{"id":24702,"date":"2010-07-19T16:03:07","date_gmt":"2010-07-19T16:03:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24702"},"modified":"2010-07-19T16:03:07","modified_gmt":"2010-07-19T16:03:07","slug":"baixar-livros-na-internet-e-uma-das-principais-formas-de-acesso-a-cultura-e-a-publicacoes-pela-juven","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24702","title":{"rendered":"Baixar livros na internet \u00e9 uma das principais formas de acesso \u00e0 cultura e a publica\u00e7\u00f5es pela juven"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Desde 1995, quando a world wide web se popularizou, o mundo come&ccedil;ou a passar por mudan&ccedil;as comportamentais em uma velocidade cada vez mais crescente. Novos h&aacute;bitos surgiram para transformar e aproximar sociedades, e uma delas, em particular, a digital, vem se tornando cada vez mais sofisticada e respons&aacute;vel por uma esp&eacute;cie de nova ordem mundial. A comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; claro, est&aacute; entre as &aacute;reas mais atingidas por essas modifica&ccedil;&otilde;es, e se processa a cada dia mais r&aacute;pida e eficiente. Passados 15 anos, a internet continua a ditar novos h&aacute;bitos e, agora, est&aacute; fazendo com que os livros saiam do papel e saltem para a telinha do computador.<\/p>\n<p>Mas isso n&atilde;o significa que eles ir&atilde;o sumir das estantes e da biblioteca &mdash; pelo menos por enquanto. &ldquo;Acreditamos que o livro digital pode universalizar ainda mais a leitura&rdquo;, disse Rosely Boschini, presidente da C&acirc;mara Brasileira do Livro (CBL). Segundo ela, a tecnologia deve ser encarada como mais uma alternativa de acesso &agrave; leitura, em que o livro digital seja pensado tamb&eacute;m na sua capacidade de atingir pessoas que convivem com a tecnologia. &ldquo;O contingente de pessoas com acesso &agrave; internet e &agrave; tecnologia &eacute; grande, principalmente entre os jovens. A entrada do livro digital na vida das pessoas &eacute; irrevers&iacute;vel&rdquo;, sentencia.<\/p>\n<p>A cultura digital e suas tecnologias t&ecirc;m permitido a digitaliza&ccedil;&atilde;o de imagens, documentos, artigos, entre outros produtos da cria&ccedil;&atilde;o humana. Isso tem crescido de uma forma espantosa nos &uacute;ltimos cinco anos, muito em fun&ccedil;&atilde;o do barateamento da tecnologia, que permite a difus&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, projetos estruturantes de digitaliza&ccedil;&atilde;o de acervos povoaram a internet. Com isso, pesquisadores, professores, estudantes e curiosos passaram a ter acesso a obras significativas. Um exemplo dessa preciosa oportunidade &eacute; a Biblioteca Brasiliana (1) de Obras Raras da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).<\/p>\n<p>L&aacute; est&atilde;o dispon&iacute;veis para baixar em seu micro obras importantes, como a primeira edi&ccedil;&atilde;o de Viagem ao Brasil, o livro do viajante alem&atilde;o Hans Staden, que esteve duas vezes na rec&eacute;m-descoberta col&ocirc;nia portuguesa, publicado no s&eacute;culo 16, na Alemanha e Cultura e opul&ecirc;ncia no Brasil, de 1711, assinada pelo padre italiano Jo&atilde;o Ant&ocirc;nio Andreoni. Ele foi um dos tr&ecirc;s jesu&iacute;tas que acompanharam o padre Ant&ocirc;nio Vieira &agrave; Bahia, em 1685. O livro &eacute; considerado um dos primeiros tratados sobre economia do Brasil colonial &mdash; s&oacute; existem tr&ecirc;s exemplares no pa&iacute;s. &ldquo;&Eacute; importante frisar que a tecnologia &eacute; ferramenta de conhecimento. Portanto, ela tem capacidade de despertar o interesse de quem n&atilde;o tem h&aacute;bito pela leitura&rdquo;, salienta Rosely.<\/p>\n<p>Maiara Cristina da Fonseca, 24 anos, &eacute; uma jovem mergulhada na cultura digital. A estudante garante que foi por conta da internet que se interessou pela leitura. Maiara tem um blog que usa como di&aacute;rio e l&aacute; coloca seus pensamentos. &ldquo;As pessoas comentam. Muitas citam frases e textos de autores que me deixam curiosa e fazem com que eu corra atr&aacute;s de quem os escreveu. Fa&ccedil;o a busca e acabo me deparando com as obras do autor. Foi dessa forma que li quase todos os livros de Machado de Assis, pela internet, claro&rdquo;, relata. Hoje, a jovem costuma baixar, pelo menos, tr&ecirc;s livros por semana. &ldquo;Os que n&atilde;o d&aacute;, compro nas livrarias digitais. Em dois cliques, o livro t&aacute; l&aacute; na minha m&atilde;o (sic). &Eacute; mais pr&aacute;tico, n&atilde;o saio de casa e n&atilde;o contribuo para o desmatamento&rdquo;, conclui.<\/p>\n<p><strong>Educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com a curiosidade agu&ccedil;ada pela interatividade promovida na internet, a educa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; a melhor forma de estimular a leitura. Segundo Pedro Luiz Puntoni, professor de hist&oacute;ria da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e coordenador do projeto Biblioteca Brasiliana Digital de Obras Raras da institui&ccedil;&atilde;o, o professor executa um papel fundamental em termos de est&iacute;mulo. &ldquo;&Eacute; na sala de aula que o aluno adquire o h&aacute;bito de ler, com o professor provocando discuss&otilde;es, sugerindo leituras para gerar o debate&rdquo;, analisa.<\/p>\n<p>Foi dessa forma que Morvan Rodrigues, de 31 anos, chegou &agrave; leitura digital. Mesmo adepto da internet h&aacute; 12 anos, foi na sala de aula que o publicit&aacute;rio adquiriu o h&aacute;bito da leitura digital. &ldquo;O professor dissecava os textos nas aulas e eu buscava o autor na internet. Como trabalho no computador, isso fez com que eu descobrisse outras obras e baixasse para ler&rdquo;, conta. Morvan tem cerca de 30 livros em sua biblioteca digital e se diz um entusiasta desse novo h&aacute;bito. &ldquo;Nas bibliotecas digitais h&aacute; milh&otilde;es de livros on-line que eu posso ler. Um artigo publicado hoje do outro lado do mundo, por exemplo, tenho acesso quase que instantaneamente&rdquo;, comemora Rodrigues.<\/p>\n<p>******<br \/><strong>Preciosidades<\/strong><br \/>A Biblioteca Brasiliana de Obras Raras nasceu do esp&oacute;lio do empres&aacute;rio Jos&eacute; Mindlin, leitor voraz e apaixonado por literatura. Em uma das salas da biblioteca, que faz parte do sistema USP, os livros s&atilde;o do s&eacute;culo 19, todos de literatura brasileira. L&aacute; est&atilde;o quase todas as primeiras edi&ccedil;&otilde;es das obras de Machado de Assis. H&aacute; ainda as primeiras edi&ccedil;&otilde;es dos dois romances mais lidos no s&eacute;culo 19: O guarani, de Jos&eacute; de Alencar e A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Na Biblioteca Brasiliana Digital, o tempo d&aacute; um salto: o visitante pode conhecer um rob&ocirc; que l&ecirc; 2,4 mil p&aacute;ginas por hora.<\/p>\n<p>******<br \/><strong>Plataforma do saber virtual<br \/><\/strong><br \/>Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Observat&oacute;rio do Livro e da Leitura, em 2008, mostram que mais de 4,6 milh&otilde;es de brasileiros j&aacute; liam livros digitais na &eacute;poca. O levantamento tamb&eacute;m indicou que 7 milh&otilde;es de pessoas t&ecirc;m o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. &ldquo;Com o desenvolvimento dessas novas tecnologias, n&atilde;o tem muito como escapar desses novos suportes de leitura. Boa parte da juventude de hoje l&ecirc; mais pelo computador&rdquo;, constata Puntoni.<\/p>\n<p>O professor afirma que a cultura digital democratiza e difunde a informa&ccedil;&atilde;o, principalmente o livro. De acordo com ele, o suporte da leitura por meio dos livros &eacute; um fato muito recente na hist&oacute;ria do mundo. &ldquo;Antes o livro era um objeto pouco difundido, no qual s&oacute; a elite tinha acesso; na idade m&eacute;dia s&oacute; os monges. A difus&atilde;o da leitura faz com que o acesso se d&ecirc; em outras plataformas. N&atilde;o acho que a gente deva ter uma postura conservadora e dizer: &lsquo;n&atilde;o, o livro &eacute; o &uacute;nico objeto para praticar a leitura&rsquo;. A internet vem para somar, n&atilde;o competir&rdquo;, defende.<\/p>\n<p>Gl&ecirc;nia Duarte, de 46 anos, faz coro com Puntoni. A cen&oacute;grafa se tornou adepta &agrave; leitura digital h&aacute; dois anos, por&eacute;m, n&atilde;o largou o h&aacute;bito de comprar livros no formato tradicional. &ldquo;N&atilde;o abro m&atilde;o de livros na minha estante. Adoro t&ecirc;-los por perto para folhear, mas a internet me abriu um mundo na leitura infinito, em que espa&ccedil;o f&iacute;sico n&atilde;o &eacute; problema&rdquo;, diz. &ldquo;Para mim, uma coisa n&atilde;o anula a outra. As duas t&ecirc;m seus valores bem distintos, cabe avaliarmos o que &eacute; melhor para n&oacute;s&rdquo;, analisa.<\/p>\n<p><strong>Sociedade cibern&eacute;tica<\/strong><\/p>\n<p>Para a presidente da CBL, o mundo digital est&aacute; sendo universalizado. &ldquo;&Eacute; imposs&iacute;vel hoje o desenvolvimento da sociedade sem tecnologia&rdquo;, afirma Boschini. Segundo ela, o livro, a leitura e a produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria devem estar dentro desse contexto. Afinal, s&atilde;o instrumentos importantes de educa&ccedil;&atilde;o e cultura. &ldquo;Acreditamos que o livro impresso tem atra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, &eacute; bastante arraigado na nossa cultura e, por conta disso, continuar&aacute; existindo. No futuro, o que acontecer&aacute; &eacute; a conviv&ecirc;ncia harmoniosa de m&iacute;dias&rdquo;, prev&ecirc;.<\/p>\n<p>Puntoni acha que daqui h&aacute; um s&eacute;culo, o livro ser&aacute; comparado a uma obra-prima, como a Monalisa, de Leonardo Da Vinci. &ldquo;Se em 15 anos a internet promoveu tanta mudan&ccedil;a cultural, imagine em 100 anos&rdquo;, indaga. Puntoni acredita que no pr&oacute;ximo s&eacute;culo os nossos descendentes v&atilde;o olhar para tr&aacute;s e dizer : &lsquo;aquele povo derrubava &aacute;rvore para produzir livro, que loucos&rsquo;! Ele afirma, por&eacute;m, que as pessoas v&atilde;o continuar admirando os livros f&iacute;sicos por conta do significado que eles t&ecirc;m como instrumento fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o da cultura ocidental.<\/p>\n<p>Se depender de Arthur Tadeu Curado, 31 anos, o livro jamais acabar&aacute;. O ator &eacute; avesso &agrave; leitura digital. &ldquo;J&aacute; tentei, n&atilde;o funciona. Sou um leitor &agrave; moda antiga&rdquo;, afirma. Para ele, o ato de ler est&aacute; relacionado com o lazer .&ldquo;Para mim, &eacute; importante ter o livro f&iacute;sico, escolher e tocar a capa, ir a uma livraria e ficar horas at&eacute; escolher um exemplar. Tudo faz parte de um ritual que tamb&eacute;m &eacute; lazer&rdquo;, ressalta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1995, quando a world wide web se popularizou, o mundo come&ccedil;ou a passar por mudan&ccedil;as comportamentais em uma velocidade cada vez mais crescente. 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