14T15:32:30","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25000"},"modified":"2010-10-14T15:32:30","modified_gmt":"2010-10-14T15:32:30","slug":"em-12-anos-de-privatizacao-gastos-com-telefonia-triplicam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25000","title":{"rendered":"Em 12 anos de privatiza\u00e7\u00e3o, gastos com telefonia triplicam"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Passados 12 anos da privatiza&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, o pre&ccedil;o da assinatura b&aacute;sica de telefone passou de R$ 10 para R$ 28,80 &ndash; exclu&iacute;dos tributos. O valor atual representa 188% de aumento desde 1998, enquanto a infla&ccedil;&atilde;o oficial, medida pelo &Iacute;ndice Nacional de Pre&ccedil;os ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 118%. Estudos de ONGs que acompanham a quest&atilde;o apontam que o acesso est&aacute; distante de ser universalizado tanto em telefonia quanto em banda larga. Al&eacute;m disso, o modelo de desestatiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi capaz de promover concorr&ecirc;ncia no setor.<\/p>\n<p>O tema foi retomado no debate entre candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica de domingo (10). A governista Dilma Rousseff (PT) criticou Jos&eacute; Serra (PSDB) por ter sido favor&aacute;vel &agrave; venda do sistema Telebr&aacute;s e de outras estatais &agrave; iniciativa privada. O tucano defendeu a medida, alegando que ela foi respons&aacute;vel pela expans&atilde;o dos servi&ccedil;os. Ele alega que, a venda do patrim&ocirc;nio p&uacute;blico permitiu acesso a um servi&ccedil;o mais barato e de melhor qualidade, e sem a medida os brasileiros viveriam na era do &quot;orelh&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, estudos apontam que o servi&ccedil;o &eacute; caro e a universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso, um dos crit&eacute;rios fundamentais na hora da concess&atilde;o, n&atilde;o foi efetivado. Especialistas consideram que o quadro atual revela as perversidades do processo de capitaliza&ccedil;&atilde;o conduzido pelo governo Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>&quot;A privatiza&ccedil;&atilde;o foi feita para transferir recursos, muitos recursos para a iniciativa privada. E, pior, para a iniciativa privada de pa&iacute;ses estrangeiros. Esse preju&iacute;zo se estende at&eacute; hoje porque as concession&aacute;rias monopolizam as redes de comunica&ccedil;&atilde;o de dados do Brasil, impedindo a universaliza&ccedil;&atilde;o desse servi&ccedil;o&quot;, resume Fl&aacute;via Lef&egrave;vre Guimar&atilde;es, advogada do Proteste.<\/p>\n<p>Do faturamento total, a assinatura b&aacute;sica responde pela maior fatia dos lucros da Telef&ocirc;nica: 25%. A quest&atilde;o &eacute; que o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o incluiu outra concess&atilde;o &agrave;s empresas. At&eacute; 2005, elas puderam escolher um setor no qual incluiriam um aumento anual de 9% &ndash; o escolhido foram as assinaturas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, at&eacute; aquele ano a corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria era feita pelo &Iacute;ndice Geral de Pre&ccedil;os-Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas que garantiu aumentos bem acima da infla&ccedil;&atilde;o oficial, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) no IPCA &ndash; &iacute;ndice refer&ecirc;ncia para aumentos salariais dos trabalhadores, por exemplo. Por isso o valor da assinatura aumentou 2,8 vezes.<\/p>\n<p>A advogada do Proteste acrescenta que o lucro obtido com assinaturas, uma concess&atilde;o p&uacute;blica, &eacute; usado pelas empresas para financiar os mercados de banda larga e TV por assinatura, que s&atilde;o privados. Na avalia&ccedil;&atilde;o da entidade, j&aacute; somados os impostos, a assinatura b&aacute;sica deveria ficar em R$ 14 &ndash; hoje, na m&eacute;dia, fica em R$ 40.<\/p>\n<p>Como revela reportagem da Revista do Brasil n&uacute;mero 39, o terreno favor&aacute;vel &agrave; venda ao setor privado foi preparado tr&ecirc;s anos antes da privatiza&ccedil;&atilde;o, com eleva&ccedil;&atilde;o de 2.000% na assinatura b&aacute;sica &ndash; antes, custava o equivalente a R$ 0,44. Ou seja, caiu fortemente o pre&ccedil;o de compra da linha, chamado de &quot;taxa de habilita&ccedil;&atilde;o&quot; e que ultrapassava os R$ 1.000, mas os custos foram compensados em outros itens da conta de telefone.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, mudou-se habilmente o processo de desestatiza&ccedil;&atilde;o, deixando de lado os futuros ganhos que as operadoras teriam com a banda larga. Com isso, o Sistema Telebr&aacute;s, avaliado em R$ 40 bilh&otilde;es, acabou negociado por R$ 22 bilh&otilde;es. Para que se tenha uma ideia, a espanhola Telef&oacute;nica levou a concess&atilde;o paulista por R$ 5,7 bilh&otilde;es. Apenas em 2008, &uacute;ltimo balan&ccedil;o dispon&iacute;vel, o resultado l&iacute;quido da empresa foi de R$ 2,4 bilh&otilde;es.<br \/>Problemas no modelo<\/p>\n<p>Um pedido da Proteste para a redu&ccedil;&atilde;o do valor da assinatura foi apresentado &agrave; Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). Mas, como outras demandas, ainda n&atilde;o h&aacute; resposta por parte da entidade. A institui&ccedil;&atilde;o reguladora criadas pelo governo FHC na &eacute;poca da privatiza&ccedil;&atilde;o &eacute; criticada por parte da sociedade civil organizada. O entendimento &eacute; de que a Anatel, que tem em boa parte de seus quadros ex-executivos do &quot;mercado&quot;, &eacute; sempre muito favor&aacute;vel aos interesses das empresas, deixando de cumprir seu papel b&aacute;sico de fiscaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A regula&ccedil;&atilde;o dos agentes privados n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica cr&iacute;tica feita ao modelo. N&atilde;o foi garantida, por exemplo, a concorr&ecirc;ncia no mercado. A ag&ecirc;ncia n&atilde;o levou em conta a concentra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as na hora de aprovar fus&otilde;es e vendas. Hoje, h&aacute; basicamente tr&ecirc;s &quot;players&quot; nas telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileiras: Telef&ocirc;nica\/Vivo, Embratel\/Claro e Oi\/Brasil Telecom.<\/p>\n<p>&ldquo;Temos na telefonia e na banda larga quase todo o pa&iacute;s ref&eacute;m das concession&aacute;rias. Na TV por assinatura, dois monop&oacute;lios, um por sat&eacute;lite e outro por cabo. Na telefonia m&oacute;vel, onde h&aacute; de fato uma concorr&ecirc;ncia, n&atilde;o houve impacto sobre o que deveria haver, que &eacute; no pre&ccedil;o de tarifas e na qualidade de servi&ccedil;os&rdquo;, lamentou Diogo Moyses, pesquisador do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), em recente entrevista &agrave; Rede Brasil Atual.<\/p>\n<p>As empresas-espelho, que deveriam garantir a concorr&ecirc;ncia, n&atilde;o se consolidaram, exce&ccedil;&atilde;o feita &agrave; GVT. Eram empresas que n&atilde;o tinham territ&oacute;rio delimitado nem obriga&ccedil;&atilde;o de cumprir as metas de universaliza&ccedil;&atilde;o de acesso, duas vantagens em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s concession&aacute;rias. Mas, houve desvantagens que acabaram sendo bem mais pesadas para essas empresas. &quot;Se p&otilde;e uma regra que a empresa-espelho precisa alugar a rede da concession&aacute;ria e outra de que n&atilde;o pode praticar pre&ccedil;o mais baixo que o da concession&aacute;ria, como vai entrar no mercado?&quot;, avalia Fl&aacute;via Lef&egrave;vre.<br \/>Somados<\/p>\n<p>Se n&atilde;o h&aacute; concorr&ecirc;ncia na telefonia fixa, tampouco h&aacute; entre a telefonia m&oacute;vel e a fixa. A quest&atilde;o &eacute; que s&atilde;o as mesmas empresas que atuam nos dois campos. A Claro &eacute; ligada &agrave; Embratel; a Vivo &eacute; controlada pela Telef&ocirc;nica; a Oi e a Brasil Telecom passaram a ser parte de um mesmo grupo. Por falta de empresas, a concorr&ecirc;ncia fica prejudicada.<\/p>\n<p>Os pre&ccedil;os da telefonia fixa n&atilde;o baixam, alijando as classes mais baixas deste servi&ccedil;o que, hoje, deveria estar universalizado. A &quot;teledensidade&quot;, jarg&atilde;o do setor que mede a quantidade de telefones fixos dentro de determinada &aacute;rea, &eacute; hoje de 21 linhas a cada cem habitantes na m&eacute;dia do pa&iacute;s &ndash; patamar muito parecido &eacute; registrado desde 2001. Mas, segundo a Proteste, estados como o Maranh&atilde;o t&ecirc;m uma teledensidade inferior a dez linhas por cem habitantes. H&aacute; doze milh&otilde;es de linhas instaladas, mas n&atilde;o contratadas.<\/p>\n<p>&quot;Al&eacute;m de tudo, as concession&aacute;rias n&atilde;o querem estimular o tr&aacute;fego porque, como investem pouco na rede de dados, utilizam a infraestrutura da telefonia fixa para vender o servi&ccedil;o de dados&quot;, acrescenta a advogada do Proteste.<\/p>\n<p>Segundo a S&iacute;ntese dos Indicadores Sociais, publicada pelo IBGE em setembro, 49,1% dos domic&iacute;lios t&ecirc;m telefone fixo, &iacute;ndice bem inferior ao registrado na telefonia m&oacute;vel: 83,1%. A explica&ccedil;&atilde;o do estudo &eacute; simples: &quot;Os dados indicam que os altos custos ainda presentes da telefonia fixa no Pa&iacute;s, aliado &agrave; debilidade de oferta desse servi&ccedil;o em muitas localidades, fez com que a popula&ccedil;&atilde;o gradativamente optasse pelo uso da telefonia m&oacute;vel.&rdquo;<\/p>\n<p>Para piorar, como as empresas lucram de qualquer maneira, n&atilde;o t&ecirc;m interesse em manter em funcionamento os Telefones de Uso P&uacute;blico (TUPs), brasileiramente conhecido como orelh&atilde;o. A meta, quando da privatiza&ccedil;&atilde;o, era de 7,5 aparelhos a cada mil habitantes. Mas a Anatel, em parceria com as empresas, foi revisando o valor para baixo, e agora j&aacute; estuda permitir uma densidade de 4,5 telefones por grupo de mil pessoas. O problema &eacute; que, segundo a Proteste, 35% dos equipamentos est&atilde;o quebrados.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o avalia que nem mesmo o servi&ccedil;o de celulares se salva. A entidade lembra que 85% das linhas de telefone m&oacute;vel operam no sistema pr&eacute;-pago e com recarga m&eacute;dia de R$ 5 por m&ecirc;s, os aparelhos conhecidos popularmente como &quot;pais de santo&quot;, porque apenas recebem chamadas, sem a possibilidade de origin&aacute;-las.<br \/>Banda larga<\/p>\n<p>A melhor not&iacute;cia para as entidades de defesa do consumidor foi a reativa&ccedil;&atilde;o, pelo governo Lula, da Telebr&aacute;s. A empresa ter&aacute;, inicialmente, a fun&ccedil;&atilde;o de gerir o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que visa &agrave; universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; internet no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Mesmo com toda a reclama&ccedil;&atilde;o das teles, o PNBL come&ccedil;a a sair do papel este ano, em cem cidades-piloto nas quais ser&atilde;o avaliados os crit&eacute;rios para a continuidade do plano, que prev&ecirc; 40 milh&otilde;es de domic&iacute;lios abastecidos por conex&atilde;o de alta velocidade at&eacute; 2014. Atualmente, a banda larga brasileira &eacute; controlada em sua imensa maioria por tr&ecirc;s empresas e se insere entre as mais caras e menos eficazes do mundo.<\/p>\n<p>Como as operadoras atuam somente nos locais em que h&aacute; retorno econ&ocirc;mico garantido, apenas 47% dos munic&iacute;pios disp&otilde;em de conex&atilde;o de alta velocidade. Entre as cidades com menos de 100 mil habitantes, 44% n&atilde;o contam com o servi&ccedil;o, mesma situa&ccedil;&atilde;o vista em algumas capitais do norte brasileiro. A Telebr&aacute;s chegar&aacute; ao consumidor final apenas nos casos em que n&atilde;o houver interesse do setor privado. Antes disso, a &aacute;rea ser&aacute; oferecida a pequenas e m&eacute;dias empresas.<\/p>\n<p>&quot;A Telebr&aacute;s foi reestruturada para que o Estado volte a exercer seu papel de gestor das pol&iacute;ticas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. O que acontece hoje &eacute; que as redes p&uacute;blicas est&atilde;o servindo ao interesse exclusivo das concession&aacute;rias&quot;, conclui Fl&aacute;via Lef&egrave;vre.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 12 anos da privatiza&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, o pre&ccedil;o da assinatura b&aacute;sica de telefone passou de R$ 10 para R$ 28,80 &ndash; exclu&iacute;dos tributos. O valor atual representa 188% de aumento desde 1998, enquanto a infla&ccedil;&atilde;o oficial, medida pelo &Iacute;ndice Nacional de Pre&ccedil;os ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 118%. 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