{"id":24708,"date":"2010-07-20T18:57:40","date_gmt":"2010-07-20T18:57:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24708"},"modified":"2014-09-07T03:00:27","modified_gmt":"2014-09-07T03:00:27","slug":"no-brasil-tv-digital-ainda-e-para-poucos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24708","title":{"rendered":"No Brasil, TV digital ainda \u00e9 para poucos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">{mosimage}&Eacute; certo que a admira&ccedil;&atilde;o do brasileiro por futebol fez aumentar o consumo de televisores digitais no pa&iacute;s. Proje&ccedil;&otilde;es do F&oacute;rum SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre) indicam que apenas neste ano, impulsionadas pela Copa do Mundo, as vendas devem superar os 2 milh&otilde;es de aparelhos (entre TVs, celulares e conversores digitais) vendidos at&eacute; o fim do ano passado, fazendo com que esse n&uacute;mero chegue a 8 milh&otilde;es at&eacute; o encerramento de 2010. No entanto, a pol&iacute;tica de expans&atilde;o da TV digital no Brasil segue aqu&eacute;m do que se esperava. Parcela significativa da classe m&eacute;dia segue alheia &agrave; digitaliza&ccedil;&atilde;o e, para os mais pobres, esta sequer parece ser uma perspectiva.<\/p>\n<p>Passados dois anos e meio da primeira transmiss&atilde;o em sinal digital no pa&iacute;s, a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem encontrado motivos suficientes para adquirir um televisor com o receptor digital acoplado ou um conversor externo. Para o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Jos&eacute; Artur Filardi, a transi&ccedil;&atilde;o est&aacute; ocorrendo sem muitos problemas. &ldquo;Est&aacute; normal e muito acima da expectativa&rdquo;, considera. Os dados citados pelo minist&eacute;rio s&atilde;o que, no Brasil, a cobertura do sinal digital j&aacute; est&aacute; dispon&iacute;vel em 38 cidades &ndash; entre elas, 21 capitais. Atinge uma &aacute;rea em que vivem 70 milh&otilde;es de pessoas. <\/p>\n<p>Por&eacute;m, os 8 milh&otilde;es de receptores que dever&atilde;o estar em funcionamento at&eacute; o fim do ano s&atilde;o menos de 10% deste total. Al&eacute;m disso, os n&uacute;meros eventualmente divulgados pelo F&oacute;rum SBTVD ou pelos fabricantes n&atilde;o atestam, como se poderia crer, que o Brasil acelera o processo de digitaliza&ccedil;&atilde;o da TV aberta. Pelo contr&aacute;rio, o que se observa &eacute; que a compra de televisores adaptados &agrave; tecnologia digital &eacute; feita por aqueles que querem aproveitar o servi&ccedil;o de alta defini&ccedil;&atilde;o oferecido pela TV por assinatura, da qual boa parte j&aacute; &eacute; assinante. <\/p>\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) n&atilde;o tem dados que atrelem &agrave; venda das televis&otilde;es com conversores ao n&uacute;mero de assinantes de TV paga que possuem o servi&ccedil;o de HD (alta defini&ccedil;&atilde;o), mas o presidente da entidade, Alexandre Annenberg, diz que essa &eacute; uma constata&ccedil;&atilde;o evidente. &ldquo;Conhe&ccedil;o muito pouca gente que tem [aparelhos] HD s&oacute; para a TV aberta&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p>Apesar da falta de levantamentos oficiais, n&atilde;o &eacute; preciso tanto esfor&ccedil;o para perceber que o crescimento da venda dos grandes e caros televisores adaptados &agrave; tecnologia digital coincide com o aumento do n&uacute;mero de pessoas que come&ccedil;aram a usar os servi&ccedil;os em HD na TV paga em 2010. A Net, por exemplo, informa que, nos primeiros tr&ecirc;s meses deste ano, houve um crescimento de 70% de assinantes que usam o HD em compara&ccedil;&atilde;o com os &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses do ano passado. A oferta da alta defini&ccedil;&atilde;o pela empresa existe desde o fim de 2007. <\/p>\n<p>O perfil do assinante de TV paga no Brasil &eacute; bem definido. Apesar de ter havido um aumento no n&uacute;mero de assinaturas (10% este ano em compara&ccedil;&atilde;o com os cinco primeiros meses de 2009) o servi&ccedil;o ainda n&atilde;o chega a 5% dos munic&iacute;pios e a 10% da popula&ccedil;&atilde;o. Alem disso, continua concentrado nas classes A e B. De acordo com dados de 2008, a penetra&ccedil;&atilde;o da TV paga foi de apenas 9% na classe C.  Em outras palavras, &eacute; este o perfil dos brasileiros e brasileiras que podem, hoje, assistir os canais de TV aberta com a qualidade e as funcionalidades prometidas com a cria&ccedil;&atilde;o do SBTVD.<\/p>\n<p><strong>Custos da convers&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong>Uma das raz&otilde;es para que a TV digital ainda se encontre nesse patamar &eacute; o custo gerado para o cidad&atilde;o que, sem ser assinante de TV paga, queira adaptar-se &agrave; era digital. A aposta original do governo foi deixar a populariza&ccedil;&atilde;o dos set top box &ndash; os conversores externos que, conectados a qualquer televisor e uma antena UHF, recebem o sinal digital aberto &ndash; por conta das regras de mercado. A ideia &eacute; que o pre&ccedil;o da &ldquo;caixinha&rdquo; fosse reduzido &agrave; medida que as vendas fossem aumentando e gerando escala de produ&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o ocorreu.<\/p>\n<p>Hoje, os conversores custam entre R$ 400 e R$ 600 &#8211; bem mais que os U$ 100 imaginados pelo ex-ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es H&eacute;lio Costa. Este &eacute; o valor m&iacute;nimo a ser desembolsado por quem quer receber o sinal com melhor qualidade no seu atual televisor. Por&eacute;m, para aproveitar o diferencial prometido pela TV digital &ndash; a alta defini&ccedil;&atilde;o &ndash; o investimento tem de ser bem maior.<\/p>\n<p>Se a op&ccedil;&atilde;o for trocar o aparelho por um novo, uma TV de 32&#39;&#39; com conversor embutido sai por cerca de R$ 1.700. Ainda assim, apesar de receber uma imagem com qualidade pr&oacute;xima a de um DVD, ela n&atilde;o opera em alta defini&ccedil;&atilde;o (Full HD). Para isso, &eacute; preciso que o consumidor adquira uma TV com resolu&ccedil;&atilde;o igual ou maior que 1920 pixels na horizontal por 1080 pixels na vertical, o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel em aparelhos com 42&#39;&#39; ou mais.<\/p>\n<p>Entre fazer um grande investimento para ter acesso a 5 ou 6 canais em HD ou gastar o valor de um sal&aacute;rio m&iacute;nimo para apenas receber estes canais sem sombras ou chuviscos, a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o decidiu n&atilde;o aderir ao sistema digital. E governo e ind&uacute;stria do setor n&atilde;o est&atilde;o se entendendo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;tica de populariza&ccedil;&atilde;o da TV digital no pa&iacute;s.  <\/p>\n<p>Diante das vendas irris&oacute;rias de conversores, o governo anunciou no come&ccedil;o do ano uma adapta&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica industrial da Zona Franca de Manaus exigindo que as ind&uacute;strias l&aacute; instaladas passassem a embutir conversores nos aparelhos HD ready (prontos para alta defini&ccedil;&atilde;o). Este ano, os modelos de 42 polegadas ou mais devem sair de f&aacute;brica com o conversor e, a partir do ano que vem, a exig&ecirc;ncia vale para todos os modelos produzidos.<\/p>\n<p>De in&iacute;cio, houve reclama&ccedil;&atilde;o, mas as empresas de eletr&ocirc;nicos resolveram apostar no receptor embutido nos aparelhos do tipo HD ready (prontos para alta defini&ccedil;&atilde;o). &Eacute; mais lucrativo vender um televisor de grandes propor&ccedil;&otilde;es do que a caixinha. Agora, os poucos modelos de conversores existentes est&atilde;o sumindo das lojas. <\/p>\n<p>Mudando novamente de ideia, o governo resolveu discutir um incentivo para a produ&ccedil;&atilde;o de conversores. De acordo com o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Jos&eacute; Artur Filardi, a preocupa&ccedil;&atilde;o maior do governo neste momento deve ser tomar iniciativas que consigam abaixar os pre&ccedil;os dos conversores digitais. &ldquo;O que a gente agora tem que se focar &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao set top box. Realmente quem tem uma televis&atilde;o que est&aacute; em boas condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o vai jogar fora. Ent&atilde;o a gente tem que ver se consegue atrav&eacute;s de incentivo ou qualquer medida possa popularizar mais o set top box&rdquo;, afirma o ministro. <\/p>\n<p>Em reuni&atilde;o realizada na segunda-feira (21) com a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletr&ocirc;nicos (Eletros), o assessor especial da Casa Civil Andr&eacute; Barbosa afirmou que a meta &eacute; a elabora&ccedil;&atilde;o de um programa que incentive a fabrica&ccedil;&atilde;o de 15 milh&otilde;es desses aparelhos entre 2011 e 2013 voltados para as classes D e E &ndash; chegando a R$ 200,00. A contrapartida governamental seria a desonera&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria (como PIS e Confins) dos produtos. A Eletros n&atilde;o quis se pronunciar sobre o assunto.<\/p>\n<p>Curiosamente, a queda nos pre&ccedil;os dos aparelhos poder&aacute; ocorrer mais por pol&iacute;ticas criadas pelos pa&iacute;ses que v&ecirc;m sendo convencidos pelo governo brasileiro a adotar o padr&atilde;o tecnol&oacute;gico brasileiro (ISDB-T) como base para a digitaliza&ccedil;&atilde;o da TV. A Argentina &eacute; o exemplo mais adiantado. Al&eacute;m de executar a&ccedil;&otilde;es de fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, o governo argentino est&aacute; distribuindo conversores digitais para a popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda. A ideia &eacute; distribuir 1,2 milh&otilde;es de aparelhos antes do fim do ano. Naquele pa&iacute;s, as transmiss&otilde;es come&ccedil;aram apenas no fim de 2009. <\/p>\n<p><strong>Pouca diferen&ccedil;a<br \/><\/strong><br \/>Al&eacute;m dos custos para a adapta&ccedil;&atilde;o, h&aacute; tamb&eacute;m um problema de cobertura do sinal em algumas cidades que j&aacute; fizeram a transi&ccedil;&atilde;o para o digital, o que tem ocasionado reclama&ccedil;&atilde;o e at&eacute; devolu&ccedil;&atilde;o de conversores. Em munic&iacute;pios importantes como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro existem &aacute;reas em que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel assistir &agrave; TV digital. Para resolver o problema, que pode se repetir em outros locais e especialmente em regi&otilde;es acidentadas, &eacute; preciso que as empresas coloquem retransmissores para amplificar o sinal. &ldquo;&Eacute; um desafio, mas as emissoras est&atilde;o investindo em retransmissores&rdquo;, garante Liliana Nakonechnyj, coordenadora do m&oacute;dulo de promo&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum SBTVD.<\/p>\n<p>Mas a falta de interesse da popula&ccedil;&atilde;o pela TV digital n&atilde;o passa apenas pelos altos pre&ccedil;os dos aparelhos &ndash; sejam eles televis&otilde;es, conversores ou celulares &ndash; ou a cobertura insuficiente. A inexist&ecirc;ncia de novidades significativas desestimula as pessoas a sa&iacute;rem da transmiss&atilde;o anal&oacute;gica. Duas delas seriam centrais para isso: a interatividade e a oferta de mais conte&uacute;do. Ambas n&atilde;o fazem parte da realidade do projeto de governo e empresas para a digitaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A aposta do Brasil para a gera&ccedil;&atilde;o de recursos interativos interessantes &eacute; o software aberto Ginga, desenvolvido por pesquisadores brasileiros. Depois de anos de estudo, ele passou pela aprova&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (UIT) e, a partir desse reconhecimento internacional, sua implanta&ccedil;&atilde;o est&aacute; sendo acelerada. No entanto, ainda n&atilde;o existem conversores com o Ginga integrado. S&oacute; algumas televis&otilde;es com receptores internos contam com ele. Al&eacute;m disso, as emissoras ainda n&atilde;o est&atilde;o produzindo muitos aplicativos de intera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Outra quest&atilde;o em aberto &eacute; a forma com que a popula&ccedil;&atilde;o vai interagir com a TV. O modelo mais simples &eacute; por meio do pr&oacute;prio controle remoto, a partir de op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis na tela. Por&eacute;m, algo ainda muito aqu&eacute;m das possibilidades que podem surgir. Possivelmente, o uso do canal de retorno &ndash; que &eacute; o que permite a intera&ccedil;&atilde;o, inclusive com recursos pr&oacute;ximos aos da internet &ndash; pode se dar pelo uso das redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es, como as de telefone fixo, m&oacute;vel e internet. Se assim for, &eacute; prov&aacute;vel tamb&eacute;m que essa ser&aacute; uma funcionalidade paga, o que pode ser mais um entrave para a populariza&ccedil;&atilde;o da TV digital. <\/p>\n<p>Outro detalhe determinante &eacute; que a digitaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o trar&aacute; aos telespectadores mais e diversificados conte&uacute;dos, o que provavelmente geraria mais interesse. O padr&atilde;o japon&ecirc;s adotado no Brasil &ndash; chamado de nipo-brasileiro pelo governo &ndash; permite que isso seja feito, j&aacute; que ele possibilita a compress&atilde;o do sinal. A quantidade de programa&ccedil;&otilde;es (canais) da TV aberta poderia ser multiplicada por quatro. No entanto, h&aacute; dois problemas. <\/p>\n<p>O primeiro &eacute; que a distribui&ccedil;&atilde;o de canais para serem usados pelas atuais emissoras transferirem suas programa&ccedil;&atilde;o para o sistema digital, feita a partir da publica&ccedil;&atilde;o do Decreto 5.820\/06, impede, na pr&aacute;tica, a entrada de novos atores na TV aberta. Isso porque o tamanho da faixa destinada &agrave;s emissoras no sistema anal&oacute;gico &ndash; de 6 Mhz &ndash; foi mantido para o sistema digital. Nesta largura de banda (o tamanho do canal), poderiam ser transmitidas pelos menos outras 4 programa&ccedil;&otilde;es. O decreto est&aacute; sendo alvo de uma A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (Adin), que deve ser julgada em breve pelo Supremo Tribunal Federal [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24572\">saiba mais<\/a>]. <\/p>\n<p>A segunda quest&atilde;o &eacute; a regulamenta&ccedil;&atilde;o da multiprograma&ccedil;&atilde;o. At&eacute; agora, a regra estabelecida pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es diz que apenas as emissoras exploradas pela Uni&atilde;o poder&atilde;o lan&ccedil;ar m&atilde;o da multiprograma&ccedil;&atilde;o. A medida casa com interesses da Rede Globo, que j&aacute; manifestou seu desinteresse em usar tal recurso, j&aacute; que a divis&atilde;o de conte&uacute;dos poderia gerar dispers&atilde;o de audi&ecirc;ncia e de arrecada&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria. Outras emissoras, como Bandeirantes e RedeTV!, pressionam pela libera&ccedil;&atilde;o do uso do recurso exatamente para tentar fazer frente &agrave; Globo. Por enquanto, menos um motivo para ir &agrave;s compras. <\/p>\n<p><strong>Latif&uacute;ndio e lentid&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O resultado das decis&otilde;es governamentais &eacute; que as atuais emissoras que est&atilde;o operando com o sinal anal&oacute;gico e o digital ao mesmo tempo n&atilde;o utilizam a maior parte dos 6 Mhz que receberam do governo para a transi&ccedil;&atilde;o do sistema. &ldquo;&Eacute; um latif&uacute;ndio digital&rdquo;, critica Arthur William, integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. E emenda: &ldquo;A TV digital no Brasil n&atilde;o foi planejada. A postura do governo de deixar o mercado regulamentar &eacute; o erro. O empres&aacute;rio vai fazer no tempo dele. Para ele n&atilde;o &eacute; vantajoso acelerar agora.&rdquo;<\/p>\n<p>Para Arthur, &eacute; poss&iacute;vel que, mantendo-se o atual ritmo, o Brasil n&atilde;o cumpra o prazo previsto para a transi&ccedil;&atilde;o completa para o sistema digital, que &eacute; 2016. &ldquo;O que pode salvar esse prazo &eacute; a Copa de 2014 e as Olimp&iacute;adas, em 2012&rdquo;, avalia. <\/p>\n<p>O professor de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal de Sergipe C&eacute;sar Bola&ntilde;o acredita que o ritmo de transi&ccedil;&atilde;o segue lento como se previa. &ldquo;Era natural que n&atilde;o houvesse demanda porque o modelo n&atilde;o &eacute; sensivelmente diferente do que j&aacute; existe&rdquo;, diz Bola&ntilde;o. <\/p>\n<p>Para ele, um processo de democratiza&ccedil;&atilde;o da TV n&atilde;o est&aacute; ligado necessariamente &agrave; tecnologia e sim ao modelo da comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. &ldquo;O problema n&atilde;o &eacute; a TV digital &eacute; a TV aberta brasileira. Ela tem um modelo de funcionamento privado. A tecnologia n&atilde;o democratiza. A n&atilde;o ser que a TV p&uacute;blica consiga no campo digital o que n&atilde;o conseguiu na TV aberta&rdquo;, opina C&eacute;sar Bola&ntilde;o. A tecnologia inclusive, segundo o professor, pode aprofundar as diferen&ccedil;as entre os grandes e pequenos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Quanto mais tecnologia, mais custo. Ela tende a refor&ccedil;ar as posi&ccedil;&otilde;es de quem det&eacute;m mais capital.&rdquo;<\/p>\n<p>O professor, por&eacute;m, ressalta que a pol&iacute;tica do governo brasileiro de conquistar novos pa&iacute;ses para ado&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o nipo-brasileiro tem sido acertada. &ldquo;O aspecto positivo &eacute; tentar criar uma condi&ccedil;&atilde;o sul-americana do ponto de vista industrial&rdquo;, observa Bola&ntilde;o. O &uacute;ltimo pa&iacute;s para que o Brasil exportou seu padr&atilde;o foi as Filipinas. Com isso, j&aacute; s&atilde;o dez pa&iacute;ses que aderiram ao ISDB-T. A maioria deles est&aacute; na Am&eacute;rica Latina. At&eacute; julho, a previs&atilde;o &eacute; de que a &Aacute;frica decida seu padr&atilde;o e o governo brasileiro est&aacute; em di&aacute;logo com alguns pa&iacute;ses do continente.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB&Eacute;M:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24717\">Promessa da TV digital, interatividade ainda engatinha<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24717\"><span class=\"padrao\">Pre&ccedil;os e desinforma&ccedil;&atilde;o desestimulam compra de TV digital<\/span><\/a><\/li>\n<li><span class=\"padrao\"><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24718\">TV digital m&oacute;vel demorar&aacute; alguns anos para ser popular<\/a> <\/span><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem pluralizar a oferta, garantir a interatividade, nem baratear os custos dos conversores e receptores, pol&iacute;ticas adotadas at&eacute; agora n&atilde;o estimulam usu&aacute;rios a investir na tecnologia digital<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1372],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24708"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24708"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24708\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28147,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24708\/revisions\/28147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}