{"id":24535,"date":"2010-06-14T16:20:41","date_gmt":"2010-06-14T16:20:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24535"},"modified":"2010-06-14T16:20:41","modified_gmt":"2010-06-14T16:20:41","slug":"estudo-do-ipea-diz-que-estado-e-vital-para-qualificar-cenario-das-telecomunicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24535","title":{"rendered":"Estudo do Ipea diz que Estado \u00e9 vital para qualificar cen\u00e1rio das telecomunica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Aumentar e qualificar a participa&ccedil;&atilde;o do Estado na condu&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o recomenda&ccedil;&otilde;es centrais do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea) para melhorar a qualidade e ampliar o acesso a estes servi&ccedil;os. A conclus&atilde;o &eacute; oriunda de recente estudo intitulado &ldquo;Desafios e Oportunidades do Setor de Telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil&rdquo;.<\/p>\n<p>O comunicado do Ipea diz que a liberaliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os ocorrida na d&eacute;cada de 90 deixou o pa&iacute;s num posi&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria em termos de difus&atilde;o dos servi&ccedil;os. O cen&aacute;rio soma predom&iacute;nio do capital estrangeiro, oligop&oacute;lio nacional, monop&oacute;lios e disparidades regionais, problemas ambientais e baixo n&iacute;vel de apropria&ccedil;&atilde;o social das tecnologias.&nbsp;<\/p>\n<p>Para reverter tal situa&ccedil;&atilde;o, o estudo aponta diversas recomenda&ccedil;&otilde;es relacionadas a pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Entre as principais est&atilde;o: sinergia entre as a&ccedil;&otilde;es dos minist&eacute;rios e dos tr&ecirc;s entes federativos acompanhada de melhor aproveitamento dos altos tributos do setor; a articula&ccedil;&atilde;o com as pol&iacute;ticas educacionais e a moderniza&ccedil;&atilde;o do marco regulat&oacute;rio e aumento da competi&ccedil;&atilde;o, o que inclui investimento estatal. Por&eacute;m, o estudo &eacute; t&iacute;mido na defesa da universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga e prefere o termo massifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Desarticula&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Projetos como Gesac (programa de inclus&atilde;o digital), Cultura Viva, Casa Brasil e Territ&oacute;rios Digitais do Governo Federal representam a exist&ecirc;ncia de pol&iacute;tica setorial nas telecomunica&ccedil;&otilde;es. Entretanto, todas elas coexistem sem articula&ccedil;&atilde;o entre diversos minist&eacute;rios, como de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Planejamento Or&ccedil;amento e Gest&atilde;o, Desenvolvimento Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio, Casa Civil e Cultura. Para o o Ipea, o quadro se intensifica nas rela&ccedil;&atilde;o com estados e munic&iacute;pios. Segundo o estudo, atualmente, h&aacute; nove programas p&uacute;blicos regionais, 23 estaduais e 38 municipais, que podem estar em execu&ccedil;&atilde;o com princ&iacute;pios contradit&oacute;rios.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o poderia ser contornada pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom), caso suas verbas n&atilde;o fossem limitadas e progressivamente contingenciadas. A privatiza&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada o maior vetor para o Minicom abarcar menos de 0,5% do or&ccedil;amento total da Uni&atilde;o no &uacute;ltimos seis anos. Em 2003, 39% da dota&ccedil;&atilde;o inicial prevista foi contingenciada, percentual que em 2008 chegou a 74%.<\/p>\n<p><strong>Tributos<\/strong><\/p>\n<p>Quanto ao mal aproveitamento da arrecada&ccedil;&atilde;o, o comunicado repete constantemente as potencialidades do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&atilde;o (Fust). As limita&ccedil;&otilde;es na Lei Geral e Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT) &eacute; o primeiro obst&aacute;culo apontado, por s&oacute; enquadrar a telefonia fixa como pass&iacute;vel de universaliza&ccedil;&atilde;o. Por isso, o estudo apenas sugere uma avalia&ccedil;&atilde;o para o incremento da banda larga nesta categoria. Na telefonia fixa, a avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; de que as regras para a aplica&ccedil;&atilde;o do Fust s&atilde;o incongruentes, pois as prestadores j&aacute; deveriam cobrir as &aacute;reas e popula&ccedil;&otilde;es deficit&aacute;rias devido ao fato de estarem comprometidas com a universaliza&ccedil;&atilde;o por for&ccedil;a de contrato, al&eacute;m de a LGT impedir subs&iacute;dios para o atendimento da popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda. <\/p>\n<p>Ainda em &acirc;mbito federal, o comunicado critica os desvios nos recursos do Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fistel), o que tem comprometido a qualidade dos servi&ccedil;os no pa&iacute;s. J&aacute; no &acirc;mbito estadual o problema est&aacute; no Imposto de Circula&ccedil;&atilde;o de Mercadorias e Servi&ccedil;os (ICMS), apontado como o maior respons&aacute;vel pela tributa&ccedil;&atilde;o corresponder entre 42% e 60% do valor total dos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>O Ipea aponta que h&aacute; al&iacute;quotas de ICMS d&iacute;spares entre os estados e costumeiramente superiores a mercadorias sup&eacute;rfluas, como bebidas alco&oacute;licas, fumo, cosm&eacute;ticos e at&eacute; armamento. Os recursos do ICMS s&atilde;o revertidos para diversas responsabilidades dos governadores, em especial sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a p&uacute;blica. Por&eacute;m, o instituto insinua a diminui&ccedil;&atilde;o do tributo e n&atilde;o redirecionamento para pol&iacute;ticas estaduais de comunica&ccedil;&atilde;o, mesmo que envolva mudan&ccedil;as legislativas nos estados.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p><strong>Educa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O pre&ccedil;o alto dos servi&ccedil;os est&aacute; entre as principais raz&otilde;es para que 54% da popula&ccedil;&atilde;o com renda familiar inferior a 3 sal&aacute;rios m&iacute;nimos tenha pouco acesso ao ambiente de converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. No acesso &agrave; internet, por exemplo, o estudo demonstra que a m&eacute;dia domiciliar nacional n&atilde;o ultrapassa os 20%.<\/p>\n<p>Se os custos impedem o consumo, o fator educacional ajuda diminuir a demanda nas telecomunica&ccedil;&otilde;es. O fato de o analfabetismo funcional afetar quase um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos elementos que torna o n&iacute;vel de habilidade com as tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TICs) relativamento baixo para o Ipea. A mensura&ccedil;&atilde;o do CETIC.br &eacute; de que a popula&ccedil;&atilde;o com n&iacute;vel m&eacute;dio de escolaridade alcance apenas 40% de habilidade com a internet e menos de 30% com o computador. <\/p>\n<p><strong>Concentra&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A moderniza&ccedil;&atilde;o do marco regulat&oacute;rio para o Ipea se faz necess&aacute;ria para evitar o afunilamento dos mercados. As empresas respons&aacute;veis pelo investimento na infraestrutura t&ecirc;m lucros maiores e avan&ccedil;am para acumular a opera&ccedil;&atilde;o das redes e o provimento de plataformas, conte&uacute;dos e aplica&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>No caso da telefonia m&oacute;vel, quatro empresas (Oi, Tim, Vivo e Claro) comp&otilde;e um quadro de oligop&oacute;lio e predom&iacute;nio do capital estrangeiro. Somente a Oi tem capital nacional. O Ipea avalia esta concorr&ecirc;ncia como equilibrada, situa&ccedil;&atilde;o diferente da telefonia fixa. Neste setor, o estudo aponta a exist&ecirc;ncia de monop&oacute;lios regionais, com pouca viabilidade de revers&atilde;o, devidos ao alto custo de investimentos iniciais, que impedem a entrada de novos concorrentes. Estes monop&oacute;lios iniciam com a privatiza&ccedil;&atilde;o da empresas estaduais no fim da d&eacute;cada de 1990, com contratos de 15 anos renov&aacute;veis por mais 15. <\/p>\n<p>Esses monop&oacute;lios regionais na telefonia fixa refletem diretamente sobre o acesso &agrave; internet, j&aacute; que a Oi e a Telef&ocirc;nica abocanham uma fatia de 64% deste mercado e s&atilde;o majorit&aacute;rias na explora&ccedil;&atilde;o da telefonia fixa. Ou seja, na maioria dos lares o acesso a internet, em especial a banda larga, &eacute; feito por empresas de telefonia fixa, que monopolizam o mercado e cobram valores elevados.<\/p>\n<p><strong>Desafios<\/strong><\/p>\n<p>Com a privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s e o fim do monop&oacute;lio estatal, o setor privado passou a investir na infraestrutura e explora&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, sob concess&atilde;o do estado, que por sua vez, teoricamente, investe de forma complementar para atenuar as disparidades.<\/p>\n<p>No comunicado, fica claro que, entre 1996 e 2005, os investidores (majoritariamente estrangeiros) aplicaram R$ 129,2 bilh&otilde;es em valor corrente. O &aacute;pice foi em 2001, exatamente quando os contratos com o governo exigiam cumprimentos de metas em telefona fixa e p&uacute;blica, como contrapartida imposta &agrave;s empresas para expandirem suas &aacute;reas de abrang&ecirc;ncia. O pico recente foi em 2008, com as concess&otilde;es de 3G. Ou seja, a oscila&ccedil;&atilde;o dos investimentos &eacute; relacionada com as a&ccedil;&otilde;es do Estado.<\/p>\n<p>Os investimentos do Estado na infraestrutura ficaram na casa dos 18% entre 1999 e 2008, feitos basicamente via empr&eacute;stimos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). O valor &eacute; considerado baixo pelo Ipea, que afirma que isso representa uma barreira para o poder p&uacute;blico competir no setor, somado ao fato de o ambiente industrial estar consolidado com apenas dois ou tr&ecirc;s grandes operadores de rede.<\/p>\n<p>O instituto tamb&eacute;m critica o fato de os R$ 5 bilh&otilde;es arrecadados com a privatiza&ccedil;&atilde;o terem sido direcionados para o Tesouro, mas n&atilde;o avalia se a somat&oacute;ria foi justa para o potencial do setor que influencia ind&uacute;strias vitais como portu&aacute;ria, petr&oacute;leo e g&aacute;s, el&eacute;trica, ferrovi&aacute;ria, etanol e biocombust&iacute;veis, aeroportu&aacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aumentar e qualificar a participa&ccedil;&atilde;o do Estado na condu&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o recomenda&ccedil;&otilde;es centrais do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea) para melhorar a qualidade e ampliar o acesso a estes servi&ccedil;os. 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