{"id":24973,"date":"2010-10-01T14:40:04","date_gmt":"2010-10-01T14:40:04","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24973"},"modified":"2010-10-01T14:40:04","modified_gmt":"2010-10-01T14:40:04","slug":"desculpa-para-calar-a-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24973","title":{"rendered":"Desculpa para calar a opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\"><em>Eu n&atilde;o frequento clubes que me aceitem como s&oacute;cio<\/em>. (<strong>Groucho Marx<\/strong>, 1890-1977, comediante, EUA). <\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\">O respeitado Clube de Editores e Jornalistas de Opini&atilde;o do Rio Grande do Sul, que re&uacute;ne duas dezenas dos mais importantes colunistas e blogueiros do Estado, tomou uma grave decis&atilde;o na semana passada. Por escassa maioria, numa reuni&atilde;o virtual feita pela internet, o Clube de Opini&atilde;o decidiu &ldquo;n&atilde;o opinar&rdquo; sobre o inclemente processo que a fam&iacute;lia do ex-governador ga&uacute;cho Germano Rigotto move contra um pequeno jornal de Porto Alegre, o J&Aacute;.<\/p>\n<p class=\"padrao\">A a&ccedil;&atilde;o judicial, que completa dez anos, est&aacute; matando financeiramente o jornal de cinco mil exemplares editado h&aacute; 25 anos pelo jornalista Elmar Bones, que em agosto passado teve suas contas pessoais bloqueadas pelos advogados dos Rigotto. A valente op&ccedil;&atilde;o n&atilde;o opinativa do Clube de Opini&atilde;o teve uma bela desculpa: &ldquo;evitar qualquer conota&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica-eleitoral&rdquo; antes do pleito de 3 de outubro, j&aacute; que Germano Rigotto &eacute; candidato ao Senado pelo PMDB ga&uacute;cho. Num sereno, mas contundente editorial publicado no domingo (19) no site do jornal e <a href=\"http:\/\/observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=608IMQ012\" target=\"_blank\">reproduzido neste OI<\/a>, Elmar Bones respondeu, batendo no osso da quest&atilde;o:<\/p>\n<p class=\"padrao\">&ldquo;Pode ser uma maneira c&ocirc;moda de contornar uma situa&ccedil;&atilde;o espinhosa, mas essa interpreta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o encontra base nos fatos e contraria a l&oacute;gica da democracia. O processo eleitoral, que exige verdade e cobra opini&atilde;o do eleitor, n&atilde;o pode ser usado como pretexto para a omiss&atilde;o, o sil&ecirc;ncio e a desinforma&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Bones, que como Groucho n&atilde;o &eacute; s&oacute;cio do clube, poderia usar o racioc&iacute;nio que o comediante Marx usava para definir &ldquo;intelig&ecirc;ncia militar&rdquo;: &ldquo;Clube de Opini&atilde;o sem opini&atilde;o &eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o em termos&rdquo;. A infeliz decis&atilde;o da entidade ga&uacute;cha carteliza e uniformiza, por baixo, o que deveria ser livre e m&uacute;ltiplo: o pensamento. &Eacute; o fundo do po&ccedil;o de uma inc&ocirc;moda quest&atilde;o que constrange, envergonha e deprime a imprensa do Rio Grande do Sul, um celeiro de bravos profissionais que iluminaram o jornalismo brasileiro nos momentos mais duros de sua hist&oacute;ria, quando era necess&aacute;ria muita opini&atilde;o, muita coragem, muita resist&ecirc;ncia. Elmar Bones &eacute; um sobrevivente daqueles tempos, quando ent&atilde;o comandava o CooJornal, uma das legendas da valente imprensa nanica que afrontava os generais da ditadura de 1964.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>A omiss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">A candente quest&atilde;o que o clube ga&uacute;cho tangencia &eacute; que o J&Aacute; n&atilde;o est&aacute; sendo punido por sua opini&atilde;o, mas pela embara&ccedil;osa informa&ccedil;&atilde;o que publicou em 2001: o envolvimento de Lindomar Rigotto numa licita&ccedil;&atilde;o fraudulenta na CEEE, a estatal de energia el&eacute;trica. Enxertado na diretoria financeira pelo irm&atilde;o Germano, ent&atilde;o o poderoso l&iacute;der do governo do PMDB na Assembl&eacute;ia Legislativa, o mano Lindomar fez uma mistureba financeira t&atilde;o grande que acabou sendo o personagem central de um CPI que indiciou ele, outras onze pessoas e onze empresas. O cabe&ccedil;a da quadrilha, que montou a opera&ccedil;&atilde;o na CEEE, era o irm&atilde;o menos famoso de Rigotto, segundo o relat&oacute;rio final da CPI: &ldquo;De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a pr&aacute;tica de corrup&ccedil;&atilde;o passiva e enriquecimento il&iacute;cito de Lindomar Vargas Rigotto&rdquo;, escreveu corajosamente o relator e deputado Pepe Vargas (PT), apesar de ser primo de Lindomar e Germano.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Essa era a reportagem de capa que o J&Aacute; publicou h&aacute; dez anos, sob o t&iacute;tulo &ldquo;Caso Rigotto &ndash; um golpe de US$ 65 milh&otilde;es e duas mortes n&atilde;o esclarecidas&rdquo;. N&atilde;o tinha nada de opini&atilde;o. Era pura informa&ccedil;&atilde;o, mat&eacute;ria prima do bom jornalismo, baseado em pe&ccedil;as do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e nos autos da CPI, agregando detalhes sobre a vida turbulenta de Lindomar, que acabou assassinado por assaltantes de sua casa noturna, no litoral ga&uacute;cho, em 1999. A mat&eacute;ria do jornal arrebatou em 2001 os principais trof&eacute;us de jornalismo do sul do pa&iacute;s &ndash; o Esso Regional e o ARI, da Associa&ccedil;&atilde;o Riograndense de Imprensa. E acabou premiada, tamb&eacute;m, com o processo da fam&iacute;lia Rigotto.<\/p>\n<p class=\"padrao\">O Clube de Opini&atilde;o achou por bem n&atilde;o opinar nada sobre este vergonhoso, continuado ataque ao primado da liberdade de express&atilde;o no pa&iacute;s. Se levassem a s&eacute;rio seu pretexto para este mutismo &ndash; &ldquo;evitar qualquer conota&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-eleitoral&rdquo; &ndash;, os bravos formadores de opini&atilde;o do Rio Grande do Sul deveriam se esquivar de gastar tinta e tempo com assuntos constrangedores como a bolsa-fam&iacute;lia da ex-ministra Erenice Guerra, que empregou a parentada em &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e tinha no cora&ccedil;&atilde;o do governo Lula um filho t&atilde;o empreendedor quanto o irm&atilde;o de Germano Rigotto. A intermedia&ccedil;&atilde;o de Israel Guerra, conforme a capa da revista Veja da semana passada, arrumou para um empres&aacute;rio aflito um contrato camarada de R$ 84 milh&otilde;es nas entranhas dos Correios. A lamban&ccedil;a de Lindomar Rigotto, segundo a manchete do J&Aacute;, lesou os cofres p&uacute;blicos ga&uacute;chos, em valores corrigidos, numa soma dez vezes maior: R$ 840 milh&otilde;es, a maior fraude da hist&oacute;ria do Rio Grande.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>A contradi&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">Se tivesse o mesmo comportamento caridoso que hoje oferta ao candidato Germano Rigotto, que imagina preservar, o Clube de Opini&atilde;o deveria se esquivar tamb&eacute;m de falar sobre os fatos constrangedores que j&aacute; demitiram quatro funcion&aacute;rios da Casa Civil de Lula e provocam evidentes embara&ccedil;os na candidata Dilma Rousseff. &Eacute; um esc&acirc;ndalo de forte conota&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, e supostamente eleitoral, tanto quanto a a&ccedil;&atilde;o que garroteia o jornal de Elmar Bones.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Apesar dessa contradi&ccedil;&atilde;o, nenhum dos bravos s&oacute;cios do clube deixa de bater na Erenice, criatura criada por Dilma, que agora diz n&atilde;o ter nada a ver com isso: &ldquo;Eu n&atilde;o posso responder por ela&rdquo;, esquiva-se a petista. Ali&aacute;s, a mesma desculpa de Rigotto, que alega n&atilde;o ter nada a ver com a persegui&ccedil;&atilde;o ao J&Aacute;: &ldquo;Eu desconhe&ccedil;o o processo contra o J&Aacute;. Isso &eacute; coisa da minha m&atilde;e&rdquo;, fantasia Germano. Dona Julieta Rigotto tem 89 anos.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Um dos mais ferozes membros do Clube de Opini&atilde;o ga&uacute;cho &eacute; Pol&iacute;bio Braga, dono do blog mais influente e acessado do sul do pa&iacute;s, com quase 100 mil assinantes. Militante estudantil de esquerda no in&iacute;cio dos anos 1960 em Santa Catarina, foi diretor da Folha Catarinense, do Partido Comunista, onde era apenas simpatizante, n&atilde;o filiado. Chegou a ser presidente da Uni&atilde;o Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), na &eacute;poca em que Jos&eacute; Serra presidia a Uni&atilde;o Nacional dos Estudantes (UNE). Depois do golpe de 1964 foi preso pela ditadura uma d&uacute;zia de vezes e, na mais longa delas, cumpriu seis meses de pena no antigo pres&iacute;dio do Ah&uacute;, um bairro de Curitiba.<\/p>\n<p class=\"padrao\">No comando de seu blog, hoje, Pol&iacute;bio &eacute; contundente, bem informado e impiedoso, principalmente com tudo que acontece no turbulento entorno da Casa Civil e da candidata petista &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Quando Veja explodiu nas bancas no s&aacute;bado (11\/9), Pol&iacute;bio festejou: &ldquo;Estoura esc&acirc;ndalo maior do que o Mensal&atilde;o no Governo Lula&rdquo;, era a manchete do blog. Sobre o esc&acirc;ndalo do irm&atilde;o de Rigotto, matematicamente dez vezes maior do que o do filho de Erenice, quinze vezes mais estrondoso que a quadrilha dos 40 do mensal&atilde;o chefiada por Jos&eacute; Dirceu, Pol&iacute;bio n&atilde;o ousou escrever uma &uacute;nica linha, muito menos dar sua retumbante opini&atilde;o. No fim de agosto, o Observat&oacute;rio da Imprensa abordou, pela segunda vez, a saga do J&Aacute; e de Elmar Bones, num texto (&ldquo;<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=605IMQ011\" target=\"_blank\">Como calar e intimidar a imprensa<\/a> &quot;) que teve larga repercuss&atilde;o na internet &ndash; e nenhuma no &aacute;gil e abrangente blog de Pol&iacute;bio Braga.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>O rabo<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">Autor desse texto, liguei v&aacute;rias vezes pedindo que Pol&iacute;bio abrisse espa&ccedil;o para o tema Rigotto vs. J&Aacute;, confiando no belo lema que seu blog desfralda: &ldquo;De rabo preso com a not&iacute;cia&rdquo;. Cansado de minha cobran&ccedil;a, Pol&iacute;bio acabou admitindo:<\/p>\n<p class=\"padrao\">&ldquo;Sobre este caso, devo te dizer que adotei uma linha de &lsquo;rabo preso&rsquo; com meus amigos, que n&atilde;o s&atilde;o muitos, mas que prezo demais. Um deles &eacute; o Rigotto. Ao longo dos &uacute;ltimos 10 anos, tenho conversado com ele a toda hora, temos almo&ccedil;ado juntos, ele &eacute; fonte que consulto a todo momento, vou votar nele e tamb&eacute;m toda a minha fam&iacute;lia e os amigos que t&ecirc;m raz&otilde;es para fazer isto&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Assim, descobri consternado que o Pol&iacute;bio eleitor prevaleceu sobre o Pol&iacute;bio jornalista e o seu festejado blog, al&eacute;m da not&iacute;cia, tinha o rabo irremediavelmente preso a Germano Rigotto.<\/p>\n<p class=\"padrao\">&Eacute; justo esclarecer que Pol&iacute;bio Braga e seus colegas de clube n&atilde;o est&atilde;o sozinhos neste vasto e silencioso constrangimento. Nenhum grande &oacute;rg&atilde;o da imprensa ga&uacute;cha se atreveu a mencionar o caso do J&Aacute; e seus escandalosos antecedentes, de forte &ldquo;conota&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-eleitoral&rdquo; e um evidente poder letal sobre a boa imagem de Rigotto, que tem um chamativo cora&ccedil;&atilde;o vermelho como s&iacute;mbolo de sua campanha ao Senado.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Na RBS, a maior rede regional de comunica&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina (Zero Hora, o maior do estado, e mais sete jornais, 21 emissoras de TV, 24 de r&aacute;dio e sete portais de internet), o assunto passa batido pela pauta di&aacute;ria do conglomerado de m&iacute;dia. Rigotto, sempre que pode, lembra aos amigos que tem uma rela&ccedil;&atilde;o especial de amizade com Nelson Sirotski, o diretor-presidente do grupo. O mesmo acontece no segundo maior grupo do estado, a Record, onde se destacam o Correio do Povo e a r&aacute;dio Gua&iacute;ba, hoje sob controle da Igreja Universal.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Na sexta-feira (10\/9), aconteceu algo inesperado: o colunista do jornal e &acirc;ncora da r&aacute;dio Juremir Machado da Silva abriu corajosamente espa&ccedil;o no seu programa de uma hora, a partir das 13h, para ouvir Elmar Bones ao vivo no est&uacute;dio da r&aacute;dio Gua&iacute;ba. Juremir foi o primeiro nome importante do jornalismo sulista e a Gua&iacute;ba o primeiro grande ve&iacute;culo da imprensa ga&uacute;cha que conseguiu quebrar o bloqueio de sil&ecirc;ncio e abrir espa&ccedil;o para a saga do J&Aacute;. Quando veio o primeiro intervalo do programa, um esbaforido executivo da &aacute;rea comercial irrompeu no est&uacute;dio para implorar ao entrevistador e a seu convidado: &ldquo;Pelo amor de Deus, n&atilde;o misturem esta entrevista com a campanha eleitoral do Rigotto! O homem &lsquo;&eacute; assim&rsquo; com o nosso presidente!&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"padrao\">O pastor Natal Furucho, o presidente da Record no sul do pa&iacute;s, seria mais um chef&atilde;o da m&iacute;dia que &ldquo;&eacute; assim&rdquo; com Germano Rigotto, o que explicaria o estrondoso sil&ecirc;ncio midi&aacute;tico que envolve suas desditas.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>O sumi&ccedil;o<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">Na quinta-feira (9\/9), um dia antes da in&eacute;dita entrevista na Gua&iacute;ba, a hist&oacute;ria do J&Aacute; ressuscitou no jornal O Sul, de Porto Alegre. N&atilde;o era nenhuma ousadia da casa, mas a nota de abertura da coluna de Cl&aacute;udio Humberto, um profissional que Pol&iacute;bio Braga inveja como um &ldquo;respeitado e bem informado jornalista&rdquo; e que &eacute; reproduzido em outros 36 jornais do pa&iacute;s, al&eacute;m d&rsquo;O Sul. Furando toda a imprensa ga&uacute;cha, o colunista de Bras&iacute;lia informava: &ldquo;Bomba pol&iacute;tica explode no colo de Rigotto&rdquo;. Era a not&iacute;cia de que, ap&oacute;s 15 anos sob um inacredit&aacute;vel &ldquo;segredo de justi&ccedil;a&rdquo;, a ju&iacute;za Fabiana Zilles, da 2&ordf; Vara C&iacute;vel da Fazenda P&uacute;blica, em Porto Alegre, dera por &ldquo;concluso&rdquo; o caso da roubalheira da CEEE. Ou seja, falta agora apenas a senten&ccedil;a da ju&iacute;za sobre a maior fraude ga&uacute;cha, que atinge diretamente o mano esperto que Germano Rigotto plantou na estatal.<\/p>\n<p class=\"padrao\">A coluna de Cl&aacute;udio Humberto &eacute; publicada simultaneamente nos tr&ecirc;s jornais do Grupo NH, que domina a rica regi&atilde;o do Vale do Rio dos Sinos, em Novo Hamburgo, Canoas e S&atilde;o Leopoldo, no entorno da regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre. Apesar disso, estranhamente, a nota daquele dia que brilhava n&rsquo;O Sul desapareceu num passe de m&aacute;gica dos jornais do NH. O dono do grupo &eacute; M&aacute;rio Gusm&atilde;o, um dos dois brasileiros que integra a Comiss&atilde;o de Liberdade de Imprensa e Informa&ccedil;&atilde;o da poderosa Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol). O outro brasileiro &eacute; Gustavo Ick, tamb&eacute;m do jornal NH do m&aacute;gico Gusm&atilde;o. A comiss&atilde;o da SIP, como o Clube de Opini&atilde;o ga&uacute;cho, jamais opinou ou sequer colocou em pauta o caso do J&Aacute;.<\/p>\n<p class=\"padrao\">No dia seguinte, na mesma sexta-feira em que Elmar falava na Gua&iacute;ba, o blog de Pol&iacute;bio Braga no mesmo O Sul replicava com uma manchete forte: &ldquo;Jogo pesado mira candidatura de Rigotto&rdquo;. Citava a pr&oacute;pria nota de v&eacute;spera de Cl&aacute;udio Humberto, que ele classificou como &ldquo;obl&iacute;qua&rdquo;, e condenava o &ldquo;saco de maldades&rdquo; contra o PMDB supostamente aberto pelo &ldquo;resgate do caso do jornal J&Aacute;, acionado em ju&iacute;zo pela m&atilde;e de Rigotto, ofendida com reportagens sobre o filho morto, Lindomar&rdquo;. E mais n&atilde;o disse. Parecia uma mera travessura de um jornaleco irrespons&aacute;vel, enxovalhando a mem&oacute;ria de um jovem desafortunado. Pol&iacute;bio esqueceu de fazer a conex&atilde;o natural dos fatos que qualquer jornalista com o rabo preso com a not&iacute;cia, s&oacute; com a not&iacute;cia, deveria fazer.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>A resposta<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">O &ldquo;resgate do caso do J&Aacute;&rdquo; foi engenho e bravura deste Observat&oacute;rio, o primeiro a contar os bastidores da a&ccedil;&atilde;o dos Rigotto contra Elmar Bones (ver &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=565IMQ001\" target=\"_blank\">O jornal que ousou contar a verdade<\/a> &ldquo;, 24\/11\/2009, e &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=605IMQ011\" target=\"_blank\">Como calar e intimidar a imprensa<\/a> &ldquo;, 31\/8\/2010), assinados por este jornalista. O simples, ineg&aacute;vel e transparente relato da saga do jornal e de seu editor, premiado pela reportagem e processado pela fam&iacute;lia do morto, virou &ldquo;jogo sujo&rdquo; na estranha interpreta&ccedil;&atilde;o do blogueiro Pol&iacute;bio Braga. Se n&atilde;o tivesse o rabo preso com o seu amigo Rigotto, ele poderia beber na fonte do l&iacute;mpido editorial que Elmar Bones publicou no site do jornal. Ali est&aacute; claro que o caso do J&Aacute;, engavetado desde julho de 2007, foi desarquivado em fevereiro de 2007 n&atilde;o pelo r&eacute;u Elmar Bones, mas pelos advogados da pr&oacute;pria fam&iacute;lia Rigotto. O saco de maldades, portanto, foi escancarado por quem, agora, teme sua repercuss&atilde;o pol&iacute;tico-eleitoral.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Definhando financeiramente, o J&Aacute; teve em 2006 a altivez de recusar uma milion&aacute;ria oferta de um partido advers&aacute;rio do ent&atilde;o governador Germano Rigotto, que se preparava para tentar a reelei&ccedil;&atilde;o. A proposta era reimprimir 100 mil exemplares da edi&ccedil;&atilde;o maldita de 2001, contando os deslizes cont&aacute;beis do irm&atilde;o de Rigotto na CEEE, e espalhar a bomba pelo Rio Grande do Sul. A digna resposta de Elmar Bones, ao recusar a oferta, s&oacute; cabe na cabe&ccedil;a de um jornalista que n&atilde;o tem rabo preso: &ldquo;Nosso jornal n&atilde;o &eacute; instrumento pol&iacute;tico de ningu&eacute;m&rdquo;, ensinou o editor do J&Aacute;, encerrando a conversa.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Os artigos pioneiros do Observat&oacute;rio ecoaram fundo nas reda&ccedil;&otilde;es dos principais jornais ga&uacute;chos &ndash; Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Com&eacute;rcio, O Sul &ndash;, evid&ecirc;ncia de que os bons rep&oacute;rteres e editores do sul continuam atentos e inquietos, todos eles constrangidos com o sil&ecirc;ncio que vem de cima. Em telefonemas e e-mails enviados diretamente a este jornalista, que assina aqueles e este texto, uns e outros se mostram solid&aacute;rios a Bones, conscientes do crime que se comete contra a liberdade de express&atilde;o e absolutamente impotentes para executar ou simplesmente sugerir esta pauta obrigat&oacute;ria. &ldquo;Os textos do Observat&oacute;rio constituem uma paulada em nossas consci&ecirc;ncias amorfas&rdquo;, me disse um deles, em tom emocionado e sofrido. Apesar de ser de conhecimento p&uacute;blico o nome da ju&iacute;za, o endere&ccedil;o do tribunal e o n&uacute;mero do processo do caso da CEEE, nenhum rep&oacute;rter teve a iniciativa de apurar esta hist&oacute;ria, como mandam as regras elementares do bom jornalismo, amarrado apenas pela busca da verdade e do interesse p&uacute;blico.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>A fresta<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">Apesar das dificuldades, aos poucos o esp&iacute;rito guerreiro de Elmar Bones se afirma e se imp&otilde;e, furando a bolha de sil&ecirc;ncio, como aconteceu com o pioneiro Juremir, na Gua&iacute;ba. O Estado de S.Paulo<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=607IMQ005\" target=\"_blank\"> publicou uma mat&eacute;ria<\/a>  (11\/9), enquanto notas esclarecedoras brotam em blogs influentes e solid&aacute;rios, como os de Carlos Brickmann, Cl&aacute;udio Humberto e Ricardo Noblat. Dias atr&aacute;s, o blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, abriu espa&ccedil;o para um in&eacute;dito pingue-pongue com Elmar Bones, de enorme repercuss&atilde;o na internet pela hist&oacute;ria que parecia novidade, mas que j&aacute; tem dez anos de agonia e resist&ecirc;ncia. In&eacute;dito, no caso, era a disposi&ccedil;&atilde;o do rep&oacute;rter de ouvir o r&eacute;u de uma das mais longas a&ccedil;&otilde;es da justi&ccedil;a contra a liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Parece improv&aacute;vel que Germano Rigotto e seus amigos consigam estancar o vazamento crescente de uma epop&eacute;ia que n&atilde;o pode ser silenciada, n&atilde;o deve ser escondida e n&atilde;o pode ser tolerada. A verdade flui sempre pelas frestas cada vez mais largas de um sistema multim&iacute;dia que confronta a mentira e desafia o sil&ecirc;ncio &ndash; e torna caricata a figura anacr&ocirc;nica do &ldquo;jornalista com rabo preso&rdquo;. Na elei&ccedil;&atilde;o de 2006, um pequeno instituto de pesquisas de Porto Alegre, o Methodus, desafiou o rid&iacute;culo ao apostar na vit&oacute;ria do azar&atilde;o Yeda Crusius contra os favoritos Germano Rigotto e Ol&iacute;vio Dutra. Deu no que deu.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Na semana passada, o Methodus publicou sua segunda pesquisa, encomendada pelo Correio do Povo para a corrida ao Senado no sul. Em rela&ccedil;&atilde;o ao levantamento do m&ecirc;s anterior, Ana Am&eacute;lia Lemos (PP) subiu 12,4 pontos percentuais, chegando &agrave; lideran&ccedil;a com 51,8%. Paulo Paim (PT) vinha em segundo, com 47,7%. Germano Rigotto (PMDB) caiu 6,8 pontos percentuais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; primeira pesquisa, ficando agora com 40,9%.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Pelo sil&ecirc;ncio da grande m&iacute;dia, n&atilde;o se sabe at&eacute; que ponto a queda abrupta de Rigotto pode ser atribu&iacute;da &agrave; verdade latejante do J&Aacute; e ao potencial corrosivo do esc&acirc;ndalo da CEEE. O bravo Clube de Opini&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o opinou sobre esta possibilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A a&ccedil;&atilde;o judicial, que completa dez anos, est&aacute; matando financeiramente o  jornal de Porto Alegre J&Aacute;, de cinco mil exemplares e editado h&aacute; 25 anos pelo jornalista Elmar Bones <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24973"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24973\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}