{"id":24413,"date":"2010-05-17T17:07:01","date_gmt":"2010-05-17T17:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24413"},"modified":"2010-05-17T17:07:01","modified_gmt":"2010-05-17T17:07:01","slug":"so-14-dos-delitos-virtuais-ocorrem-em-lan-house","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24413","title":{"rendered":"S\u00f3 14% dos delitos virtuais ocorrem em lan house"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Metade dos usu&aacute;rios brasileiros acessa a internet nos chamados centros de inclus&atilde;o digital, as lan houses. Ao contr&aacute;rio do que se imagina, o &iacute;ndice de delitos virtuais que ocorrem nesses estabelecimentos &eacute; baixo. 86% dos il&iacute;citos de internet acontecem em computadores particulares, em casa ou no trabalho. Com essa informa&ccedil;&atilde;o, o secret&aacute;rio de Assuntos Legislativo do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, Felipe de Paula, explicou porque o anteprojeto do marco civil da internet no Brasil n&atilde;o se preocupa com o monitoramento dos conte&uacute;dos a partir das lan houses. O texto se dirige aos provedores.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Felipe de Paula foi um dos palestrantes do Semin&aacute;rio Marco Civil da Internet no Brasil, promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito P&uacute;blico, nesta quinta-feira (13\/5) . O secret&aacute;rio explicou que as lan houses n&atilde;o foram tratadas no anteprojeto que est&aacute; em discuss&atilde;o p&uacute;blica. Os provedores de internet &eacute; que dever&atilde;o expor com clareza se guardam ou n&atilde;o as informa&ccedil;&otilde;es cadastrais dos usu&aacute;rios e o destino dessas informa&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Para utiliza&ccedil;&atilde;o desses dados, &eacute; preciso o consentimento expresso do usu&aacute;rio&rdquo;, explicou. J&aacute; o provedor de acesso dever&aacute; guardar os logs (dados do usu&aacute;rio) por seis meses. Todas essas propostas ainda est&atilde;o em discuss&atilde;o e as maiores pol&ecirc;micas s&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; responsabiliza&ccedil;&atilde;o por conte&uacute;dos gerados por terceiros.&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Marco Civil<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A internet se desenvolveu pela criatividade de profissionais de v&aacute;rias atividades e se expandiu rapidamente, sem controle. O marco civil surgiu da necessidade de se estabelecer regras para uso e explora&ccedil;&atilde;o comercial do setor. No Brasil n&atilde;o h&aacute; regras claras sobre direitos e deveres do usu&aacute;rio, do provedor e de quem trabalha com internet. Segundo o secret&aacute;rio do MJ, a falta de leis espec&iacute;ficas resulta em decis&otilde;es judiciais conflitantes entre si e com a pr&oacute;pria natureza da internet. &ldquo;&Eacute; preciso trazer o Direito &agrave; internet, proporcionar seguran&ccedil;a jur&iacute;dica com respeito &agrave;s caracter&iacute;sticas da rede, que s&atilde;o de privacidade e liberdade de express&atilde;o&rdquo;, disse. O Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a percebeu a necessidade de elaborar uma regula&ccedil;&atilde;o com base na realidade brasileira e se prop&ocirc;s a conduzir um debate p&uacute;blico a partir de contribui&ccedil;&otilde;es e textos divulgados na pr&oacute;pria internet.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A minuta de anteprojeto do marco civil foi apresentada pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a em abril. A p&aacute;gina (<a href=\"http:\/\/culturadigital.br\/marcocivil\/\" target=\"_blank\">http:\/\/culturadigital.br\/marcocivil<\/a>) recebeu mais de 35 mil acessos, com 750 coment&aacute;rios. O texto, ainda em discuss&atilde;o, est&aacute; estruturado em cinco cap&iacute;tulos. Nas disposi&ccedil;&otilde;es preliminares constam os conceitos e as caracter&iacute;sticas da internet, os direitos b&aacute;sicos e a sinaliza&ccedil;&atilde;o de respeito aos direitos fundamentais. O cap&iacute;tulo II exp&otilde;e os direitos e garantias dos usu&aacute;rios, tais como sigilo na comunica&ccedil;&atilde;o, privacidade e liberdade. O capitulo III &eacute; o mais discutido, estabelece regras de conex&atilde;o e de servi&ccedil;os, com proibi&ccedil;&otilde;es e responsabiliza&ccedil;&atilde;o para danos causados aos conte&uacute;dos. O papel do estado na garantia ao direito de uso da internet encontra-se no cap&iacute;tulo IV, onde constam as diretrizes para o poder p&uacute;blico atuar no desenvolvimento da rede em favor da educa&ccedil;&atilde;o, divers&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o e tecnologia. E as disposi&ccedil;&otilde;es finais est&atilde;o sendo colocadas no cap&iacute;tulo V.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Pontos pol&ecirc;micos<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A guarda de logs, a remo&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos gerados por terceiros e o conflito entre a liberdade de express&atilde;o e o anonimato s&atilde;o os pontos mais pol&ecirc;micos do anteprojeto. Para o secret&aacute;rio Felipe de Paula, &ldquo;esses pontos precisam ser mais debatidos para se chegar ao melhor texto poss&iacute;vel&rdquo;. Tamb&eacute;m precisam receber mais subs&iacute;dios, os artigos que tratam de requisi&ccedil;&atilde;o oficial de registros, as diretrizes para o desenvolvimento da internet, as exig&ecirc;ncias aos sites do poder p&uacute;blico e a capacita&ccedil;&atilde;o da sociedade para a utiliza&ccedil;&atilde;o da rede.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">&ldquo;O tema mais pol&ecirc;mico &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre o marco civil e a vis&atilde;o penal da internet&rdquo;, disse o secret&aacute;rio do MJ. A discuss&atilde;o gira em torno da obrigatoriedade de guarda de logs, o monitoramento dos acessos que cada usu&aacute;rio faz ao navegar pela internet. A proposta atual &eacute; que a exig&ecirc;ncia seja feita apenas ao provedor de acesso, que dever&aacute; arquivar por seis meses as informa&ccedil;&otilde;es de tempo de perman&ecirc;ncia e sites acessados de cada computador. &ldquo;H&aacute; quem entenda que isso seja uma viol&ecirc;ncia, pois a internet seria um espa&ccedil;o livre, mas h&aacute; entendimentos de que essas informa&ccedil;&otilde;es sejam importantes para a persecu&ccedil;&atilde;o penal e a responsabiliza&ccedil;&atilde;o civil&rdquo;, explicou. Sem identificar o usu&aacute;rio, os dados armazenados indicariam de qual computador surgiu determinado conte&uacute;do gerado por terceiro. Na pr&aacute;tica, a guarda de logs j&aacute; &eacute; feita pelos provedores durante seis meses, mas o secret&aacute;rio disse que esse tempo pode ser ampliado se houver indica&ccedil;&atilde;o para isso.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">D&uacute;vidas tamb&eacute;m surgem na discuss&atilde;o sobre a liberdade de express&atilde;o e o anonimato. Felipe de Paula explicou que o anonimato do usu&aacute;rio durante a navega&ccedil;&atilde;o &eacute; garantido. O anonimato que se discute no anteprojeto &eacute; relativo ao usu&aacute;rio interessado em manifestar-se, em exercer sua liberdade de express&atilde;o. &ldquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o garante a liberdade de express&atilde;o, mas veda o anonimato e n&oacute;s precisamos discutir como aquele que posta conte&uacute;do na internet vai responder por isso&rdquo;, explicou. O limite desse debate &eacute; como essa responsabiliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o atingiria o provedor. J&aacute; houve caso de um blogueiro que foi condenado a pagar indeniza&ccedil;&atilde;o devido a um coment&aacute;rio feito por terceiro. &ldquo;Se isso for a regra, vamos impedir o uso da internet, ningu&eacute;m tem condi&ccedil;&otilde;es de manter um blog e pagar indeniza&ccedil;&otilde;es por coment&aacute;rios de terceiros&rdquo;, ressaltou o secret&aacute;rio. Para ele, &eacute; preciso pensar num mecanismo correto para responsabilizar diretamente aquele que posta conte&uacute;do na rede.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Os conte&uacute;dos gerados por terceiros, sobretudo os coment&aacute;rios, tamb&eacute;m trazem dificuldade para os provedores com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; guarda de informa&ccedil;&otilde;es. De acordo com Felipe, as decis&otilde;es judiciais s&atilde;o diversas, algumas responsabilizando o terceiro, outras o provedor e at&eacute; a responsabiliza&ccedil;&atilde;o de ambos. Para ele, &ldquo;h&aacute; decis&otilde;es judiciais que nem fazem sentido, como retirar da rede todo o conte&uacute;do do Youtube, que recebe quase 30 horas de v&iacute;deo por minuto, impedindo o acesso de todos os usu&aacute;rios interessados, devido &agrave; exist&ecirc;ncia de apenas um v&iacute;deo de poucos segundos nesse site, violando a honra e a vida privada de uma pessoa&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">No debate sobre esse tema, foi rejeitada a proposta de obrigatoriedade do provedor alertar o terceiro sobre o car&aacute;ter ofensivo do conte&uacute;do, indicando a necessidade de retirada do mesmo. Os provedores n&atilde;o querem ter essa responsabilidade. A proposta atual aponta para um modelo de remo&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do apenas com ordem judicial, mas isso traz &agrave; tona uma quest&atilde;o importante, a judicializa&ccedil;&atilde;o dos milhares de problemas que surgem sobre o assunto. &ldquo;Seria uma prote&ccedil;&atilde;o forte &agrave; liberdade de express&atilde;o, mas &eacute; preciso prever uma solu&ccedil;&atilde;o extrajudicial para favorecer acordos e a retirada do conte&uacute;do sem a ordem judicial&rdquo;, sugeriu o secret&aacute;rio. Para ele, esse debate exige a participa&ccedil;&atilde;o de especialistas, inclusive considerando experi&ecirc;ncias de outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A discuss&atilde;o sobre o anteprojeto do marco civil da internet no Brasil ser&aacute; encerrada em 23 de maio pr&oacute;ximo. O secret&aacute;rio Felipe de Paula disse que espera a participa&ccedil;&atilde;o dos especialistas, pois o anteprojeto n&atilde;o &eacute; do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a ou do Minist&eacute;rio da Cultura. &ldquo;Esperamos chegar a pelo menos 50 mil acessos ao texto para que tenhamos a legitimidade democr&aacute;tica e participativa, fazendo com que o projeto tenha uma tramita&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida no Congresso Nacional&rdquo;, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Metade dos usu&aacute;rios brasileiros acessa a internet nos chamados centros de inclus&atilde;o digital, as lan houses. Ao contr&aacute;rio do que se imagina, o &iacute;ndice de delitos virtuais que ocorrem nesses estabelecimentos &eacute; baixo. 86% dos il&iacute;citos de internet acontecem em computadores particulares, em casa ou no trabalho. 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