{"id":24725,"date":"2010-07-26T17:47:11","date_gmt":"2010-07-26T17:47:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24725"},"modified":"2010-07-26T17:47:11","modified_gmt":"2010-07-26T17:47:11","slug":"depois-de-muita-espera-paraisopolis-ganha-radio-comunitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24725","title":{"rendered":"Depois de muita espera, Parais\u00f3polis ganha r\u00e1dio comunit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A espera durou onze anos. Agora que saiu a concess&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, Parais&oacute;polis, a segunda maior favela de S&atilde;o Paulo, ter&aacute; sua primeira r&aacute;dio comunit&aacute;ria legalizada. Cravada no Morumbi, bairro nobre da Zona Sul, a comunidade ganhar&aacute; voz reconhecida na sintonia 87,5 FM. A previs&atilde;o &eacute; de que a Nova Parais&oacute;polis entre no ar no in&iacute;cio de agosto.<\/p>\n<p>Na quinta-feira (22), o G1 acompanhou a correria da equipe que faz os &uacute;ltimos ajustes nos est&uacute;dios, montados na sede da associa&ccedil;&atilde;o de moradores. &ldquo;A r&aacute;dio vai ser a nossa principal for&ccedil;a, levando as reivindica&ccedil;&otilde;es, as reclama&ccedil;&otilde;es. &Eacute; uma arma para a gente denunciar o que acontece aqui&rdquo;, conta, animado, Gilson Rodrigues, presidente da associa&ccedil;&atilde;o e um dos conselheiros da r&aacute;dio. O semblante s&oacute; fica mais s&eacute;rio quando ele mexe na mesa de som. &ldquo;Ainda estou aprendendo&rdquo;, admite ele, enquanto busca o bot&atilde;o que baixa o volume da m&uacute;sica sertaneja tocando ao fundo para dar a entrevista.<\/p>\n<p>Para ser comunit&aacute;ria, uma r&aacute;dio deve atender aos interesses de uma comunidade pr&oacute;pria e n&atilde;o pode ter fins lucrativos. O apoio, em forma de doa&ccedil;&atilde;o, vem de empresas e entidades que t&ecirc;m liga&ccedil;&atilde;o com a favela. As ondas da Nova Parais&oacute;polis atingir&atilde;o um raio de 1 km na regi&atilde;o. Na programa&ccedil;&atilde;o, ainda em fase de ajustes, n&atilde;o podem faltar not&iacute;cias, m&uacute;sicas, informa&ccedil;&otilde;es sobre sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e at&eacute; espa&ccedil;o para a religi&atilde;o. Dif&iacute;cil vai ser agradar a todos.<\/p>\n<p>&ldquo;Nossa r&aacute;dio tem que ser o mais plural poss&iacute;vel. Tem que atender aos diversos grupos que existem na comunidade, como os idosos, os estudantes, os jovens e os trabalhadores&rdquo;, conta Joildo dos Santos, 24, morador da favela desde 1998 e tamb&eacute;m escolhido para ser um dos locutores. &ldquo;Desde 1999, a gente est&aacute; brigando para ter essa r&aacute;dio. Em 2003, saiu o edital (do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es)&rdquo;, diz Santos. A concess&atilde;o de dez anos, prorrog&aacute;veis, saiu no in&iacute;cio de 2010.<\/p>\n<p><strong>Sem pirataria<\/strong><\/p>\n<p>A fiscaliza&ccedil;&atilde;o ser&aacute; feita pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). Gerente do escrit&oacute;rio regional da Anatel em S&atilde;o Paulo, Everaldo Gomes Ferreira afirma que acompanhou a &ldquo;luta&rdquo; de Parais&oacute;polis para que tivessem uma r&aacute;dio autorizada. Segundo ele , &ldquo;nos &uacute;ltimos anos&rdquo;, s&oacute; duas r&aacute;dios piratas foram fechadas ali. &ldquo;Eles mesmos (os moradores) ajudavam e denunciavam.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; uma conquista grande porque a comunidade &eacute; atuante, organizada, seguiu o tr&acirc;mite legal, teve a paci&ecirc;ncia de esperar. Acompanhei a luta deles e vamos colaborar&rdquo;, promete Ferreira. At&eacute; junho deste ano, a Anatel fechou 18 r&aacute;dios piratas na capital e 27 na Grande S&atilde;o Paulo. Em 2009, foram 23 e 48, respectivamente. Segundo Ferreira, a multa &eacute; de R$ 10 mil. &ldquo;Em caso de interfer&ecirc;ncia na navega&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea, a deten&ccedil;&atilde;o &eacute; de 2 a 4 anos&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>Em uma favela de aproximadamente cem mil moradores, onde, pelas contas de Gilson Rodrigues, 85% s&atilde;o nordestinos, n&atilde;o pode faltar entretenimento para eles. O t&eacute;cnico em manuten&ccedil;&atilde;o Rosivaldo da Silva Alves,32, sabe o que quer ouvir. &ldquo;Eu gosto mais de not&iacute;cia e m&uacute;sica. Sertanejo, um forrozinho.&rdquo; J&aacute; a empregada dom&eacute;stica Fagna Sousa do Carmo, 25, quer uma programa&ccedil;&atilde;o voltada para as mulheres. E ter&aacute;.<\/p>\n<p>Nos planos da Nova Parais&oacute;polis, est&atilde;o p&iacute;lulas informativas que falar&atilde;o, por exemplo, sobre sexo, doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis e gravidez na adolesc&ecirc;ncia. &ldquo;Aqui, a adolescente n&atilde;o tem abertura de conversar com a m&atilde;e sobre sexo. A gente vai procurar ginecologistas e psic&oacute;logos que possam dar entrevistas&rdquo;, afirma a estudante de psicologia Renata Ferreira Santos, que comandar&aacute; um programa nesse estilo.<\/p>\n<p><strong>Seguindo modelo de Heli&oacute;polis<\/strong><\/p>\n<p>Na onda das m&iacute;dias sociais, a Nova Parais&oacute;polis tamb&eacute;m poder&aacute; ser acessada na internet. Para Gilson Rodrigues, isso permitir&aacute; que &ldquo;o mundo&rdquo; ou&ccedil;a a voz da favela paulista. &ldquo;Vai ser muito bom a gente ter contato com nossos parentes no nordeste&rdquo;, diz ele, que veio da Bahia ainda garoto c&aacute;.<\/p>\n<p>O modelo pensado para a comunidade do Morumbi &eacute; o mesmo que j&aacute; existe em Heli&oacute;polis, a maior favela da capital paulista, tamb&eacute;m localizada na Zona Sul. A primeira vers&atilde;o da &ldquo;R&aacute;dio Popular de Heli&oacute;polis&rdquo; surgiu em 1992, com cornetas instaladas em dois postes da favela, anunciando servi&ccedil;os, como campanhas de vacina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;A gente sempre prestou esse servi&ccedil;o para a nossa comunidade. &Eacute; o dever de toda r&aacute;dio comunit&aacute;ria. Quando algu&eacute;m perde um documento e a gente acha, anunciamos aqui&rdquo;, conta Rog&eacute;rio Jos&eacute; da Silva, 28, locutor e produtor de vinhetas na r&aacute;dio de Heli&oacute;polis. Nascido e criado na comunidade local, ele diz que a programa&ccedil;&atilde;o ajudou a jogar mais cultura na favela. &ldquo;Divulgamos eventos gratuitos de cinema, teatro, dan&ccedil;a. Muita coisa de gra&ccedil;a e as pessoas daqui n&atilde;o sabiam.&rdquo;<\/p>\n<p>Em Parais&oacute;polis, n&atilde;o deve ser diferente. &ldquo;Queremos acabar com a vis&atilde;o pejorativa que algumas pessoas ainda t&ecirc;m sobre nossa comunidade. Essa &eacute; uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria e n&atilde;o mambembe&rdquo;, afirma Joildo dos Santos, que promete dedica&ccedil;&atilde;o total em sua estreia como locutor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A espera durou onze anos. Agora que saiu a concess&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, Parais&oacute;polis, a segunda maior favela de S&atilde;o Paulo, ter&aacute; sua primeira r&aacute;dio comunit&aacute;ria legalizada. Cravada no Morumbi, bairro nobre da Zona Sul, a comunidade ganhar&aacute; voz reconhecida na sintonia 87,5 FM. 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