{"id":24580,"date":"2010-06-24T15:55:11","date_gmt":"2010-06-24T15:55:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24580"},"modified":"2010-06-24T15:55:11","modified_gmt":"2010-06-24T15:55:11","slug":"liberdade-de-expressao-foi-apropriada-pela-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24580","title":{"rendered":"&#8220;Liberdade de express\u00e3o foi apropriada pela imprensa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Foi lan&ccedil;ado na &uacute;ltima segunda-feira (21\/06) em S&atilde;o Paulo, num evento realizado em parceria pela Publisher Brasil e pelo Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, o mais novo livro do jornalista e soci&oacute;logo Ven&iacute;cio A. de Lima, colaborador permanente da Carta Maior. A obra, intitulada &quot;Liberdade de Express&atilde;o X Liberdade de Imprensa &#8211; Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e Democracia&quot;, se prop&otilde;e a discutir uma das quest&otilde;es mais pol&ecirc;micas do atual debate p&uacute;blico das comunica&ccedil;&otilde;es: as diferen&ccedil;as entre esses dois conceitos.<\/p>\n<p>Propositalmente igualados pelos donos da m&iacute;dia, tendo como consequ&ecirc;ncia a domina&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o do conjunto das sociedades pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, liberdade de express&atilde;o e liberdade de imprensa, como mostra o livro de Ven&iacute;cio Lima, tratam de direitos diversos. Enquanto a primeira se refere &agrave; liberdade individual e ao direito humano fundamental da palavra, a segunda se refere &agrave; liberdade de empresas comerciais &#8211; a imprensa ou a m&iacute;dia &#8211; de tornar p&uacute;blico o conte&uacute;do que consideram &quot;informa&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica&quot; e entretenimento. <\/p>\n<p>&quot;Ao longo da hist&oacute;ria, no entanto, a liberdade individual foi sendo apropriada por esta institui&ccedil;&atilde;o que conhecemos como imprensa&quot;, explicou o autor durante o lan&ccedil;amento em S&atilde;o Paulo, marcado por um debate que contou ainda com a presen&ccedil;a de F&aacute;bio Konder Comparato, professor em&eacute;rito da Faculdade de Direito da USP e autor do pref&aacute;cio do livro, e dos jornalistas Mino Carta, Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim. <\/p>\n<p>&quot;Em textos hist&oacute;ricos sobre o tema, h&aacute; uma diferen&ccedil;a &oacute;bvia entre tr&ecirc;s palavras que n&atilde;o foi preservada em suas tradu&ccedil;&otilde;es: press (imprensa), print (impress&atilde;o) e speech (fala). Desde a Declara&ccedil;&atilde;o de Virg&iacute;nia, no s&eacute;culo XVIII, at&eacute; a declara&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em outubro de 2000, h&aacute; refer&ecirc;ncia expl&iacute;citas a liberdades diferentes. O pr&oacute;prio artigo 19 da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos explicita que n&atilde;o h&aacute; nada que permita que esta liberdade individual possa ser transferida para grupos de m&iacute;dia, o que foi feito inclusive em decis&otilde;es recentes do Supremo Tribunal Federal&quot;, disse Lima, citando os julgamentos que terminaram por revogar integralmente a Lei de Imprensa e extinguir a obrigatoriedade do diploma universit&aacute;rio espec&iacute;fico para o exerc&iacute;cio do jornalismo.<\/p>\n<p>Neste resgate hist&oacute;rico, Ven&iacute;cio A. de Lima lembra que, em 1644, o texto &quot;Areopagitica&quot;, de John Milton, um cl&aacute;ssico da liberdade de imprensa, defendia, na verdade, a liberdade individual de &quot;print&quot; &#8211; num contexto em que &quot;imprimir&quot; n&atilde;o tinha nada a ver com a imprensa que existe hoje. Idem para os textos do s&eacute;culo XVIII. &quot;O que se chamava de liberdade de impress&atilde;o n&atilde;o poderia se referir &agrave; impress&atilde;o da revista VEJA, por exemplo, no s&eacute;culo XXI&quot;, afirmou. <\/p>\n<p>&quot;Giovanni Sartori , cientista pol&iacute;tico de refer&ecirc;ncia no pensamento liberal, fala que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel discutir liberdade de imprensa na democracia a menos que haja competi&ccedil;&atilde;o no mercado; a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, no artigo 220, lembra que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem ser objetos de monop&oacute;lio; a CIDH fala explicitamente que o mercado democratizado &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para discutir liberdade de imprensa na democracia. Este &eacute; o ponto de partida, o que est&aacute; muito distante do nosso caso&quot;, analisa.<\/p>\n<p><strong>Anfibologia<\/strong><\/p>\n<p>Aconteceu, portanto, ao longo dos s&eacute;culos, o que o professor F&aacute;bio Konder Comparato caracterizou como uma das qualidades da burguesia: a capacidade de se utilizar da anfibologia para dominar o mercado e o Estado. Anfibologia quer dizer ambiguidade. Na l&oacute;gica aristot&eacute;lica, designa uma fal&aacute;cia baseada no d&uacute;bio sentido, proposital ou inconsciente, que acaba por distorcer o racioc&iacute;nio l&oacute;gico e torn&aacute;-lo obscuro. Para Comparato, repetiu-se com o conceito de &quot;liberdade de express&atilde;o&quot; aquilo que j&aacute; havia sido feito com o conceito de &quot;propriedade&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Estas s&atilde;o duas palavras que historicamente representam momentos decisivos da ascens&atilde;o da burguesia como classe dominante. No final do s&eacute;culo XVIII, uma das reivindica&ccedil;&otilde;es mais fortes do povo era o reconhecimento do direito de propriedade privada, como garantia a um m&iacute;nimo de vida digna. Mas chega um momento de grande concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade em que usam-se as mesmas normas e princ&iacute;pios jur&iacute;dicos de respeito &agrave; dignidade humana para defender a grande propriedade. Mas enquanto a pequena propriedade precisa ser garantida, a grande precisa ser controlada, como qualquer grande poder, sen&atilde;o acaba em domina&ccedil;&atilde;o absoluta. A mesma coisa aconteceu com a liberdade de express&atilde;o&quot;, explicou. <\/p>\n<p>At&eacute; as revolu&ccedil;&otilde;es do final do s&eacute;culo XVIII, a possibilidade de imprimir era vedada. Foi quando se percebeu que a liberdade de impress&atilde;o exercia um papel importante de controle do poder e, portanto, deveria ser garantida. A partir do s&eacute;culo XIX, no entanto, come&ccedil;a um movimento de cria&ccedil;&atilde;o do monop&oacute;lio empresarial, na imprensa e, depois, na radiodifus&atilde;o. <\/p>\n<p>&quot;E a&iacute; houve uma virada de 180 graus, porque a liberdade de express&atilde;o desapareceu e continuou-se a usar este termo, assim como aconteceu com &quot;propriedade&quot;. Hoje, chegamos a um ponto em que a liberdade definida como falta de controle &eacute; fundamental para a perman&ecirc;ncia da domina&ccedil;&atilde;o absoluta dos empres&aacute;rios sobre o povo&quot;, concluiu Comparato. <\/p>\n<p>O exemplo mais claro da radicalidade dos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o no combate a este controle, dentro da l&oacute;gica de confundir a opini&atilde;o p&uacute;blica acerca dos conceitos de liberdade de express&atilde;o e de imprensa, &eacute; a interdi&ccedil;&atilde;o do debate sobre mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o popular e controle social da m&iacute;dia. A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 prev&ecirc; formas de participa&ccedil;&atilde;o da sociedade no controle das atividades relacionada &agrave; administra&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas ligadas aos direitos sociais, como educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e cultura.<\/p>\n<p>&quot;A comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; mais uma dessas &aacute;reas. Portanto, o controle social deveria ser garantido. O problema &eacute; que a grande m&iacute;dia satanizou a express&atilde;o e o pr&oacute;prio governo entrou no jogo. Tanto que o tema foi proibido na 1a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. O controle social &eacute; uma forma da sociedade avaliar e participar de um servi&ccedil;o e interferir na formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de uma &aacute;rea que interfere na vida de todos, como todas as outras. Nas sociedades liberais democr&aacute;ticas, que servem inclusive de refer&ecirc;ncia para os propriet&aacute;rios de m&iacute;dia no debate sobre liberdade de imprensa, isso ocorre sem nenhum problema&quot;, acrescentou Ven&iacute;cio.<\/p>\n<p>Para o autor, existe entre n&oacute;s uma interdi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o declarada a esse tema, cuja mera lembran&ccedil;a sempre provoca rotula&ccedil;&otilde;es de autoritarismo e de retorno &agrave; censura. &quot;Mesmo levando-se em conta o trauma ainda recente do regime militar, esse &eacute; dos muitos paradoxos hist&oacute;ricos dos liberais brasileiros que nem sempre praticam o que afirmam defender&quot;, diz no livro.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi lan&ccedil;ado na &uacute;ltima segunda-feira (21\/06) em S&atilde;o Paulo, num evento realizado em parceria pela Publisher Brasil e pelo Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, o mais novo livro do jornalista e soci&oacute;logo Ven&iacute;cio A. de Lima, colaborador permanente da Carta Maior. 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