{"id":24496,"date":"2010-06-02T18:25:35","date_gmt":"2010-06-02T18:25:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24496"},"modified":"2010-06-02T18:25:35","modified_gmt":"2010-06-02T18:25:35","slug":"grande-midia-x-direitos-humanos-o-pano-de-fundo-dos-recuos-do-pndh-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24496","title":{"rendered":"Grande m\u00eddia x direitos humanos: o pano de fundo dos recuos do PNDH-3"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O Brasil &eacute; um dos poucos pa&iacute;ses do mundo que tem uma terceira edi&ccedil;&atilde;o de um Programa Nacional de Direitos Humanos apresentada pelo governo federal. Por si s&oacute;, isso j&aacute; demonstra uma preocupa&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro com a situa&ccedil;&atilde;o desses direitos em territ&oacute;rio nacional. Mais positivo ainda &eacute; se este programa &eacute; atualizado periodicamente em diferentes espa&ccedil;os de di&aacute;logo e interlocu&ccedil;&atilde;o com a sociedade civil. No caso da terceira edi&ccedil;&atilde;o do PNDH, estamos falando de um processo que envolveu mais de 14 mil pessoas em todo o pa&iacute;s. Um processo que deve ser saudado para que, imediatamente, se possa cobrar deste mesmo governo um compromisso com o mesmo.<\/p>\n<p>Infelizmente, as recentes altera&ccedil;&otilde;es sofridas pelo PNDH-3, via decreto presidencial, revelam a outra triste face desta moeda. O Decreto 7.177, de 12 de maio de 2010, alterou sete e revogou duas a&ccedil;&otilde;es do Programa Nacional. Ficou expl&iacute;cito que, apesar de despontar como promissora pot&ecirc;ncia mundial, o Brasil ainda se curva a setores autorit&aacute;rios com grande tradi&ccedil;&atilde;o na arte de manter o pa&iacute;s, simb&oacute;lica e estatisticamente, no &quot;terceiro mundo&quot;. <\/p>\n<p>Desde a publica&ccedil;&atilde;o do Decreto 7.037\/2009, que institucionalizou o PNDH-3, bispos cat&oacute;licos, militares, latifundi&aacute;rios e donos da m&iacute;dia bombardeiam a sociedade com suas opini&otilde;es sobre as diretrizes que buscam a redu&ccedil;&atilde;o dos conflitos no campo, o respeito ao Estado laico e aos direitos da mulher, &agrave; mem&oacute;ria e &agrave; verdade e a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es. Agem como uma tropa, colocando os meios de comunica&ccedil;&atilde;o na linha de frente da artilharia daquilo que consideraram uma &ldquo;obsess&atilde;o totalit&aacute;ria&rdquo;, como observou um dos articulistas da revista <em>Veja<\/em>. <\/p>\n<p>A constata&ccedil;&atilde;o &oacute;bvia &ndash; e triste &ndash; que este governo n&atilde;o foi capaz de enfrentar setores que tornam o Brasil um pa&iacute;s profundamente desigual e arcaico &eacute; t&atilde;o grave quanto o desrespeito aos processos democr&aacute;ticos e participativos promovidos pelo pr&oacute;prio governo. O Programa foi constru&iacute;do por meio de Confer&ecirc;ncias Municipais, Estaduais e Nacional de Direitos Humanos, convocadas pelo Executivo. O resultado dessas confer&ecirc;ncias, abertas &agrave; toda sociedade, &eacute; um indicativo aos gestores p&uacute;blicos e legisladores sobre as mudan&ccedil;as que devem acontecer na &aacute;rea. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Foi a partir da 13a Confer&ecirc;ncia Nacional de Direitos Humanos que nasceu o PNDH-3. Ao alterar seu texto, o governo desrespeita frontalmente essa constru&ccedil;&atilde;o e abre precedente para que outras Confer&ecirc;ncias e Programas sejam alterados &agrave; revelia de todos aqueles que, com debate p&uacute;blico e esp&iacute;rito democr&aacute;tico, definiram objetivos, diretrizes e a&ccedil;&otilde;es para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no Brasil. <\/p>\n<p>Mas o que poderia ter levado o governo a estabelecer tamanho recuo e desrespeitar o processo da 13a Confer&ecirc;ncia de Direitos Humanos?<\/p>\n<p><strong>Confer&ecirc;ncias na mira da m&iacute;dia<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A cr&iacute;tica ao PNDH-3 e a seu processo origin&aacute;rio n&atilde;o veio isolada na artilharia dos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Na edi&ccedil;&atilde;o do dia 17 de janeiro de 2010, o jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em> publicou dez mat&eacute;rias e artigos que trataram das Confer&ecirc;ncias e do Programa Nacional de Direitos Humanos. S&oacute; sobre as Confer&ecirc;ncias foram quatro no caderno Nacional. Na primeira mat&eacute;ria, com o t&iacute;tulo &ldquo; Um debate que cabe em qualquer evento&rdquo;, os rep&oacute;rteres Felipe Recondo e Marcelo de Moraes sentenciam: <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><em>&ldquo;No governo Lula, as Confer&ecirc;ncias nacionais t&ecirc;m sido realizadas constantemente e produzido propostas pol&ecirc;micas, mas in&oacute;cuas. Na pr&aacute;tica, servem para que o presidente Lula d&ecirc; voz ao p&uacute;blico interno do PT e dos movimentos sociais, que levantam bandeiras controvertidas, mas acabam n&atilde;o tendo consequ&ecirc;ncias&rdquo;<\/em>. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A mat&eacute;ria seguinte traz na manchete um ataque feroz: &ldquo;Confer&ecirc;ncia de Cultura arma novo ataque &agrave; m&iacute;dia&rdquo;. Dois par&aacute;grafos para o Minist&eacute;rio se defender. Mas a entrevista de p&aacute;gina inteira coroa a s&eacute;rie: o cientista pol&iacute;tico Le&ocirc;ncio Martins Rodrigues, no bojo de sua autoridade de intelectual, &eacute; acionado para finalizar o massacre: <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><em>&ldquo;Usado para fundamentar as confer&ecirc;ncias nacionais promovidas pelo governo, o conceito de democracia direta ainda custa a ganhar a ades&atilde;o de alguns estudiosos, a exemplo do cientista pol&iacute;tico Le&ocirc;ncio Martins Rodrigues. Para ele, a proposta n&atilde;o apenas &eacute; &quot;imposs&iacute;vel de ser realizada&quot;, como representa mais uma f&oacute;rmula para que uma minoria organizada mobilize a maioria. Foi por tr&aacute;s da tese de contato direto de um l&iacute;der com a popula&ccedil;&atilde;o, argumenta, que nasceram ideologias como o fascismo&rdquo;. <\/em><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">N&atilde;o h&aacute; outra explica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o a pura e simples manipula&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica do leitor para comparar as Confer&ecirc;ncias com pr&aacute;ticas fascistas. Em artigos de opini&atilde;o de outros tr&ecirc;s cadernos, a edi&ccedil;&atilde;o daquele domingo seguiu desferindo golpes no ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e no governo federal.<\/p>\n<p>O exemplo usado foi o de uma edi&ccedil;&atilde;o de janeiro de 2010 de <em>O Estado de S. Paulo<\/em>, mas poderia ser de uma edi&ccedil;&atilde;o do <em>Jornal Nacional<\/em>, do jornal <em>O Globo<\/em>, <em>Correio Brasiliense<\/em> ou da <em>Folha de S. Paulo<\/em>, dos &uacute;ltimos seis meses. N&atilde;o faria diferen&ccedil;a. A artilharia contra o PNDH-3 e os processos participativos foi arquitetada pela Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornais (ANJ) e pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert), que representam, junto com a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Editoras de Revistas (Aner), toda a patota de empres&aacute;rios de m&iacute;dia que se organizou para fuzilar o PNDH-3. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O aparato b&eacute;lico tamb&eacute;m foi apontado para a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom), espa&ccedil;o que essas mesmas entidades abandonaram sem explica&ccedil;&atilde;o convincente. Acusaram os participantes de ser contra a liberdade de express&atilde;o e de desejar a volta da censura. Espa&ccedil;o para o contradit&oacute;rio em seus ve&iacute;culos? Nenhum. Quem censura quem, afinal?<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Falando em censura, ela n&atilde;o apareceu apenas nas justificativas acusat&oacute;rias da Confecom, mas foi tamb&eacute;m pano de fundo de uma propaganda produzida pelo Conselho de Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria (CONAR) e seu bra&ccedil;o acad&ecirc;mico, a Escola Superior de Marketing e Propaganda. A pe&ccedil;a<\/span><font color=\"#000080\"><\/font><span class=\"padrao\">, inserida propositadamente em meio ao bombardeio de not&iacute;cias sobre o PNDH-3, envolve o telespectador numa anima&ccedil;&atilde;o sombria de anima&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica com a seguinte narrativa: <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><em>&quot;Ele era conhecido como o &Uacute;ltimo Suspiro, o laborat&oacute;rio mais seguro do mundo, a &uacute;ltima fronteira para o mal. Ali, foram eliminadas as maiores aberra&ccedil;&otilde;es existentes na face da terra, v&iacute;rus, seres das profundezas oce&acirc;nicas, bact&eacute;rias. Experi&ecirc;ncias secretas foram feitas ali e, em uma cela especial, ainda habita a criatura mais terr&iacute;vel, o mostro da censura, que agora repousa fora de combate. A temperatura da sua cela &eacute; cuidadosamente controlada, o frio tem que ser constante, assim ele j&aacute; mais despertar&aacute; de novo. Nada pode distrair a tarefa da sentinela! N&atilde;o deixe o mostro da censura acordar!&rdquo;<\/em><\/p>\n<p><strong>Toca a sirene<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Em pouco tempo, o governo atendeu ao terrorismo midi&aacute;tico da pe&ccedil;a publicit&aacute;ria e cedeu &agrave; metralhadora girat&oacute;ria do jornalismo praticado por essas empresas, modificando pontos significativos relacionados &agrave; m&iacute;dia no texto do PNDH-3. Levantou a bandeira branca e, numa canetada, reescreveu sozinho o que foi constru&iacute;do por milhares de m&atilde;os em todo o Brasil, e que estava compilado na Diretriz 22: &ldquo;Garantia do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e ao acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o para a consolida&ccedil;&atilde;o de uma cultura em Direitos Humanos &rdquo;. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Foi alterada a a&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica &ldquo;a) Propor a cria&ccedil;&atilde;o de marco legal regulamentando o art. 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o (r&aacute;dio e televis&atilde;o) concedidos, permitidos ou autorizados, como condi&ccedil;&atilde;o para sua outorga e renova&ccedil;&atilde;o, prevendo penalidades administrativas como advert&ecirc;ncia, multa, suspens&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o e cassa&ccedil;&atilde;o, de acordo com a gravidade das viola&ccedil;&otilde;es praticadas&rdquo;.<\/p>\n<p>Na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, o artigo 221 diz que &ldquo;a produ&ccedil;&atilde;o e a programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o atender&atilde;o aos seguintes princ&iacute;pios: prefer&ecirc;ncia a finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas; promo&ccedil;&atilde;o da cultura nacional e regional e est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente que objetive sua divulga&ccedil;&atilde;o; regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica, conforme percentuais estabelecidos em lei; e respeito aos valores &eacute;ticos e sociais da pessoa e da fam&iacute;lia&rdquo;. <\/p>\n<p>Desde 1963, no entanto, o Decreto 57.795 estabelece, por exemplo, um m&iacute;nimo de 5% da grade de programa&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria para o jornalismo, de 5 horas de programa&ccedil;&atilde;o educativa por semana e tamb&eacute;m o limite de 25% da grade di&aacute;ria com veicula&ccedil;&atilde;o de publicidade. O decreto tamb&eacute;m prev&ecirc; multas, suspens&otilde;es e cassa&ccedil;&otilde;es, caso haja descumprimento das normas estabelecidas. Ou seja, estabelece alguns par&acirc;metros que, posteriormente, foram recepcionados pela Constitui&ccedil;&atilde;o, criando cotas, limites e san&ccedil;&otilde;es para os radiodifusores. <\/p>\n<p>O que a reda&ccedil;&atilde;o original do PNDH-3 previa era a inclus&atilde;o dos direitos humanos como um desses par&acirc;metros, para evitar que pr&aacute;ticas racistas, machistas, homof&oacute;bicas e outras de mesma natureza acontecessem na programa&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias de r&aacute;dio e TV. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A grande m&iacute;dia chiou e, com a nova reda&ccedil;&atilde;o, a a&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica ficou bem mais gen&eacute;rica, sem avan&ccedil;os: &quot;a) Propor a cria&ccedil;&atilde;o de marco legal, nos termos do art. 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o (r&aacute;dio e televis&atilde;o) concedidos, permitidos ou autorizados&quot;. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Cabe perguntar, ent&atilde;o, se os meios de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o favor&aacute;veis a conte&uacute;dos que violem direitos humanos, j&aacute; que foram contr&aacute;rios a que esse fosse um crit&eacute;rio para outorga e renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es. Ou se acreditam que estabelecer os direitos humanos como crit&eacute;rio para ocupar um espa&ccedil;o que &eacute; p&uacute;blico &eacute; censura, pois foi isso que bradaram aos quatro ventos em seus ve&iacute;culos.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O segundo pecado do PNDH-3, na vis&atilde;o dos donos da m&iacute;dia, foi a a&ccedil;&atilde;o &ldquo;d) Elaborar crit&eacute;rios de acompanhamento editorial a fim de criar um ranking nacional de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o comprometidos com os princ&iacute;pios de Direitos Humanos, assim como os que cometem viola&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Essa a&ccedil;&atilde;o, que foi apagada da nova vers&atilde;o do Programa, simplesmente j&aacute; &eacute; executada desde 2002. <a href=\"http:\/\/www.eticanatv.org.br\" target=\"_blank\">A Campanha Quem Financia a Baixaria &eacute; Contra a Cidadania<\/a>, coordenada por entidades da sociedade civil em parceria com a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara, recebe den&uacute;ncias dos telespectadores e, a partir delas, faz um ranking para classificar os programas que incentivam o preconceito, a estereotipiza&ccedil;&atilde;o e a discrimina&ccedil;&atilde;o. Depois buscam sensibilizar anunciantes para que deixem de financiar esse tipo de conte&uacute;do. Logo, &eacute; dif&iacute;cil compreender porque os empres&aacute;rios da grande m&iacute;dia, mais uma vez, tacharam de censura esta forma de coibir viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos na m&iacute;dia.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Pela liberdade de express&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Na verdade, ao contr&aacute;rio do que dizem Abert, ANJ e Aner, o cerceamento &agrave; liberdade de imprensa ou de express&atilde;o est&aacute; longe de ser o problema de confer&ecirc;ncias e programas nacionais delas resultantes. O grande problema desses instrumentos de participa&ccedil;&atilde;o popular &eacute; que eles colocam o dedo na ferida das estruturas fundantes da desigualdade hist&oacute;rica em nosso pa&iacute;s. Neste caso, um dos mais not&oacute;rios problemas da democracia brasileira: os monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios de m&iacute;dia. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Para se ter uma ideia, as cinco principais redes de TV controlam 65% das emissoras (284 emissoras), s&atilde;o respons&aacute;veis por 82,5% da audi&ecirc;ncia nacional, e controlam 99,1% das verbas publicit&aacute;rias. A Globo, sozinha, tem 44,3% da audi&ecirc;ncia e 73,5% das verbas publicit&aacute;rias. Isso tudo apesar da expl&iacute;cita veda&ccedil;&atilde;o ao monop&oacute;lio dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o presente em nossa Carta Magna.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O monstro da censura, portanto, que esses empres&aacute;rios n&atilde;o querem acordar, &eacute; na verdade o monstro da democracia nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Democracia que s&oacute; pode ser exercida plenamente quando houver mecanismos que garantam a circula&ccedil;&atilde;o da pluralidade de ideias e da diversidade caracter&iacute;stica da sociedade brasileira na esfera p&uacute;blica midi&aacute;tica. Afinal, somente num espa&ccedil;o onde todos e todas tenham voz, os direitos humanos poder&atilde;o ser conhecidos, reconhecidos, protegidos, defendidos, reivindicados e efetivados.<\/p>\n<p>&Eacute; isso o que defendem o PNDH-3 em sua Diretriz 22 e todas as organiza&ccedil;&otilde;es, movimentos populares e defensores de direitos humanos organizados em torno da Campanha Nacional pela Integralidade e Implementa&ccedil;&atilde;o do PNDH-3. Esta &eacute; uma luta de todos e todas n&oacute;s.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>* Bia Barbosa e Carolina Ribeiro s&atilde;o jornalistas e integrantes do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ataque da m&iacute;dia comercial foi forte ao PNDH-3 e a todas tentativas de democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o feitas neste ano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24496"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24496\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}