{"id":24963,"date":"2010-09-28T14:09:24","date_gmt":"2010-09-28T14:09:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24963"},"modified":"2010-09-28T14:09:24","modified_gmt":"2010-09-28T14:09:24","slug":"fenaj-critica-atuacao-da-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24963","title":{"rendered":"Fenaj critica atua\u00e7\u00e3o da imprensa"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nota criticando a forma como a imprensa vem cobrindo as elei&ccedil;&otilde;es. &quot;Estamos clamando pela verdadeira liberdade de imprensa&quot;, diz a entidade. Confira o texto:<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>Em defesa dos jornalistas, da &eacute;tica e do direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&nbsp; <br \/><\/span> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\">O conceito de golpe midi&aacute;tico ganhou notoriedade nos &uacute;ltimos dias. O debate &eacute; p&uacute;blico e parte da constata&ccedil;&atilde;o de que setores da imprensa passaram a atuar de maneira a privilegiar uma candidatura em detrimento de outra. &Eacute; leg&iacute;timo &#8211; e desej&aacute;vel &ndash; que as dire&ccedil;&otilde;es das empresas jornal&iacute;sticas explicitem suas op&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, partid&aacute;rias e eleitorais. O que &eacute; inaceit&aacute;vel &eacute; que o fa&ccedil;am tamb&eacute;m fora dos espa&ccedil;os editoriais. Distorcer, selecionar, divulgar opini&otilde;es como se fossem fatos n&atilde;o &eacute; exercer o jornalismo, mas, sim, manipular o notici&aacute;rio cotidiano segundo interesses outros que n&atilde;o os de informar com veracidade.<\/p>\n<p>Se esses recursos s&atilde;o usados para influenciar ou determinar o resultado de uma elei&ccedil;&atilde;o configura-se golpe com o objetivo de interferir na vontade popular. N&atilde;o se trata aqui do uso da for&ccedil;a, mas sim de t&eacute;cnicas de manipula&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica. Neste contexto, o uso do conceito &ldquo;golpe midi&aacute;tico&rdquo; &eacute; perfeitamente compreens&iacute;vel.<\/p>\n<p>Este estado de coisas s&oacute; acontece porque os jornalistas perderam for&ccedil;a e import&acirc;ncia no processo de elabora&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o no interior das empresas. Cada vez menos jornalistas det&ecirc;m o poder da informa&ccedil;&atilde;o que ser&aacute; fornecida &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica. Ela passa por uma triagem pr&eacute;via j&aacute; no seu processo de edi&ccedil;&atilde;o e aqueles que descumprem a dita orienta&ccedil;&atilde;o editorial s&atilde;o penalizados. Tamb&eacute;m nunca conseguem atingir cargos de dire&ccedil;&atilde;o que, agora, s&atilde;o ocupados por executivos que atendem aos interesses de comit&ecirc;s, bancos associados, acionistas etc.<\/p>\n<p>Esse estado de coisas n&atilde;o apenas abre espa&ccedil;o para que a m&iacute;dia atenda a interesses outros que n&atilde;o o do cidad&atilde;o, como tamb&eacute;m avilta a profiss&atilde;o de jornalista, precariza condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e achata sal&aacute;rios. A consequ&ecirc;ncia mais tr&aacute;gica disso &eacute; a necessidade de se adaptar ao &ldquo;esquema da empresa&rdquo; para garantir o emprego, mesmo em detrimento dos valores mais caros.<\/p>\n<p>Para avan&ccedil;ar nessa discuss&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio estabelecer a premissa de que informar a popula&ccedil;&atilde;o sobre os desmandos do governo (qualquer deles) &eacute; dever da imprensa. Orquestrar campanhas pr&oacute; ou contra candidatos &eacute; abuso de poder. A linha divis&oacute;ria entre esses campos &eacute; t&ecirc;nue e cabe ao jornalista, respeitando o profissionalismo e a &eacute;tica, estabelecer o limite tendo em conta o que &eacute; de interesse p&uacute;blico.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos incorrer no erro de instaurar na cobertura de fatos pol&iacute;ticos os erros cometidos em outras &aacute;reas, ou seja, o pr&eacute;-julgamento (que dispensa provas, pois o suspeito est&aacute; condenado previamente) e o jornalismo espet&aacute;culo (que exp&otilde;e situa&ccedil;&otilde;es de maneira emocional para provocar rea&ccedil;&otilde;es extremadas).<\/p>\n<p>A ideia de debater e protestar contra esse estado de coisas resultou na realiza&ccedil;&atilde;o do ato em defesa da democracia e contra o golpismo midi&aacute;tico realizado no audit&oacute;rio do Sindicato dos Jornalistas. A proposta surgiu em conversa entre blogueiros, foi assumida pelo Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, que procurou o Sindicato dos Jornalistas e este aceitou sediar o evento.<\/p>\n<p>A sociedade sabe que o local ideal para este debate &eacute; o Sindicato dos Jornalistas. N&atilde;o apenas porque os jornalistas s&atilde;o parte importante nesse processo, mas, principalmente, pela tradi&ccedil;&atilde;o da entidade em ser um espa&ccedil;o democr&aacute;tico aberto &agrave;s diversas manifesta&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e de interesse social.<\/p>\n<p>O que est&aacute; em discuss&atilde;o s&atilde;o duas concep&ccedil;&otilde;es opostas, uma que considera a informa&ccedil;&atilde;o um bem privado, pass&iacute;vel de uso conforme interesses pessoais, e outra que entende a informa&ccedil;&atilde;o como direito social, portanto, regulado por um &ldquo;contrato social&rdquo;, exatamente como acontece com a sa&uacute;de ou a educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ter direito de resposta, garantir espa&ccedil;o para que o contradit&oacute;rio apare&ccedil;a, impedir o monop&oacute;lio da m&iacute;dia, tornar transparente os mecanismos de outorga das empresas de r&aacute;dio e TV, destinar parte da verba oficial para pequenos ve&iacute;culos, criar a rede p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o, regulamentar as profiss&otilde;es envolvidas com a m&iacute;dia, n&atilde;o s&atilde;o atos de censura, s&atilde;o movimentos em defesa da liberdade de express&atilde;o e cidadania!<\/p>\n<p>O grupo dos liberais quer, a qualquer custo, impedir que o conceito de direito social seja estendido &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. A confus&atilde;o feita entre liberdade de opini&atilde;o, de imprensa, de informa&ccedil;&atilde;o, de profiss&atilde;o e o conceito de censura e de controle p&uacute;blico &eacute; intencional. Essa confus&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel na argumenta&ccedil;&atilde;o utilizada pelo Ministro Gilmar Mendes para acabar com a necessidade do diploma de jornalismo. O objetivo &eacute; impedir que as ideias por tr&aacute;s das palavras sejam claramente entendidas pelo cidad&atilde;o e, assim, interditar qualquer reivindica&ccedil;&atilde;o popular nesse campo.<\/p>\n<p>A liberdade de imprensa &eacute; o principal instrumento do jornalista profissional. N&atilde;o &eacute; propriedade dos propriet&aacute;rios dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. O verdadeiro ato em favor da liberdade de imprensa &eacute; feito em defesa do jornalista e, por consequ&ecirc;ncia, diminui o poder da empresa. O problema &eacute; que, a exemplo do que escreveu George Orwell no livro 1984 quando criou a novil&iacute;ngua (que pretendia reduzir o vocabul&aacute;rio, eliminar sin&ocirc;nimos e fundir palavras para diminuir a capacidade de pensamento), o conceito de liberdade de imprensa foi virado pelo avesso e, uma vez apropriado pela empresa de comunica&ccedil;&atilde;o, passou a diminuir o papel do jornalista obrigando-o a se submeter &agrave;s engrenagens do poder empresarial. N&atilde;o &eacute; por acaso que existe a frase, ao mesmo tempo tr&aacute;gica e engra&ccedil;ada, de que apenas existe &ldquo;liberdade de empresa&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; por acaso que o debate sobre liberdade de imprensa e democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia est&aacute; presente na campanha eleitoral deste ano. N&atilde;o &eacute; uma briga entre partidos ou candidatos, &eacute; uma quest&atilde;o bastante difundida na sociedade e que exige posicionamento p&uacute;blico das autoridades. A Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais &#8211; ANJ est&aacute; preparando um c&oacute;digo de autoregulamenta&ccedil;&atilde;o para a imprensa que vem, exatamente, no sentido de fazer algo para impedir que o Estado ou a sociedade organizada o fa&ccedil;a. Lembremos das palavras do escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa, em O Leopardo, &ldquo;mudar para continuar igual&rdquo;.<\/p>\n<p>O debate p&uacute;blico precisa ser aprofundado e ele n&atilde;o ser&aacute; feito com preconceitos ideol&oacute;gicos, mas, sim, a partir de an&aacute;lise apurada da realidade e das necessidades da democracia que, entendemos, n&atilde;o se concretiza sem o chamado &ldquo;contrato social&rdquo; que regra a atividade humana, impedindo que os mais fortes destruam os mais fracos. Estamos clamando pela verdadeira liberdade de imprensa, pela &eacute;tica profissional e pelo direito do cidad&atilde;o de informar e ser informado!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nota criticando a forma como a imprensa vem cobrindo as elei&ccedil;&otilde;es. &quot;Estamos clamando pela verdadeira liberdade de imprensa&quot;, diz a entidade. 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