{"id":24415,"date":"2010-05-17T17:27:09","date_gmt":"2010-05-17T17:27:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24415"},"modified":"2010-05-17T17:27:09","modified_gmt":"2010-05-17T17:27:09","slug":"a-magica-da-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24415","title":{"rendered":"A m\u00e1gica da TV"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O Brasil &eacute; um dos poucos grandes pa&iacute;ses do mundo cuja TV n&atilde;o apresenta sequer um programa de debates pol&iacute;ticos em suas redes nacionais. Continuamos seguindo o modelo descrito por Bourdieu: uma TV que mostra o irrelevante para esconder o que interessa.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A meu ver, quem melhor definiu a manipula&ccedil;&atilde;o televisiva foi o soci&oacute;logo franc&ecirc;s Pierre Bourdieu. Ele a comparou ao m&aacute;gico que, no palco, chama aten&ccedil;&atilde;o para uma de suas m&atilde;os agitando um len&ccedil;o enquanto com a outra, disfar&ccedil;adamente, tira as moedas (ou a pomba) da manga. A TV, para ele, faz a mesma coisa. Destaca o sup&eacute;rfluo para esconder o essencial. Isso &eacute; todo dia. Mas, no Brasil, quando tem sele&ccedil;&atilde;o de futebol no meio chega as raias do insuport&aacute;vel. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Na &uacute;ltima semana, a entrevista do t&eacute;cnico Dunga contando as raz&otilde;es que o levaram a chamar este ou aquele jogador para a sele&ccedil;&atilde;o ocupou horas e horas das diversas programa&ccedil;&otilde;es. Sem falar nos coment&aacute;rios abalizados dos diversos especialistas. N&atilde;o que num pa&iacute;s como nosso a convoca&ccedil;&atilde;o do escrete n&atilde;o seja importante. Mas tudo deveria ter um certo limite. Afinal quanta coisa muito mais relevante para sociedade n&atilde;o poderia estar sendo mostrada naqueles hor&aacute;rios, sem que o p&uacute;blico deixasse de saber quais os craques que ir&atilde;o representar o Brasil na &Aacute;frica do Sul. Dou um exemplo.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Manh&atilde; de quarta-feira, 12 de maio. Na Esplanada dos Minist&eacute;rios, em Bras&iacute;lia, milhares de trabalhadores rurais vindos de todos os cantos do pa&iacute;s se re&uacute;nem para dar in&iacute;cio &agrave; 16a. edi&ccedil;&atilde;o do Grito da Terra Brasil, organizado pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Em seguida fazem um protesto contra a bancada ruralista em frente ao Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio e encaminham uma pauta com mais de duzentas reivindica&ccedil;&otilde;es ao presidente Lula. &Agrave; tarde se concentram em frente ao Minist&eacute;rio do Trabalho e depois v&atilde;o ao Congresso Nacional, onde encerram a manifesta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Na pauta dos trabalhadores rurais est&aacute; o combate ao trabalho escravo e a revis&atilde;o do C&oacute;digo Florestal que permite o uso do FGTS para compra de im&oacute;veis rurais. &Agrave; noite o Jornal Nacional, o &uacute;nico informativo da maioria da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, dedicou exatos 15 segundos ao assunto. O seu apresentador disse o seguinte: &ldquo;Trabalhadores rurais foram hoje a Bras&iacute;lia para a Manifesta&ccedil;&atilde;o do Grito da Terra. Na Esplanada dos Minist&eacute;rios, eles pediram mais recursos para a agricultura familiar e a reforma agr&aacute;ria. Foram recebidos pelo presidente Lula, que prometeu mais dinheiro para o setor&rdquo;. E s&oacute;. Nada sobre os ruralistas, o trabalho escravo e o C&oacute;digo Florestal. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Um dia antes, no mesmo jornal, o t&eacute;cnico Dunga sentou-se na bancada, ao lado dos apresentadores, e discorreu sobre suas decis&otilde;es por nada menos do que seis minutos e 54 segundos. E para os dias seguintes eram prometidas reportagens especiais com cada um dos 23 jogadores por ele convocados. O sup&eacute;rfluo &ndash; a m&atilde;o que balan&ccedil;a o len&ccedil;o &ndash; segue firme no ar, com o futebol recebendo generosos espa&ccedil;os para longas entrevistas, amplas discuss&otilde;es e an&aacute;lises aprofundadas, acompanhadas de replays, tira-teimas, gr&aacute;ficos e alentadas estat&iacute;sticas. Voc&ecirc; j&aacute; imaginou o que seria deste pa&iacute;s se todo esse empenho fosse dedicado tamb&eacute;m ao essencial? Se o Grito da Terra Brasil servisse de gancho (como se diz no jarg&atilde;o jornal&iacute;stico) para an&aacute;lises da quest&atilde;o fundi&aacute;ria com o mesmo tempo e a mesma tecnologia destinadas ao futebol? <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O Brasil &eacute; um dos poucos grandes pa&iacute;ses do mundo (em tamanho e import&acirc;ncia pol&iacute;tica) cuja televis&atilde;o n&atilde;o apresenta sequer um programa de debates pol&iacute;ticos em suas redes nacionais. H&aacute; algumas entrevistas, poucas e mal ajambradas do tipo Roda Viva e Canal Livre. Debate que &eacute; bom, nada. Continuamos seguindo direitinho o modelo descrito por Bourdieu: uma televis&atilde;o que esconde, mostrando. Mostra o irrelevante para esconder o que interessa.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">*<em>Laurindo Lalo Leal Filho, soci&oacute;logo e jornalista, &eacute; professor de Jornalismo da ECA-USP. &Eacute; autor, entre outros, de &ldquo;A TV sob controle &ndash; A resposta da sociedade ao poder da televis&atilde;o&rdquo; (Summus Editorial).<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p> <span class=\"padrao\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O essencial passa desapercebido pela televis&atilde;o, e o sup&eacute;rfluo tem ganhado import&acirc;ncia nas programa&ccedil;&otilde;es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[144],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24415"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24415\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}