{"id":24640,"date":"2010-07-07T19:29:15","date_gmt":"2010-07-07T19:29:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24640"},"modified":"2010-07-07T19:29:15","modified_gmt":"2010-07-07T19:29:15","slug":"midia-e-cliches-da-liberdade-nas-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24640","title":{"rendered":"M\u00eddia e clich\u00eas da liberdade nas Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A suposta dificuldade de sustenta&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o nas Am&eacute;ricas, e em especial na Venezuela, tende atualmente a ser enquadrada no cen&aacute;rio midi&aacute;tico hegem&ocirc;nico no Brasil como um problema gerado por governantes autorit&aacute;rios em busca de promo&ccedil;&atilde;o pessoal, que se esfor&ccedil;ariam para interditar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o que os aborrecessem. &Eacute; intrigante perceber como este clich&ecirc;, embora bastante desgastado, pode ser revivido para obscurecer quest&otilde;es de enorme relev&acirc;ncia para sociedades que pretendam aperfei&ccedil;oar seu sistema democr&aacute;tico de governo.<\/p>\n<p>Segundo os lugares-comuns repercutidos com frequ&ecirc;ncia, Ch&aacute;vez cassa concess&otilde;es de TV que lhe fazem oposi&ccedil;&atilde;o, enquanto Lula simpatiza com a possibilidade de restringir a liberdade de imprensa, se isso lhe for favor&aacute;vel. Nas Am&eacute;ricas, o norte avan&ccedil;ado se caracterizaria pelo primado da m&iacute;dia livre, enquanto o sul atrasado ainda sofreria tentativas de conten&ccedil;&atilde;o do pensamento livre movidas por l&iacute;deres populistas.<\/p>\n<p>A capacidade de dissemina&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio preenchido por estes estere&oacute;tipos ainda surpreende os mais atentos. Mas n&atilde;o deveria. A hist&oacute;ria &eacute; retratada com elementos narrativos pitorescos, &agrave;s vezes folhetinescos at&eacute;. Tem tudo para encantar e cativar.<\/p>\n<p>Enquanto tal enquadramento &eacute; veiculado, s&atilde;o convenientemente deixados de lado aspectos da necess&aacute;ria regulamenta&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o, incluindo a&iacute; as emissoras que exploram comercialmente o espectro de transmiss&atilde;o. Propaga-se a cena que repete mais uma vez a imagem do Estado como inimigo da liberdade, dissociando-o das fun&ccedil;&otilde;es de poder p&uacute;blico e confinando-o ao papel de ferramenta de mandat&aacute;rios dotados de desejos totalit&aacute;rios. Reafirma-se a no&ccedil;&atilde;o de que m&iacute;dias livres s&atilde;o resultado natural da competi&ccedil;&atilde;o de mercado. Curiosamente, embora tenham surgido epis&oacute;dios recentes que desmereceram ainda mais a defesa intransigente do livre mercado na economia como um todo, na Am&eacute;rica do Sul ela se mant&eacute;m firme no campo das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Como resultado, &eacute; perturbador o reconhecimento da defasagem entre pa&iacute;ses como o Brasil e o contexto internacional de regula&ccedil;&atilde;o de m&iacute;dia. Ao passo que a preserva&ccedil;&atilde;o do interesse p&uacute;blico exige a cont&iacute;nua opera&ccedil;&atilde;o de um aparato eficiente e cada vez mais complexo no contexto midi&aacute;tico europeu, no Brasil &eacute; dif&iacute;cil saber at&eacute; o valor de uma concess&atilde;o de radiodifus&atilde;o. Os princ&iacute;pios editoriais das emissoras no campo do jornalismo n&atilde;o s&atilde;o nem ao menos esclarecidos. Sua miss&atilde;o social se confunde com seu car&aacute;ter comercial. Seus acertos contam-se por eventuais rompantes de jornalismo alegadamente investigativo. Neste ambiente de escassez de referenciais seguros, prospera a imagem, constru&iacute;da por meios impressos, de presidentes dispostos a calar as m&iacute;dias. A regula&ccedil;&atilde;o da palavra impressa certamente n&atilde;o cabe em uma democracia, exceto contra os casos usualmente respaldados por lei, como cal&uacute;nia e difama&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m &eacute; certo que TV e r&aacute;dios livres de instrumentos de defesa do interesse p&uacute;blico sobre sua programa&ccedil;&atilde;o facilitam a difus&atilde;o, por outras m&iacute;dias, de simplifica&ccedil;&otilde;es e reducionismos. Se estes s&atilde;o, muitas vezes, a mat&eacute;ria-prima do jornalismo comercial, em oposi&ccedil;&atilde;o ao jornalismo p&uacute;blico, a preval&ecirc;ncia do mercado no regime de produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica implica um empobrecimento not&aacute;vel da esfera p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Ch&aacute;vez parece ter avan&ccedil;ado contra um cen&aacute;rio similar ao brasileiro. Se suas investidas podem ou n&atilde;o ser consideradas democr&aacute;ticas, &eacute; uma quest&atilde;o ainda em aberto. Alguns consideram perfeitamente admiss&iacute;vel e at&eacute; necess&aacute;ria a n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o p&uacute;blica de uma emissora que teria participado ativamente num golpe de Estado. Na Argentina, tentativas de conter o monop&oacute;lio da propriedade de m&iacute;dia para, em tese, assegurar a diversidade de opini&atilde;o, em linha com o que muito se fez na Europa Ocidental, foram torpedeadas como arroubos dirigistas.<\/p>\n<p>Bem, isso tudo n&atilde;o &eacute; novidade para quem milita na &aacute;rea da economia pol&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. Nova, no entanto, &eacute; a dimens&atilde;o crescente que as press&otilde;es pela regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o tem assumido em pa&iacute;ses sul-americanos, de forma que n&atilde;o &eacute; descabido esperar por mudan&ccedil;as.<\/p>\n<p><em>* Danilo Rohtberg &eacute; professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunica&ccedil;&atilde;o da Unesp, coordenador do site&nbsp;Plural &ndash; Observat&oacute;rio de Comunica&ccedil;&atilde;o e Cidadania.<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A suposta dificuldade de sustenta&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o nas Am&eacute;ricas &eacute; revivida para obscurecer a necessidade de uma regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1363],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24640"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24640"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24640\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}