{"id":24688,"date":"2010-07-15T15:03:40","date_gmt":"2010-07-15T15:03:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24688"},"modified":"2010-07-15T15:03:40","modified_gmt":"2010-07-15T15:03:40","slug":"radio-comunitaria-nao-caracteriza-exploracao-de-clandestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24688","title":{"rendered":"R\u00e1dio comunit\u00e1ria n\u00e3o caracteriza explora\u00e7\u00e3o de clandestina"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12&ordf; Vara da Se&ccedil;&atilde;o Judici&aacute;ria do Distrito Federal, julgou improcedente a&ccedil;&atilde;o penal movida pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal contra l&iacute;der comunit&aacute;rio no Recanto das Emas, bairro do Distrito Federal, por suposta explora&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio clandestina. Para o juiz federal, n&atilde;o se pode caracterizar como explora&ccedil;&atilde;o clandestina do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o operar uma emissora de r&aacute;dio comunit&aacute;ria, se a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o Federal assegura o direito &agrave; livre informa&ccedil;&atilde;o e o Pacto de San Jose da Costa Rica, do qual o Brasil &eacute; signat&aacute;rio, autoriza o exerc&iacute;cio dessa atividade sem qualquer empecilho por parte do Estado.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF) ofereceu den&uacute;ncia contra o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o dos Moradores do Recanto das Emas &#8211; Aremas, pedindo sua condena&ccedil;&atilde;o com base na Lei Geral das Telecomunica&ccedil;&otilde;es, a Lei n. 9.472, de 1997, em raz&atilde;o de haver instalado e vir operando de forma clandestina uma r&aacute;dio naquela cidade sat&eacute;lite do Distrito Federal. Ouvido em ju&iacute;zo, o l&iacute;der comunit&aacute;rio declarou haver adquirido os equipamentos para a r&aacute;dio comunit&aacute;ria com doa&ccedil;&otilde;es dos pr&oacute;prios moradores, destacando n&atilde;o ter a emissora qualquer prop&oacute;sito comercial, limitando-se sua programa&ccedil;&atilde;o a mensagens de utilidade p&uacute;blica, dicas de seguran&ccedil;a, vinhetas do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e programas evang&eacute;licos.<\/p>\n<p>Ele afirmou, tamb&eacute;m, que a associa&ccedil;&atilde;o formalizou, junto ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, pedido de regulariza&ccedil;&atilde;o da r&aacute;dio comunit&aacute;ria, j&aacute; em agosto de 1999, tendo sido concedida a autoriza&ccedil;&atilde;o s&oacute; em abril de 2007. Inicialmente, a den&uacute;ncia do MPF foi rejeitada por falta de justa causa. Posteriormente, ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal Regional Federal da 1&ordf; Regi&atilde;o a recebeu, determinando a volta do processo &agrave; SJDF para julgamento do m&eacute;rito da a&ccedil;&atilde;o penal.<\/p>\n<p>Ao julgar improcedente a a&ccedil;&atilde;o penal, o juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos argumentou que as provas produzidas demonstram que a r&aacute;dio comunit&aacute;ria n&atilde;o funcionava de forma clandestina, porque sua exist&ecirc;ncia era de conhecimento das autoridades locais, que mandavam dicas de seguran&ccedil;a e sa&uacute;de para divulga&ccedil;&atilde;o pela emissora. De igual modo, era tamb&eacute;m do conhecimento do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, de vez que a Associa&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria respons&aacute;vel pela emissora havia solicitado autoriza&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o para operar a r&aacute;dio, que s&oacute; foi deferida oito anos depois.<\/p>\n<p>Para o magistrado federal, o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, expressamente reconhecido pelo art. 220 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, n&atilde;o &eacute; compat&iacute;vel com a criminaliza&ccedil;&atilde;o das atividades de telecomunica&ccedil;&atilde;o, at&eacute; porque, no seu entendimento, cabe &agrave; Uni&atilde;o apenas regulamentar a presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os, de maneira a garantir a igualdade e a qualidade dos diversos espectros de radiofrequ&ecirc;ncia.Dessa forma, num ordenamento jur&iacute;dico informado por tais regras, n&atilde;o h&aacute; justificativa legal para a incrimina&ccedil;&atilde;o de atividade que, quando muito, caracterizar&aacute; mero il&iacute;cito administrativo, no caso de n&atilde;o serem observadas as normas que regulam o exerc&iacute;cio da atividade de radiodifus&atilde;o.<\/p>\n<p>Portanto, a instala&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dios comunit&aacute;rias constitui atividade destinada a realizar materialmente a norma constitucional, e quem assim procede, em princ&iacute;pio, n&atilde;o comete il&iacute;cito penal. Julgou, por isso, improcedente a a&ccedil;&atilde;o penal movida pelo MPF contra o l&iacute;der comunit&aacute;rio do Recanto das Emas, absolvendo-o da acusa&ccedil;&atilde;o de operar r&aacute;dio clandestina, determinando a entrega dos equipamentos e aparelhagens apreendidos &agrave; emissora comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>www.df.trf1.jus.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12&ordf; Vara da Se&ccedil;&atilde;o Judici&aacute;ria do Distrito Federal, julgou improcedente a&ccedil;&atilde;o penal movida pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal contra l&iacute;der comunit&aacute;rio no Recanto das Emas, bairro do Distrito Federal, por suposta explora&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio clandestina. 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