{"id":24822,"date":"2010-08-16T19:09:14","date_gmt":"2010-08-16T19:09:14","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24822"},"modified":"2010-08-16T19:09:14","modified_gmt":"2010-08-16T19:09:14","slug":"lembrancas-do-jn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24822","title":{"rendered":"Lembran\u00e7as do JN"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O destaque dado pela m&iacute;dia ao Jornal Nacional na &uacute;ltima semana, em raz&atilde;o das entrevistas realizadas com os candidatos &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, trouxe a minha mem&oacute;ria o epis&oacute;dio de cinco atr&aacute;s quando acompanhei com colegas da USP uma reuni&atilde;o de pauta daquele programa.<\/p>\n<p>Contei em artigo publicado na revista Carta Capital e depois reproduzido no livro &ldquo;A TV sob controle&rdquo; o que vi e ouvi naquela manh&atilde; no Jardim Bot&acirc;nico, no Rio. Mostrei como se decide o que o povo brasileiro vai ver &agrave; noite, no intervalo entre duas novelas. Ficou clara, para tanto, a exist&ecirc;ncia de tr&ecirc;s filtros: o primeiro exercido pelo pr&oacute;prio editor-chefe a partir de suas idiossincrasias e vis&otilde;es de mundo cujos limites se situam entre a Barra da Tijuca e Miami, por via a&eacute;rea.<\/p>\n<p>O segundo e o terceiro filtros ficam mais acima e s&atilde;o controlados pelos diretores de jornalismo e pelos donos da empresa, nessa ordem. N&atilde;o que o editor-chefe n&atilde;o tenha incorporado as determina&ccedil;&otilde;es superiores mas h&aacute; casos que v&atilde;o al&eacute;m de sua percep&ccedil;&atilde;o e necessitam an&aacute;lise pol&iacute;tico-econ&ocirc;mica mais refinada.<\/p>\n<p>As entrevistas com os presidenci&aacute;veis passaram, com certeza, pelos tr&ecirc;s filtros e os resultados o p&uacute;blico viu no ar. O candidato do PSOL tendo que refazer uma fala cortada pela emissora e a candidata do PT deixando de ser entrevistada para ser inquirida. Para os outros dois candidatos da oposi&ccedil;&atilde;o a pegada foi mais leve, de acordo com a linha editorial da empresa.<\/p>\n<p>Nada diferente do que vi em 2005 quando uma not&iacute;cia oferecida pela sucursal de Nova York foi sumariamente descartada pelo editor-chefe do telejornal. Ela dava conta de uma oferta de &oacute;leo para calefa&ccedil;&atilde;o feita pelo presidente da Venezuela &agrave; popula&ccedil;&atilde;o pobre do estado de Massachussets, nos Estados Unidos, a pre&ccedil;os 40% mais baixos do que os praticados naquele pais. Uma not&iacute;cia de impacto social e pol&iacute;tico sonegada do p&uacute;blico brasileiro.<\/p>\n<p>Ou da empolga&ccedil;&atilde;o do editor-chefe em colocar no ar a not&iacute;cia de que um juiz em Contagem (MG) estava determinando a soltura de presos por falta de condi&ccedil;&otilde;es carcer&aacute;rias. Chegou a dizer, na reuni&atilde;o de pauta, que o juiz era um louco e depois abriu o jornal com essa not&iacute;cia sem tentar ouvir as raz&otilde;es do magistrado e, muito menos, tocar na situa&ccedil;&atilde;o dos pres&iacute;dios no Brasil. O objetivo era disseminar o medo e conquistar preciosos pontos de audi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Diante dessas lembran&ccedil;as revirei meu ba&uacute; com mensagens recebidas na &eacute;poca. Foram dezenas apoiando e cumprimentando pelas revela&ccedil;&otilde;es feitas no artigo.<\/p>\n<p>Reproduzo trechos de uma delas enviada por jornalista da pr&oacute;pria Globo:<\/p>\n<p>&ldquo;Discordo da revista Carta Capital num ponto: o texto &lsquo;De Bonner para Homer&rsquo; n&atilde;o &eacute; uma cr&ocirc;nica. &Eacute; uma reportagem, um relato muito preciso do que ocorre diariamente na reda&ccedil;&atilde;o do telejornal de maior audi&ecirc;ncia do Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>As suas conclus&otilde;es s&atilde;o, por&eacute;m, mais esclarecedoras do que uma observa&ccedil;&atilde;o-participante. Que fique claro: trabalho h&aacute; muito tempo na Globo, n&atilde;o sou, portanto, isento.<\/p>\n<p>Poderia apresentar duas hip&oacute;teses relacionadas &agrave; economia interna da empresa para a escolha do editor-chefe do JN:<\/p>\n<p>1) a crise provocada pelo endividamento levou a dire&ccedil;&atilde;o da rede a tomar medidas para cortar de despesas. Em vez de dois altos sal&aacute;rios &#8211; o de apresentador e o de editor-chefe &#8211; para profissionais diferentes, entregou a chefia ao Bonner. Economizou um sal&aacute;rio.<\/p>\n<p>2) como &eacute; profissionalmente fraco, n&atilde;o tem experi&ecirc;ncia de campo, nunca se destacou por nenhuma reportagem, o citado apresentador tem o perfil adequado para o papel de boneco de ventr&iacute;loquo da dire&ccedil;&atilde;o do Jornalismo.<\/p>\n<p>A resposta para a nossa quest&atilde;o deve estar bem pr&oacute;xima dessas duas hip&oacute;teses. De todo modo, os efeitos s&atilde;o devastadores: equipe dividida, enfraquecida e s&oacute; os mais inexperientes conseguem conviver com o chefe tirano e exibicionista.<\/p>\n<p>&lsquo;Infelizmente, &eacute; um retrato fiel&rsquo;, exclamou uma rep&oacute;rter experimentada diante do seu texto.<\/p>\n<p>Eu me sinto constrangido e, creia-me, n&atilde;o sou o &uacute;nico por aqui&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; a esse tipo de organiza&ccedil;&atilde;o que os candidatos &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica devem se submeter se quiserem falar com maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de eleitores. Constrangimento imposto pela concentra&ccedil;&atilde;o absurda dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o existente no Brasil, interferindo de forma perversa no jogo democr&aacute;tico.<\/p>\n<p><em>*Laurindo Lalo Leal Filho &eacute; soci&oacute;logo e jornalista, &eacute; professor de Jornalismo da ECA-USP. &Eacute; autor, entre outros, de &ldquo;A TV sob controle &ndash; A resposta da sociedade ao poder da televis&atilde;o&rdquo; (Summus Editorial).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica est&atilde;o submetidos ao constrangimento causado pela concentra&ccedil;&atilde;o absurda dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[144],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24822"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24822\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}