{"id":24680,"date":"2010-07-14T17:18:49","date_gmt":"2010-07-14T17:18:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24680"},"modified":"2010-07-14T17:18:49","modified_gmt":"2010-07-14T17:18:49","slug":"dem-entra-com-acao-contra-reforma-da-telebras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24680","title":{"rendered":"DEM entra com a\u00e7\u00e3o contra reforma da Telebr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Desde que o Governo Federal lan&ccedil;ou o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o principal alvo de cr&iacute;ticas e questionamentos tem sido a revitaliza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s, estatal que controlava o setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es antes da privatiza&ccedil;&atilde;o de 1998. Dois meses ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o do decreto presidencial que deu nova vida &agrave; estatal, os opositores &agrave; ideia resolveram levar &agrave; Justi&ccedil;a a pol&ecirc;mica, questionando n&atilde;o apenas a legalidade da a&ccedil;&atilde;o do governo, mas especialmente a constitucionalidade da revitaliza&ccedil;&atilde;o da empresa. <\/p>\n<p>O questionamento foi apresentado nesta quarta-feira, 14, pelo DEM no Supremo Tribunal Federal (STF) na forma de &quot;Argui&ccedil;&atilde;o de Descumprimento de Preceito Fundamental&quot;. Os advogados do partido alegam que ao menos tr&ecirc;s preceitos fundamentais da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal foram desrespeitados pelo decreto presidencial n&ordm; 7.175, de 12 de maio de 2010, que ampliou o escopo de atua&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s, abrindo caminho para que a estatal torne-se o pilar da massifica&ccedil;&atilde;o de banda larga no pa&iacute;s dentro do PNBL. Para o DEM, a a&ccedil;&atilde;o governamental fere os princ&iacute;pios da &quot;legalidade&quot;, da &quot;separa&ccedil;&atilde;o de poderes&quot; e da &quot;livre concorr&ecirc;ncia&quot;. Confirma a &iacute;ntegra da a&ccedil;&atilde;o no site TELETIME. <\/p>\n<p>O partido pede ao STF a expedi&ccedil;&atilde;o de uma medida cautelar &quot;inaudita altera parte&quot;, ou seja, antes mesmo que a outra parte na a&ccedil;&atilde;o, no caso a Uni&atilde;o, seja ouvida pelo tribunal. Para os advogados, a cautelar se justifica, pois haveria &quot;invas&atilde;o de compet&ecirc;ncia legislativa&quot; no ato do governo federal e os efeitos pr&aacute;ticos j&aacute; estariam ocorrendo. O principal argumento para a suspens&atilde;o imediata de parte da Lei que organiza a Telebr&aacute;s (inciso VII do artigo 3&ordm; da Lei n&ordm; 5.792\/72) e de itens do decreto do PNBL (artigos 4&ordm; e 5&ordm; do Decreto n&ordm; 7.175\/2010) &eacute; a divulga&ccedil;&atilde;o da ata da 340&ordf; Reuni&atilde;o Ordin&aacute;ria do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da estatal, onde foi aprovada a reforma do estatuto social da empresa para incorporar as novas atribui&ccedil;&otilde;es dadas pelo governo federal. <\/p>\n<p><strong>Crise entre poderes <\/strong><\/p>\n<p>Antes mesmo de o decreto ser publicado, o DEM j&aacute; sinalizava a inten&ccedil;&atilde;o de protestar judicialmente contra a revitaliza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s. Esperava-se que o partido entrasse com uma &quot;A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (ADI)&quot;, alegando que o decreto presidencial confrontaria a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. A escolha de um outro instrumento de questionamento revela muito sobre o racioc&iacute;nio do partido sobre a suposta ilegalidade da a&ccedil;&atilde;o do governo federal. <\/p>\n<p>A a&ccedil;&atilde;o de inconstitucionalidade n&atilde;o foi utilizada porque, na pr&aacute;tica, n&atilde;o foi localizada uma falha constitucional concreta no decreto. O ponto-chave &eacute; a Lei n&ordm; 5.792\/72, que organiza a atua&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s. O principal argumento utilizado pelos advogados do Democratas &eacute; que a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 revogou todas as disposi&ccedil;&otilde;es normativas que delegavam ao Poder Executivo iniciativas t&iacute;picas do Poder Legislativo. E &eacute; com base em uma dessas delega&ccedil;&otilde;es, que parece ainda estar em vigor na Lei da Telebr&aacute;s, que o governo federal abriu caminho para a revitaliza&ccedil;&atilde;o da estatal. <\/p>\n<p><strong>Revoga&ccedil;&atilde;o pendente <\/strong><\/p>\n<p>A base utilizada pela equipe do governo para ampliar a atua&ccedil;&atilde;o da estatal no mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; o inciso VII do artigo 3&ordm; da Lei de 1972. Neste item, a Telebr&aacute;s ganha o direito de &quot;executar outras atividades afins, que lhe forem atribu&iacute;das pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es&quot;. Amparado nessa brecha legal, o governo atribui, por decreto, o poder de a Telebr&aacute;s gerenciar redes p&uacute;blicas de telecomunica&ccedil;&otilde;es e atuar como provedor de banda larga de outros &oacute;rg&atilde;os estatais, como Dataprev e Serpro. <\/p>\n<p>Para os advogados do DEM, esse inciso da Lei que regulamenta a atua&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s deveria ter sido revogado h&aacute; mais de 20 anos, por ocasi&atilde;o da edi&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988. &quot;O conflito da norma pr&eacute;-constitucional com o texto em vigor da Carta Pol&iacute;tica n&atilde;o viabiliza aferi&ccedil;&atilde;o de constitucionalidade por meio de ADI, sendo caso de revoga&ccedil;&atilde;o pura e simples, com base no princ&iacute;pio da hierarquia das normas&quot;, argumenta a equipe jur&iacute;dica do DEM na a&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A manuten&ccedil;&atilde;o da possibilidade de o Executivo atribuir diretamente novas fun&ccedil;&otilde;es a uma estatal desrespeitaria tamb&eacute;m o princ&iacute;pio constitucional da &quot;separa&ccedil;&atilde;o de poderes&quot;, uma vez que esse tipo de atribui&ccedil;&atilde;o &eacute; papel do Legislativo, por meio da elabora&ccedil;&atilde;o de leis. O decreto do governo federal, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, tamb&eacute;m feriria o preceito da &quot;legalidade&quot;, considerando que ele est&aacute; amparado em um item da lei editada em 1972 que a Constitui&ccedil;&atilde;o teria anulado seu efeito. <\/p>\n<p>Apesar da cita&ccedil;&atilde;o expressa de revoga&ccedil;&atilde;o desses dispositivos na Carta Magna, a democracia p&oacute;s-constitucional manteve alguns resqu&iacute;cios dessa transfer&ecirc;ncia de compet&ecirc;ncias t&iacute;picas do Legislativo ao Executivo. O exemplo cl&aacute;ssico &eacute; o direito de o presidente da Rep&uacute;blica editar Medidas Provis&oacute;rias (MPs), que vigora at&eacute; os dias de hoje. Para o DEM, a exist&ecirc;ncia dessas exce&ccedil;&otilde;es n&atilde;o anula a inten&ccedil;&atilde;o primordial dos constituintes de assegurar ao Legislativo o poder de definir a atua&ccedil;&atilde;o dos entes p&uacute;blicos por meio de lei. E o caso da Telebr&aacute;s n&atilde;o seria uma exce&ccedil;&atilde;o &agrave; regra constitucional. <\/p>\n<p>O pr&oacute;prio PNBL teria que ser discutido no Congresso Nacional, na vis&atilde;o do DEM, outra atribui&ccedil;&atilde;o fixada constitucionalmente. &quot;Trata-se de flagrante viola&ccedil;&atilde;o aos preceitos fundamentais da legalidade e da separa&ccedil;&atilde;o de Poderes&quot;, garantem os advogados na argui&ccedil;&atilde;o feita ao Supremo. <\/p>\n<p><strong>Legalidade e Livre Iniciativa <\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m da separa&ccedil;&atilde;o de poderes que teria sido desrespeitada, o DEM ataca em outras duas frentes para tentar anular a vig&ecirc;ncia de parte da lei que organiza a Telebr&aacute;s e do decreto presidencial que criou o PNBL. Para o partido, as novas atribui&ccedil;&otilde;es dadas &agrave; estatal ferem o marco regulat&oacute;rio em vigor das telecomunica&ccedil;&otilde;es, ao ignorar a nova ordem estabelecida pela Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT). No entendimento dos advogados, a LGT deixa claro que o servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es deve ser operado por empresas privadas ap&oacute;s a privatiza&ccedil;&atilde;o, impedindo assim o retorno de uma estatal no mercado, mesmo que a Constitui&ccedil;&atilde;o ainda assegure &agrave; Uni&atilde;o prestar &quot;diretamente&quot; este servi&ccedil;o &agrave; sociedade. <\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o obstante poder a Uni&atilde;o executar diretamente servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, como disp&otilde;e o art. 21, XI, da Carta Pol&iacute;tica, seu desempenho atrav&eacute;s da Telebr&aacute;s, entidade da administra&ccedil;&atilde;o indireta, n&atilde;o pode prescindir a Lei&quot;, argumentam na a&ccedil;&atilde;o. &quot;O marco regulat&oacute;rio atual incompatibiliza-se com tal op&ccedil;&atilde;o, por direcionar a presta&ccedil;&atilde;o desses servi&ccedil;os &agrave; explora&ccedil;&atilde;o por empresas privadas sob regime de concess&atilde;o ou permiss&atilde;o&quot;, complementam. Para o DEM, esse direito de atua&ccedil;&atilde;o direta estaria reservado ao servi&ccedil;o prestado em regime p&uacute;blico, a telefonia fixa, e n&atilde;o se estenderia a outras atividades do setor como a presta&ccedil;&atilde;o da banda larga, classificada como Servi&ccedil;o de Valor Adicionado (SVA). Este &uacute;ltimo seria uma atividade de atua&ccedil;&atilde;o exclusiva da iniciativa privada na vis&atilde;o do DEM. <\/p>\n<p>Seguindo este racioc&iacute;nio, o partido entende que a a&ccedil;&atilde;o do governo federal de revitalizar a Telebr&aacute;s para atuar na presta&ccedil;&atilde;o de banda larga afronta a livre concorr&ecirc;ncia, uma vez que todas as novas atribui&ccedil;&otilde;es dadas &agrave; estatal &quot;poderiam ser perfeitamente desempenhadas pelas empresas privadas que atuam no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es&quot;. A a&ccedil;&atilde;o movida pelo DEM tamb&eacute;m acusa o governo de dar &quot;privil&eacute;gios&quot; a estatal ao garantir &agrave; Telebr&aacute;s o direito de explorar redes estatais de telecomunica&ccedil;&otilde;es pertencentes a &oacute;rg&atilde;os da Administra&ccedil;&atilde;o Direta e Indireta.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que o Governo Federal lan&ccedil;ou o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o principal alvo de cr&iacute;ticas e questionamentos tem sido a revitaliza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s, estatal que controlava o setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es antes da privatiza&ccedil;&atilde;o de 1998. 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