{"id":24939,"date":"2010-09-21T13:59:18","date_gmt":"2010-09-21T13:59:18","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24939"},"modified":"2010-09-21T13:59:18","modified_gmt":"2010-09-21T13:59:18","slug":"vulnerabilidade-do-publico-infantil-torna-regulacao-publicitaria-essencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24939","title":{"rendered":"Vulnerabilidade do p\u00fablico infantil torna regula\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria essencial"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">O anivers&aacute;rio de 20 anos do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor traz &agrave; tona a discuss&atilde;o sobre a efetividade da regula&ccedil;&atilde;o do mercado publicit&aacute;rio e da necessidade de uma regula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica da comunica&ccedil;&atilde;o mercadol&oacute;gica dirigida &agrave;s crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>O CDC determina que &eacute; proibida toda a publicidade abusiva, definida como, entre outras, aquela que &ldquo;(&#8230;)se aproveite da defici&ecirc;ncia de julgamento e experi&ecirc;ncia da crian&ccedil;a, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor de forma prejudicial ou perigosa &agrave; sua sa&uacute;de ou seguran&ccedil;a&rdquo;, reconhecendo a vulnerabilidade da crian&ccedil;a.&nbsp; <\/p>\n<p>Justamente por essa fragilidade da crian&ccedil;a, junto com o papel central que ela ocupa cada vez mais nas decis&otilde;es de consumo da fam&iacute;lia, vemos um aumento das publicidades destinadas a esse p&uacute;blico. Em 2006, os investimentos publicit&aacute;rios destinados &agrave; categoria de produtos infantis foram de aproximadamente R$ 209 milh&otilde;es (IBOPE Monitor, 2005&#215;2006), isso sem considerar as publicidades de outros artigos, do mundo adulto, que tamb&eacute;m s&atilde;o endere&ccedil;adas a esse p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Apesar de todo esse investimento, a crian&ccedil;a at&eacute; 12 anos ainda n&atilde;o tem a maturidade cognitiva necess&aacute;ria para realizar pensamentos abstratos, sendo incapaz, por exemplo, de diferenciar programas de informes publicit&aacute;rios. Dessa maneira, muitas publicidades tornam-se abusivas, ao n&atilde;o respeitar as particularidades do p&uacute;blico infantil.<\/p>\n<p>Apesar de podermos considerar que, a partir do conceito colocado no CDC, a publicidade dirigida a crian&ccedil;as j&aacute; &eacute; ilegal, devido &agrave; falta de claridade de defini&ccedil;&atilde;o do conceito no C&oacute;digo sua aplicabilidade fica restrita. &ldquo;Dada &agrave; import&acirc;ncia da prote&ccedil;&atilde;o que a crian&ccedil;a merece, o ideal seria que houvesse uma legisla&ccedil;&atilde;o especial sobre o assunto&rdquo;, acredita Jo&atilde;o Lopes Guimar&atilde;es Junior, promotor de Justi&ccedil;a de Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos do Consumidor, do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>Diferentes pa&iacute;ses possuem uma legisla&ccedil;&atilde;o nesse sentido, como Noruega e Su&eacute;cia, onde &eacute; proibida a publicidade de produtos e servi&ccedil;os direcionados a crian&ccedil;as com menos de 12 anos e qualquer inser&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria durante programas infantis. E a publicidade na Noruega n&atilde;o pode sequer ocupar mais de 15% do tempo da programa&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria. <\/p>\n<p>&ldquo;O mercado entrou com tudo dentro do &acirc;mbito familiar, o que cria um contexto em que &eacute; importante existir uma regula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, acredita Marcelo Sodr&eacute;, procurador do Estado de S&atilde;o Paulo. <\/p>\n<p><strong>Publicidade de alimentos<\/strong><\/p>\n<p>A quest&atilde;o se agrava ainda mais ao considerarmos os efeitos da publicidade na sa&uacute;de p&uacute;blica, como nos altos &iacute;ndices de obesidade infantil. Pesquisa do IBGE revelou que uma em cada tr&ecirc;s crian&ccedil;as de 5 a 9 anos estavam acima do peso em 2009, e que o excesso do peso dobrou nos &uacute;ltimos 34 anos. Fica evidente que a quest&atilde;o deixa de ser apenas do &acirc;mbito particular das fam&iacute;lias e passa para o &acirc;mbito do pr&oacute;prio estado, que tem como dever estipulado pela Constitui&ccedil;&atilde;o promover a sa&uacute;de p&uacute;blica atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es preventivas.<\/p>\n<p>Esse foi o fato motivador, por exemplo, da restri&ccedil;&atilde;o da publicidade de tabaco e de bebidas destiladas. &ldquo;J&aacute; h&aacute; um consenso de que o Estado pode intervir na publicidade. Se essa restri&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel para adultos, o que dizer do p&uacute;blico infantil, que &eacute; mais vulner&aacute;vel&rdquo;, diz Lopes.<\/p>\n<p>A comunica&ccedil;&atilde;o mercadol&oacute;gica de empresas produtoras de alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis acaba por incitar o consumo pela manipula&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio infantil, glamourizando a gordura, o sal e o a&ccedil;&uacute;car, a&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o encontram prote&ccedil;&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p><strong>Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Assim, a regulamenta&ccedil;&atilde;o do Estado na quest&atilde;o da publicidade se torna necess&aacute;ria, independentemente da exist&ecirc;ncia da autorregulamenta&ccedil;&atilde;o no setor. &ldquo;Acho o autocontrole muito saud&aacute;vel, mas numa sociedade democr&aacute;tica nenhum setor da economia deve ficar imune ao controle do Estado&rdquo;, afirma Lopes.<\/p>\n<p>&ldquo;Existe uma confus&atilde;o entre liberdade de express&atilde;o e publicidade&rdquo;, acredita Sodr&eacute;. Para os especialistas na &aacute;rea jur&iacute;dica, n&atilde;o h&aacute; na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal nada que defina esse conceito de liberdade de express&atilde;o comercial. Na legisla&ccedil;&atilde;o, essa liberdade &eacute; identificada como &ldquo;express&atilde;o da atividade intelectual, art&iacute;stica, cient&iacute;fica e de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &eacute; a externaliza&ccedil;&atilde;o da liberdade de pensamento. J&aacute; na publicidade, o seu autor n&atilde;o externa um pensamento seu e n&atilde;o professa um credo pessoal, fazendo com que esse tipo de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se enquadre no artigo constitucional.<\/p>\n<p>No Brasil, o mais recente acordo de autorregulamenta&ccedil;&atilde;o foi firmado por 24 empresas do setor aliment&iacute;cio em agosto de 2009. Embora a atitude tenha sido reconhecida por entidades de defesa do consumidor, depois de um ano em vigor o acordo surtiu poucos efeitos nas a&ccedil;&otilde;es das empresas.<\/p>\n<p>A autorregulamenta&ccedil;&atilde;o de um setor econ&ocirc;mico pode ser muito positiva, se funcionar efetivamente. No entanto, acordos como o da ind&uacute;stria aliment&iacute;cia mostram a pouca efic&aacute;cia do autocontrole do setor. A import&acirc;ncia do mercado publicit&aacute;rio e a capacidade que o marketing tem de interferir no comportamento das pessoas torna essencial a regulamenta&ccedil;&atilde;o estatal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O anivers&aacute;rio de 20 anos do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor traz &agrave; tona a discuss&atilde;o sobre a efetividade da regula&ccedil;&atilde;o do mercado publicit&aacute;rio e da necessidade de uma regula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica da comunica&ccedil;&atilde;o mercadol&oacute;gica dirigida &agrave;s crian&ccedil;as. 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