{"id":24769,"date":"2010-08-02T17:25:37","date_gmt":"2010-08-02T17:25:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24769"},"modified":"2010-08-02T17:25:37","modified_gmt":"2010-08-02T17:25:37","slug":"empresas-criam-programas-de-tv-para-lancar-ou-promover-produtos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24769","title":{"rendered":"Empresas criam programas de TV para lan\u00e7ar ou promover produtos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>[T&iacute;tulo original: Um programa para chamar de seu]<\/em><\/p>\n<p>O movimento de c&acirc;meras de TV e cinegrafistas nunca fez parte da pacata rotina de Mau&eacute;s, cidade de 50 000 habitantes localizada pr&oacute;ximo &agrave; fronteira do estado do Amazonas com o Par&aacute; e cuja economia gira basicamente em torno da agricultura e do turismo. Em meados de julho, por&eacute;m, o munic&iacute;pio viveu dias de agita&ccedil;&atilde;o ao servir de palco para as filmagens do primeiro epis&oacute;dio do programa Bus&atilde;o do Brasil, um reality show patrocinado pela AmBev, com estreia prevista para o dia 30 de julho na TV Bandeirantes. Durante tr&ecirc;s meses, 12 jovens com m&eacute;dia de 18 anos de idade ter&atilde;o seu cotidiano escancarado por c&acirc;meras enquanto viajam de &ocirc;nibus por 16 cidades do pa&iacute;s, de Fortaleza a S&atilde;o Paulo. A escolha de Mau&eacute;s como ponto de partida para a atra&ccedil;&atilde;o nada tem a ver com a beleza da cidade, banhada por uma dezena de rios amaz&ocirc;nicos. Tamb&eacute;m n&atilde;o se tratou de sugest&atilde;o dos executivos da emissora. A explica&ccedil;&atilde;o &eacute; outra &#8211; &eacute; que l&aacute; est&aacute; localizada a Fazenda Santa Helena, principal f&aacute;brica do Guaran&aacute; Antarctica, produzido pela AmBev. A empresa pagou cerca de 6 milh&otilde;es de reais para que o tal &quot;bus&atilde;o&quot;, totalmente adesivado com o logotipo do refrigerante, promova Mau&eacute;s e, de quebra, crie burburinho em torno do produto &#8211; n&atilde;o por acaso, em todas as cidades em que o &ocirc;nibus vai fazer paradas o guaran&aacute; precisa aumentar suas vendas. At&eacute; que o primeiro epis&oacute;dio v&aacute; ao ar, foram necess&aacute;rias mais de 30 reuni&otilde;es entre executivos da AmBev, da Bandeirantes e da Endemol, maior produtora de conte&uacute;do do mundo e respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o e pela produ&ccedil;&atilde;o do programa. &quot;Quer&iacute;amos aparecer de uma maneira mais original, que n&atilde;o fosse a propaganda comum nem o merchandising&quot;, diz S&eacute;rgio Esteves, gerente de marketing de refrigerantes da AmBev. &quot;Arcamos com boa parte dos custos da atra&ccedil;&atilde;o. Assim, poder&iacute;amos palpitar em todas as etapas da produ&ccedil;&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p>Ao se imiscuir na produ&ccedil;&atilde;o de um programa de TV &#8211; algo totalmente fora de sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o -, a gigante de bebidas se aventura no que os americanos batizaram de brand experience, ou experi&ecirc;ncia de marca, uma t&aacute;tica publicit&aacute;ria que busca novas formas de intera&ccedil;&atilde;o com o consumidor, fugindo do uso exclusivo da propaganda tradicional. &quot;Gra&ccedil;as ao avan&ccedil;o da internet e &agrave; crescente oferta de canais pagos, a tend&ecirc;ncia &eacute; que cada vez menos pessoas assistam aos comerciais na TV aberta&quot;, diz Fernando Figueiredo, presidente da ag&ecirc;ncia Bullet. Por causa disso, muitas empresas v&ecirc;m buscando maneiras mais eficientes &#8211; e baratas &#8211; de chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos espectadores. Foi esse racioc&iacute;nio que levou a subsidi&aacute;ria brasileira da Volkswagen a investir 1,2 milh&atilde;o de reais na produ&ccedil;&atilde;o do Zero Bala, um programa de perguntas e respostas veiculado pela TV Bandeirantes entre novembro de 2009 e fevereiro. Ao longo de 12 epis&oacute;dios, a montadora conseguiu expor sua marca na TV por cerca de 6 horas &#8211; al&eacute;m de premiar os vencedores com um Fox, o cen&aacute;rio trazia um enorme logotipo da Volks. Se fosse negociar esse mesmo tempo de exibi&ccedil;&atilde;o em filmes de 30 segundos, estima-se que a Volks teria de gastar pelo menos dez vezes mais. &quot;Ningu&eacute;m sabe quantas pessoas est&atilde;o, de fato, em frente &agrave; TV durante o intervalo&quot;, diz Herlander Zola, gerente de marketing da Volkswagen. &quot;Participando da concep&ccedil;&atilde;o do programa, &eacute; poss&iacute;vel medir a audi&ecirc;ncia a cada minuto.&quot;<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; de agora que as marcas buscam solu&ccedil;&otilde;es alternativas para conquistar adeptos nas telas &#8211; sejam elas de TV ou de cinema. A cervejaria holandesa Heineken foi uma das pioneiras nesse tipo de experi&ecirc;ncia. Para se livrar da pecha de &quot;envelhecida&quot; em seu pa&iacute;s de origem, a empresa lan&ccedil;ou, em mar&ccedil;o de 2003, um programa de entrevistas chamado 6Pack, numa &oacute;bvia refer&ecirc;ncia &agrave; conhecida embalagem com seis garrafas de cerveja. A atra&ccedil;&atilde;o, semelhante ao humor&iacute;stico CQC, da TV Bandeirantes, mostrava seis jovens holandeses munidos de c&acirc;meras pelas ruas de Amsterd&atilde; abordando cidad&atilde;os comuns com perguntas inusitadas, geralmente relacionadas a temas como m&uacute;sica e cinema. Planejado inicialmente para durar uma s&oacute; temporada (algo em torno de tr&ecirc;s meses), o 6Pack deu t&atilde;o certo que ficou no ar durante quatro anos, deu origem a um bar em Amsterd&atilde; e foi replicado na Espanha e na R&uacute;ssia. Embora o programa n&atilde;o fizesse men&ccedil;&atilde;o direta aos produtos da Heineken, uma pesquisa feita pela empresa mostrou que 60% dos entrevistados percebiam que o 6Pack era uma cria&ccedil;&atilde;o da cervejaria (uma percep&ccedil;&atilde;o em grande medida refor&ccedil;ada por campanhas publicit&aacute;rias tradicionais, promovidas enquanto o programa estava no ar). H&aacute; grandes chances de o programa holand&ecirc;s finalmente desembarcar no Brasil. A Endemol vem negociando com uma emissora local a produ&ccedil;&atilde;o de uma vers&atilde;o do 6Pack.<\/p>\n<p>De olho nesse fil&atilde;o, a Endemol criou em mar&ccedil;o uma divis&atilde;o para desenvolver atra&ccedil;&otilde;es que incluam brand experience. Al&eacute;m dos programas Zero Bala e Bus&atilde;o do Brasil, a empresa vai estrear em setembro, na TV Record, um programa que apresenta a reforma de seis creches no Brasil, boa parte bancada pela Kimberly- Clark, a um custo estimado de 10 milh&otilde;es de reais. Tudo para promover o uso da rec&eacute;m-lan&ccedil;ada Fralda M&aacute;gica entre o p&uacute;blico das classes C e D. &quot;Num momento de forte aperto no or&ccedil;amento das emissoras, esse modelo acena com um enorme potencial de lucratividade para ambas as partes&quot;, diz Olivier Gers, presidente da divis&atilde;o de marcas da Endemol. Foi o que aconteceu com a parceria entre a anglo-holandesa Unilever e a MTV americana. Em 2006, a empresa veiculou o Gamekillers, um reality show de apenas 1 hora de dura&ccedil;&atilde;o que mostrava atores sabotando o que seria uma paquera de verdade. O objetivo era divulgar a nova fragr&acirc;ncia do desodorante Axe nos Estados Unidos. A atra&ccedil;&atilde;o foi vista por 3 milh&otilde;es de espectadores e reprisada outras 11 vezes por iniciativa da pr&oacute;pria MTV, tornando-se um dos programas mais rent&aacute;veis da emissora naquele ano. A Unilever n&atilde;o teve de pagar um centavo por essas exibi&ccedil;&otilde;es extras &#8211; e ainda aproveitou a s&uacute;bita popularidade dos personagens nas campanhas tradicionais do desodorante.<\/p>\n<p>Embora garanta uma exposi&ccedil;&atilde;o intensiva da marca a um custo relativamente baixo, a produ&ccedil;&atilde;o de programas de TV por parte das empresas n&atilde;o est&aacute; livre de riscos. O mais temido deles &eacute; que a atra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seja exatamente um sucesso. A pr&oacute;pria AmBev j&aacute; sentiu na pele o que isso significa. Em 2008, a empresa promoveu um concurso de bandas na TV tamb&eacute;m com o intuito de alardear o Guaran&aacute; Antarctica. A atra&ccedil;&atilde;o, batizada de Gas Sound, ficou somente quatro meses no ar pela Rede TV! (a emissora n&atilde;o revela a audi&ecirc;ncia total). &quot;Era um programa de nicho, numa emissora com baixa audi&ecirc;ncia&quot;, diz Esteves, da AmBev. Para evitar que o Bus&atilde;o do Brasil tenha sina semelhante, a AmBev pretende deflagrar uma intensa campanha em jornais e revistas para divulg&aacute;-lo, al&eacute;m de realizar a&ccedil;&otilde;es em pontos de venda, como a distribui&ccedil;&atilde;o de brindes. A ideia &eacute; que pelo menos 2 milh&otilde;es de consumidores saibam do que se trata o programa a partir deste m&ecirc;s &#8211; o que, a julgar pela dificuldade em atrair a aten&ccedil;&atilde;o dos jovens, j&aacute; seria um enorme avan&ccedil;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[T&iacute;tulo original: Um programa para chamar de seu] O movimento de c&acirc;meras de TV e cinegrafistas nunca fez parte da pacata rotina de Mau&eacute;s, cidade de 50 000 habitantes localizada pr&oacute;ximo &agrave; fronteira do estado do Amazonas com o Par&aacute; e cuja economia gira basicamente em torno da agricultura e do turismo. 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