{"id":24967,"date":"2010-09-29T14:06:24","date_gmt":"2010-09-29T14:06:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24967"},"modified":"2010-09-29T14:06:24","modified_gmt":"2010-09-29T14:06:24","slug":"mudancas-tecnologicas-e-politicas-aceleram-nova-regulamentacao-da-midia-em-varios-paises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24967","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e pol\u00edticas aceleram nova regulamenta\u00e7\u00e3o da m\u00eddia em v\u00e1rios pa\u00edses"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">No domingo passado, tr&ecirc;s dos principais ve&iacute;culos impressos do pa&iacute;s voltaram destacar suas opini&otilde;es sobre um o que consideram restri&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade de imprensa, depois das cr&iacute;ticas do presidente Lu&iacute;s In&aacute;cio Lula da Silva &agrave; cobertura eleitoral. Para o presidente, a imprensa estaria se comportando &ldquo;como um partido&rdquo; de oposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Em um gesto pouco comum, o jornal O Estado de S&atilde;o Paulo assumiu seu apoio ao candidato da oposi&ccedil;&atilde;o, acusando o governo de &ldquo;perder a compostura&rdquo; com as cr&iacute;ticas. O editorial da Folha de S.Paulo, publicado na capa, afirma: &ldquo;Fiquem advertidos de que tentativas de controle das imprensa ser&atilde;o repudiadas &ndash; e qualquer governo ter&aacute; de violar cl&aacute;usulas p&eacute;treas da Constitui&ccedil;&atilde;o na aventura temer&aacute;ria de implant&aacute;-lo&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A revista Veja trouxe na capa texto sobre o artigo V da Constitui&ccedil;&atilde;o, que garante o direito &agrave; livre express&atilde;o, sob a manchete &ldquo;liberdade sob ataque&rdquo;. A mat&eacute;ria acusa o presidente de censurar a imprensa. &ldquo;Nos pa&iacute;ses democr&aacute;ticos, a liberdade de imprensa n&atilde;o &eacute; assunto discut&iacute;vel, mas um dado da realidade&rdquo;, diz o texto.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">O debate acalorado pode fazer parecer que a regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o da agenda eleitoral do pa&iacute;s, resultado de um embate entre governistas e opositores. Mas ela est&aacute; longe de ser uma quest&atilde;o apenas brasileira. No mundo todo, tem avan&ccedil;ado a discuss&atilde;o sobre como regular o setor e como balancear isso com a garantia da liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Para o pesquisador em pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o Gustavo Gindre, ligado ao Instituto de Estudos e Projetos em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura (Indecs), &eacute; natural que isso aconte&ccedil;a. &ldquo;O cen&aacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute; mudando muito velozmente. A lei dos EUA j&aacute; est&aacute; antiga, e s&oacute; tem 14 anos. Mesmo assim, ela sofre revis&otilde;es peri&oacute;dicas. &Eacute; quase uma obriga&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses mudar as leis que n&atilde;o acompanham essas mudan&ccedil;as&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Debates sobre a regula&ccedil;&atilde;o m&iacute;dia tem avan&ccedil;ado em especial na Am&eacute;rica Latina, e n&atilde;o apenas nos pa&iacute;ses governados por partidos &agrave; esquerda. Nos &uacute;ltimos anos, M&eacute;xico, Argentina, Equador e Venezuela propuseram novas leis.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A nova lei do audiovisual argentina foi regulamentada em setembro depois de muita pol&ecirc;mica &ndash; ela criou um Conselho Federal de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual e endureceu os crit&eacute;rios para concess&otilde;es, contrariando os interesses do poderoso grupo de comunica&ccedil;&atilde;o Clar&iacute;n.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Em agosto, a Venezuela voltou ao centro do debate sobre a imprensa depois de a Justi&ccedil;a proibir dois jornais de publicarem mat&eacute;rias e imagens sobre viol&ecirc;ncia. A proibi&ccedil;&atilde;o foi institu&iacute;da ap&oacute;s uma cr&iacute;tica do presidente Hugo Ch&aacute;vez a um jornal que estampou na primeira p&aacute;gina uma foto estourada de cad&aacute;veres num necrot&eacute;rio.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Para a Sociedade Interamericana de Imprensa, que representa as grandes empresas de comunica&ccedil;&atilde;o do continente, a proibi&ccedil;&atilde;o fazia parte de uma &ldquo;torpe pol&iacute;tica de Estado a favor da censura pr&eacute;via&rdquo;. A mesma SIP aponta na Argentina uma &ldquo;escalada governamental contra a liberdade de express&atilde;o&rdquo; e acha que que nem mesmo o governo brasileiro pode ser considerado democr&aacute;tico no seu trato com a m&iacute;dia.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Os governos, por sua vez, argumentam que enfrentam poderosos interesses privados dos grupos de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">No Brasil, o debate sobre a regula&ccedil;&atilde;o do setor de comunica&ccedil;&atilde;o tem esquentado desde 2009, quando foi realizada a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Tudo indica que a discuss&atilde;o deve pegar fogo depois das elei&ccedil;&otilde;es. Est&aacute; previsto para novembro um evento nacional para delinear um novo marco regulat&oacute;rio para o setor.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>A &ldquo;regra&rdquo; &eacute; ter regra<\/strong><\/p>\n<p>O papel das leis de imprensa e das leis de m&iacute;dia &eacute; regular as atividades dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e balancear os limites entre o direito &agrave; livre express&atilde;o e &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e os interesses individuais e coletivos de pessoas, empresas e grupos sociais.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Segundo o pesquisador Murilo C&eacute;sar Oliveira Ramos, professor da Universidade de Bras&iacute;lia e conselheiro da EBC (Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o), a maior parte dos pa&iacute;ses tem regras para estabelecer o que pode e o que n&atilde;o pode no setor audiovisual, o que n&atilde;o significa preju&iacute;zo da liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">&ldquo;Tem v&aacute;rias maneira de decidir o que deve ir ao ar ou n&atilde;o. Quando os EUA e o Canad&aacute; dizem que n&atilde;o pode ter propaganda comercial no meio de programas infantis, &eacute; um limite. Quando a legisla&ccedil;&atilde;o francesa estabelece que tem que ter programas feitos na Fran&ccedil;a, &eacute; um tipo de regula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. No Brasil temos limites para propaganda de cigarro, por exemplo&rdquo;, diz ele. &ldquo;Mas se voc&ecirc; falar em imprensa a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; diferente. Como os jornais e revistas n&atilde;o dependem de frequ&ecirc;ncias p&uacute;blicas, t&ecirc;m uma a&ccedil;&atilde;o regulamentar muito mais frouxa, com mecanismos mais pr&oacute;ximos da auto-regula&ccedil;&atilde;o no mundo todo, com raras exce&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Fran&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>A Lei de Imprensa mais antiga em vigor &eacute; a da Fran&ccedil;a, de 29 de julho de 1881, que influenciou pa&iacute;ses como It&aacute;lia, Espanha e Portugal.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Ela garante a liberdade de express&atilde;o, com a livre circula&ccedil;&atilde;o de jornais sem regula&ccedil;&atilde;o governamental. O mesmo vale para a internet. Mas a mesma lei coloca limites como a possibilidade de a&ccedil;&otilde;es judiciais em casos de inf&acirc;mia ou difama&ccedil;&atilde;o (ou seja, a publica&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es prejudiciais &agrave; reputa&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m sem base em fatos reais).<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Tamb&eacute;m &eacute; proibido o incitamento a cometer crimes, discrimina&ccedil;&atilde;o, &oacute;dio ou viol&ecirc;ncia. Em casos de discrimina&ccedil;&atilde;o, a multa pode chegar at&eacute; a 45 mil euros ou deten&ccedil;&atilde;o. E pela lei nenhum grupo de m&iacute;dia pode controlar mais de 30% da m&iacute;dia impressa di&aacute;ria.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A r&eacute;dea na Fran&ccedil;a &eacute; ainda mais curta no caso dos meios audiovisuais. O pa&iacute;s tem uma ag&ecirc;ncia reguladora independente, o Conselho Superior do Audiovisual, que aponta diretores para os canais p&uacute;blicos e outorga licen&ccedil;as para o setor privado (de 5 anos para r&aacute;dio e 10 para canais de tev&ecirc;). Tamb&eacute;m monitora o cumprimento de obriga&ccedil;&otilde;es pela m&iacute;dia como a fun&ccedil;&atilde;o educativa e a prote&ccedil;&atilde;o aos direitos autorais, podendo aplicar multa. Dos nove conselheiros, tr&ecirc;s s&atilde;o indicados pelo presidente, tr&ecirc;s pelo Senado e tr&ecirc;s pela C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">O CSA tem a miss&atilde;o de garantir que a m&iacute;dia audiovisual reflita a diversidade da cultura francesa. Ele garante, por exemplo, que as outorgas de TV e r&aacute;dio sigam o pluralismo pol&iacute;tico &ndash; h&aacute; r&aacute;dios anarquistas, socialistas e at&eacute; de extrema-direita &ndash; e que representem os grupos minorit&aacute;rios. Outra frente &eacute; a preserva&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua francesa. H&aacute; uma cota de m&uacute;sicas francesas que t&ecirc;m que ser transmitidas pelas r&aacute;dios e, pela lei, 60% da programa&ccedil;&atilde;o de TV tem de ser europeia, sendo 40% de origem francesa.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Gustavo Gindre, que atualmente trabalha na Ancine (Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema), acha a regra positiva. &ldquo;Com a reserva de conte&uacute;do os canais t&ecirc;m que se abastecer de produtores pequenos, m&eacute;dios e grandes. Isso estimula a produ&ccedil;&atilde;o independente, mas tamb&eacute;m incentiva a produ&ccedil;&atilde;o de grandes grupos de comunica&ccedil;&atilde;o, como o Canal Plus, que produz conte&uacute;do franc&ecirc;s para vender no exterior, garantindo uma express&atilde;o da cultura francesa no cen&aacute;rio global&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Portugal<\/strong><\/p>\n<p>H&aacute; cinco anos Portugal instituiu sua pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia reguladora, ainda mais poderosa que a francesa, a Entidade Reguladora para a Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Al&eacute;m de ajudar da elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o setor, ela concede e fiscaliza concess&otilde;es de r&aacute;dio e tev&ecirc;, telefonia e telecomunica&ccedil;&otilde;es em geral, mas tamb&eacute;m regula jornais impressos, blogs e sites independentes.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Ao mesmo tempo, atende e d&aacute; encaminhamento a queixas vindas da popula&ccedil;&atilde;o. Seus conselheiros s&atilde;o indicados pelos congressistas e aprovados pelo presidente da Rep&uacute;blica. Em particular a entidade cuida de assegurar rigor, isen&ccedil;&atilde;o e transpar&ecirc;ncia no conte&uacute;do, o pluralismo cultural e a diversidade de express&atilde;o, al&eacute;m de proteger o p&uacute;blico mais jovem e minorias contra conte&uacute;dos considerados ofensivos.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Reino Unido<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador Murilo Ramos explica que esse modelo, de &oacute;rg&atilde;os de regula&ccedil;&atilde;o fortes, &eacute; uma caracter&iacute;stica dos pa&iacute;ses europeus. Ao mesmo tempo, prevalece um modelo de explora&ccedil;&atilde;o p&uacute;blico estatal, cujos conte&uacute;do &eacute; pensado em termos estrat&eacute;gicos para o pa&iacute;s. &ldquo;O grande exemplo &eacute; a BBC inglesa&rdquo;, diz.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A BBC &eacute; uma empresa p&uacute;blica independente financiada por uma licen&ccedil;a de TV que cada domic&iacute;lio tem de pagar. A BBC controla a maioria da audi&ecirc;ncia do pa&iacute;s com 14 canais de TV, cinco r&aacute;dios nacionais, dezenas de r&aacute;dios locais e servi&ccedil;os internacionais em 32 l&iacute;nguas &ndash; esses, essenciais para a influ&ecirc;ncia brit&acirc;nica no cen&aacute;rio mundial.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Mas, apesar do dom&iacute;nio da BBC, o Reino Unido tamb&eacute;m incentiva o pluralismo. Em 2005, para fomentar as r&aacute;dios comunit&aacute;rias, o governo brit&acirc;nico come&ccedil;ou a oferecer licen&ccedil;as de cinco anos para as r&aacute;dios n&atilde;o legalizadas, al&eacute;m de uma verba inicial para que elas se legalizassem, com grande ades&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Quanto &agrave; imprensa, o pa&iacute;s n&atilde;o tem uma lei espec&iacute;fica. A liberdade de express&atilde;o &eacute; protegida pela Lei de Direitos Humanos, de 1998, que tamb&eacute;m introduziu a privacidade como um direito essencial. A liberdade tem de ser compensada tamb&eacute;m com a prote&ccedil;&atilde;o da reputa&ccedil;&atilde;o de pessoas contra difama&ccedil;&atilde;o. Mas o principal limite, de acordo com a cultura jur&iacute;dica brit&acirc;nica, &eacute; a necessidade de preservar a inviolabilidade de julgamentos. Assim, a principal preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; evitar qualquer interfer&ecirc;ncia externa nos processos judiciais &ndash; por exemplo, os jornalistas n&atilde;o podem publicar detalhes sobre um criminoso ou sobre provas de um crime.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Em 2003, criou-se uma ag&ecirc;ncia reguladora para o setor de m&iacute;dia, o Ofcom (Office of Communications; em ingl&ecirc;s, Departamento de Comunica&ccedil;&otilde;es). Outro &oacute;rg&atilde;o importante &eacute; a PCC (Press Complaints Comission), uma comiss&atilde;o independente que recebe reclama&ccedil;&otilde;es sobre a imprensa e negocia retrata&ccedil;&otilde;es fora do &acirc;mbito judicial. Os jornais, voluntariamente, aderem ao c&oacute;digo de procedimentos da PCC, que foi aprovado pelo Parlamento.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>It&aacute;lia<\/strong><\/p>\n<p>Na It&aacute;lia, a legisla&ccedil;&atilde;o tem cada vez mais influ&ecirc;ncia do governo, ou melhor, do primeiro-ministro.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Em junho, protestos se seguiram &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o da &quot;lei da morda&ccedil;a&quot; proposta por Silvio Berlusconi, que limita o uso e difus&atilde;o das escutas telef&ocirc;nicas em investiga&ccedil;&otilde;es oficiais, prevendo pena de at&eacute; 30 dias de pris&atilde;o e multa de at&eacute; 10 mil euros. Os principais canais comerciais e ag&ecirc;ncias de not&iacute;cia pararam sua programa&ccedil;&atilde;o em protesto.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Dos 8 canais nacionais abertos, tr&ecirc;s s&atilde;o estatais e tr&ecirc;s controlados pelo grupo Mediaset, de Berlusconi. Juntos, os grupos RAI, estatal, e Mediaset controlam 85% da audi&ecirc;ncia e 90% dos an&uacute;ncios. Como Berlusconi pode orientar a linha de ambos os grupos, ele controla a m&iacute;dia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">De acordo com uma lei de 1997, a It&aacute;lia tem um um &oacute;rg&atilde;o colegiado para supervisionar o setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, a m&iacute;dia eletr&ocirc;nica e a imprensa &#8211; a Autoridade pela Garantia na Comunica&ccedil;&atilde;o. O presidente do &oacute;rg&atilde;o &eacute; escolhido pelo governo e o conselho de oito membros, eleito pelo parlamento. Mas seu papel &eacute; enfraquecido num cen&aacute;rio de forte concentra&ccedil;&atilde;o. Do mesmo modo, a Ordem dos Jornalistas reivindica o papel de monitor &eacute;tico dos seus membros, mas n&atilde;o tem muito poder.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Estados Unidos<\/strong><\/p>\n<p>Nos EUA, n&atilde;o h&aacute; uma lei de imprensa e, sim, uma s&eacute;rie de regras contidas em diferentes legisla&ccedil;&otilde;es. Mas, segundo a tradi&ccedil;&atilde;o norte-americana, a liberdade de imprensa &eacute; garantida pela famosa primeira emenda da constitui&ccedil;&atilde;o, que garante a liberdade de express&atilde;o como um dos direitos mais fundamentais da sociedade. Todas as outras regula&ccedil;&otilde;es da imprensa s&atilde;o elaboradas a partir dessa premissa.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Assim, os jornais funcionam sem qualquer regula&ccedil;&atilde;o governamental. O mesmo se aplica &agrave; internet. J&aacute; os canais de TV e r&aacute;dio s&atilde;o supervisionados pela FCC (em ingl&ecirc;s, Comiss&atilde;o Federal de Comunica&ccedil;&otilde;es), formada pela Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o de 1934 (s&atilde;o seis membros escolhidos pelo presidente e aprovados pelo Senado) e tamb&eacute;m por comiss&otilde;es no Senado e na C&acirc;mara, al&eacute;m de decis&otilde;es da corte suprema. A legisla&ccedil;&atilde;o garante o direito de processo caso algu&eacute;m se sinta v&iacute;tima de difama&ccedil;&atilde;o por parte da m&iacute;dia.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O professor Murilo Ramos explica que, nos EUA, os canais p&uacute;blicos acabam sendo marginais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s grandes empresas comerciais. Mas &eacute; um erro afirmar que n&atilde;o h&aacute; regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">&ldquo;H&aacute; uma regula&ccedil;&atilde;o forte e um &oacute;rg&atilde;o regulador ativo para o setor audiovisual. A FCC tem conflitos o tempo todo com os radiodifusores. E tem a&ccedil;&otilde;es fortes. Alguns anos atr&aacute;s, por exemplo, aplicou uma multa pesad&iacute;ssima contra a CBS porque a cantora Janet Jackson mostrou um seio na final do campeonato de futebol americano&rdquo;, explica.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Mesmo assim, a regula&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica segue uma vis&atilde;o liberalizante: acredita-se que o mercado e a opini&atilde;o p&uacute;blica devem ser os principais reguladores do conte&uacute;do, com o m&iacute;nimo de interfer&ecirc;ncia do governo poss&iacute;vel. Somente quando h&aacute; uma percep&ccedil;&atilde;o generalizada de abuso o FCC estuda novas legisla&ccedil;&otilde;es ou a aplica&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o com mais rigidez. Foi o caso do seio de Jackson. As regras vetam, por exemplo, a exibi&ccedil;&atilde;o de cenas consideradas indecentes e obrigam todos os canais a transmitir pelo menos tr&ecirc;s horas por semana de programa&ccedil;&atilde;o educativa para crian&ccedil;as.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&ldquo;A verdade &eacute; que os limites de propriedade, que ainda s&atilde;o mais fortes nos EUA do que aqui no Brasil, t&ecirc;m sido abrandados nos &uacute;ltimos anos. Nos anos 1960 havia uma obriga&ccedil;&atilde;o de ter produ&ccedil;&otilde;es independentes na TV, e isso vem sendo abrandado pelo FCC em prol dos grandes grupos de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz Gustavo Gindre.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No domingo passado, tr&ecirc;s dos principais ve&iacute;culos impressos do pa&iacute;s voltaram destacar suas opini&otilde;es sobre um o que consideram restri&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade de imprensa, depois das cr&iacute;ticas do presidente Lu&iacute;s In&aacute;cio Lula da Silva &agrave; cobertura eleitoral. Para o presidente, a imprensa estaria se comportando &ldquo;como um partido&rdquo; de oposi&ccedil;&atilde;o. 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