{"id":24598,"date":"2010-06-29T16:58:49","date_gmt":"2010-06-29T16:58:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24598"},"modified":"2010-06-29T16:58:49","modified_gmt":"2010-06-29T16:58:49","slug":"a-tecnologia-digital-a-servico-da-participacao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24598","title":{"rendered":"A tecnologia digital a servi\u00e7o da participa\u00e7\u00e3o popular"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A r&aacute;pida expans&atilde;o dos instrumentos tecnol&oacute;gicos de participa&ccedil;&atilde;o popular, nos &uacute;ltimos anos, demonstra a necessidade de adequa&ccedil;&atilde;o dos governos ao seu tempo. Apesar disso, os mecanismos de democracia digital permanecem pouco conhecidos entre os cidad&atilde;os brasileiros.<\/p>\n<p>O desafio bateu &agrave; porta da democracia participativa no s&eacute;culo 21 e com isso surgiu o questionamento: &eacute; poss&iacute;vel equilibrar o sistema de participa&ccedil;&atilde;o virtual com o presencial? Levando em conta que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica), entre os 180 milh&otilde;es de brasileiros apenas 64,8 milh&otilde;es tem acesso a Internet, como esperar que a democracia acompanhe o ritmo das novas tecnologias? <\/p>\n<p>Para o doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Luciano Fedozzi, sempre que se trata de um novo instrumento de participa&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso question&aacute;-lo. &ldquo;Temos que saber para que atores sociais ser&aacute; destinada esta ferramenta, de que forma ser&atilde;o agregados e qual a real inten&ccedil;&atilde;o de criar este mecanismo&rdquo;, justifica.<\/p>\n<p>Fedozzi fala que as novas tecnologias t&ecirc;m virtudes e riscos. Mas em uma democracia contempor&acirc;nea, n&atilde;o d&aacute; para subestimar os instrumentos tecnol&oacute;gicos a partir de um discurso de &ldquo;privatiza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. &ldquo;Temos o risco da exclus&atilde;o digital. Por&eacute;m, os movimentos de contesta&ccedil;&atilde;o e anti-globaliza&ccedil;&atilde;o que acontecem hoje no mundo n&atilde;o aconteceriam se n&atilde;o tivesse a possibilidade da utiliza&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, argumenta.<\/p>\n<p>Para qualificar a democracia, o desafio &eacute; encontrar o equil&iacute;brio entre os dois sistemas, opina o secret&aacute;rio geral da Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo. Para ele, popula&ccedil;&atilde;o deve ser incentivada a participar tamb&eacute;m de forma direta das decis&otilde;es para o fortalecimento do Estado.<\/p>\n<p>Cita o avan&ccedil;o com o uso das urnas eletr&ocirc;nicas, a consulta p&uacute;blica via rede, os portais de transpar&ecirc;ncia e os preg&otilde;es eletr&ocirc;nicos, todos exemplos da democracia digital. Por outro lado, critica o uso indiscriminado das ferramentas tecnol&oacute;gicas. &ldquo;N&atilde;o podemos apenas transformar os mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o popular em atos mec&acirc;nicos de apertar bot&otilde;es. Criar portais de transpar&ecirc;ncia para disponibilizar dados de servidores, sem consult&aacute;-los, tamb&eacute;m &eacute; algo question&aacute;vel&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Essa nova realidade traz um quase desaparecimento da fun&ccedil;&atilde;o tradicional das organiza&ccedil;&otilde;es intermedi&aacute;rias, como conselhos, sindicatos ou associa&ccedil;&otilde;es, na medida em que as rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais diretas. O professor de Direito Constitucional da Ufrgs, Eduardo Carrion, cr&iacute;tica a euforia do uso da Internet, como se estivesse em apenas um clique do computador o aprofundamento da democracia. &ldquo;Isto &eacute; privatizar o espa&ccedil;o p&uacute;blico. Desqualificar e despolitizar o debate democr&aacute;tico&rdquo;, defende.<\/p>\n<p>O fasc&iacute;nio da tecnologia poderia se contrapor &agrave; verdadeira inspira&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Mas &eacute; poss&iacute;vel us&aacute;-la a favor das decis&otilde;es populares, segundo Luciano Fedozzi. Ele sugere, por exemplo, o acompanhamento do Or&ccedil;amento Participativo pela Internet, para facilitar a participa&ccedil;&atilde;o dos que n&atilde;o t&ecirc;m tempo ou defendem outras prioridades, em rela&ccedil;&atilde;o aos participantes de plen&aacute;rias presenciais. &ldquo;Tem sujeito que n&atilde;o quer saneamento b&aacute;sico, pois j&aacute; mora em &aacute;rea contemplada. Seria poss&iacute;vel pensar tamb&eacute;m na cria&ccedil;&atilde;o do Observat&oacute;rio de Porto Alegre, para reunir as informa&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os, movimentos sociais e do governo&rdquo;, sugere como forma de adquirir subs&iacute;dios para as decis&otilde;es populares e governamentais. <\/p>\n<p><strong>Resist&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, h&aacute; resist&ecirc;ncias ao avan&ccedil;o da democracia digital. O tema foi debatido no IV Congresso da Cibersociedade, no ano passado. No texto &ldquo;O avan&ccedil;o da democracia digital e a amplia&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico: realiza&ccedil;&otilde;es e obst&aacute;culos&rdquo;, afirma-se que provavelmente o obst&aacute;culo mais comum est&aacute; ancorado no argumento de que a exclus&atilde;o digital, combinada com o analfabetismo funcional, impediria que a maioria das pessoas pudesse se engajar em qualquer formato de participa&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica.<\/p>\n<p>A falta de acesso &agrave; inform&aacute;tica e &agrave; internet, combinada com as limitadas habilidades discursivas, resultaria na inutilidade dos esfor&ccedil;os pelo avan&ccedil;o do engajamento pol&iacute;tico atrav&eacute;s da rede. Isto, de alguma forma, justificaria a manuten&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o atual, de consultas sem respostas e restritas a iniciados no assunto sob escrut&iacute;nio. H&aacute; indicadores para sustentar tal argumento.<\/p>\n<p>No Brasil, aqueles que usaram a rede, no total da popula&ccedil;&atilde;o, ao menos uma vez nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses, o que j&aacute; &eacute; bem pouco, s&atilde;o apenas 17,2% da popula&ccedil;&atilde;o. Na Am&eacute;rica do Sul, o Brasil est&aacute; em terceira posi&ccedil;&atilde;o, atr&aacute;s de Uruguai (20,6%) e Argentina (17,8%), e &agrave; frente de Venezuela (12,4%), Col&ocirc;mbia (10,4%), Equador (7,3%) e Paraguai (3,3%). E apenas 27,2% dos brasileiros estariam no n&iacute;vel de alfabetismo pleno, com capacidade para relacionar e interpretar informa&ccedil;&otilde;es de textos longos e fazer s&iacute;nteses e dedu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A r&aacute;pida expans&atilde;o dos instrumentos tecnol&oacute;gicos de participa&ccedil;&atilde;o popular, nos &uacute;ltimos anos, demonstra a necessidade de adequa&ccedil;&atilde;o dos governos ao seu tempo. Apesar disso, os mecanismos de democracia digital permanecem pouco conhecidos entre os cidad&atilde;os brasileiros. O desafio bateu &agrave; porta da democracia participativa no s&eacute;culo 21 e com isso surgiu o questionamento: &eacute; poss&iacute;vel &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24598\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">A tecnologia digital a servi\u00e7o da participa\u00e7\u00e3o popular<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[137],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24598"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24598\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}