{"id":24961,"date":"2010-09-28T13:18:49","date_gmt":"2010-09-28T13:18:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24961"},"modified":"2010-09-28T13:18:49","modified_gmt":"2010-09-28T13:18:49","slug":"movimentos-se-apropriam-da-arte-e-da-comunicacao-em-suas-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24961","title":{"rendered":"Movimentos se apropriam da Arte e da Comunica\u00e7\u00e3o em suas lutas"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A Cidade Tiradentes foi o &uacute;ltimo conjunto habitacional constru&iacute;do em S&atilde;o Paulo. Sua fun&ccedil;&atilde;o era servir de cidade dormit&oacute;rio para trabalhadores do ABC. Apesar de planejado, como &eacute; comum na hist&oacute;ria da periferia paulistana, o projeto n&atilde;o foi bem desenvolvido, e hoje &eacute; um enorme distrito (distante 35km da S&eacute;) com s&eacute;rios problemas estruturais, onde moram mais de 200 mil pessoas. Quem conta a hist&oacute;ria &eacute; Wellington Lopes Goes, do N&uacute;cleo Cultural For&ccedil;a Ativa, movimento que tenta mobilizar os jovens locais pela cultura &#8211; hip hop, incentivo &agrave; leitura e ao estudo, etc. Wellington foi um dos convidados da Semana de Movimentos Sociais da USP, que aconteceu de 18 a 24 de setembro, na Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes. <\/p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o movimento art&iacute;stico nem movimento social, assim se indefinem. Por meio de pequenas a&ccedil;&otilde;es e manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas tentam problematizar o cotidiano que as pessoas vivem. &ldquo;Atrav&eacute;s da poesia trazer concep&ccedil;&atilde;o de mundo que t&aacute; na vida das pessoas, mas que elas n&atilde;o percebem porque tem que fazer outras coisas&rdquo;, diz Wellington Goes. Uma das principais atividades do grupo &eacute; o funcionamento da biblioteca comunit&aacute;ria, que surgiu para impulsionar a cria&ccedil;&atilde;o de uma p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Formada com doa&ccedil;&otilde;es da pr&oacute;pria comunidade, come&ccedil;ou com 1500 livros em 2001, e com o passar do tempo chegaram ao n&uacute;mero de cinco mil catalogados e 500 n&atilde;o catalogados &ndash; o que, segundo Wellington, prova que a comunidade l&ecirc;, &ldquo;talvez n&atilde;o leia um por m&ecirc;s, mas um por ano sim. De certa forma, l&ecirc;&rdquo;. <\/p>\n<p>A biblioteca acabou servindo tamb&eacute;m para forma&ccedil;&atilde;o de novos leitores. Atra&iacute;ram muitos jovens com isso, e logo come&ccedil;aram um projeto de interpreta&ccedil;&atilde;o e escrita de textos. Para isso tiveram a ajuda do hip hop com oficinas de m&uacute;sica, incentivando as pessoas a escreverem. &ldquo;Quebramos a vis&atilde;o de servi&ccedil;o p&uacute;blico. No come&ccedil;o, o pessoal achava que era servi&ccedil;o pelo costume. Fomos ensinando as pessoas a por a m&atilde;o no livro, a pesquisar, sem ter medo de ter contato com o livro&rdquo;, conta. <\/p>\n<p>Tentaram colocar discuss&otilde;es sobre cultura para que o povo se mobilizasse. Inicialmente queriam que a prefeitura fizesse uma biblioteca em Tiradentes &ndash; que &eacute; do tamanho de muitas cidades do estado, por&eacute;m a biblioteca p&uacute;blica n&atilde;o veio.<\/p>\n<p>Quanto ao financiamento, se inscreveram em editais e chegaram a ter dois anos de financiamento p&uacute;blico, o suficiente para comprar alguns livros, videoteca, e pagar um t&eacute;cnico por um tempo. O problema de organiza&ccedil;&otilde;es pegarem financiamento, acredita, &eacute; se as pessoas acharem que para come&ccedil;ar qualquer projeto precisa de financiamento de fora. &ldquo;Tem grupos que vivem pra isso, o fim &eacute; isso, captar recursos pra fazer. A&iacute; eu acho que &eacute; uma confus&atilde;o no movimento social. Isso &eacute; o fim do movimento&rdquo;, opina Wellington.<\/p>\n<p><strong>Arte <\/strong><\/p>\n<p>Repensar a arte. Como ela pode organizar o cotidiano, ajudar o p&uacute;blico a enxergar o cotidiano de forma inusitada, n&atilde;o dispersa; tirar a pessoa do dia a dia e lev&aacute;-la a refletir, para que ela volte &agrave; realidade com outro olhar. Esse &eacute; o conceito de arte que prefere os integrantes da For&ccedil;a Ativa, inspirados em te&oacute;ricos como Georg Luk&aacute;cs &#8211; citado a todo o momento por Wellington. Arte relevante seria aquela que desperta o reconhecimento do g&ecirc;nero humano, e n&atilde;o o reflexo do indiv&iacute;duo ego&iacute;sta, p&oacute;s-moderno. <\/p>\n<p>Fora da periferia, na Vila Madalena, a arte para a classe m&eacute;dia encontra-se com os movimentos sociais. &Eacute; a Companhia do Lat&atilde;o, que tamb&eacute;m esteve presente na Semana de Movimentos Sociais da USP na pessoa de S&eacute;rgio Carvalho, um dos fundadores da Cia, e professor de Dramaturgia e Cr&iacute;tica do curso de Artes C&ecirc;nicas da ECA. A parceria com movimentos sociais do campo (como MST e Via Campesina) fez o Lat&atilde;o ser do jeito que hoje &eacute; conhecido, com cr&iacute;tica &agrave; sociedade e abordagem da luta de classe em cl&aacute;ssicos como <em>Santa Joana dos Matadouro<\/em>s e <em>C&iacute;rculo de Giz Caucasiano. <br \/><\/em><br \/>O Lat&atilde;o, surgido no come&ccedil;o dos anos 90, teve uma liga&ccedil;&atilde;o acidental com os movimentos sociais. Quando fizeram<em> Santa Joana dos Matadouros<\/em> (de Bertold Brecth), bispos da Igreja pediram para apresentar a pe&ccedil;a em Bras&iacute;lia, para o clero e lideran&ccedil;as do MST, que na &eacute;poca fazia sua segunda maior marcha da hist&oacute;ria. Trabalharam com grupos de cultura do MST e da Via Campesina para teatros, e chegaram a fazer v&iacute;deo com a Via. <\/p>\n<p>&ldquo;Se n&atilde;o tiv&eacute;ssemos ido em teatr&atilde;o, n&atilde;o ter&iacute;amos influenciado teatro cr&iacute;tico em S&atilde;o Paulo. No come&ccedil;o dos anos 90 n&atilde;o tinha a quantidade de teatro cr&iacute;tico que tem hoje, era bem diferente o cen&aacute;rio, onde h&aacute; dezenas de grupos atuando inclusive na periferia. Mas ocupamos espa&ccedil;o de visibilidade&rdquo;, afirma S&eacute;rgio. Para ele, s&oacute; chegar na periferia n&atilde;o adianta se a produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o for cr&iacute;tica. Quanto ao mercado, n&atilde;o tem como escapar, a forma mercadoria &eacute; uma pot&ecirc;ncia &ndash; o modelo dominante &eacute; &ldquo;avassalador&rdquo;, e a forma, diz, cont&eacute;m ideologia -, mas os novos grupos como Dolores, Engenho Teatral, Antropof&aacute;gica, est&atilde;o percebendo a necessidade de dramaturgia critica mais avan&ccedil;ada, acredita. <\/p>\n<p>A forma mercadoria tamb&eacute;m &eacute; um problema que afeta outras &aacute;reas, como os jornais. S&eacute;rgio lembra o caso do Brasil de Fato, de onde fez parte do conselho editorial. Apesar de o projeto inicial ser um jornal radical, conforme as id&eacute;ias foram aparecendo, estavam muito pr&oacute;ximas do padr&atilde;o mercantil, em sua avalia&ccedil;&atilde;o. A produ&ccedil;&atilde;o cultural &eacute; outro problema que jornais e teatros alternativos esbarram: se n&atilde;o se tem dinheiro ou propaganda, como manter uma equipe profissionalizada? <\/p>\n<p>S&eacute;rgio tamb&eacute;m acredita que &eacute; preciso tomar cuidado com financiamento p&uacute;blico, mas n&atilde;o fugir dele. &ldquo;Teatro em S&atilde;o Paulo tem acesso a fomento publico. Antes era mis&eacute;ria, hoje &eacute; semi mis&eacute;ria, e d&aacute; para continuar a pesquisa, n&atilde;o s&oacute; produzir espet&aacute;culo&rdquo;. Para os grupos que querem se organizar politicamente, criar c&iacute;rculos alternativos na contram&atilde;o, financiamento p&uacute;blico &eacute; o &uacute;nico caminho, hoje. &ldquo;O caminho publico &eacute; o &uacute;nico jeito. Caminho empresarial n&atilde;o tem nada&rdquo;, avalia S&eacute;rgio.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O N&uacute;cleo Cultural For&ccedil;a Ativa e a Companhia do Lat&atilde;o relatam o papel transformador da Comunica&ccedil;&atilde;o e da Arte <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[350],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}