{"id":24435,"date":"2010-05-20T16:34:20","date_gmt":"2010-05-20T16:34:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24435"},"modified":"2010-05-20T16:34:20","modified_gmt":"2010-05-20T16:34:20","slug":"justica-condena-telefonica-a-devolver-em-dobro-assinatura-basica-cobrada-nos-ultimos-10-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24435","title":{"rendered":"Justi\u00e7a condena Telef\u00f4nica a devolver em dobro assinatura b\u00e1sica cobrada nos \u00faltimos 10 anos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A ju&iacute;za Maria L&uacute;cia Pizzotti Mendes, da 32&ordf; Vara C&iacute;vel de S&atilde;o Paulo, condenou a Telef&ocirc;nica a ressarcir todos os seus clientes pelos valores cobrados nos &uacute;ltimos 10 anos como &quot;assinatura b&aacute;sica&quot;. A senten&ccedil;a, de m&eacute;rito, deu ganho de causa &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor (Anadec), que contesta judicialmente a legalidade da cobran&ccedil;a da assinatura b&aacute;sica desde 2004. Pela decis&atilde;o, assinada em 19 de abril, a Telef&ocirc;nica ter&aacute; que devolver em dobro todas as assinaturas pagas por seus clientes na &uacute;ltima d&eacute;cada, corrigidas a partir da data de cada pagamento mensal e acrescidas de juros de 1% a contar do momento da cita&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a. <\/p>\n<p>Ao condenar a concession&aacute;ria, a ju&iacute;za Maria L&uacute;cia concluiu que a assinatura b&aacute;sica &eacute; abusiva, pois configura uma cobran&ccedil;a dupla pelo servi&ccedil;o prestado. O entendimento &eacute; que, ao cobrar por cada liga&ccedil;&atilde;o individualmente na forma de pulso ou minuto, n&atilde;o h&aacute; justificativa para que o consumidor tamb&eacute;m seja obrigado a pagar mensalmente uma taxa para a utiliza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, no caso, a assinatura. <\/p>\n<p>&quot;A assinatura n&atilde;o &eacute; servi&ccedil;o, ou seja, ter a assinatura n&atilde;o representa servi&ccedil;o prestado, j&aacute; que est&aacute; embutido no custo da liga&ccedil;&atilde;o telef&ocirc;nica, j&aacute; significativamente cobrada no aspecto de custeio, o valor da manuten&ccedil;&atilde;o da linha pela operadora r&eacute;. Por isso, assinatura, n&atilde;o sendo servi&ccedil;o, n&atilde;o poder&aacute; contar com cobran&ccedil;a espec&iacute;fica&quot;, argumenta a ju&iacute;za em sua senten&ccedil;a. <\/p>\n<p>A Telef&ocirc;nica argumentou no processo que a assinatura corresponderia, sim, a um servi&ccedil;o prestado. O servi&ccedil;o seria o de o consumidor ter &quot;sua linha &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o, ininterruptamente&quot; e, assim, poder receber chamadas. Em sua argumenta&ccedil;&atilde;o, a ju&iacute;za reservou espa&ccedil;o para rebater esse argumento, alegando que isso deixa clara a cobran&ccedil;a em duplicidade. &quot;O servi&ccedil;o de telefonia depende, por &oacute;bvio, da participa&ccedil;&atilde;o de ao menos dois consumidores para que a liga&ccedil;&atilde;o telef&ocirc;nica se estabele&ccedil;a; e, em assim o sendo, uma delas, a que fez a liga&ccedil;&atilde;o, pagar&aacute; pelo servi&ccedil;o atrav&eacute;s da cobran&ccedil;a dos pulsos efetivada pela r&eacute;. Por isso, tamb&eacute;m sob esta &oacute;tica, cobrar-se de quem faz e de quem recebe a liga&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m bis in idem&quot;, ou seja, cobran&ccedil;a em duplicidade e, por isso, indevida, conclui a ju&iacute;za da a&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>Controv&eacute;rsias<\/strong> <\/p>\n<p>A a&ccedil;&atilde;o em quest&atilde;o teve a sua an&aacute;lise de m&eacute;rito antecipada, conforme solicitado pela Anadec, ap&oacute;s a mesma vara ter concedido liminar suspendendo a cobran&ccedil;a da assinatura em S&atilde;o Paulo. O julgamento antecipado pode ser pedido por qualquer parte quando os interessados entendem que as informa&ccedil;&otilde;es prestadas s&atilde;o suficientes para que a Justi&ccedil;a forme seu entendimento sobre o assunto. <\/p>\n<p><strong>Precedente<\/strong> <\/p>\n<p>Antes de emitir a senten&ccedil;a, a ju&iacute;za Maria L&uacute;cia tentou uma concilia&ccedil;&atilde;o entre a Anadec e a Telef&ocirc;nica, mas o acordo fracassou de acordo com o relat&oacute;rio. A decis&atilde;o de m&eacute;rito da 32&ordf; Vara C&iacute;vel poder&aacute; marcar uma nova etapa em torno da controv&eacute;rsia sobre a legalidade da cobran&ccedil;a da assinatura b&aacute;sica pelas empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Isso porque, &agrave; primeira vista, a decis&atilde;o em primeira inst&acirc;ncia choca-se com a s&uacute;mula do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) que considerou leg&iacute;tima a cobran&ccedil;a mensal do servi&ccedil;o com base na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT). Acontece que a senten&ccedil;a da ju&iacute;za Maria L&uacute;cia conta com o apoio de outras duas decis&otilde;es do Judici&aacute;rio. <\/p>\n<p>A primeira &eacute; que o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, ao analisar conflito de compet&ecirc;ncia para julgar as a&ccedil;&otilde;es sobre a assinatura b&aacute;sica, que essas causas t&ecirc;m natureza de consumo e, portanto, podem ser decididas at&eacute; mesmo por juizados especiais. Al&eacute;m disso, o Tribunal Regional Federal da 3&ordf; Regi&atilde;o (TRF3) determinou a transfer&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica em quest&atilde;o da 9&ordf; para a 32&ordf; Vara, entendendo que esta &uacute;ltima &eacute; quem tinha a compet&ecirc;ncia para julgar o assunto por ter sido a primeira a receber um processo desse tipo. <\/p>\n<p>Por essas duas decis&otilde;es, a ju&iacute;za Maria L&uacute;cia teria a compet&ecirc;ncia atribu&iacute;da para julgar o assunto como uma causa consumerista, ou seja, com base no C&oacute;digo de Defesa do Consumidor (CDC), e n&atilde;o pela LGT. E assim, seria leg&iacute;timo, em princ&iacute;pio, o entendimento de que a assinatura b&aacute;sica &eacute; abusiva e ilegal sob a &oacute;tica do CDC, apesar de existir uma s&uacute;mula do STJ dizendo que a cobran&ccedil;a &eacute; v&aacute;lida. <\/p>\n<p>A decis&atilde;o evidencia, no entanto, a controv&eacute;rsia que por enquanto estava apenas no campo da teoria: se deve ser considerada a LGT ou o CDC nas an&aacute;lises das a&ccedil;&otilde;es contra a assinatura b&aacute;sica. E, al&eacute;m disso, se vale o entendimento do STJ ou do STF sobre a quest&atilde;o. A concession&aacute;ria ainda pode recorrer da decis&atilde;o no TRF.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ju&iacute;za Maria L&uacute;cia Pizzotti Mendes, da 32&ordf; Vara C&iacute;vel de S&atilde;o Paulo, condenou a Telef&ocirc;nica a ressarcir todos os seus clientes pelos valores cobrados nos &uacute;ltimos 10 anos como &quot;assinatura b&aacute;sica&quot;. 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