{"id":24564,"date":"2010-06-21T15:51:44","date_gmt":"2010-06-21T15:51:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24564"},"modified":"2010-06-21T15:51:44","modified_gmt":"2010-06-21T15:51:44","slug":"legislacoes-do-seculo-passado-no-novo-milenio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24564","title":{"rendered":"Legisla\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo passado no novo mil\u00eanio"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Como &eacute; sabido, no final do &uacute;ltimo m&ecirc;s de abril o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a Lei de Imprensa (5.250\/67), considerada inconstitucional. A medida afirma o primado da liberdade de express&atilde;o como fundamental para o Estado de Direito e deixa expostas as fragilidades e debilidades da regula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s para o tema das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O pr&oacute;prio STF reiterou a urg&ecirc;ncia do Congresso em criar novas regras para suprir o v&aacute;cuo jur&iacute;dico deixado pelo fim da antiga normatividade, institu&iacute;da no auge do regime militar. Os debates sobre o tema, no entanto, n&atilde;o abordam a outra ponta das fragilidades regulat&oacute;rias na &aacute;rea: o pa&iacute;s caduca de uma legisla&ccedil;&atilde;o que garanta o exerc&iacute;cio do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Embora a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, no seu &quot;Da Comunica&ccedil;&atilde;o Social&quot;, remeta &agrave; necessidade de legisla&ccedil;&atilde;o do setor, no &acirc;mbito da radiodifus&atilde;o o pa&iacute;s continua aplicando o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Lei 4.117), de 1962, por falta de texto legal atual. V&aacute;rios artigos constitucionais, como o 223, que trata da complementariedade dos sistemas p&uacute;blico, privado e estatal, continuam sem viabilidade por falta de legisla&ccedil;&atilde;o infraconstitucional.<\/p>\n<p>Paralelamente &agrave; decis&atilde;o in&eacute;dita do Supremo com a Lei de Imprensa, outro decreto de 1967, firmado pelo marechal Castelo Branco, continua em vigor. O Decreto 223, em seu artigo 70, por exemplo, que penaliza com pris&atilde;o a instala&ccedil;&atilde;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es sem permiss&atilde;o do Estado, continua sendo aplicado &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Estima-se que mais de sete mil radialistas do pa&iacute;s respondem hoje a processos judiciais, por emiss&atilde;o de sinal em emissoras comunit&aacute;rias, e muitos continuam presos, em plena era dos direitos constitucionais de liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>O poder do apito do juiz<\/strong><\/p>\n<p>A Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom), realizada no final de 2009, em Bras&iacute;lia, apontou para uma s&eacute;rie de demandas s&oacute;cio-comunicacionais urgentes, e grande parte delas esbarra na necessidade de mudan&ccedil;as legislativas. Mas, cerca de seis meses depois, os avan&ccedil;os s&atilde;o quase inexistentes, j&aacute; que a Confer&ecirc;ncia n&atilde;o tem poder deliberativo e houve um boicote da Rede Globo e outros radiodifusores. Sendo este um ano eleitoral, &eacute; muito pouco prov&aacute;vel que haja qualquer altera&ccedil;&atilde;o legislativa em 2009, ainda mais numa &aacute;rea t&atilde;o sens&iacute;vel quanto as comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>As brechas legislativas do setor n&atilde;o apenas fragilizam o exerc&iacute;cio da atividade jornal&iacute;stica, principal tema nos debates sobre a revoga&ccedil;&atilde;o da antiga Lei de Imprensa, como tamb&eacute;m revelam a incompatibilidade jur&iacute;dica da legisla&ccedil;&atilde;o vigente no pa&iacute;s com os direitos democr&aacute;ticos. Tamanha defici&ecirc;ncia cria contextos para situa&ccedil;&otilde;es inusitadas, inclusive de viola&ccedil;&otilde;es, e deixam o tema &agrave; deriva de decis&otilde;es judiciais, blindadas das arenas legislativas democr&aacute;ticas, at&eacute; porque estas n&atilde;o cumprem seu papel.<\/p>\n<p>Os embates entre os marcos regulat&oacute;rios das comunica&ccedil;&otilde;es e as arenas judiciais n&atilde;o s&atilde;o uma exclusividade brasileira. Na Argentina, a decis&atilde;o sobre a nova Lei de Servi&ccedil;os Audiovisuais, desde o &uacute;ltimo dia 30 de abril tamb&eacute;m est&aacute; nas m&atilde;os da Suprema Corte de Justi&ccedil;a. Aprovada pela C&acirc;mara e pelo Senado em outubro de 2009, a Lei 26.522 foi embargada por um juiz da prov&iacute;ncia de Mendoza, por supostos problemas procedimentais em sua tramita&ccedil;&atilde;o. Embora a nova lei tenha sido saudada pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco) e pelos relat&oacute;rios da Comiss&atilde;o de Liberdade de Express&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA) como um novo par&acirc;metro para a democracia na Am&eacute;rica Latina, sua aplica&ccedil;&atilde;o est&aacute; bloqueada at&eacute; que uma decis&atilde;o judicial ponha um ponto final no assunto.<\/p>\n<p><strong>Medidas arbitr&aacute;rias e uma democracia ca&oacute;tica<\/strong><\/p>\n<p>No M&eacute;xico, em 2006 a Suprema Corte tamb&eacute;m se posicionou decisivamente na regula&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica. Nesse caso, a Justi&ccedil;a questionou a inconstitucionalidade da chamada Lei Televisa, por atentar contra direitos b&aacute;sicos dos cidad&atilde;os e constituir-se favor&aacute;vel &agrave; liberdade de empresa. Como suas recomenda&ccedil;&otilde;es de mudan&ccedil;as no texto da lei nunca foram atendidas, a legisla&ccedil;&atilde;o mexicana em termos de comunica&ccedil;&atilde;o igualmente se encontra ultrapassada e sem uma defini&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica.<\/p>\n<p>O que se evidencia com tamanha inger&ecirc;ncia judicial s&atilde;o as limita&ccedil;&otilde;es dos poderes legislativos e executivo em enfrentar o setor midi&aacute;tico, ante sua resist&ecirc;ncia em construir uma regula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica atualizada e democr&aacute;tica. A hist&oacute;ria assinala que a maioria das tentativas de estabelecer uma maior normatividade p&uacute;blica foi recha&ccedil;ada pelo poder das grandes corpora&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas. O resultado dessas disputas reflete-se nas legisla&ccedil;&otilde;es ultrapassadas e favor&aacute;veis ao entendimento da comunica&ccedil;&atilde;o como mercado e em detrimento dos direitos sociais.<\/p>\n<p>A judicializa&ccedil;&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o comunicativa evidencia a caducidade dos marcos legais no setor e a for&ccedil;a das ind&uacute;strias culturais, que se beneficiam com os vazios normativos, criando precedentes dif&iacute;ceis de serem derrubados, posteriormente. Sem regras claras para os problemas midi&aacute;ticos contempor&acirc;neos, quem perde &eacute; a sociedade, for&ccedil;osamente ref&eacute;m de medidas arbitr&aacute;rias e de uma democracia ca&oacute;tica.<\/p>\n<p><em>* Val&eacute;rio Cruz Brittos &eacute; professor titular no programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos.<br \/>* Gislene Moreira G&oacute;mez &eacute; doutoranda em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica na Flacso (M&eacute;xico).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">As brechas legislativas do setor revelam a incompatibilidade jur&iacute;dica da legisla&ccedil;&atilde;o vigente no pa&iacute;s com os direitos democr&aacute;ticos<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24564"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24564"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24564\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}