{"id":24909,"date":"2010-09-08T13:51:37","date_gmt":"2010-09-08T13:51:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24909"},"modified":"2010-09-08T13:51:37","modified_gmt":"2010-09-08T13:51:37","slug":"voto-de-emilia-ribeiro-reforca-peso-da-lei-do-cabo-e-questiona-numero-ilimitado-de-outorgas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24909","title":{"rendered":"Voto de Em\u00edlia Ribeiro refor\u00e7a peso da Lei do Cabo e questiona n\u00famero ilimitado de outorgas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A leitura do relat&oacute;rio da conselheira Em&iacute;lia Ribeiro sobre a quest&atilde;o do Planejamento de TV por Assinatura mostra dois aspectos importantes: primeiro, o tamanho do problema pol&iacute;tico-regulat&oacute;rio sobre o qual a Anatel est&aacute; debru&ccedil;ada. Segundo, a for&ccedil;a que a Lei de TV a Cabo, de 1995, tem e que continuar&aacute; tendo sobre qualquer processo de decis&atilde;o que envolva o mercado de cabo. <\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a do planejamento est&aacute; em debate desde abril de 2002, tendo passado, desde ent&atilde;o, por nada menos do que duas consultas p&uacute;blicas, analisada por sete conselheiros relatores, passou oito vezes pela an&aacute;lise da procuradoria jur&iacute;dica da Anatel e resultou na elabora&ccedil;&atilde;o de sete informes da &aacute;rea t&eacute;cnica, isso sem contar a medida cautelar de maio deste ano que, finalmente, prop&ocirc;s a suspens&atilde;o total do planejamento. O curioso &eacute; que ao longo de todo o arrazoado sobre as idas e vindas do processo que visa rever o planejamento, existe apenas uma refer&ecirc;ncia &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es sobre o tema, ocorrida em 2005. Ou seja, desde 2002, o setor de TV por assinatura praticamente n&atilde;o foi objeto de preocupa&ccedil;&atilde;o em termos de orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do governo. Em se tratando de um assunto em que interesses conflitantes aparecem do lado de setores poderosos como o de radiodifus&atilde;o e o de telefonia, fica claro que a maior dificuldade de levar adiante a abertura do mercado de TV paga talvez tenha sido, em ess&ecirc;ncia, de natureza pol&iacute;tica. E fica claro tamb&eacute;m que muitas das decis&otilde;es tomadas pela ag&ecirc;ncia at&eacute; aqui foram decis&otilde;es de natureza muito mais pol&iacute;tica do que t&eacute;cnica. <\/p>\n<p><strong>Assunto decidido <\/strong><\/p>\n<p>A conselheira inicia a an&aacute;lise de seu voto dizendo que o conselho diretor j&aacute; decidiu sobre o tema ao expedir a cautelar que suspendeu o planejamento. &ldquo;For&ccedil;oso reconhecer, nesse sentido, que a partir da referida decis&atilde;o, o Conselho Diretor antecipou a delibera&ccedil;&atilde;o do processo ora examinado, tra&ccedil;ando os contornos do Planejamento dos Servi&ccedil;os de TV a Cabo e MMDS e as diretrizes para sua outorga, e ratificando, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a proposta de se eliminar em todas as &aacute;reas de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o, de forma imediata, a restri&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero limitado de opera&ccedil;&otilde;es&rdquo;, diz a conselheira. <\/p>\n<p>Em&iacute;lia relata que a pr&oacute;pria &aacute;rea t&eacute;cnica j&aacute; considera que essa ser&aacute; a posi&ccedil;&atilde;o final do conselho: &ldquo;A expectativa &eacute; de que o novo planejamento (&#8230;) seja aprovado com a sugest&atilde;o de elimina&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de prestadores por &aacute;reas de presta&ccedil;&atilde;o, visando dar maior dinamismo no setor&rdquo;, disse a superintend&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o de massa em um despacho interno. <\/p>\n<p>A an&aacute;lise que se segue, contudo, procura demonstrar que existem, nas in&uacute;meras manifesta&ccedil;&otilde;es das &aacute;reas t&eacute;cnica e jur&iacute;dica da Anatel ao longo de todos esses anos em que o processo est&aacute; em andamento, e tamb&eacute;m nas manifesta&ccedil;&otilde;es do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o, posi&ccedil;&otilde;es antag&ocirc;nicas sobre aspectos fundamentais, como a possibilidade de entrada das teles, limites ao n&uacute;mero de outorgas e o pre&ccedil;o a ser cobrado. <\/p>\n<p><strong>Limites de outorgas <\/strong><\/p>\n<p>Uma das posi&ccedil;&otilde;es mais importantes da an&aacute;lise da conselheira Em&iacute;lia Ribeiro &eacute; a de que a lei espec&iacute;fica, a Lei do Cabo, prevalece em caso de conflitos sobre a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. Da&iacute; que o servi&ccedil;o de TV a cabo, por for&ccedil;a de lei, n&atilde;o pode ser analisado e interpretado como um simples servi&ccedil;o privado de telecomunica&ccedil;&otilde;es, cuja distribui&ccedil;&atilde;o de outorgas pode ser feita irrestritamente. Essa foi a leitura tamb&eacute;m do TCU. Nesse sentido, argumenta o voto da conselheira, o regulamento e a norma do cabo, que regulamentam a lei, precisam ser levadas em considera&ccedil;&atilde;o, e eles estabelecem claramente &ldquo;a discrimina&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, de acordo com a viabilidade econ&ocirc;mica da opera&ccedil;&atilde;o, e o n&uacute;mero de concess&otilde;es a serem outorgadas em cada &aacute;rea&rdquo;.. Da&iacute; a necessidade de realiza&ccedil;&atilde;o de estudos econ&ocirc;micos para estabelecer estes limites. <\/p>\n<p>Sobre o argumento de que n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o t&eacute;cnica que imponha limites ao n&uacute;mero de outorgas, a pondera&ccedil;&atilde;o da conselheira Em&iacute;lia Ribeiro &eacute; que n&atilde;o houve, nos &uacute;ltimos anos, nenhuma mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica que mudasse substancialmente a interpreta&ccedil;&atilde;o que foi feita em 1997, quando o regulamento do Cabo, publicado por decreto da presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, a Norma do Cabo, editada pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e o Planejamento de TV por Assinatura, tamb&eacute;m elaborado pelo Minicom, estabeleceram a necessidade de limites de outorgas por &aacute;rea. &ldquo;Nesse sentido, um aspecto fundamental a ser considerado &eacute; justamente a aus&ecirc;ncia, no &acirc;mbito do presente processo, de estudos econ&ocirc;micos que, a exemplo daqueles que suportaram a elabora&ccedil;&atilde;o do planejamento ora cautelarmente suspenso, sustentem a participa&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero ilimitado de prestadoras no mercado de TV a cabo e, consequentemente, a inexigibilidade de licita&ccedil;&atilde;o para novas outorgas&rdquo;. Al&eacute;m disso, diz o voto da conselheira, a Lei do Cabo estabelece os princ&iacute;pios da rede &uacute;nica e rede p&uacute;blica, que prev&ecirc; o compartilhamento de redes e esfor&ccedil;os que evitem a sua duplica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>Pre&ccedil;o <\/strong><\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o do pre&ccedil;o da outorga, a conselheira Em&iacute;lia Ribeiro, em seu parecer, destaca que houve, em diferentes momentos, diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea t&eacute;cnica, ora sugerindo uma cobran&ccedil;a baseada no faturamento da operadora, ora sugerindo a cobran&ccedil;a de pre&ccedil;o administrativo. Diante de posi&ccedil;&otilde;es conflitantes, a conselheira fica com uma delas: a de que se considere &ldquo;todos os investimentos, custos operacionais, administrativos e tribut&aacute;rios, receitas operacionais e acess&oacute;rias, reinvestimentos, que considera inclusive, os perfis de diferentes mercados locais&rdquo;, ou seja, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel definir, de antem&atilde;o, que o pre&ccedil;o administrativo ser&aacute; a melhor solu&ccedil;&atilde;o. Este assunto &eacute; objeto de um processo espec&iacute;fico em tr&acirc;mite na ag&ecirc;ncia, relembra a conselheira. <br \/><strong><br \/>Teles <\/strong><\/p>\n<p>Por fim, sobre a possibilidade de entrada das teles no setor de cabo, a conselheira relata as diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e jur&iacute;dicas que refor&ccedil;am a leitura da Lei do Cabo de que as concession&aacute;rias de telefonia s&oacute; podem entrar em caso de &ldquo;desinteresse manifesto de empresas privadas, caracterizado pela aus&ecirc;ncia de resposta a edital relativo a uma determinada &aacute;rea de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o&rdquo;. Para a conselheira Em&iacute;lia Ribeiro, &ldquo;&eacute; nosso entendimento que a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de TV a cabo por concession&aacute;ria de STFC, suas coligadas, controladas ou controladoras, s&oacute; seria poss&iacute;vel ap&oacute;s verifica&ccedil;&atilde;o da inexist&ecirc;ncia de outros interessados, respeitando a norma de prefer&ecirc;ncia prevista na Lei de TV a Cabo&rdquo;. Como ela n&atilde;o admite de antem&atilde;o a hip&oacute;tese de um n&uacute;mero ilimitado de operadores, essas condi&ccedil;&otilde;es teriam que ser verificadas caso a caso. <\/p>\n<p>Com base em tudo isso, a conselheira recomenda a &aacute;rea t&eacute;cnica que refa&ccedil;a os estudos t&eacute;cnicos para analisar o n&uacute;mero de outorgas por regi&atilde;o, bem como proponha mecanismos que assegurem o compartilhamento de infraestrutura e, por fim, que a quest&atilde;o do pre&ccedil;o seja definida em processo espec&iacute;fico j&aacute; em curso.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A leitura do relat&oacute;rio da conselheira Em&iacute;lia Ribeiro sobre a quest&atilde;o do Planejamento de TV por Assinatura mostra dois aspectos importantes: primeiro, o tamanho do problema pol&iacute;tico-regulat&oacute;rio sobre o qual a Anatel est&aacute; debru&ccedil;ada. Segundo, a for&ccedil;a que a Lei de TV a Cabo, de 1995, tem e que continuar&aacute; tendo sobre qualquer processo de &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24909\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Voto de Em\u00edlia Ribeiro refor\u00e7a peso da Lei do Cabo e questiona n\u00famero ilimitado de outorgas<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[148],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24909"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24909"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24909\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}