{"id":24925,"date":"2010-09-15T13:49:54","date_gmt":"2010-09-15T13:49:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24925"},"modified":"2010-09-15T13:49:54","modified_gmt":"2010-09-15T13:49:54","slug":"livro-propoe-indicadores-para-se-medir-o-direito-a-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24925","title":{"rendered":"Livro prop\u00f5e indicadores para se medir o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><span class=\"padrao\">Indicador, do latim &ldquo;indicare&rdquo; (apontar), significa aquele que indica, revela, prop&otilde;e, sugere, exp&otilde;e, menciona, aconselha. Todos esses significados explicam o porqu&ecirc; do lan&ccedil;amento de uma proposta de indicadores do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o por parte do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Indicadores s&atilde;o usados para construir, medir e monitorar a aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Quanto &agrave;quelas que visam implementar o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, o novo livro<em> <a href=\"http:\/\/www.intervozes.org.br\/publicacoes\/livros\/LivroIndicadores.pdf\/view\" target=\"_blank\">Contribui&ccedil;&otilde;es para constru&ccedil;&atilde;o de indicadores do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o<\/a> <\/em>       est&aacute; cheio de propostas para se avaliar em que p&eacute; est&aacute; o Brasil em rela&ccedil;&atilde;o a esse direito. <\/p>\n<p>Lan&ccedil;ado na semana passada em S&atilde;o Paulo, o <em>Indicadores<\/em> traz um modelo de pesquisa para monitorar a garantia do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. S&atilde;o 23 questionamentos divididos em sete dimens&otilde;es: [1] perfil do sistema, [2] meios de comunica&ccedil;&atilde;o e poder pol&iacute;tico, [3] diversidade de conte&uacute;do, [4] acesso aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, [5] participa&ccedil;&atilde;o social, monitoramento e gest&atilde;o democr&aacute;tica, [6] financiamento da comunica&ccedil;&atilde;o, [7] percep&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o e do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O livro &eacute; o resultado de uma proposta que surgiu em 2004, no relat&oacute;rio que o Intervozes fez sobre o Brasil para o <em>Global Governance Project <\/em>da Campanha <em>Communication Rights in the Information Society<\/em> (CRIS), feito em mais quatro pa&iacute;ses. O <em>Indicadores<\/em> colabora com propostas relativamente completas principalmente para a &aacute;rea de r&aacute;dio e TV, cujo estudo n&atilde;o &eacute; t&atilde;o tradicional no pa&iacute;s quanto aqueles sobre a internet (realizados pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e da Comunica&ccedil;&atilde;o) e liberdade de express&atilde;o (Rep&oacute;rteres sem Fronteiras, Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Jornalismo Investigativo). <\/p>\n<p>O <span style=\"font-weight: normal\">crit&eacute;rio<\/span> de desenvolvimento dos <span style=\"font-weight: normal\">indicadores propostos <\/span>foram aqueles que mais est&atilde;o atrasados, e s&atilde;o importantes para o Brasil, no caso os meios de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nicos tradicionais, por serem os mais utilizados.<\/p>\n<p>Segundo o livro, o estudo se concentrou nos indicadores que demonstram apropria&ccedil;&atilde;o de fato de aspectos do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, que podem n&atilde;o estar garantidos por lei, e pretende ser refer&ecirc;ncia servindo como base comparativa, ponto de partida. &ldquo;N&atilde;o tratamos no livro sobre internet e liberdade de express&atilde;o por j&aacute; existirem iniciativas significantes nesse aspecto. Mas existem buracos. N&atilde;o tratamos da quest&atilde;o da crian&ccedil;a e adolescente, por exemplo. Porque n&atilde;o pretende encerrar o assunto, mas abrir a discuss&atilde;o&rdquo;, afirmou Jo&atilde;o Brant, um dos organizadores da publica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-weight: normal\">Aplica&ccedil;&atilde;o<\/span><\/em><\/p>\n<p><\/strong>A parceria entre o Intervozes, a Unesco, o Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da UNB, e o N&uacute;cleo de Estudos Transdiciplinares de Comunica&ccedil;&atilde;o e Consci&ecirc;ncia da UFRJ &eacute; que definir&aacute; os pr&oacute;ximos passos no desenvolvimento e aplica&ccedil;&atilde;o de indicadores no Brasil. &ldquo;Ainda esse ano queremos no reunir com setores da sociedade civil e governo para criar ambiente propicio &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o dos indicadores, e discutir prioridades. Ao longo do ano que vem, fazer aplica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse Jo&atilde;o sobre a continuidade do projeto. <\/p>\n<p>Provavelmente os setores citados coordenar&atilde;o a aplica&ccedil;&atilde;o que ter&aacute; por base os indicadores da Unesco (Indicadores de Desenvolvimento da M&iacute;dia: Marco para a avalia&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. UNESCO, PIDC &ndash; programa internacional para o desenvolvimento da comunica&ccedil;&atilde;o. Mar&ccedil;o 2008), usando refer&ecirc;ncias pr&aacute;ticas acumuladas na pesquisa do Intervozes para fazer aplica&ccedil;&atilde;o piloto, que poder&aacute; ser nacional ou regional &ndash; e assim aplicada em algumas cidades piloto. <\/p>\n<p>Desse modo, o livro foi lan&ccedil;ado mais para dar uma continuidade ao trabalho que j&aacute; estava sendo feito do que servir como modelo definitivo. At&eacute; por que j&aacute; existe o modelo da Unesco, que apesar de n&atilde;o aprofundar em alguns temas que s&atilde;o interessantes para o Brasil &ndash; que o Intervozes aprofundou mais, acredita Jo&atilde;o -, tem legitimidade internacional. &ldquo;Tem duas maneiras do livro ser utilizado. Ao aplicar os indicadores da Unesco podemos acrescentar alguns que fizemos, deixando claro at&eacute; onde v&atilde;o os deles e come&ccedil;am os nossos. Ou eles podem servir de m&eacute;trica para indicadores da Unesco, que est&atilde;o muito gen&eacute;ricos, e est&atilde;o mais detalhados na nossa proposta&rdquo;.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; import&acirc;ncia que se tem dado ao tema em geral, Jo&atilde;o &eacute; otimista. Ele conta que aconteceram tr&ecirc;s eventos ano passado (em S&atilde;o Paulo, Bras&iacute;lia e Rio de Janeiro). &ldquo;As organiza&ccedil;&otilde;es do setor est&atilde;o atentas ao debate, buscando pensar especificidades de cada setor, e internacionalmente &eacute; um momento bom&rdquo;. O Equador, por exemplo, tamb&eacute;m lan&ccedil;ar&aacute; um documento com indicadores.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: normal\"><em>Direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e democracia<\/em><\/p>\n<p><\/span>Acompanhar o desenvolvimento do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; acompanhar o grau de desenvolvimento da democracia, afirma o <em>Indicadores<\/em>. &ldquo;O grau de desenvolvimento da democracia depende diretamente da pluralidade e diversidade de id&eacute;ias e valores que circula pelo espa&ccedil;o p&uacute;blico. Pelo papel central que cumprem os meios de comunica&ccedil;&atilde;o nessa esfera p&uacute;blica, a acessibilidade a eles com a garantia de efetiva liberdade de express&atilde;o e direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &eacute; determinante para esse resultado&rdquo; (pg. 16).<\/p>\n<p>O termo surgiu na d&eacute;cada de 60. Pela necessidade de transformar a liberdade de express&atilde;o em pr&aacute;tica, era necess&aacute;rio ir al&eacute;m desse conceito. &ldquo;A declara&ccedil;&atilde;o universal dos direitos humanos reivindica a liberdade de express&atilde;o, mas na pr&aacute;tica ela &eacute; para poucos&rdquo;, afirma o livro. Os poderosos e os exclu&iacute;dos deveriam ter a mesma liberdade para procurar, receber e transmitir informa&ccedil;&otilde;es. Mas, &ldquo;de acordo com a lei, uma pessoa pobre que busca dar visibilidade &agrave; injusti&ccedil;a que sofre tem a mesma prote&ccedil;&atilde;o de seu direito &agrave; liberdade de express&atilde;o, de expressar seus pontos de vista, do que um poderoso magnata dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, na pr&aacute;tica, ela carece de recursos de toda ordem &ndash; econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica, t&eacute;cnica, cultural e social para fazer ouvir sua voz, enquanto o dono de um ve&iacute;culo possui todos os meios paras garantir que sua mensagem seja ouvida&rdquo;. <\/p>\n<p>Assim, o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o pode ser um garantidor das condi&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o em uma sociedade altamente midiatizada, onde o poder e o controle dos recursos s&atilde;o mal distribu&iacute;dos. O termo nos obriga a compreender de forma mais ampla a liberdade de express&atilde;o enquanto liberdade &ldquo;que n&atilde;o apenas requer a aus&ecirc;ncia de limita&ccedil;&otilde;es sobre os indiv&iacute;duos, mas tamb&eacute;m a elimina&ccedil;&atilde;o das restri&ccedil;&otilde;es que pesam sobre setores inteiros da sociedade e, em paralelo, a cria&ccedil;&atilde;o de instrumentos e recursos para construir o acesso dos grupos exclu&iacute;dos aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (pg.25). <\/p>\n<p>Para promover a supera&ccedil;&atilde;o dessas desigualdades, &eacute; necess&aacute;ria a atua&ccedil;&atilde;o do Estado. A abordagem da pesquisa n&atilde;o se limitou &agrave;s amea&ccedil;as desse &agrave; pr&aacute;tica do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Consideram que os impedimentos podem tamb&eacute;m estar no setor privado, &ldquo;pelo efeito negativo que a concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade exerce sobre a pluralidade e diversidade do conte&uacute;do&rdquo; (pg. 29). &Eacute; preciso olhar tanto o Estado quanto o setor privado como potenciais algozes, e poss&iacute;veis promotores da liberdade de express&atilde;o.<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\">&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\">******<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\"><strong>Propostas de Indicadores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">1- Perfil do sistema (quantidade de ve&iacute;culos, grau de complementaridade entre os sistemas, concentra&ccedil;&atilde;o de mercado)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">2 &#8211; Meios de comunica&ccedil;&atilde;o e poder pol&iacute;tico (n&uacute;mero de concess&otilde;es outorgadas a detentores de cargos eletivos, n&uacute;meros de detentores de cargos eletivos que s&atilde;o concession&aacute;rios)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">3 &#8211; Diversidade de conte&uacute;do (regional, independente, concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV, diversidade demogr&aacute;fica, diversidade de tipos de programa\/formato, origem dos programas veiculados)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">4 &#8211; Acesso aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o (acesso privado, acesso p&uacute;blico &agrave; internet, pre&ccedil;os e tarifas dos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">5 &#8211; Participa&ccedil;&atilde;o social, monitoramento e gest&atilde;o democr&aacute;tica (mecanismos de monitoramento ativo do conte&uacute;do, gest&atilde;o democr&aacute;tica dos ve&iacute;culos p&uacute;blicos e comunit&aacute;rios, participa&ccedil;&atilde;o social nos processos sobre as outorgas, participa&ccedil;&atilde;o social nas pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">6 &#8211; Financiamento da comunica&ccedil;&atilde;o (recursos p&uacute;blicos para a comunica&ccedil;&atilde;o, investimentos em publicidade, investimentos no sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">7 &#8211; Percep&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o e do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o (percep&ccedil;&atilde;o geral do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, percep&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o de grupos sociais)<\/p>\n<p>&nbsp; <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Indicador, do latim &ldquo;indicare&rdquo; (apontar), significa aquele que indica, revela, prop&otilde;e, sugere, exp&otilde;e, menciona, aconselha. Todos esses significados explicam o porqu&ecirc; do lan&ccedil;amento de uma proposta de indicadores do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o por parte do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Indicadores s&atilde;o usados para construir, medir e monitorar a aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24925\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Livro prop\u00f5e indicadores para se medir o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[410],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24925"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}