{"id":24652,"date":"2010-07-12T16:18:19","date_gmt":"2010-07-12T16:18:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24652"},"modified":"2010-07-12T16:18:19","modified_gmt":"2010-07-12T16:18:19","slug":"campinas-a-pior-situacao-de-radios-comunitarias-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24652","title":{"rendered":"Campinas: a pior situa\u00e7\u00e3o de r\u00e1dios comunit\u00e1rias do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A regi&atilde;o de Campinas concentra cerca de 20% do PIB do estado de S&atilde;o Paulo, com cerca de 15% da produ&ccedil;&atilde;o industrial do Pa&iacute;s. Com uma popula&ccedil;&atilde;o de seis milh&otilde;es e 500 mil habitantes e 91 munic&iacute;pios, a regi&atilde;o &eacute; considerada uma das mais importantes do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Declara&ccedil;&otilde;es de alguns ministros que ocuparam a pasta do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, ao dizer por diversas vezes que &ldquo;As R&aacute;dios Comunit&aacute;rias s&atilde;o importantes instrumentos para as pequenas cidades onde n&atilde;o possuem r&aacute;dios convencionais&rdquo;, mostra que estas declara&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o apenas declara&ccedil;&otilde;es, mas sim decis&otilde;es pol&iacute;ticas que norteiam a situa&ccedil;&atilde;o das R&aacute;dios Comunit&aacute;rias em todo o Brasil.<\/p>\n<p>Em pesquisa realizada pela ABRA&Ccedil;O &ndash; Regional Campinas no site do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, constatou-se que o servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria nesta regi&atilde;o &eacute; um grande obst&aacute;culo para o desenvolvimento social destas comunidades. Ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da Lei 9612, que instituiu o servi&ccedil;o de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria no Brasil, a regi&atilde;o de Campinas, mostrou-se disposta a buscar o reconhecimento do servi&ccedil;o, com a participa&ccedil;&atilde;o de 471 entidades, sendo que 51% das entidades est&atilde;o com seus processos arquivados, 9% das entidades est&atilde;o com seus processos em andamento, e ainda constam 27 % de entidades aguardando aviso de habilita&ccedil;&atilde;o. Desse total, apenas 63 entidades tiveram seus pleitos autorizados.<\/p>\n<p>Apesar de 63 entidades conseguirem obter licen&ccedil;a, a ABRA&Ccedil;O realizou o cruzamento destas entidades com a pesquisa do Professores Ven&iacute;cio Lima e Cristiano Aguiar Lopes, intitulado &ldquo;Coronelismo Eletr&ocirc;nico de Novo Tipo&rdquo; e os dados foram alarmantes: das emissoras de r&aacute;dios comunit&aacute;rias autorizadas na regi&atilde;o, 65% possuem v&iacute;nculo pol&iacute;tico ou religioso, um dado muito maior do que o total nacional, que apontou 50,2% de emissoras com v&iacute;nculo pol&iacute;tico e religioso em todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Segundo o Coordenador Sudeste da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria, Jerry de Oliveira, a pesquisa &ldquo;aponta a decis&atilde;o pol&iacute;tica das grandes emissoras comerciais de impedirem que a comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil troque de m&atilde;os, pois o pequeno n&uacute;mero de emissoras autorizadas e o uso particular destas emissoras por rela&ccedil;&otilde;es prom&iacute;scuas entre parlamentares ainda &eacute; um dos maiores obst&aacute;culos para que o servi&ccedil;o atenda seus objetivos sociais. Torna-se necess&aacute;rio uma altera&ccedil;&atilde;o significativa da postura do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es ao tratamento dado para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias no Brasil&rdquo;.<\/p>\n<p>Segundo Oliveira, &ldquo;os agentes p&uacute;blicos nomeados pelos ministros no Departamento de Outorgas e Servi&ccedil;os do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es d&atilde;o uma aten&ccedil;&atilde;o maior aos pleitos das R&aacute;dios Comerciais e obstam a regulariza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o&rdquo;. Oliveira aponta ainda as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos funcion&aacute;rios de carreira que analisam os processos, &ldquo;S&atilde;o apenas 16 servidores para analisar mais de 20.000 processos, isso causa stress e at&eacute; problemas de sa&uacute;de, n&oacute;s constatamos diversos servidores que se afastam por licen&ccedil;a m&eacute;dica o que demonstra a situa&ccedil;&atilde;o ca&oacute;tica deste departamento que prejudica a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria em todo o Brasil.<\/p>\n<p>Para solucionar a quest&atilde;o, Jerry Oliveira aponta algumas propostas que buscam amenizar a situa&ccedil;&atilde;o, como a cria&ccedil;&atilde;o da Subsecretaria de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria, desvinculando-a do Departamento de Outorgas e Servi&ccedil;os, a realiza&ccedil;&atilde;o de concurso p&uacute;blico para a contrata&ccedil;&atilde;o de novos servidores, e a cria&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o de acompanhamento de an&aacute;lises de processos, formado por entidades do setor. &ldquo;Isso tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio porque tornaria mais dif&iacute;cil a a&ccedil;&atilde;o de parlamentares nos pleitos de radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria&rdquo;, avalia Oliveira.<\/p>\n<p><strong>As regras para os avisos de habilita&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Jerry Oliveira faz uma den&uacute;ncia grave sobre os crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o dos avisos de habilita&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es: &ldquo;Existe um departamento especial no Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es que precisa ser investigado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, que &eacute; a Assessoria de Assuntos Parlamentares, cuja fun&ccedil;&atilde;o Constitucional &eacute; providenciar o atendimento &agrave;s consultas e aos requerimentos formulados pelo Congresso Nacional; esta atribui&ccedil;&atilde;o &eacute; para atendimento institucional com o congresso, como requerimentos e indica&ccedil;&otilde;es, que devem ser discutidas no plen&aacute;rio ou nas comiss&otilde;es do Congresso. A&ccedil;&otilde;es particulares de parlamentares como of&iacute;cios, por exemplo, s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es particulares e seu atendimento configura pr&aacute;ticas question&aacute;veis, que necessitam de um debate aprofundado&rdquo;.<\/p>\n<p>Segundo Oliveira, neste departamento s&atilde;o definidos os crit&eacute;rios de escolha para as localidades que aguardam os avisos de habilita&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Os crit&eacute;rios s&atilde;o bastante t&eacute;cnicos&rdquo; ironiza Oliveira, &ldquo;cada parlamentar tem direito a indicar tr&ecirc;s localidades, desde que naquela regi&atilde;o n&atilde;o exista nenhuma entidade com processo em andamento&rdquo;. Segundo Jerry Oliveira, esta constata&ccedil;&atilde;o se deu numa conversa com um funcion&aacute;rio de carreira deste departamento, que inclusive apresentou um software interno do departamento que apontou a demanda de um deputado na regi&atilde;o de Bauru, cuja solicita&ccedil;&atilde;o da localidade fora indicada por um parlamentar da base de sustenta&ccedil;&atilde;o do Governo.<\/p>\n<p><strong>Enquanto isso, muita repress&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Com todas estas dificuldades enfrentadas pelas entidades, Oliveira aponta um dado alarmante: muitas entidades, que est&atilde;o h&aacute; v&aacute;rios anos buscando suas outorgas e n&atilde;o consegue visualizar mudan&ccedil;as nesta situa&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o entrando no ar sem permiss&atilde;o, o que agrava a situa&ccedil;&atilde;o, pois al&eacute;m de n&atilde;o verem seus pleitos atendidos, estas emissoras s&atilde;o duramente reprimidas pela a&ccedil;&atilde;o do estado brasileiro, que ao inv&eacute;s de promover transpar&ecirc;ncia e celeridade nos processos de outorgas, se utiliza do aparato policial para reprimir e macular suas responsabilidades sobre esta situa&ccedil;&atilde;o. Para Oliveira, &ldquo;o estado brasileiro est&aacute; reprimindo lideran&ccedil;as comunit&aacute;rias que lutam na pr&aacute;tica para cumprir uma das atribui&ccedil;&otilde;es constitucionais do estado brasileiro, ou seja, combater o monop&oacute;lio das comunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, Oliveira aponta o desperd&iacute;cio de dinheiro p&uacute;blico nas a&ccedil;&otilde;es de fechamento de emissoras: &ldquo;o que se gasta para reprimir uma emissora comunit&aacute;ria &eacute; cerca de 100 vezes mais o que se gastaria para autorizar, pois um grande n&uacute;mero de agentes p&uacute;blicos &eacute; mobilizado, como agentes da Anatel, policiais federais, servidores do poder judici&aacute;rio e muitas horas de burocracia para uma poss&iacute;vel condena&ccedil;&atilde;o ou absolvi&ccedil;&atilde;o dos comunicadores sociais. &Eacute; muito dinheiro p&uacute;blico jogado no ralo para garantir o monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o. Em suma, o estado brasileiro deveria utilizar seus agentes de repress&atilde;o para causas mais nobres, como combater o tr&aacute;fico de drogas no pa&iacute;s&rdquo;.<\/p>\n<p>Jerry de Oliveira aponta que as a&ccedil;&otilde;es de fechamento de r&aacute;dios comunit&aacute;rias no pa&iacute;s &eacute; maior do que o combate ao tr&aacute;fico de drogas e lembra uma entrevista do Secret&aacute;rio Nacional anti-drogas do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a Jos&eacute; Vicente para a R&aacute;dio CBN, na qual ele disse &ldquo;que o Brasil &eacute; hoje considerado um dos maiores consumidores de coca&iacute;na do mundo, com o consumo de quase 100 toneladas de drogas, e que a Pol&iacute;cia Federal apreende apenas 0,5% desse total&rdquo;, segundo Jerry Oliveira &ldquo;isso mostra que a preserva&ccedil;&atilde;o do monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o deste pa&iacute;s &eacute; mais importante que a desgra&ccedil;a de uma fam&iacute;lia que possui um viciado em drogas, &eacute; lament&aacute;vel que se pense desta maneira: os agentes de repress&atilde;o s&atilde;o hoje os capit&atilde;es do mato do monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o deste pa&iacute;s&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>ABRA&Ccedil;O far&aacute; den&uacute;ncia sobre estes fatos<\/strong><\/p>\n<p>Com a realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa e a comprova&ccedil;&atilde;o destes casos apresentados, pela ABRA&Ccedil;O &ndash; SP, Oliveira comenta: &ldquo;n&atilde;o h&aacute; outra situa&ccedil;&atilde;o a ser feita,a n&atilde;o ser recorrermos a justi&ccedil;a e colocar o povo na rua, com manifesta&ccedil;&otilde;es e passeatas. J&aacute; tentamos v&aacute;rias negocia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e apelos, o que conseguimos at&eacute; agora foi tomar centenas de cafezinhos e promessas de mudan&ccedil;as, e at&eacute; agora, depois de 12 anos de promulga&ccedil;&atilde;o da Lei, nada foi mudado, ent&atilde;o n&atilde;o nos resta outra coisa a fazer, sen&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas no Poder Judici&aacute;rio para alterar esta situa&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio desbaratar este cons&oacute;rcio de agentes p&uacute;blicos, parlamentares e representantes da m&iacute;dia privada, responsabilizando o Estado Brasileiro e se poss&iacute;vel, colocar seus chefes na cadeia&rdquo;. Para isso, a ABRA&Ccedil;O &ndash; SP far&aacute; mobiliza&ccedil;&otilde;es junto &agrave; Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da Assembl&eacute;ia Legislativa do Estado de S&atilde;o Paulo, Minist&eacute;rio P&uacute;blico e Atos P&uacute;blicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi&atilde;o de Campinas concentra cerca de 20% do PIB do estado de S&atilde;o Paulo, com cerca de 15% da produ&ccedil;&atilde;o industrial do Pa&iacute;s. Com uma popula&ccedil;&atilde;o de seis milh&otilde;es e 500 mil habitantes e 91 munic&iacute;pios, a regi&atilde;o &eacute; considerada uma das mais importantes do pa&iacute;s. 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