{"id":24962,"date":"2010-09-28T13:42:20","date_gmt":"2010-09-28T13:42:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24962"},"modified":"2010-09-28T13:42:20","modified_gmt":"2010-09-28T13:42:20","slug":"coletivo-intervozes-divulga-nota-sobre-atual-estagio-da-liberdade-de-expressao-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24962","title":{"rendered":"Coletivo Intervozes divulga nota sobre atual est\u00e1gio da liberdade de express\u00e3o no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">O Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social divulgou nesta ter&ccedil;a-feira (28) um documento sobre as recentes discuss&otilde;es que est&atilde;o sendo pautadas pela e sobre a m&iacute;dia. A nota traz &agrave; tona &agrave; tona outras quest&otilde;es que n&atilde;o estavam sendo t&atilde;o debatidas nos jornais, como as resolu&ccedil;&otilde;es da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, e diz que a liberdade de express&atilde;o n&atilde;o pode ser apropriada pelos setores conservadores da sociedade, j&aacute; que trata-se de uma bandeira hist&oacute;rica progressista. Confira: <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>As reais amea&ccedil;as &agrave; liberdade de express&atilde;o no Brasil  <\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&Agrave;s v&eacute;speras das elei&ccedil;&otilde;es para o Executivo e o Legislativo em todo o pa&iacute;s, em momento de intensa discuss&atilde;o sobre as quest&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o e liberdade de express&atilde;o, o Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social apresenta para os candidatos e para o conjunto da sociedade uma an&aacute;lise do campo e uma s&eacute;rie de quest&otilde;es a serem consideradas para que a liberdade de express&atilde;o e o direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o sejam garantidos a todos os brasileiros e brasileiras.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>Cen&aacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O Brasil tem um enorme d&eacute;ficit democr&aacute;tico neste setor. Hoje a realidade &eacute; de um sistema predominantemente comercial, concentrado e excludente, em que a maior parte da sociedade n&atilde;o participa e nem tem mecanismos para fazer circular seus pontos de vista. Para se ter uma ideia, a soma da participa&ccedil;&atilde;o das quatro primeiras emissoras de TV, todas elas de perfil privado-comercial, &eacute; de 83,3% no que se refere &agrave; audi&ecirc;ncia e 97,2% no que se refere &agrave; receita publicit&aacute;ria. Esses &iacute;ndices s&atilde;o alarmantes em qualquer mercado, e especialmente preocupantes em um setor cuja acessibilidade &eacute; essencial para o exerc&iacute;cio da democracia. O sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o, que poderia ser um instrumento para mudar essa realidade, ainda &eacute; incipiente no pa&iacute;s. S&oacute; em 2007 o Brasil se colocou o desafio de criar uma TV p&uacute;blica de abrang&ecirc;ncia nacional, e ela ainda tem um alcance restrito.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">No campo do jornalismo impresso, h&aacute; uma predomin&acirc;ncia significativa de ve&iacute;culos com posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de direita e de centro, e s&atilde;o exce&ccedil;&otilde;es raras, quase singulares, os ve&iacute;culos com posi&ccedil;&atilde;o progressista. Nesse cen&aacute;rio, a clara tomada de posi&ccedil;&atilde;o e partidariza&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos, que poderia ter car&aacute;ter positivo em um cen&aacute;rio mais plural, desequilibra o debate p&uacute;blico e afeta a democracia brasileira. Ressalte-se que a inexist&ecirc;ncia de pluralidade e diversidade neste setor n&atilde;o &eacute; fruto da &#39;vontade do leitor&#39;, mas da aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em um mercado que tem alt&iacute;ssimas barreiras de entrada e de perman&ecirc;ncia. Neste momento, o &uacute;nico espa&ccedil;o em que o debate se d&aacute; de forma mais plural &eacute; na internet, que tem tido papel significativo na amplia&ccedil;&atilde;o do debate p&uacute;blico, mas que enfrenta limites claros de acesso, como veremos mais adiante.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O conte&uacute;do dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m reflete esse quadro desequilibrado. A diversidade do Brasil n&atilde;o encontra espa&ccedil;o nos grandes meios. Ao contr&aacute;rio, h&aacute; um tratamento estereotipado e discriminat&oacute;rio especialmente em rela&ccedil;&atilde;o a mulheres, negros e homossexuais, e as pessoas que se veem atingidas por essa programa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o t&ecirc;m meios de se defender. Os movimentos sociais s&atilde;o ou invisibilizados ou criminalizados e perseguidos, enquanto os grandes grupos econ&ocirc;micos encontram amplo espa&ccedil;o para apresentar seus pontos de vista. A liberdade de express&atilde;o nos grandes ve&iacute;culos &eacute; realidade apenas para nove fam&iacute;lias; os outros 190 milh&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m outra liberdade sen&atilde;o mudar de canal ou desligar a TV ou o r&aacute;dio.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>D&eacute;ficit na regulamenta&ccedil;&atilde;o do setor<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A legisla&ccedil;&atilde;o que trata sobre a r&aacute;dio e televis&atilde;o &eacute; ultrapassada e fragmentada &ndash; basicamente retalhos de leis da d&eacute;cada de 1960, do tempo da TV em preto e branco. A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que avan&ccedil;ou na garantia de direitos ao povo brasileiro, incluiu um cap&iacute;tulo exclusivo sobre a Comunica&ccedil;&atilde;o Social, mas, depois de 22 anos, ainda aguarda regulamenta&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s do seus cinco artigos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O artigo 220 da CF determina a proibi&ccedil;&atilde;o direta e indireta a monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, mas as &uacute;nicas regras que existem sobre isso s&atilde;o da d&eacute;cada de 60 e tratam apenas de limites de propriedade (quantos canais podem estar na m&atilde;o de uma mesma entidade), sem considerar fatores chave como audi&ecirc;ncia e investimento publicit&aacute;rio. &Eacute; preciso impedir a concentra&ccedil;&atilde;o das emissoras em todo o setor produtivo da comunica&ccedil;&atilde;o por meio da regulamenta&ccedil;&atilde;o de novos limites &agrave; propriedade, audi&ecirc;ncia e investimento publicit&aacute;rio, e da implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que favore&ccedil;am a pluralidade e diversidade de vozes na m&iacute;dia brasileira.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">No mesmo artigo 220 est&aacute; previsto que sejam criados meios legais para a popula&ccedil;&atilde;o se defender de programa&ccedil;&atilde;o que atente contra os princ&iacute;pios constitucionais &ndash; outro ponto que segue sem qualquer regulamenta&ccedil;&atilde;o, impossibilitando o direito de a sociedade responder as arbitrariedades ou viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos praticadas pelas emissoras de r&aacute;dio e TV.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Para o artigo 221, que busca garantir espa&ccedil;o no r&aacute;dio e na TV para programas produzidos regionalmente e para a produ&ccedil;&atilde;o independente, existe um projeto de lei com proposta de regulamenta&ccedil;&atilde;o desde 1991, mas ele est&aacute; engavetado no Senado. &Eacute; preciso criar percentuais m&iacute;nimos destas programa&ccedil;&otilde;es como forma de garantir o respeito a constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Tamb&eacute;m a complementaridade entre os sistemas privado, p&uacute;blico e estatal, prevista no artigo 223, nunca foi regulamentada, e precisaria virar realidade para que se possa equilibrar o poder das grandes redes privadas (que representam atualmente cerca de 90% das emissoras no pa&iacute;s) e garantir espa&ccedil;o para constitui&ccedil;&atilde;o do sistema p&uacute;blico e estatal.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Para se pensar o conjunto da regulamenta&ccedil;&atilde;o do setor, dever&iacute;amos incluir, al&eacute;m disso, regras democr&aacute;ticas para as concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV &ndash; que hoje s&atilde;o efetivamente capitanias heredit&aacute;rias, por terem, na pr&aacute;tica, renova&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica &ndash; e para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias &ndash; que a lei atual confina &agrave; marginalidade. Seria necess&aacute;rio, ainda, promover a pluralidade e a diversidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, garantir acesso &agrave;s tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o e, mais do que tudo, garantir instrumentos de participa&ccedil;&atilde;o popular na defini&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e no acompanhamento do setor.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>A realidade do acesso &agrave; banda larga<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Enquanto a radiodifus&atilde;o e a imprensa seguem como espa&ccedil;os de dif&iacute;cil acesso &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, a internet &eacute; um espa&ccedil;o aberto e democr&aacute;tico, e tem contribu&iacute;do para a efetiva&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Contudo, o Brasil n&atilde;o trata do acesso &agrave; banda larga como um direito do cidad&atilde;o. Esse acesso &eacute; hoje caro, ruim e limitado. Apenas 27% das resid&ecirc;ncias no Brasil t&ecirc;m acesso &agrave; banda larga. Se tomarmos as classes D e E em conjunto, esse n&uacute;mero cai para 3%.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Tamb&eacute;m &eacute; relevante notar que 48% das pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m internet em casa atribuem ao alto custo do servi&ccedil;o o principal motivo para isso. O valor m&eacute;dio pago pelos brasileiros para ter banda larga em casa corresponde a 4,58% da renda per capita no pa&iacute;s. O valor &eacute; mais que o dobro do M&eacute;xico e mais de 9 vezes o valor dos Estados Unidos. Assim, mesmo quem pode pagar compromete uma parte significativa de seu or&ccedil;amento familiar com este investimento.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Isso deve mudar com o Plano Nacional de Banda Larga, mas mesmo o plano &ndash; que &eacute; bom, ressalte-se, mas insuficiente &ndash; n&atilde;o fala em universaliza&ccedil;&atilde;o, apenas em massifica&ccedil;&atilde;o. Para mudar esse quadro, &eacute; preciso garantir a universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; internet em alta velocidade, com tarifas reguladas e garantia da qualidade do acesso. O servi&ccedil;o de banda larga deve ser prestado em regime p&uacute;blico (conforme o artigo 18 da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) garantindo participa&ccedil;&atilde;o de empresas p&uacute;blicas e privadas. Al&eacute;m disso, &eacute; necess&aacute;rio que a sociedade civil continue participando na implementa&ccedil;&atilde;o do PNBL, com a garantia de maior acesso e participa&ccedil;&atilde;o nas decis&otilde;es sobre as pol&iacute;ticas para banda larga.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>A compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A regula&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o existe em pa&iacute;ses como Fran&ccedil;a, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Portugal e, agora, de forma consistente, na Argentina. Em todos esses pa&iacute;ses h&aacute; &oacute;rg&atilde;os reguladores que incidem sobre quest&otilde;es de concentra&ccedil;&atilde;o de mercado e tamb&eacute;m sobre quest&otilde;es de conte&uacute;do. H&aacute; regras que incentivam a pluralidade e a diversidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, inclusive a pluralidade pol&iacute;tica, protegem o p&uacute;blico infantil, e mecanismos para a popula&ccedil;&atilde;o se defender de programa&ccedil;&atilde;o que atente contra a dignidade humana. No Brasil, nem um &oacute;rg&atilde;o regulador independente n&oacute;s temos, j&aacute; que a Anatel n&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel pela regula&ccedil;&atilde;o do setor de radiodifus&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Quest&otilde;es que aqui s&atilde;o consideradas tabu s&atilde;o tratadas na mais absoluta normalidade at&eacute; em pa&iacute;ses com forte predom&iacute;nio liberal, como os Estados Unidos. Apenas como exemplo, em 2004, o FCC, que &eacute; o &oacute;rg&atilde;o regulador nos EUA, queria diminuir os limites &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o (que, mesmo com as mudan&ccedil;as, seriam ainda mais fortes que os do Brasil). Houve press&atilde;o popular contra a medida e, quando ela chegou ao Congresso, at&eacute; os republicanos votaram contra. Isto &eacute;, medidas que por aqui s&atilde;o consideradas radicais, por l&aacute; s&atilde;o defendidas pelo partido de Sarah Palin.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O processo da Argentina, que resultou na nova Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual, foi positivamente exemplar. Ele &eacute; fruto da combina&ccedil;&atilde;o de setores sociais organizados com vontade pol&iacute;tica do governo. A lei aprovada cria condi&ccedil;&otilde;es para a amplia&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o e est&aacute; amparada em toda a legisla&ccedil;&atilde;o internacional de direitos humanos. Ali est&atilde;o tratadas todas as quest&otilde;es importantes para a regula&ccedil;&atilde;o do setor audiovisual. &Eacute; fundamental, por exemplo, a reserva de um ter&ccedil;o do espectro eletromagn&eacute;tico para meios de comunica&ccedil;&atilde;o sob controle de entidades sem fins de lucro. Essa medida, tratada por aqui como se fosse um absurdo, &eacute; apoiada pelos relatores de liberdade de express&atilde;o da OEA e da ONU.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>Liberdade de express&atilde;o e controle social<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Em meio a esse cen&aacute;rio, o discurso da liberdade de express&atilde;o tem sido usado como justificativa para calar setores inteiros da sociedade. N&atilde;o se pode deixar, contudo, que os setores conservadores se apropriem e distor&ccedil;am o sentido dessa bandeira. A defesa da liberdade de express&atilde;o deve ser uma bandeira dos setores progressistas, daqueles que nunca tiveram voz e sempre precisaram lutar contra as opress&otilde;es. &Eacute; preciso ainda uni-la &agrave; bandeira do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, que implica obriga&ccedil;&otilde;es para o Estado em garantir a toda a popula&ccedil;&atilde;o o direito a produzir, difundir e acessar informa&ccedil;&otilde;es, com a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos que enfrentem limites t&eacute;cnicos, pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos e culturais que dificultem esse exerc&iacute;cio.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Al&eacute;m disso, se tomadas as principais l&oacute;gicas que sustentam a liberdade de express&atilde;o, como a busca da verdade e o fortalecimento da democracia, este direito precisa vir acompanhado do direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, que implica na garantia de que informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o sejam omitidas e que todas as diferentes perspectivas e vis&otilde;es sejam postas em cena. Sem isso, os objetivos intr&iacute;nsecos &agrave; defesa da liberdade de express&atilde;o ficam t&atilde;o prejudicados quanto no caso das amea&ccedil;as diretas a essa liberdade.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A liberdade de express&atilde;o, al&eacute;m do mais, n&atilde;o exime nenhum ator &ndash; p&uacute;blico ou privado &ndash; da responsabilidade sobre o que &eacute; dito ou veiculado. Essa responsabiliza&ccedil;&atilde;o ulterior &eacute; totalmente democr&aacute;tica, prevista no mesmo artigo da Conven&ccedil;&atilde;o Americana de Direitos Humanos que trata da liberdade de express&atilde;o, e deve vigorar especialmente no caso da viola&ccedil;&atilde;o a outros direitos humanos e a outros princ&iacute;pios constitucionais. N&atilde;o &eacute; por acaso que a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira prev&ecirc;, no mesmo artigo que trata da liberdade de express&atilde;o, a exist&ecirc;ncia de mecanismos legais para que a popula&ccedil;&atilde;o se defenda desse tipo de conte&uacute;do. N&atilde;o h&aacute;, contudo, mecanismos implementados para este controle social.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Ao afirmar a necessidade de mecanismos de controle social &ndash; necessidade nunca reconhecida nem implementada pelo atual governo &ndash;, o que queremos &eacute; justamente garantir que um servi&ccedil;o p&uacute;blico, como &eacute; a radiodifus&atilde;o, atenda ao interesse p&uacute;blico. Na pr&aacute;tica, isso significa garantir o controle do conjunto da sociedade, contra arbitrariedades do setor privado ou do governo, sobre tr&ecirc;s aspectos: a regulamenta&ccedil;&atilde;o e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o setor, o servi&ccedil;o prestado e o conte&uacute;do exibido.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Exemplos concretos de mecanismos para isso seriam, no primeiro caso, a exist&ecirc;ncia de conselhos e confer&ecirc;ncias que determinem diretrizes para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como acontece na &aacute;rea da sa&uacute;de. No segundo caso, garantir ao cidad&atilde;o, usu&aacute;rio desse servi&ccedil;o p&uacute;blico, a possibilidade de monitorar e lutar pela qualidade deste servi&ccedil;o. Para isso s&atilde;o necess&aacute;rios desde mecanismos mais simples, como a cria&ccedil;&atilde;o de ouvidorias que recebam den&uacute;ncias (os cegos, por exemplo, at&eacute; hoje n&atilde;o contam com o servi&ccedil;o de audiodescri&ccedil;&atilde;o, previsto em lei, e n&atilde;o t&ecirc;m para quem reclamar), at&eacute; outros mais complexos, como a abertura de espa&ccedil;os de consulta sobre o processo de renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">No terceiro caso, para o controle social de conte&uacute;do, &eacute; preciso garantir o cumprimento da Constitui&ccedil;&atilde;o, que prev&ecirc; o direito de resposta proporcional ao agravo e a exist&ecirc;ncia de meios legais para o cidad&atilde;o se proteger de conte&uacute;do que viole o disposto na pr&oacute;pria carta magna. Hoje, por exemplo, se um meio de comunica&ccedil;&atilde;o pratica viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o de quem se sente atingido &eacute; acionar o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal ou entrar diretamente com um processo, o que demanda tempo, dinheiro e conhecimento t&eacute;cnico. N&atilde;o h&aacute; uma via n&atilde;o judicial, r&aacute;pida, que proteja o interesse do espectador. Mesmo entidades organizadas t&ecirc;m enorme dificuldade de se contrapor ao poder das emissoras, chegando a aguardar seis anos por um direito de resposta (como no caso da A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica apresentada pelo Centro de Estudos das Rela&ccedil;&otilde;es de Trabalho e Desigualdades &ndash; CEERT &ndash; contra os frequentes ataques da Record &agrave;s religi&otilde;es de matriz africana). As emissoras, concession&aacute;rias de um servi&ccedil;o p&uacute;blico, t&ecirc;m um poder absolutamente desigual em rela&ccedil;&atilde;o ao espectador, suposto benefici&aacute;rio deste servi&ccedil;o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>A experi&ecirc;ncia da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Foi para buscar solu&ccedil;&otilde;es para essas quest&otilde;es que foi realizada, em 2009, a 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Apesar de adotar algumas regras estranhas aos processos democr&aacute;ticos de confer&ecirc;ncias adotadas pelo Governo Federal, como privil&eacute;gio claro ao setor empresarial, a Confecom teve 633 propostas aprovadas<a name=\"sdfootnote1anc\" href=\"#sdfootnote1sym\" title=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a> (sendo 569 delas por consenso ou com mais de 80% de votos favor&aacute;veis) que determinam uma agenda progressista para o setor da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Com a realiza&ccedil;&atilde;o de etapas locais nos 26 estados e no Distrito Federal, foram envolvidas diretamente cerca de 15 mil pessoas dos mais diversos segmentos sociais. Este processo &eacute; um passo fundamental para a cria&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o estabelecida a partir do di&aacute;logo e participa&ccedil;&atilde;o de milh&otilde;es de brasileiros.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Entre as propostas aprovadas, destacamos:<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a afirma&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o \tcomo direito humano, e o pleito para que esse direito seja inclu&iacute;do \tna Constitui&ccedil;&atilde;o Federal;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho \tNacional de Comunica&ccedil;&atilde;o que possa ter car&aacute;ter de formula&ccedil;&atilde;o e \tmonitoramento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">o combate &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o no \tsetor, com a determina&ccedil;&atilde;o de limites &agrave; propriedade horizontal, \tvertical e cruzada;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a garantia de espa&ccedil;o para \tprodu&ccedil;&atilde;o regional e independente;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a regulamenta&ccedil;&atilde;o dos sistemas \tp&uacute;blico, privado e estatal de comunica&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o citados na \tConstitui&ccedil;&atilde;o Federal mas carecem de defini&ccedil;&atilde;o legal, com reserva \tde espa&ccedil;o no espectro para cada um destes;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">o est&iacute;mulo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de redes \tlocais e regionais de r&aacute;dios p&uacute;blicas, estatais e comunit&aacute;rias.;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">o fortalecimento do financiamento \tdo sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o e das emissoras comunit&aacute;rias, \tinclusive por meio de cobran&ccedil;a de contribui&ccedil;&atilde;o sobre o \tfaturamento comercial das emissoras privadas;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a descriminaliza&ccedil;&atilde;o da \tradiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria e a aprova&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as em sua \tregulamenta&ccedil;&atilde;o, com a abertura de espa&ccedil;o significativo no dial ao \tservi&ccedil;o, hoje confinado a uma frequ&ecirc;ncia por localidade;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a defini&ccedil;&atilde;o de regras mais \tdemocr&aacute;ticas e transparentes para concess&otilde;es e renova&ccedil;&otilde;es de \toutorgas, visando &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o da pluralidade e diversidade de \tconte&uacute;do;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a defini&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; \tinternet banda larga como direito fundamental e o estabelecimento \tdesse servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico, que garantiria sua \tuniversaliza&ccedil;&atilde;o, continuidade e controle de tarifas;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a implementa&ccedil;&atilde;o de instrumentos \tpara avaliar e combater viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos nas \tcomunica&ccedil;&otilde;es;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">o combate &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o de \tg&ecirc;nero, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, etnia, ra&ccedil;a, gera&ccedil;&atilde;o e de credo \treligioso nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a garantia da laicidade na \texplora&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">a proibi&ccedil;&atilde;o de outorgas para \tpol&iacute;ticos em exerc&iacute;cio de mandato eletivo.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">No pr&oacute;ximo per&iacute;odo, &eacute; necess&aacute;rio que o poder p&uacute;blico, em articula&ccedil;&atilde;o com a sociedade civil, consiga transformar as resolu&ccedil;&otilde;es da Confer&ecirc;ncia em um conjunto de leis e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, garantindo a participa&ccedil;&atilde;o social no processo de elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o dessas a&ccedil;&otilde;es. Se o objetivo &eacute;, de fato, garantir a ampla e verdadeira liberdade de express&atilde;o e o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o dos brasileiros, este deve ser o principal compromisso dos candidatos\/as que forem eleitos ao Legislativo e ao Executivo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"sdfootnote\"><span class=\"padrao\"><a name=\"sdfootnote1sym\" href=\"#sdfootnote1anc\" title=\"sdfootnote1sym\">1<\/a>. Veja o relat&oacute;rio oficial completo em &lt;http:\/\/www.secom.gov.br\/sobre-a-secom\/publicacoes\/confecom&gt;<a name=\"sdfootnote1sym\" href=\"#sdfootnote1anc\" title=\"sdfootnote1sym\"><\/a><\/span> \t<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\"> \t <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social divulgou nesta ter&ccedil;a-feira (28) um documento sobre as recentes discuss&otilde;es que est&atilde;o sendo pautadas pela e sobre a m&iacute;dia. A nota traz &agrave; tona &agrave; tona outras quest&otilde;es que n&atilde;o estavam sendo t&atilde;o debatidas nos jornais, como as resolu&ccedil;&otilde;es da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, e diz que &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24962\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Coletivo Intervozes divulga nota sobre atual est\u00e1gio da liberdade de express\u00e3o no pa\u00eds<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1416],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24962"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24962"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24962\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}