{"id":24475,"date":"2010-05-27T17:20:01","date_gmt":"2010-05-27T17:20:01","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24475"},"modified":"2010-05-27T17:20:01","modified_gmt":"2010-05-27T17:20:01","slug":"analise-mostra-presenca-do-negro-na-publicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24475","title":{"rendered":"An\u00e1lise mostra presen\u00e7a do negro na publicidade"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Pesquisa da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes (ECA) da USP aponta o crescimento da presen&ccedil;a do negro na publicidade nos &uacute;ltimos anos, mas sem que houvesse grandes avan&ccedil;os na dire&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o mais positiva.&nbsp; O estudo do pesquisador&nbsp; Carlos Augusto de Miranda e Martins mostra que os negros ainda s&atilde;o associados a estere&oacute;tipos negativos surgidos no s&eacute;culo XIX, quando as teses do racismo cient&iacute;fico foram introduzidas no Brasil.<\/p>\n<p>Pesquisa da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes (ECA) da USP aponta o crescimento da presen&ccedil;a do negro na publicidade nos &uacute;ltimos anos, mas sem que houvesse grandes avan&ccedil;os na dire&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o mais positiva.&nbsp; O estudo do pesquisador&nbsp; Carlos Augusto de Miranda e Martins mostra que os negros ainda s&atilde;o associados a estere&oacute;tipos negativos surgidos no s&eacute;culo XIX, quando as teses do racismo cient&iacute;fico foram introduzidas no Brasil.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de identificar a participa&ccedil;&atilde;o dos negros na publicidade, a pesquisa investigou a origem hist&oacute;rica das formas de representa&ccedil;&atilde;o. Foram analisados an&uacute;ncios publicados na revista &ldquo;Veja&rdquo; entre 1985 e 2005. &ldquo;Houve uma mudan&ccedil;a quantitativa e qualitativa no per&iacute;odo&rdquo;, aponta Martins, formado em Hist&oacute;ria. &ldquo;A presen&ccedil;a do negro na publicidade aumentou de 3% em 1985, para 13% em 2005&rdquo;.<\/p>\n<p>Em termos qualitativos, houve mudan&ccedil;as nas representa&ccedil;&otilde;es mais comuns encontradas nos an&uacute;ncios. &ldquo;Perderam for&ccedil;a estere&oacute;tipos como o da mulata, ligado ao Carnaval, e o do negro primitivo, associado a uma vis&atilde;o idealizada da &Aacute;frica&rdquo;, conta o pesquisador. &ldquo;Outras representa&ccedil;&otilde;es, como a do negro artista, atleta ou carente social, cresceram no per&iacute;odo.&rdquo;<\/p>\n<p>Enquanto aconteceu um aumento de an&uacute;ncios neutros, houve poucos avan&ccedil;os no que diz respeito a pe&ccedil;as publicit&aacute;rias que valorizem o negro. &ldquo;Poucas vezes, eles aparecem em posi&ccedil;&otilde;es valorizadas ou de destaque como executivos, donos de neg&oacute;cios, professores ou jornalistas&rdquo;, aponta Martins. &ldquo;Ao mesmo tempo s&atilde;o comuns representa&ccedil;&otilde;es do negro como trabalhador bra&ccedil;al, tais como dom&eacute;stica, oper&aacute;rio, carregador, al&eacute;m dos estere&oacute;tipos j&aacute; mencionados.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Imagem<\/strong><\/p>\n<p>A origem da representa&ccedil;&atilde;o atual dos negros, n&atilde;o apenas na publicidade mas em toda a m&iacute;dia, remonta ao s&eacute;culo XIX. &ldquo;At&eacute; 1850 n&atilde;o se falava em ra&ccedil;a, e o negro poucas vezes era tema da literatura ou de trabalhos cient&iacute;ficos&rdquo;, diz o pesquisador. &ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o se modifica com a introdu&ccedil;&atilde;o do racismo cient&iacute;fico no Brasil, que leva a forma&ccedil;&atilde;o de uma imagem depreciativa, que chegou at&eacute; a produ&ccedil;&atilde;o cultural e aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Martins cita como exemplo o an&uacute;ncio de uma empresa de eletricidade, onde aparecem v&aacute;rios funcion&aacute;rios. &ldquo;Aqueles que aparecem de terno e gravata s&atilde;o todos brancos, enquanto o negro &eacute; um oper&aacute;rio de macac&atilde;o e capacete&rdquo;, relata. &ldquo;Fica a impress&atilde;o de que os cargos executivos na empresa est&atilde;o reservados exclusivamente para os brancos.&rdquo;<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, apesar de todas as a&ccedil;&otilde;es do movimento negro, dos intelectuais e do governo, ainda &eacute; t&iacute;mido o crescimento da participa&ccedil;&atilde;o do negro na publicidade brasileira. &ldquo;Ao mesmo tempo, embora diminua a presen&ccedil;a de alguns estere&oacute;tipos, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia de neutraliza&ccedil;&atilde;o da imagem, sem que haja crescimento do n&uacute;mero de an&uacute;ncios em que o negro &eacute; valorizado&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>A persist&ecirc;ncia de imagens do s&eacute;culo XIX tamb&eacute;m &eacute; ressaltada por Martins. &ldquo;O estere&oacute;tipo do atleta vem da valoriza&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a f&iacute;sica do negro, em preju&iacute;zo da intelig&ecirc;ncia&rdquo;, observa. &ldquo;A imagem do carente social est&aacute; diretamente ligada a quest&atilde;o da pobreza, a ideia de que o negro n&atilde;o conseguiria sobreviver sem ajuda do branco, um dos argumentos utilizados para justificar a escravid&atilde;o.&rdquo; A pesquisa, descrita na disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado &rdquo;Racismo anunciado: o negro e a publicidade no Brasil (1985-2005)&rdquo;,&nbsp; teve orienta&ccedil;&atilde;o da professora Solange Martins Couceiro, da ECA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes (ECA) da USP aponta o crescimento da presen&ccedil;a do negro na publicidade nos &uacute;ltimos anos, mas sem que houvesse grandes avan&ccedil;os na dire&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o mais positiva.&nbsp; O estudo do pesquisador&nbsp; Carlos Augusto de Miranda e Martins mostra que os negros ainda s&atilde;o associados a estere&oacute;tipos negativos &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24475\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">An\u00e1lise mostra presen\u00e7a do negro na publicidade<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1336],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24475"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}