{"id":24618,"date":"2010-07-01T19:33:17","date_gmt":"2010-07-01T19:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24618"},"modified":"2014-09-07T03:00:20","modified_gmt":"2014-09-07T03:00:20","slug":"alimentos-nao-saudaveis-terao-de-ter-advertencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24618","title":{"rendered":"Alimentos n\u00e3o-saud\u00e1veis ter\u00e3o de ter advert\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Resolu&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (ANVISA), publicada na ter&ccedil;a-feira (29), mudar&aacute; a publicidade de produtos com grande quantidade de a&ccedil;&uacute;car, gordura saturada ou trans e s&oacute;dio, e bebidas com baixo valor nutricional. Em at&eacute; 180 dias, as pe&ccedil;as publicit&aacute;rias de produtos desse tipo dever&atilde;o trazer a informa&ccedil;&atilde;o de que cont&ecirc;m &quot;quantidades excessivas&quot; destas subst&acirc;ncias e informar a popula&ccedil;&atilde;o de seus prov&aacute;veis riscos &agrave; sa&uacute;de. Para justificar a decis&atilde;o, a Anvisa afirma que a resolu&ccedil;&atilde;o visa coibir &quot;pr&aacute;ticas excessivas que levem o p&uacute;blico, em especial o p&uacute;blico infantil, a padr&otilde;es de consumo incompat&iacute;veis com a sa&uacute;de e que violem seu direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o adequada&quot;.<\/p>\n<p>Apesar da inclus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es reveladoras nas propagandas serem um avan&ccedil;o para tratar do problema de sa&uacute;de p&uacute;blica que &eacute; a obesidade, o <a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/imprensa\/visualiza\/index.jsp?data=29\/06\/2010&amp;jornal=1&amp;pagina=46&amp;totalArquivos=96\" target=\"_blank\">texto publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o <\/a> (DOU) &eacute; menos restritivo que a proposta inicial, por deixar de fora algumas quest&otilde;es, como a publicidade direcionada ao p&uacute;blico infantil, e a quest&atilde;o de amostras gr&aacute;tis e outros tipos de promo&ccedil;&otilde;es. Segundo Tamara Gon&ccedil;alves, advogada do projeto Crian&ccedil;a e Consumo do Instituto Alana, o texto anterior tratava melhor da quest&atilde;o infantil, e esse n&atilde;o tem artigos espec&iacute;ficos. &ldquo;A vers&atilde;o anterior tratava a quest&atilde;o de publicidade infantil, sem no entanto proibir. Esse texto publicado agora &eacute; bem mais simples:&nbsp; autoriza a publicidade desde que siga a mesma norma de adultos&rdquo;, exemplifica. <\/p>\n<p>Para Tamara, a nova norma &eacute; insuficiente em rela&ccedil;&atilde;o a este tema, porque a publicidade n&atilde;o deveria ser direcionada a crian&ccedil;as. &ldquo;apesar da resolu&ccedil;&atilde;o ser ben&eacute;fica, n&atilde;o previne esse problema da obesidade&rdquo;, disse. Al&eacute;m disso, a advogada lembra que a resolu&ccedil;&atilde;o da Anvisa n&atilde;o atende a manifesta&ccedil;&atilde;o de diversas entidades, que tinham aprovado o texto anterior em consulta p&uacute;blica.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o dessa semana &eacute; consequ&ecirc;ncia da Consulta P&uacute;blica n&ordm; 71 de 2006, que pedia a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade na elabora&ccedil;&atilde;o de Regulamento T&eacute;cnico relativo &agrave; publicidade de produtos ricos em a&ccedil;&uacute;car, gorduras e sal, associados a altas taxas de obesidade. Ap&oacute;s a etapa de contribui&ccedil;&otilde;es, foi realizada uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica e consolidada uma vers&atilde;o do documento em novembro de 2009. Da audi&ecirc;ncia, participaram representantes de empresas, Estado e sociedade civil.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, em mar&ccedil;o daquele ano, em uma reuni&atilde;o, a diretoria da Anvisa apresentou uma nova proposta de resolu&ccedil;&atilde;o a ser publicada. Segundo informa&ccedil;&otilde;es contidas no site do projeto Crian&ccedil;a e Consumo, haviam sido exclu&iacute;dos os t&iacute;tulos II e III (&quot;Requisitos para propaganda, publicidade ou promo&ccedil;&atilde;o destinada &agrave;s crian&ccedil;as&quot; e &quot;Requisitos para distribui&ccedil;&atilde;o de amostras gr&aacute;tis, cupons de desconto, patroc&iacute;nio e outras atividades promocionais&quot;, respectivamente), presentes na vers&atilde;o original e na vers&atilde;o apresentada na Audi&ecirc;ncia P&uacute;blica de 2009. [Todo o processo jur&iacute;dico e documentos est&atilde;o dispon&iacute;veis no <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=17932\" target=\"_blank\">site do Projeto Crian&ccedil;a e Consumo<\/a>]<\/p>\n<p><strong>Rea&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>A &nbsp;Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Ind&uacute;strias da Alimenta&ccedil;&atilde;o (Abia), lamentou a resolu&ccedil;&atilde;o em nota oficial, e informou que recorrer&aacute; &agrave; Justi&ccedil;a. Para a associa&ccedil;&atilde;o, a medida apresenta impropriedades constitucionais e t&eacute;cnicas. O argumento mais utilizado &eacute; o que questiona a autoridade do &oacute;rg&atilde;o para definir regras para publicidades. A Abia afirma que os alimentos ricos em a&ccedil;&uacute;car, gorduras e s&oacute;dio n&atilde;o fazem parte da lista de produtos que, definida pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal,&nbsp;devem ter advert&ecirc;ncia. A lista inclui alimentos e bebidas alco&oacute;licas, medicamentos, agrot&oacute;xicos e tabaco.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a associa&ccedil;&atilde;o considera as novas regras ineficazes, &ldquo;pois n&atilde;o ir&atilde;o inibir o consumo excessivo de alimentos que tragam riscos &agrave; sa&uacute;de&rdquo;, sendo &ldquo;muito mais reflexo dos h&aacute;bitos alimentares da popula&ccedil;&atilde;o do que da composi&ccedil;&atilde;o dos produtos industrializados&rdquo;. E embora a resolu&ccedil;&atilde;o atual tenha assimilado diversas demandas da ind&uacute;stria da alimenta&ccedil;&atilde;o e da propaganda, ao fim da nota, a Abia assume um tom de amea&ccedil;a: &ldquo;Com esse ato in&oacute;cuo e unilateral, a Anvisa compromete, em certa medida, o di&aacute;logo estabelecido entre o setor de alimentos e o governo para a busca de a&ccedil;&otilde;es conjuntas em prol do consumidor e da sociedade.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;Inconstitucional &eacute; toda norma jur&iacute;dica que esteja em desconforme com a Constitui&ccedil;&atilde;o, mas dependendo de com quais &oacute;culos se olhe para uma norma, sempre pode ou n&atilde;o ser inconstitucional&rdquo;, afirmou Tamara, que j&aacute; previa a rea&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria e das representa&ccedil;&otilde;es do setor de publicidade. O Alana acredita que a Anvisa tem compet&ecirc;ncia para regrar a publicidade, uma vez que a resolu&ccedil;&atilde;o gera impactos na sa&uacute;de p&uacute;blica, especialmente sobre crian&ccedil;as. &ldquo;Foi aprovado na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de que os Estados passem a aprovar regula&ccedil;&atilde;o de alimentos, ent&atilde;o a resolu&ccedil;&atilde;o estaria de acordo com as diretrizes internacionais&rdquo;, lembra.<\/p>\n<p>Outro argumento que pode ser utilizado, acredita a advogada, &eacute; a de que a publicidade &eacute; uma forma de manifesta&ccedil;&atilde;o de pensamento, e a restri&ccedil;&atilde;o a ela, &eacute; tamb&eacute;m &agrave; liberdade de express&atilde;o. &ldquo;Mas um ato comercial n&atilde;o &eacute; uma livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento. Publicidade tem esse intuito de venda, de servi&ccedil;o, e por isso est&aacute; tratada em outro capitulo da Constitui&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resolu&ccedil;&atilde;o da Anvisa desta semana deixa de fora proibi&ccedil;&atilde;o a brindes e propaganda voltada para crian&ccedil;as, mas mesmo assim enfrenta resist&ecirc;ncias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[390],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24618"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24618"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24618\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28143,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24618\/revisions\/28143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}