{"id":24966,"date":"2010-09-29T14:01:24","date_gmt":"2010-09-29T14:01:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24966"},"modified":"2010-09-29T14:01:24","modified_gmt":"2010-09-29T14:01:24","slug":"novas-leis-e-projetos-na-america-latina-esquentam-polemica-entre-midia-e-governos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24966","title":{"rendered":"Novas leis e projetos na Am\u00e9rica Latina esquentam pol\u00eamica entre m\u00eddia e governos"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Muitos pa&iacute;ses latino-americanos seguem o modelo de m&iacute;dia dos Estados Unidos, que privilegia a explora&ccedil;&atilde;o comercial por grandes grupos de comunica&ccedil;&atilde;o. Mas, com novas leis sendo propostas no continente, a tend&ecirc;ncia est&aacute; mudando, segundo o professor Murilo C&eacute;sar Ramos, pesquisador da UnB (Universidade de Bras&iacute;lia).<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&ldquo;Hoje, o Brasil ficou atr&aacute;s da Argentina, do Equador, que t&ecirc;m novas leis&rdquo;, diz.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">As novas legisla&ccedil;&otilde;es desses pa&iacute;ses tentam corrigir a falta de espa&ccedil;o para cr&iacute;ticas e para a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil nas decis&otilde;es sobre o conte&uacute;do, problema apontado em v&aacute;rios modelos latino-americanos para o setor.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">&ldquo;H&aacute; uma busca por garantir a participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, dos movimentos sociais e da sociedade civil organizada por meio de um &oacute;rg&atilde;o regulador n&atilde;o s&oacute; transparente, mas poroso&rdquo;, diz o pesquisador Gustavo Gindre, do Indecs (Instituto de Estudos e Projetos em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura).<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>M&eacute;xico<\/strong><\/p>\n<p>No M&eacute;xico, um dos maiores mercados do continente, a concentra&ccedil;&atilde;o &eacute; uma realidade. A legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; abertamente favor&aacute;vel &agrave; rede Televisa, que tem cerca de 70% do mercado &ndash; e det&eacute;m direitos sobre os principais canais a cabo, a Editorial Televisa e a R&aacute;dio Televisa &ndash; o segundo grupo, da TV Azteca.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Em 2006, foi aprovada uma reforma na Lei Federal de R&aacute;dio e Televis&atilde;o, que ficou conhecida como a &ldquo;Lei Televisa-Azteca&rdquo;. Com a reforma, mais frequ&ecirc;ncias de r&aacute;dio e TV foram outorgadas aos dois maiores grupos do pa&iacute;s em vez de serem entregues a grupos menores, concentrando ainda mais o setor.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">O governo federal regula a m&iacute;dia eletr&ocirc;nica por meio do Minist&eacute;rio de Comunica&ccedil;&atilde;o e Transporte e da Subsecretaria de M&iacute;dia do Minist&eacute;rio do Interior. O de Comunica&ccedil;&atilde;o emite licen&ccedil;as para TVs e r&aacute;dios, que podem chegar a 30 anos. Os integrantes dos dois minist&eacute;rios s&atilde;o escolhidos pelo presidente, o que leva a muitas cr&iacute;ticas de controle pol&iacute;tico.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Ambos fazem uma classifica&ccedil;&atilde;o dos programas que podem ser transmitidos para cada faixa et&aacute;ria. Todos os programas, incluindo os de sexo, viol&ecirc;ncia, v&iacute;cios e xingamentos, t&ecirc;m que passar pelo crivo da censura. Propagandas de cigarro, por exemplo, n&atilde;o podem ser transmitidas antes das 20h.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A lei de imprensa vigente &eacute; de 1917 e tem car&aacute;ter penal. Al&eacute;m dela, o C&oacute;digo Penal de 1931 define a cal&uacute;nia e difama&ccedil;&atilde;o, delitos cometidos contra funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, assim como a &ldquo;publica&ccedil;&atilde;o de segredos&rdquo; e &ldquo;ultrajes aos s&iacute;mbolos nacionais&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Uma cr&iacute;tica frequente &eacute; o uso pol&iacute;tico dos crit&eacute;rios de monitoramento do conte&uacute;do. Um dos preceitos seguidos &eacute; o &ldquo;respeito &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es&rdquo;. N&atilde;o &eacute; comum que os programas de TV, r&aacute;dio ou jornais insultem membros do governo ou institui&ccedil;&otilde;es, gerando a&ccedil;&otilde;es criminais contra os jornalistas.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Argentina<\/strong><\/p>\n<p>A Lei de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisuais argentina foi sancionada em outubro do ano passado para substituir a lei que havia sido promulgada durante a ditadura. Por&eacute;m, devido a entraves da Justi&ccedil;a local, a nova lei s&oacute; foi regulamentada este m&ecirc;s.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A legisla&ccedil;&atilde;o atual cria um Conselho Federal de Comunica&ccedil;&atilde;o e a figura do Defensor P&uacute;blico de consumidores de audiovisual. Tamb&eacute;m limita a propriedade: cada empresa n&atilde;o pode ter mais de dez esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o, nem um canal aberto e um a cabo na mesma localidade. Al&eacute;m disso, criou cotas de produ&ccedil;&atilde;o local e limitou a participa&ccedil;&atilde;o estrangeira nas empresas do setor a 30%.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Desde a sua aprova&ccedil;&atilde;o, tem esquentado a briga do governo com o maior grupo do pa&iacute;s, o Clar&iacute;n &ndash; que congrega jornais, revistas, dois canais de TV, redes de TV por assinatura, r&aacute;dios, portais de internet e f&aacute;bricas de papel. Em agosto, o governo revogou a licen&ccedil;a de uma das empresas de internet do grupo. A briga foi parar na Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Pouco depois, o governo publicou um relat&oacute;rio denunciando que os donos dos jornais Clar&iacute;n e La Naci&oacute;n adquiriam ilegalmente a&ccedil;&otilde;es da empresa Papel Prensa, produtora de papel-jornal, depois de apoiarem a tortura dos antigos donos na ditadura militar. Com base no dossi&ecirc;, o governo prepara den&uacute;ncia por homic&iacute;dio e cumplicidade no sequestro e nas torturas. Os jornais negam.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Equador<\/strong><\/p>\n<p>No Equador, o debate sobre a lei de comunica&ccedil;&atilde;o se arrasta desde 2009. O &uacute;ltimo avan&ccedil;o foi a den&uacute;ncia de sete parlamentares de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; OEA (Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos), no in&iacute;cio de setembro. Para eles, o projeto de lei fere a liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O projeto prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o para regulamentar os conte&uacute;dos. O governo queria ter representantes no conselho, mas desistiu diante da oposi&ccedil;&atilde;o. O conselho tampouco ter&aacute; poder para sancionar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Outro ponto pol&ecirc;mico &eacute; que a lei exige a publica&ccedil;&atilde;o apenas de not&iacute;cias &ldquo;verdadeiras&rdquo;, crit&eacute;rio que os opositores acham muito vago.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A nova lei procura adequar o setor &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o, aprovada em 2008. A Carta estabelece, por exemplo, que os bancos n&atilde;o podem ter a&ccedil;&otilde;es em empresas de m&iacute;dia. Al&eacute;m disso, as concess&otilde;es teriam de usar crit&eacute;rios equitativos para o setor p&uacute;blico, privado e comunit&aacute;rio.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A oposi&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m quer garantir uma distribui&ccedil;&atilde;o equitativa da publicidade estatal e exige regras claras para a administra&ccedil;&atilde;o dos meios de p&uacute;blicos, que s&atilde;o minoria no pa&iacute;s: um canal de TV, uma r&aacute;dio e um jornal.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\"><strong>Venezuela<\/strong><\/p>\n<p>A constitui&ccedil;&atilde;o venezuelana garante a liberdade de express&atilde;o, mas tamb&eacute;m indica que deve haver limites. O governo de Hugo Ch&aacute;vez tem sido criticado pela oposi&ccedil;&atilde;o, que conta com a simpatia de v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os de imprensa privados, por, supostamente, abusar do poder na aplica&ccedil;&atilde;o desses limites. Do ponto de vista institucional, o governo investiu pesado na cria&ccedil;&atilde;o de uma rede nacional de emissoras p&uacute;blicas de TV e r&aacute;dio e tamb&eacute;m em um canal internacional, a Telesur.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">H&aacute; muitas cr&iacute;ticas sobre como o governo tem lidado com a m&iacute;dia oposicionista. Em 2007, n&atilde;o foi renovada a concess&atilde;o da RCTV, o canal mais popular e mais antigo da Venezuela, acusado de apoiar o golpe de estado fracassado em 2002.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A Conatel (Comiss&atilde;o Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es), &oacute;rg&atilde;o que outorga as concess&otilde;es, endureceu suas a&ccedil;&otilde;es. Em 2009, fechou 240 r&aacute;dios que operavam ilegalmente e notificou 34 emissoras cujas concess&otilde;es tinham expirado. Ao mesmo tempo, a Conatel determinou que os canais a cabo transmitissem mensagens do governo. O canal a cabo da RCTV descumpriu a ordem e tamb&eacute;m foi retirado do ar.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">A emissora Globovisi&oacute;n permanece abertamente cr&iacute;tica ao governo. Por&eacute;m, parte das suas a&ccedil;&otilde;es devem passar ao controle estatal, j&aacute; que elas pertenciam ao Banco Federal, que em junho sofreu interven&ccedil;&atilde;o por irregularidades financeiras. Em meados de agosto, parlamentares aprovaram uma lei para impedir os donos de bancos de controlar empresas de m&iacute;dia.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Pouco depois, a Justi&ccedil;a proibiu dois jornais &#8211; El Nacional e Tal Cual &#8211; de publicar imagens de viol&ecirc;ncia expl&iacute;cita, depois que publicaram fotos de corpos num necrot&eacute;rio. Em resposta, a imprensa nacional e internacional, com o apoio entidades como a SIP (Sociedade Interamenricana de Imprensa), acusaram o governo de querer censurar a m&iacute;dia.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Uma lei rigorosa contra crimes midi&aacute;ticos, proposta em agosto de 2009 e elaborada pela procuradoria-geral, foi retirada da pauta do Congresso venezuelano, em que Ch&aacute;vez contava com praticamente a totalidade das cadeiras, devido a cr&iacute;ticas que sofreu. A lei estabelecia pena de pris&atilde;o de 2 a 4 anos para qualquer pessoa que divulgasse not&iacute;cias falsas ou manipuladas, que atentassem contra a seguran&ccedil;a nacional, a ordem p&uacute;blica e os interesses do Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos pa&iacute;ses latino-americanos seguem o modelo de m&iacute;dia dos Estados Unidos, que privilegia a explora&ccedil;&atilde;o comercial por grandes grupos de comunica&ccedil;&atilde;o. 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