{"id":24650,"date":"2010-07-12T11:33:35","date_gmt":"2010-07-12T11:33:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24650"},"modified":"2010-07-12T11:33:35","modified_gmt":"2010-07-12T11:33:35","slug":"congresso-deve-discutir-limite-a-capital-estrangeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24650","title":{"rendered":"Congresso deve discutir limite a capital estrangeiro"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A aplica&ccedil;&atilde;o do Artigo 222 da Constitui&ccedil;&atilde;o aos sites jornal&iacute;sticos voltou a tomar conta da agenda do setor nesta quarta-feira (7), em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada na C&acirc;mara dos Deputados. O referido texto constitucional cria limites &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de capital estrangeiro na m&iacute;dia brasileira. Apesar da press&atilde;o dos radiodifusores, os deputados presentes enfatizaram que a pol&ecirc;mica sobre a quest&atilde;o deve ser tratada pelo Congresso e que o debate ainda precisa amadurecer. Como n&atilde;o existem projetos de lei sobre a pauta, a tend&ecirc;ncia &eacute; que uma conclus&atilde;o a respeito do tema fique para a pr&oacute;xima legislatura.<\/p>\n<p>Isso s&oacute; n&atilde;o acontecer&aacute; se a Justi&ccedil;a ou o Executivo anteciparem algum movimento sobre a quest&atilde;o. O governo federal n&atilde;o deve fazer isso, j&aacute; que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es foi mais uma vez enf&aacute;tico em afirmar que s&oacute; compete ao &oacute;rg&atilde;o verificar os limites impostos no Artigo 222 quanto &agrave;s empresas de radiodifus&atilde;o, que diferentemente de jornais impressos e sites, s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>O assunto, por&eacute;m, tem chances de ser definido pela Justi&ccedil;a. Em maio deste ano, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Emissoras de R&aacute;dio e TV (Abert) e a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornais (ANJ) entraram com duas representa&ccedil;&otilde;es junto &agrave; Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica pedindo que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico emita um parecer em rela&ccedil;&atilde;o a atua&ccedil;&atilde;o de empresas estrangeiras em sites noticiosos brasileiros. A depender do tipo de resposta, a Abert cogita at&eacute; dar entrada em uma A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (Adin).<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o &eacute; assim que os deputados mais envolvidos com o imbr&oacute;glio pretendem que seja resolvida a quest&atilde;o. Para o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB-TO), o problema est&aacute; posto e a audi&ecirc;ncia &eacute; o princ&iacute;pio de uma discuss&atilde;o mais propositiva. Ele foi o autor do requerimento para a realiza&ccedil;&atilde;o do debate desta quarta-feira, convocado pela Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica da C&acirc;mara. <\/p>\n<p><strong>Pol&ecirc;mica<\/strong><\/p>\n<p>O Artigo 222 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal diz que a &ldquo;propriedade de empresa jornal&iacute;stica e de radiodifus&atilde;o sonora e de sons e imagens &eacute; privativa de brasileiros natos ou naturalizados h&aacute; mais de dez anos, ou de pessoas jur&iacute;dicas constitu&iacute;das sob as leis brasileiras e que tenham sede no Pa&iacute;s&rdquo;. No par&aacute;grafo 1&ordm;, h&aacute; uma defini&ccedil;&atilde;o do limite de participa&ccedil;&atilde;o de capital estrangeiro: &ldquo;pelo menos setenta por cento do capital total e do capital votante das empresas jornal&iacute;sticas e de radiodifus&atilde;o sonora e de sons e imagens dever&aacute; pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados h&aacute; mais de dez anos, que exercer&atilde;o obrigatoriamente a gest&atilde;o das atividades e estabelecer&atilde;o o conte&uacute;do da programa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>A pol&ecirc;mica &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es que representam os radiodifusores interpretam o texto constitucional de forma diferente do Portal Terra, que foi diretamente acusado na representa&ccedil;&atilde;o da Abert. Para eles, o sentido desse artigo deve valer para todos os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o, mesmo que n&atilde;o cite diretamente todos eles, como &eacute; o caso da internet. O Terra pertence &agrave; empresa Telef&oacute;nica, da Espanha, e &eacute; um dos principais concorrentes dos sites Globo.com e G1, ambos do grupo Globo, que &eacute; um dos associados da Abert.<\/p>\n<p>A diverg&ecirc;ncia central passa por desvelar se os sites noticiosos, como o Terra, s&atilde;o ou n&atilde;o empresas jornal&iacute;sticas, j&aacute; que n&atilde;o h&aacute; nem na Constitui&ccedil;&atilde;o e nem em outras leis essa defini&ccedil;&atilde;o. Para o consultor da Abert Gustavo Binenbojn eles s&atilde;o. &ldquo;A men&ccedil;&atilde;o a empresa jornal&iacute;stica n&atilde;o se confunde com ve&iacute;culos&rdquo;, defendeu. Para ele, se enquadram nessa categoria todos os ve&iacute;culos que apuram e divulgam not&iacute;cias com vistas &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de lucro. Ou seja, aquilo que se transforma em uma atividade empresarial. <\/p>\n<p>A l&oacute;gica do argumento da Abert &eacute; que &eacute; preciso entender o esp&iacute;rito daquilo que diz o texto constitucional. Como a Constitui&ccedil;&atilde;o foi promulgada em 1988, faria sentido que n&atilde;o se citasse a internet porque ainda n&atilde;o era uma ferramenta presente no cotidiano da sociedade. &ldquo;Mas a finalidade constitucional &eacute; preservar a forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o p&uacute;blica independente. N&atilde;o h&aacute; como imaginar a forma&ccedil;&atilde;o de uma na&ccedil;&atilde;o por cidad&atilde;os estrangeiros despreocupados com a realidade brasileira&rdquo;, disse Gustavo Binenbojn, apelando para o risco &agrave; soberania nacional que sites controlados por empresas internacionais poderiam causar. <\/p>\n<p>O posicionamento atual da Abert destoa com o que a associa&ccedil;&atilde;o defendeu em 2002, quando foi aprovada a Proposta de Emenda Constitucional que liberou a participa&ccedil;&atilde;o de estrangeiros em at&eacute; 30% nos ve&iacute;culos do pa&iacute;s. Antes disso, apenas brasileiros poderiam deter o capital dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Na &eacute;poca, as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo e outras emissoras foram a favor da mudan&ccedil;a porque passavam por problemas financeiros provocados, entre outros motivos, pela crise econ&ocirc;mica do final dos anos 90. Em 2002, estima-se que a Globopar, holding das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, somava cerca de R$ 5 bilh&otilde;es em preju&iacute;zos. <\/p>\n<p>O superintendente da Rede TV! e representante da Abra, Kalled Adib, tem o mesmo entendimento das outras associa&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Com o advento da internet a converg&ecirc;ncia &eacute; grande e n&atilde;o tem lei que protege isso&rdquo;, diz Kalled. Ele tamb&eacute;m avalia que o assunto &eacute; dos mais importantes j&aacute; que, segundo suas proje&ccedil;&otilde;es, &ldquo;daqui a um tempo o maior portal do pa&iacute;s vai faturar mais do que a maior emissora de TV.&rdquo;<\/p>\n<p>O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) tamb&eacute;m se inclinou a essa tese, embora tenha afirmado que ainda n&atilde;o fechou posi&ccedil;&atilde;o sobre o assunto. Para ele, o constituinte deve ter criado a limita&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas estrangeiras porque entendia que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o representavam uma inst&acirc;ncia de poder na sociedade. Por isso, segundo ele, foi colocada a tarefa de reservar aos brasileiros a obrigatoriedade de serem donos majorit&aacute;rios nos ve&iacute;culos nacionais. &ldquo;Me parece que a Constitui&ccedil;&atilde;o j&aacute; regula&rdquo;, opinou.<\/p>\n<p><strong>Conceito<\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; a defesa do Portal Terra se sustenta na tese de que um site noticioso n&atilde;o &eacute; um jornal e, portanto, a empresa n&atilde;o pode ser considerada jornal&iacute;stica. O advogado Floriano Peixoto Marques Neto, que defendeu o Terra, fez uma diferencia&ccedil;&atilde;o conceitual entre os ve&iacute;culos. Para ele, a ideia de jornal pressup&otilde;e conte&uacute;do noticioso previamente selecionado com alguma periodicidade. &ldquo;Nos portais, a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; editada no sentido jornal&iacute;stico. Ela tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; empacotada. Al&eacute;m disso, a periodicidade do instante n&atilde;o &eacute; periodicidade&rdquo;, elaborou.<\/p>\n<p>O advogado tamb&eacute;m rebateu o argumento dos radiodifusores de que os portais sem a restri&ccedil;&atilde;o ao capital estrangeiro estariam competindo desigualmente com os outros tipos de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. Para ele, a reserva de mercado &eacute; que limita a liberdade de competi&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Isso vai contra o Artigo 220 da Constitui&ccedil;&atilde;o, que pro&iacute;be o oligop&oacute;lio&rdquo;, citou Floriano Peixoto, que afirmou que o Terra deixar&aacute; de produzir not&iacute;cias se for entendido que os sites tamb&eacute;m devem se enquadrar ao Artigo 222.<\/p>\n<p>A soberania nacional, segundo o advogado do Terra, tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser evocada nessa quest&atilde;o. &ldquo;A prote&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o com a deten&ccedil;a do capital&rdquo;, disse Peixoto, lembrando que existem empresas de m&iacute;dia controladas por brasileiros que transmitem produ&ccedil;&otilde;es de outros pa&iacute;ses. Marques defendeu que se mude a Constitui&ccedil;&atilde;o, caso queira se estabelecer isonomia comercial entre os sites noticiosos e as empresas jornal&iacute;sticas tradicionais.<\/p>\n<p>Foi tamb&eacute;m nessa tecla que bateu o deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ). O parlamentar avalia que, se o objetivo &eacute; preservar a cultura nacional, deve-se partir para outros caminhos. &ldquo;No caso da TV por assinatura, introduzimos uma pol&iacute;tica de cotas&rdquo;, exemplificou, reconhecendo que o mesmo artif&iacute;cio &eacute; dificilmente aplic&aacute;vel &agrave; internet. Para o parlamentar, mais importante que observar a propriedade dos ve&iacute;culos &eacute; questionar se as empresas est&atilde;o produzindo conte&uacute;dos brasileiros e gerando empregos para brasileiros. <\/p>\n<p>J&aacute; a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), enfatizou o atual vazio legal que existe sobre a comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s e lamentou que as entidades da sociedade civil n&atilde;o foram convocadas para opinar sobre a quest&atilde;o. Segundo a deputada, tr&ecirc;s princ&iacute;pios precisam ser considerados na elabora&ccedil;&atilde;o de novas leis para o setor: a democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, o acesso universal &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e o interesse p&uacute;blico. &ldquo;Sem isso, estamos mancos nessa tarefa de um novo marco legal.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para deputados, a pol&ecirc;mica sobre a aplica&ccedil;&atilde;o do Artigo 222 da Constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; tema legislativo, mas Abert, Abra e ANJ apostam em decis&atilde;o na Justi&ccedil;a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1365],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24650"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24650\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}