{"id":24437,"date":"2010-05-20T17:47:21","date_gmt":"2010-05-20T17:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24437"},"modified":"2010-05-20T17:47:21","modified_gmt":"2010-05-20T17:47:21","slug":"consulta-publica-para-revisao-de-lei-comeca-em-junho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24437","title":{"rendered":"Consulta p\u00fablica para revis\u00e3o de lei come\u00e7a em junho"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Depois de alguns adiamentos, o governo federal deve finalmente divulgar para a sociedade sua proposta de anteprojeto para revis&atilde;o da Lei 9.610\/98, que regula os direitos autorais no pa&iacute;s. Segundo o diretor de Direitos Intelectuais do Minist&eacute;rio da Cultura (MinC), Marcos Alves de Souza, a consulta p&uacute;blica deve come&ccedil;ar na primeira quinzena de junho deste ano. Ele afirma que est&aacute; sendo preparado um evento para a ocasi&atilde;o que, a princ&iacute;pio, vai acontecer no dia 14. O texto vai ficar dispon&iacute;vel no endere&ccedil;o do <a href=\"http:\/\/culturadigital.br\" target=\"_blank\">F&oacute;rum da Cultura Digital Brasileira<\/a>. <\/p>\n<p>O governo pretende adotar um procedimento parecido com o que fez com a reforma da Lei Rouanet e a cria&ccedil;&atilde;o do Marco Civil da Internet. Depois de cerca de um m&ecirc;s e meio (45 dias) em consulta, o anteprojeto com as altera&ccedil;&otilde;es na Lei de Direito Autoral deve ficar mais alguns dias para sistematiza&ccedil;&atilde;o dentro do Executivo para seguir para an&aacute;lise do Congresso Nacional. <\/p>\n<p>A proposta de revis&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o do direito autoral no pa&iacute;s veio do entendimento do governo e da sociedade de que a atual lei &eacute; uma das mais restritivas do mundo. Ela considera crime, por exemplo, que um professor utilize um filme em sala de aula sem a permiss&atilde;o do titular da obra ou que uma turma apresente uma pe&ccedil;a teatral fora dos muros da escola tamb&eacute;m sem a permiss&atilde;o da pessoa que tem o direito sobre a obra. Esse s&atilde;o casos que o governo considera abusivos e por isso deve se empenhar em corrigir. <\/p>\n<p><strong>Processo<\/strong><\/p>\n<p>O governo come&ccedil;ou a discutir as mudan&ccedil;as legais sobre o tema h&aacute; quatro anos. Segundo o MinC, foram realizados oito amplos f&oacute;runs e mais de 80 reuni&otilde;es setoriais desde ent&atilde;o. Apesar de entenderem a complexidade da quest&atilde;o, organiza&ccedil;&otilde;es sociais acreditam que a discuss&atilde;o est&aacute; madura e a consulta deve ser disponibilizada o mais breve poss&iacute;vel. <\/p>\n<p>Em carta rec&eacute;m divulgada, dezenove entidades cobram agilidade do ministro da Cultura, Juca Ferreira. &ldquo;Toda e qualquer posterga&ccedil;&atilde;o nesse momento pode colocar em risco o esfor&ccedil;o herc&uacute;leo empreendido pelo Minist&eacute;rio da Cultura, o governo, e os setores da sociedade envolvidos na constru&ccedil;&atilde;o dessa nova proposta ao longo dos &uacute;ltimos quatro anos. &Eacute; p&uacute;blico e not&oacute;rio que nos pr&oacute;ximos meses o pa&iacute;s estar&aacute; imerso em atividades e debate p&uacute;blico relacionados &agrave; Copa do Mundo e &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es&rdquo;, diz o documento. <\/p>\n<p>Apesar da cobran&ccedil;a, o tom da carta reflete uma vis&atilde;o positiva de parte da sociedade interessada no tema pelas posi&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio da Cultura que j&aacute; se tornaram p&uacute;blicas. &ldquo;A expectativa &eacute; otimista. Se realmente vai ser um projeto de lei bom, s&oacute; vendo&rdquo;, afirma Luiz Moncau, pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas do Rio de Janeiro. <\/p>\n<p>O integrante do movimento M&uacute;sica Para Baixar e do grupo Teatro M&aacute;gico Gustavo Anitelli avalia que a falta de uma proposta concreta de anteprojeto est&aacute; fazendo com que a mobiliza&ccedil;&atilde;o social fique em baixa. Enquanto isso, ele lembra, os setores que lucram com os direitos autorais come&ccedil;aram a disparar contra a ideia da revis&atilde;o da Lei 9.610\/98. Para ele, a demora nesse processo pode estar sendo gerada pela press&atilde;o de lobistas dentro do governo.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Anitelli &eacute; um dos que acredita que &eacute; importante agilizar o processo porque o Brasil reuniria condi&ccedil;&otilde;es de aprovar uma lei avan&ccedil;ada sobre o tema. Na &aacute;rea da m&uacute;sica, por exemplo, existem modifica&ccedil;&otilde;es importantes previstas. &ldquo;A pr&oacute;pria delimita&ccedil;&atilde;o de contrato &eacute; interessante. Temos colegas, como o Nei Lisboa, que tem oito de seus discos que n&atilde;o podem ser lan&ccedil;ados porque a gravadora n&atilde;o tem interesse, e ele n&atilde;o tem direito de comprar e relan&ccedil;ar esses discos&rdquo;, cita. A proposta do governo &eacute; que o contrato seja de, no m&aacute;ximo, cinco anos com os autores. <\/p>\n<p><strong>C&oacute;pias<\/strong><\/p>\n<p>O anteprojeto que vem sendo desenhado at&eacute; agora tem v&aacute;rios pontos que possuem ades&atilde;o da sociedade. Um deles &eacute; a possibilidade de permitir que as pessoas fa&ccedil;am c&oacute;pias de obras, como textos, fotos e m&uacute;sicas, para uso privado e sem fins lucrativos. Isso permite, por exemplo, que uma pessoa copie um CD que comprou para escutar no carro. A lei atualmente &eacute; subjetiva em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; c&oacute;pia privada. Ela autoriza apenas &ldquo;pequenos trechos de obras&rdquo;, n&atilde;o especificando nada mais do que isso. <\/p>\n<p>A proposta tamb&eacute;m busca autorizar a livre c&oacute;pia de um suporte para outro (de um CD para um iPod, por exemplo). E ainda torna legal que qualquer obra possa ser copiada para fins de preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural. <\/p>\n<p>Assim tamb&eacute;m est&aacute; sendo recebida positivamente a ideia do governo de supervisionar entidades que arrecadam direitos autorais no pa&iacute;s. Na m&uacute;sica, por exemplo, isso &eacute; feito pelo monop&oacute;lio do Escrit&oacute;rio de Arrecada&ccedil;&atilde;o e Distribui&ccedil;&atilde;o de Direitos Autorais (Ecad), que recebe muitas cr&iacute;ticas dos artistas sobre seu modo de atua&ccedil;&atilde;o. Ainda est&aacute; em estudo se a fiscaliza&ccedil;&atilde;o ser&aacute; feita por um novo &oacute;rg&atilde;o estatal ou por algum j&aacute; existente no governo. <\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; um relativo consenso de que a melhor forma de atua&ccedil;&atilde;o dessas entidades &eacute; atrav&eacute;s de um monop&oacute;lio. Por&eacute;m, ao contr&aacute;rio do que ocorre nos resto do mundo, as entidades de gest&atilde;o coletiva no Brasil n&atilde;o est&atilde;o sujeitas a nenhum tipo de tutela administrativa, de supervis&atilde;o externa de suas atividades, o que &eacute; praxe em qualquer atividade exercida em forma de monop&oacute;lio&rdquo;, diz o Minist&eacute;rio da Cultura, em um texto em seu site.<\/p>\n<p><strong>Pol&ecirc;micas<\/strong><\/p>\n<p>Algumas outras quest&otilde;es, por&eacute;m, devem gerar mais pol&ecirc;micas entre o governo e a sociedade civil. Uma delas &eacute; a possibilidade de se criar uma taxa a ser paga por c&oacute;pias impressas, como textos de livros. Marcos de Souza, do MinC, confirma que existe mesmo essa inten&ccedil;&atilde;o. Ele avalia ser uma iniciativa correta porque trata-se, neste caso, de uma atividade que envolve na maioria das vezes uma transa&ccedil;&atilde;o comercial explorada por donos de m&aacute;quinas de xerox. Logo, segundo Souza, seria justo que parte desse ganho fosse revertido aos titulares das obras copiadas. <\/p>\n<p>Essa taxa poder&aacute; ser paga pelo dono das m&aacute;quinas de reprografia ou repassada ao consumidor, aumentando o valor das c&oacute;pias. Por&eacute;m, o Minist&eacute;rio da Cultura avalia que esse aumento seria pequeno, de at&eacute; R$ 0,03. A proposta &eacute; que essa quantia arrecadada seja gerenciada por uma entidade que re&uacute;na as editoras e os autores das obras. &ldquo;Queremos que pelo menos 50% seja destinado ao autor&rdquo;, explica Marcos de Souza. <\/p>\n<p>Alguns interessados no tema defendem que essa taxa pode onerar desnecessariamente o estudante que faz uso de fotoc&oacute;pias simplesmente porque n&atilde;o tem os meios econ&ocirc;micos para adquirir livros ou ent&atilde;o porque alguns livros est&atilde;o esgotados no mercado.<\/p>\n<p><strong>Jab&aacute;<\/strong><\/p>\n<p>A proposta de revis&atilde;o da Lei de Direitos Autorais pretende tamb&eacute;m coibir o jab&aacute; no pa&iacute;s, pr&aacute;tica comum em que gravadoras ou empres&aacute;rios pagam para seus artistas terem suas m&uacute;sicas executadas em r&aacute;dios ou emissoras de televis&atilde;o. <\/p>\n<p>Para Gustavo Anitelli essa seria uma a&ccedil;&atilde;o importante j&aacute; que o jab&aacute; serve para excluir parte importante da cultura brasileira. Ele cita, por exemplo, um estilo de m&uacute;sica e comportamento muito popularizado nos Estados Unidos que veio parar no Brasil nos &uacute;ltimos anos por influ&ecirc;ncia do jab&aacute;: o emocore (abrevia&ccedil;&atilde;o do ingl&ecirc;s emotional hardcore). &ldquo;Coloniza a nossa juventude dessa forma, dialogando com uma realidade que n&atilde;o tem nada a ver com a nossa&rdquo;, critica Anitelli. <\/p>\n<p>Por&eacute;m, o integrante do movimento M&uacute;sica Para Baixar ainda n&atilde;o viu na proposta estudada pelo MinC nada mais incisivo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica do jab&aacute;. &ldquo;A lei n&atilde;o discute mecanismos de puni&ccedil;&atilde;o para quem pratica o jab&aacute;. A lei serve pra falar que &eacute; feio e isso &eacute; uma derrota&rdquo;, opina Anitelli. Para ele poderiam ser pensadas a&ccedil;&otilde;es como a limita&ccedil;&atilde;o da quantidade de vezes que uma m&uacute;sica toca em uma r&aacute;dio, a puni&ccedil;&atilde;o para quem pratica o jab&aacute; e at&eacute; a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o de meios de comunica&ccedil;&atilde;o que aceitem essa irregularidade.<\/p>\n<p>Por sua vez, o respons&aacute;vel pelo andamento da revis&atilde;o da lei no Minist&eacute;rio diz que est&atilde;o sim sendo previstas san&ccedil;&otilde;es civis para quem usa de tal m&eacute;todo para emplacar sua arte. Elas iriam de multas a indeniza&ccedil;&otilde;es. Marcos de Souza s&oacute; ressalta que n&atilde;o se pode aplicar penas mais graves porque a lei n&atilde;o ir&aacute; atuar no campo penal. <\/p>\n<p>Sobre n&atilde;o ter colocado o anteprojeto em consulta antes, ele diz que um dos motivos tem sido a complexidade do projeto e os interesses que ele envolve. &ldquo;A constru&ccedil;&atilde;o demanda escutar todo mundo&rdquo;, explica Souza. Al&eacute;m disso, ele cita tamb&eacute;m a agenda do pr&oacute;prio MinC, que privilegiou encaminhar aos deputados projetos sobre outros assuntos. <\/p>\n<p><strong>*************<br \/>Saiba mais<br \/><\/strong><br \/>&#8211; Os Direitos Autorais s&atilde;o um conjunto de normas legais e prerrogativas morais e patrimoniais (econ&ocirc;micas) sobre as cria&ccedil;&otilde;es do esp&iacute;rito, expressas por quaisquer meios ou fixadas em quaisquer suportes, tang&iacute;veis ou intang&iacute;veis.<\/p>\n<p>&#8211; Os direitos autorais somente protegem as obras liter&aacute;rias, art&iacute;sticas e cient&iacute;ficas. O registro da obra depende da natureza dela e n&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;rio, uma vez que a obra est&aacute; protegida desde a sua cria&ccedil;&atilde;o. Entre os beneficiados pelos direitos autorais, est&atilde;o os compositores, m&uacute;sicos, escritores, tradutores, cineastas, arquitetos, escultores, pintores etc.<\/p>\n<p>&#8211; J&aacute; outros tipos de obras e inven&ccedil;&otilde;es, como programas de computador, por exemplo, embora estejam sob a prote&ccedil;&atilde;o do direito autoral, s&atilde;o regulados pela Lei n&ordm; 9.609\/98 e sua pol&iacute;tica est&aacute; a cargo do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT).  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Depois de 4 anos de discuss&atilde;o, governo pretende apresentar propostas de modifica&ccedil;&atilde;o na Lei de Direito Autoral em evento no dia 14 de junho <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[141],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24437"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24437\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}