{"id":24964,"date":"2010-09-28T14:13:28","date_gmt":"2010-09-28T14:13:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24964"},"modified":"2010-09-28T14:13:28","modified_gmt":"2010-09-28T14:13:28","slug":"tcu-constata-que-anatel-nao-tem-controle-pleno-dos-bens-reversiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24964","title":{"rendered":"TCU constata que Anatel n\u00e3o tem controle pleno dos bens revers\u00edveis"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">No dia 19 de dezembro de 2008, o Conselho Diretor da Anatel aprovou a realiza&ccedil;&atilde;o do maior neg&oacute;cio de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil: a compra da Brasil Telecom pela Oi. Dois dias antes, no entanto, a an&aacute;lise da anu&ecirc;ncia pr&eacute;via &agrave; fus&atilde;o foi suspensa cautelarmente pelo Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU), que via riscos na aprova&ccedil;&atilde;o antes que alguns aspectos regulat&oacute;rios, legais e econ&ocirc;micos fossem esclarecidos. Um dos pontos que gerou mais receio no &oacute;rg&atilde;o fiscalizador foi a falta de informa&ccedil;&otilde;es sobre os bens revers&iacute;veis usados por estas concession&aacute;rias e que, por natureza, pertencem &agrave; sociedade brasileira. A Anatel conseguiu derrubar a liminar alegando ter &quot;controle absoluto&quot; sobre estes itens. Mas, quase dois anos depois da decis&atilde;o, o TCU constatou que isso n&atilde;o &eacute; verdade.<\/p>\n<p>Em ac&oacute;rd&atilde;o aprovado na &uacute;ltima quarta-feira, 22, o tribunal concluiu que a Anatel n&atilde;o possui mecanismos de controle efetivo dos bens pertencentes &agrave; Uni&atilde;o e que sua atua&ccedil;&atilde;o nessa &aacute;rea tem sido t&iacute;mida desde que foi criada, em 1998. &quot;Houve praticamente uma fiscaliza&ccedil;&atilde;o para cada concession&aacute;ria desde que a Anatel foi criada. Em alguns casos, inclusive, nem a primeira fiscaliza&ccedil;&atilde;o foi completada&quot;, afirmam os t&eacute;cnicos da Secretaria de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o de Desestatiza&ccedil;&atilde;o (Sefid), departamento respons&aacute;vel pelo acompanhamento realizado pelo TCU na Anatel desde a emiss&atilde;o da anu&ecirc;ncia pr&eacute;via. O relat&oacute;rio foi aprovado pelo ministro-relator do caso, Raimundo Carreiro, e demais membros do Plen&aacute;rio do TCU resultando, inclusive, em recomenda&ccedil;&otilde;es &agrave; Anatel sobre este e outros assuntos.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s fazer v&aacute;rias dilig&ecirc;ncias na ag&ecirc;ncia reguladora, os t&eacute;cnicos da Sefid constataram que as informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis s&atilde;o apenas as apresentadas pelas pr&oacute;prias concession&aacute;rias, deixando &agrave; desejar o controle p&uacute;blico sobre os bens pertencentes &agrave; Uni&atilde;o e que devem ser devolvidos ao fim dos contratos, em 2025. &quot;A consequ&ecirc;ncia disso &eacute; que a informa&ccedil;&atilde;o que a Anatel possui &eacute; basicamente aquela apresentada por cada empresa. Assim, a Anatel n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de dispor de informa&ccedil;&otilde;es tempestivas e fidedignas acerca dos bens revers&iacute;veis das empresas concession&aacute;rias dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es.&quot; Diante deste cen&aacute;rio, a conclus&atilde;o dos t&eacute;cnicos &eacute; bastante objetiva: &quot;De fato, o controle dos bens revers&iacute;veis n&atilde;o &eacute; suficiente, tampouco absoluto&quot;.<\/p>\n<p><strong>Modelo de custos<\/strong><\/p>\n<p>Segundo informa&ccedil;&otilde;es prestadas pela pr&oacute;pria Anatel &agrave; Sefid, o controle dos bens da Uni&atilde;o &eacute; feito pelo preenchimento de dois documentos pelas concession&aacute;rias. O primeiro &eacute; um &quot;invent&aacute;rio&quot;, onde a empresa deve descrever o patrim&ocirc;nio que possui, prestando informa&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas como localiza&ccedil;&atilde;o, grau de utiliza&ccedil;&atilde;o, estado de conserva&ccedil;&atilde;o, custo hist&oacute;rico e, enfim, se &eacute; revers&iacute;vel ou n&atilde;o &agrave; Uni&atilde;o. O segundo documento trata-se de uma &quot;lista de bens revers&iacute;veis&quot; onde o patrim&ocirc;nio a ser devolvido &agrave; Uni&atilde;o deve estar detalhadamente discriminado. Ambos os documentos s&atilde;o auditados por empresas registradas na Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios (CVM), segundo informa&ccedil;&otilde;es da Anatel.<\/p>\n<p>A ado&ccedil;&atilde;o desses dois mecanismos de controle dos bens, na vis&atilde;o da Sefid, n&atilde;o garante que as informa&ccedil;&otilde;es prestadas s&atilde;o realmente corretas, mesmo que os formul&aacute;rios passem por auditoria independente. Para os t&eacute;cnicos do TCU, a ado&ccedil;&atilde;o de um modelo de custos &eacute; uma pe&ccedil;a fundamental para que a Anatel tenha um controle efetivo do patrim&ocirc;nio p&uacute;blico usado pelas concession&aacute;rias.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o a este aspecto, o ac&oacute;rd&atilde;o critica a demora da ag&ecirc;ncia reguladora para concluir um sistema mais consistente de an&aacute;lise econ&ocirc;mica e financeira do setor, apesar de o TCU j&aacute; ter cobrado a autarquia in&uacute;meras vezes. &quot;N&atilde;o existe uma evolu&ccedil;&atilde;o substancial em termos de desenvolvimento de um modelo de custos por parte da ag&ecirc;ncia. Alguns trabalhos foram apresentados a esta Casa de Contas, mas sempre com posterga&ccedil;&atilde;o da confec&ccedil;&atilde;o de um produto final, capaz de satisfazer aos objetivos almejados.&quot;<\/p>\n<p><strong>Novo regulamento<\/strong><\/p>\n<p>Em sua defesa, a Anatel alegou tamb&eacute;m que est&aacute; em curso um projeto de revis&atilde;o do Regulamento de Bens Revers&iacute;veis. Segundo apurou este notici&aacute;rio, a proposta est&aacute; pronta para delibera&ccedil;&atilde;o do Conselho Diretor e tem como relator o conselheiro Jo&atilde;o Rezende. Apesar da iniciativa da ag&ecirc;ncia reguladora de modernizar as regras de controle dos bens, a Sefid mostrou pouca confian&ccedil;a de que a mudan&ccedil;a, sozinha, far&aacute; com que o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico seja acompanhado a contento. &quot;A&ccedil;&otilde;es neste sentido s&atilde;o necess&aacute;rias e urgentes. &Eacute; imprescind&iacute;vel uma evolu&ccedil;&atilde;o no modo como o controle atual &eacute; feito, visto que n&atilde;o &eacute; capaz de garantir um acompanhamento adequado da rela&ccedil;&atilde;o desses bens. O simples aprimoramento do regulamento, entretanto, n&atilde;o &eacute; garantia de que o controle ser&aacute; mais efetivo&quot;, analisa o TCU.<\/p>\n<p>Por isso, o tribunal recomendou que a Anatel passe a fiscalizar periodicamente as empresas para controle dos bens revers&iacute;veis e desenvolva novos m&eacute;todos de monitoramento que assegurem que as listas apresentadas pelas concession&aacute;rias s&atilde;o, de fato, &quot;fidedignas e atuais&quot;. Pelo levantamento do TCU, a Anatel concluiu fiscaliza&ccedil;&otilde;es de verifica&ccedil;&atilde;o dos bens p&uacute;blicos apenas nas concession&aacute;rias CTBC Telecom, Oi e Telef&ocirc;nica entre 1998 e 2007. Nas demais concession&aacute;rias &#8211; Sercomtel Telecom, Embratel e Brasil Telecom &#8211; as a&ccedil;&otilde;es foram iniciadas, mas n&atilde;o foram conclu&iacute;das segundo apura&ccedil;&atilde;o da Sefid.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 19 de dezembro de 2008, o Conselho Diretor da Anatel aprovou a realiza&ccedil;&atilde;o do maior neg&oacute;cio de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil: a compra da Brasil Telecom pela Oi. 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