{"id":24716,"date":"2010-07-22T17:46:48","date_gmt":"2010-07-22T17:46:48","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24716"},"modified":"2014-09-07T03:00:30","modified_gmt":"2014-09-07T03:00:30","slug":"promessa-da-tv-digital-interatividade-ainda-engatinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24716","title":{"rendered":"Promessa da TV digital, interatividade ainda engatinha"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">{mosimage}Passados mais de dois anos da primeira transmiss&atilde;o da TV digital no pa&iacute;s, um dos principais recursos a ela associados, a interatividade, s&oacute; agora come&ccedil;a a fazer parte dos aparelhos de TV e celulares do pa&iacute;s, ainda de forma t&iacute;mida. Apenas este ano algumas empresas come&ccedil;aram a colocar no mercado equipamentos (TV e celular) que permitem acessar os conte&uacute;dos interativos que v&ecirc;m sendo testadas pelas emissoras. Al&eacute;m disso, quem se antecipou em comprar um conversor, ter&aacute; de troc&aacute;-lo se quiser interagir com os aplicativos oferecidos. A maioria dos set top box produzidos at&eacute; agora n&atilde;o possu&iacute;am o Ginga, programa desenvolvido no Brasil que possibilita a interatividade.<\/p>\n<p>As pesquisas para o desenvolvimento do Ginga s&atilde;o antigas, o que significa que a interatividade na TV brasileira poderia estar em um est&aacute;gio mais avan&ccedil;ado de implanta&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, isso n&atilde;o aconteceu por problemas relacionados &agrave; propriedade intelectual. <\/p>\n<p>O Ginga &eacute; um middleware, ou seja, um sistema que faz a media&ccedil;&atilde;o entre os diversos tipos de aplicativos que as emissoras criar&atilde;o para ofertar conte&uacute;dos interativos e o sistema operacional do SBTVD. A vers&atilde;o original do sistema, o Ginga-J, &eacute; baseado na linguagem Java e possu&iacute;a parte de sua composi&ccedil;&atilde;o advinda de software propriet&aacute;rio. Por isso, o governo brasileiro gastou um bom tempo tentando encontrar uma forma de n&atilde;o utilizar a parte propriet&aacute;ria at&eacute; conseguir. Com isso, se descarta o pagamento de royalties e os aparelhos digitais tornam-se mais baratos. Diante desta demanda, os pesquisadores desenvolveram outro subsistema, o Ginga-NCL.<\/p>\n<p>Como a ind&uacute;stria lucra mais vendendo televis&otilde;es com conversores embutidos, n&atilde;o tem havido investimento em desenvolver e ofertar conversores (as conhecidas caixinhas) com o Ginga instalado. Sendo assim, o recurso da interatividade ainda &eacute; oferecido apenas &agrave;queles que conseguiram comprar as caras televis&otilde;es que vem com a funcionalidade. E mesmo os que fizeram esse investimento n&atilde;o podem desfrutar tanto da novidade, pois s&atilde;o poucas as emissoras que produzem aplicativos de intera&ccedil;&atilde;o com o telespectador.<\/p>\n<p>As poucas emissoras que apresentam o recurso est&atilde;o visando funcionalidades que possam agregar valor &agrave;s suas programa&ccedil;&otilde;es. A Globo, por exemplo, ofereceu ao telespectador o acesso a tabelas, dados dos jogos em tempo real e resultados da Copa do Mundo. Para o Big Brother Brasil, um de seus programas de maior audi&ecirc;ncia, a interatividade vai possibilitar votar na elimina&ccedil;&atilde;o de participantes ou acessar informa&ccedil;&otilde;es sobre eles. Nas novelas, est&aacute; prevista a possibilidade do usu&aacute;rio acessar dados sobre os cap&iacute;tulos atual e anterior, al&eacute;m de galeria de fotos.<\/p>\n<p>A utiliza&ccedil;&atilde;o do canal de retorno, como se v&ecirc;, se d&aacute; de forma bastante restrita. Potencialmente, a intera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do sistema digital de TV poderia se tornar um elemento da pol&iacute;tica de inclus&atilde;o digital, com o canal de retorno sendo usado inclusive para o acesso &agrave; internet. Outra possibilidade, &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o do recurso para servi&ccedil;os de governo eletr&ocirc;nico. N&atilde;o h&aacute; indica&ccedil;&otilde;es, ainda, de como ser&aacute; o uso destes recursos pelas televis&otilde;es do campo p&uacute;blico, que dependem do projeto da Rede Nacional de Televis&atilde;o P&uacute;blica Digital (RNTPD) para chegarem a popula&ccedil;&atilde;o via sinal digital [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23884\">saiba mais<\/a>].<\/p>\n<p><strong>Ritmo<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Foi muito lento o processo. N&oacute;s poder&iacute;amos ter feito como na Argentina, mas n&atilde;o fizemos&rdquo;, diz o professor de Inform&aacute;tica da PUC-Rio Luiz Fernando Soares, que &eacute; um dos coordenadores do desenvolvimento do Ginga. No pa&iacute;s vizinho, a pol&iacute;tica de implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital inclui a distribui&ccedil;&atilde;o de conversores para a popula&ccedil;&atilde;o, uma tentativa de massificar rapidamente a nova tecnologia. E neles est&aacute; embarcado o Ginga (apenas o subsistema NCL, por enquanto). <\/p>\n<p>Para o professor, seria importante que se tomassem medidas para que a ind&uacute;stria produzisse conversores com o Ginga. &ldquo;Eles [as empresas] acham que o conversor n&atilde;o d&aacute; lucro. O governo &eacute; que deveria chegar nessa hora e dizer que tem que ter [o Ginga] no conversor&rdquo;, critica Luiz Soares. Ele acredita que, se isso n&atilde;o acontecer em breve, &eacute; poss&iacute;vel que os set top boxes comecem a ser importados. <\/p>\n<p>O governo parece que est&aacute; come&ccedil;ando a se mexer nesse sentido. Em dezembro do ano passado, editou uma portaria interministerial que determina que cada fabricante de celular possua uma cota obrigat&oacute;ria de 5% de terminais produzidos localmente com o Sistema Brasileiro de TV Digital e o Ginga NCL. <\/p>\n<p><strong>Perfis<\/strong><\/p>\n<p>O F&oacute;rum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (F&oacute;rum SBTVD) criou dois m&oacute;dulos de opera&ccedil;&atilde;o do Ginga. Em ambos, a interatividade &eacute; poss&iacute;vel de forma equivalente. No entanto, um deles, mais simples, n&atilde;o possui a mesma capacidade de receber m&iacute;dias adicionais. Ele s&oacute; possui intera&ccedil;&otilde;es em &aacute;udio e n&atilde;o em v&iacute;deo (como a divis&atilde;o da tela em duas ou mais programa&ccedil;&otilde;es). Essa diferencia&ccedil;&atilde;o foi pensada para viabilizar a fabrica&ccedil;&atilde;o de conversores mais baratos. <\/p>\n<p>&ldquo;Foi para come&ccedil;ar logo. Os perfis mais avan&ccedil;ados exigem mais capacidade dos equipamentos. Com o tempo, isso vai acontecendo&rdquo;, explica Liliana Nakonechnyj, coordenadora do m&oacute;dulo de promo&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum SBTVD. No entanto, como o perfil mais avan&ccedil;ado deve vir acoplado em aparelhos mais caros, h&aacute; o risco de essa pol&iacute;tica criar diferentes categorias de usu&aacute;rios, a partir do poder de compra de cada um.<\/p>\n<p><strong>TV por assinatura<\/strong><\/p>\n<p>Outro imbr&oacute;glio que precisa ser equacionado na interatividade brasileira &eacute; adequar o Ginga, produzido para o sistema de TV aberta, para a TV por assinatura, que utiliza outro padr&atilde;o tecnol&oacute;gico de intera&ccedil;&atilde;o, mais simples. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; compatibilidade. Se a TV por assinatura quiser ter aplica&ccedil;&atilde;o das emissoras, vai ter que botar o Ginga dentro da caixinha (set top box)&rdquo;, diz o professor Luiz Fernando Soares, da PUC-Rio. A caixinha, nesse caso, seria a atualmente utilizada pelas operadoras da TV paga. <\/p>\n<p>O presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, n&atilde;o parece estar muito preocupado com essa falta de sintonia entre os sistemas. Para ele, &eacute; certo que n&atilde;o haver&aacute; compatibilidade. &ldquo;N&atilde;o vamos fazer nada al&eacute;m do que aquilo que a gente j&aacute; faz&rdquo;, afirma. Sua aposta &eacute; que as operadoras da TV paga produzir&atilde;o recursos cada vez mais sofisticados de interatividade, que, a seu ver, ser&atilde;o mais interessantes do que os aplicativos das emissoras abertas. &ldquo;A interatividade num sistema aberto tem sempre limita&ccedil;&otilde;es razo&aacute;veis&rdquo;, acredita. Em outras palavras, o setor de TV paga aposta na competi&ccedil;&atilde;o com o sistema aberto.<\/p>\n<p>Essa incompatibilidade pode ser ruim para os usu&aacute;rios, na opini&atilde;o do professor da Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro Marcos Dantas. &ldquo;O menor dos preju&iacute;zos &eacute; ser necess&aacute;rio ter mais de um conversor&rdquo;, diz. Ele explica que o padr&atilde;o adotado na Europa, o DVB, permite que apenas um conversor seja utilizado para todas as plataformas &ndash; TV aberta e paga &ndash; e para operadoras diferentes.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, existe a possibilidade de as emissoras, por falta de estrutura, n&atilde;o produzirem aplicativos diferentes para os canais que oferecem na TV aberta e para os que est&atilde;o na TV por assinatura. <\/p>\n<p>Para Arthur William, integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, isso faria com que a produ&ccedil;&atilde;o da interatividade seja feita apenas para os canais fechados, que &eacute; mais simples, e seja adaptada para as programa&ccedil;&otilde;es abertas. Mais um dos desafios que dever&atilde;o ser enfrentados para que a t&atilde;o propagada interatividade do sistema &ldquo;nipo-brasileiro&rdquo; seja realmente um diferencial positivo da nova tecnologia e acess&iacute;vel a toda a popula&ccedil;&atilde;o de forma igual. <\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB&Eacute;M:<\/strong><br \/><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24708\">No Brasil, TV digital ainda &eacute; para poucos<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24717\">Pre&ccedil;os e desinforma&ccedil;&atilde;o desestimulam compra de TV digital<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24718\">TV digital m&oacute;vel demorar&aacute; alguns anos para ser popula<\/a><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24717\">\n<p><\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase n&atilde;o h&aacute; conversores &agrave; venda que permitem uso do recurso; conte&uacute;dos s&atilde;o poucos e setor de TV paga n&atilde;o quer unificar sistemas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1372],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24716"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24716"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28151,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24716\/revisions\/28151"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}