{"id":24397,"date":"2010-05-14T16:22:04","date_gmt":"2010-05-14T16:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24397"},"modified":"2010-05-14T16:22:04","modified_gmt":"2010-05-14T16:22:04","slug":"historicamente-imprensa-alternativa-nao-disputa-hegemonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24397","title":{"rendered":"&#8220;Historicamente, imprensa alternativa n\u00e3o disputa hegemonia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><em>[T&iacute;tulo original: Assumindo-se como marginalizados, jornais alternativos n&atilde;o disputam a hegemonia]<br \/><\/em><br \/>A tend&ecirc;ncia da imprensa alternativa de fazer uma esp&eacute;cie de sociologia dos acontecimentos, optando por sempre explicar as estruturas e rela&ccedil;&otilde;es de poder por tr&aacute;s dos fatos, impede que os pr&oacute;prios fatos falem por si. Al&eacute;m disso, os ve&iacute;culos alternativos assumem a posi&ccedil;&atilde;o de marginalizados e permitem que somente os meios vinculados a grandes empresas narrem o cotidiano. Dessa forma, deixam de disputar hegemonia no terreno do moderno jornalismo. Refletir sobre as caracter&iacute;sticas desses meios e como eles se relacionam com a tradi&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos contra-hegem&ocirc;nicos, especialmente em um contexto de &ldquo;crise das esquerdas&rdquo;, foi o objetivo da disserta&ccedil;&atilde;o <em>Brasil de Fato<\/em><em>: A imprensa popular alternativa em tempos de crise<\/em>, de autoria do jornalista Daniel Cassol. <\/p>\n<p>Em entrevista concedida por e-mail, Cassol comenta a sua pesquisa e analisa as possibilidades de se fazer um jornalismo alternativo que fuja desse padr&atilde;o. A disserta&ccedil;&atilde;o foi defendida no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em S&atilde;o Leopoldo (RS) no in&iacute;cio do m&ecirc;s de abril, e teve a orienta&ccedil;&atilde;o da pesquisadora Christa Berger, coordenadora do programa. <\/p>\n<p>Daniel Cassol graduou-se em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2003. Trabalhou com assessoria de imprensa de movimentos sociais e colabora com ve&iacute;culos alternativos, entre eles o <em>Brasil de Fato<\/em>. Durante o primeiro semestre de 2009, atuou como correspondente do jornal em Assun&ccedil;&atilde;o, Paraguai. <\/p>\n<p><strong>O que motivou a sua pesquisa e como foi feita a an&aacute;lise?<\/strong><br \/>Quem alguma vez conversou sobre comunica&ccedil;&atilde;o alternativa certamente j&aacute; se deparou com a discuss&atilde;o sobre a incapacidade de os ve&iacute;culos alternativos alcan&ccedil;arem parcelas mais amplas da popula&ccedil;&atilde;o. Normalmente, as respostas est&atilde;o em fatores externos, como a falta de recursos. Minha inten&ccedil;&atilde;o foi refletir sobre que tipo de jornalismo os alternativos, no caso o <em>Brasil de Fato<\/em>, v&ecirc;m fazendo atualmente, como se relacionam com a tradi&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos contra-hegem&ocirc;nicos e como se situam num contexto de dificuldade para as ideias de transforma&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, eu considerava importante fazer uma reflex&atilde;o atualizada sobre imprensa alternativa, uma vez que os estudos neste campo normalmente se voltam aos jornais do per&iacute;odo da ditadura militar ou seguem mais os processos de comunica&ccedil;&atilde;o e ativismo relacionados &agrave;s novas tecnologias. Assim, optei por fazer uma interpreta&ccedil;&atilde;o do jornal, procurando compreender seu funcionamento, suas quest&otilde;es e sua rela&ccedil;&atilde;o com o contexto social.<\/p>\n<p><strong>Em que contexto social se deu a cria&ccedil;&atilde;o do jornal <\/strong><em><strong>Brasil de Fato<\/strong><\/em><strong>? Quais foram os objetivos da sua cria&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong>O <em>Brasil de Fato<\/em> nasce em 2003, num contexto de esperan&ccedil;as, mas tamb&eacute;m de um certo ceticismo. Esperan&ccedil;as principalmente em torno da elei&ccedil;&atilde;o do presidente Lula, visto como uma possibilidade de retomada das mobiliza&ccedil;&otilde;es sociais, como de fato aconteceu no in&iacute;cio. Prova disso foi o ato de lan&ccedil;amento do jornal durante o F&oacute;rum Social Mundial de 2003, que reuniu lideran&ccedil;as e personalidades, al&eacute;m de uma multid&atilde;o que n&atilde;o coube no audit&oacute;rio Ara&uacute;jo Vianna em Porto Alegre. Por&eacute;m, o jornal &eacute; criado exatamente para contribuir no processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais, a partir da leitura de que a esquerda brasileira vive um per&iacute;odo hist&oacute;rico de crise. Guardadas as diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o aos per&iacute;odos hist&oacute;ricos, o <em>Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<p>&#8211; <strong>Crise das esquerdas &#8211;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; menciona uma crise das esquerdas. Como ela se configura?<\/strong><br \/>O pr&oacute;prio jornal &eacute; criado em torno desta ideia: a esquerda brasileira vive uma crise de valores, pr&aacute;ticas, organiza&ccedil;&atilde;o, pensamento e estrat&eacute;gia pol&iacute;tica. Trata-se de um processo amplo, cuja origem &eacute; antiga, e que se caracteriza pelo ataque &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores, o esvaziamento de sindicatos, a burocratiza&ccedil;&atilde;o e o pragmatismo de partidos de esquerda, al&eacute;m de um abandono de antigas pr&aacute;ticas. Por isso, o <em>Brasil de Fato<\/em> se apresenta como um instrumento para supera&ccedil;&atilde;o da crise, a partir da retomada da forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, do trabalho de base e das lutas sociais. O jornal debate a crise da esquerda e acaba desenhando uma esp&eacute;cie de mapa das lutas e dos atores sociais que considera mais urgentes e importantes, promovendo uma agenda m&iacute;nima para os movimentos sociais. Por&eacute;m, mais que fragilidade das for&ccedil;as sociais, o que vivemos &eacute; uma crise das alternativas. Boaventura de Souza Santos tem uma ideia interessante: a hegemonia n&atilde;o se d&aacute; mais pela imposi&ccedil;&atilde;o dos interesses da classe dominante como se fosse algo bom para toda a popula&ccedil;&atilde;o, mas porque n&atilde;o existe alternativa. As coisas s&atilde;o do jeito que s&atilde;o porque n&atilde;o h&aacute; alternativas, eis uma no&ccedil;&atilde;o muito presente nos discursos dos administradores pol&iacute;ticos, por exemplo. Um contexto em que o pensamento alternativo &eacute; tratado como invi&aacute;vel acaba impondo muitas dificuldades para a imprensa de resist&ecirc;ncia ao pensamento dominante.<\/p>\n<p><strong>Como o jornal sobrevive, h&aacute; sete anos, nestes tempos de crise?<\/strong><br \/>Minha pesquisa toca pouco nas quest&otilde;es administrativas e pol&iacute;ticas do jornal, pois minha op&ccedil;&atilde;o foi sempre compreender que tipo de jornalismo &eacute; feito pelo <em>Brasil de Fato<\/em>. Mas &eacute; poss&iacute;vel dizer que a exist&ecirc;ncia de uma unidade m&iacute;nima em torno do jornal, liderada pela Consulta Popular (saiba mais) e pelo Movimento Sem Terra (MST), garante a perman&ecirc;ncia do <em>Brasil de Fato<\/em> ao longo dos anos. Al&eacute;m disso, h&aacute; que se destacar o trabalho profissional dos jornalistas da reda&ccedil;&atilde;o, que superam o amadorismo tradicional dos alternativos e mant&ecirc;m a periodicidade e a qualidade necess&aacute;rias. &Eacute; claro que, nestes sete anos, o jornal enfrentou suas pr&oacute;prias crises internas, em raz&atilde;o da eterna falta de recursos, mas de fato &eacute; impressionante como o jornal se mant&eacute;m vivo ap&oacute;s sete anos, se constituindo numa das experi&ecirc;ncias mais longevas de jornal alternativo no Brasil.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Jornalismo popular alternativo &#8211;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por que voc&ecirc; classifica o jornal de &ldquo;popular alternativo&rdquo;?<\/strong><br \/>Basicamente, porque esta denomina&ccedil;&atilde;o d&aacute; conta das especificidades de um jornal como o <em>Brasil de Fato<\/em> e afasta incompreens&otilde;es. O termo &ldquo;imprensa alternativa&rdquo; tem problemas: &eacute; datado historicamente, porque se refere mais aos jornais de resist&ecirc;ncia &agrave; ditadura militar. Al&eacute;m disso, sob &ldquo;alternativa&rdquo; se inscrevem diferentes tipos de comunica&ccedil;&atilde;o. Da mesma forma, somente &ldquo;jornal popular&rdquo; pode confundir com os jornais chamados &ldquo;sensacionalistas&rdquo;. A professora Cec&iacute;lia Peruzzo sustenta que a comunica&ccedil;&atilde;o popular alternativa &eacute; aquela que est&aacute; inserida no contexto dos movimentos sociais. Al&eacute;m de atender essa caracter&iacute;stica, o <em>Brasil de Fato<\/em> traz em sua linha editorial a defesa das classes populares e de um projeto de pa&iacute;s. Ao mesmo tempo, tem uma certa voca&ccedil;&atilde;o para se tornar uma imprensa de interesse geral, uma vez que aborda temas diversos e tem a pretens&atilde;o de disputar espa&ccedil;o com os jornais de refer&ecirc;ncia. No entanto, n&atilde;o vejo problemas em se utilizar a express&atilde;o &ldquo;jornal alternativo&rdquo;, j&aacute; consagrada. Para efeitos da pesquisa, foi uma forma de precisar a natureza do jornal.<\/p>\n<p><strong>O <\/strong><em><strong>Brasil de Fato<\/strong><\/em><strong> vive, segundo o seu estudo, a tens&atilde;o entre sua voca&ccedil;&atilde;o massiva e o recuo para uma postura de resist&ecirc;ncia. Diante disso, qual &eacute; o p&uacute;blico do jornal?<\/strong><br \/>Creio que esta &eacute; uma das dificuldades enfrentadas pela imprensa popular alternativa como um todo. Estes jornais convivem com o desejo de falar ao leitor comum, para convenc&ecirc;-lo; com a pretens&atilde;o de desafiar os advers&aacute;rios pol&iacute;ticos, para reafirmar as posi&ccedil;&otilde;es; e com a necessidade de conversar entre companheiros, a fim de afinar discursos. Disto decorre, a meu ver, uma indefini&ccedil;&atilde;o no contrato de leitura estabelecido entre o jornal e seu p&uacute;blico, na medida em que este &eacute; difuso. O <em>Brasil de Fato<\/em>, tamb&eacute;m por sofrer a crise, foi reduzindo sua inten&ccedil;&atilde;o de se tornar massivo e di&aacute;rio para voltar-se a uma postura mais de resist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>O jornal terminou por reproduzir o jornalismo alternativo cl&aacute;ssico? Quais s&atilde;o as suas diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao dito jornalismo? <br \/><\/strong>O que existe &eacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o de se fazer jornalismo desde uma perspectiva contra-hegem&ocirc;nica, que vem desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, a partir de leituras mec&acirc;nicas de alguns textos espor&aacute;dicos escritos sobre jornalismo, por Lenin, Trotsky, Gramsci e pelo pr&oacute;prio Marx. O <em>Brasil de Fato<\/em>, como herdeiro leg&iacute;timo, n&atilde;o poderia deixar de apresentar algumas marcas desta tradi&ccedil;&atilde;o. Em resumo, historicamente a esquerda promoveu uma certa instrumentaliza&ccedil;&atilde;o do jornalismo em nome de sua vis&atilde;o pol&iacute;tica, ignorando aok!t&eacute; mesmo a potencialidade desta forma de conhecimento sobre a atualidade. O jornal &eacute; tomado, muitas vezes, como um instrumento para a orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das massas e, desse modo, s&oacute; publica aqueles temas considerados necess&aacute;rios &agrave; den&uacute;ncia dos inimigos de classe e &agrave; politiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores. Algo que est&aacute; presente no <em>Brasil de Fato<\/em> e em outros ve&iacute;culos alternativos atuais &eacute; uma tend&ecirc;ncia a fazer quase uma sociologia dos acontecimentos, optando por sempre explicar as estruturas e rela&ccedil;&otilde;es de poder por tr&aacute;s dos fatos, impedindo que os pr&oacute;prios fatos falem por si e tirando a autonomia dos leitores.<\/p>\n<p><strong>O jornal apresenta uma vis&atilde;o est&aacute;tica do povo, reduzindo-o ao conflito de classes?<\/strong><br \/>Creio que este &eacute; um problema cr&ocirc;nico da imprensa de esquerda, que tem a ver com esta tradi&ccedil;&atilde;o de que falei antes e aparece, em parte, no <em>Brasil de Fato<\/em>. Foi o pesquisador chileno Guillermo Sunkell que, ao analisar os jornais populares do Chile no per&iacute;odo do presidente Salvador Allende, apontou que os discursos daqueles jornais interpelavam apenas espa&ccedil;os, atores e conflitos considerados politizados ou politiz&aacute;veis pelos partidos de esquerda. Assim, o oper&aacute;rio fabril era visto como o agente da transforma&ccedil;&atilde;o social, enquanto outras parcelas da popula&ccedil;&atilde;o eram esquecidas pelos jornais populares. Disso resultava essa vis&atilde;o est&aacute;tica da ideia de povo, ou seja, povo era o oper&aacute;rio em um conflito econ&ocirc;mico com seus patr&otilde;es. Para Sunkell, estes jornais acabavam marginalizando outras parcelas da popula&ccedil;&atilde;o e, tamb&eacute;m, deixando de lado a realidade subjetiva do povo e outros aspectos da realidade popular, como a religiosidade, a vida em fam&iacute;lia, o lazer. O resultado era a incapacidade de expans&atilde;o destes jornais. No caso do <em>Brasil de Fato<\/em>, por ser de uma &eacute;poca diferente, os espa&ccedil;os, atores e conflitos contemplados por seus discursos s&atilde;o outros. O oper&aacute;rio fabril d&aacute; lugar, principalmente, a popula&ccedil;&otilde;es que luta em defesa dos seus territ&oacute;rios e de recursos naturais, em conflitos que poder&iacute;amos dizer mais estrat&eacute;gicos. Nota-se tamb&eacute;m que o jornal d&aacute; voz prioritariamente ao povo organizado em sindicatos, movimentos e associa&ccedil;&otilde;es. Povo, para o <em>Brasil de Fato<\/em>, &eacute; povo em luta. Os inimigos &eacute; que n&atilde;o s&atilde;o apenas os patr&otilde;es ou latifundi&aacute;rios, mas principalmente as grandes transnacionais.<\/p>\n<p><strong>&#8211; O papel do jornalista &#8211;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quais os caminhos dos jornalistas para mudar isso?<\/strong><br \/>Talvez um caminho seja fazer mais jornalismo. Apesar de todas as cr&iacute;ticas que podemos fazer &agrave; atividade, o jornalismo tem fundamental import&acirc;ncia na medida em que nos prov&ecirc; de informa&ccedil;&otilde;es sobre os diferentes aspectos da atualidade. &Eacute; atrav&eacute;s do jornalismo que organizamos uma determinada vis&atilde;o de mundo, com informa&ccedil;&otilde;es desde as condi&ccedil;&otilde;es das ruas e das paradas de &ocirc;nibus de nossa cidade at&eacute; as grandes quest&otilde;es estrat&eacute;gicas de pol&iacute;tica internacional, por exemplo. Mas a imprensa alternativa, historicamente, se dedica somente &agrave;quelas pautas que interessam &agrave; conjuntura imediata ou estrat&eacute;gica das organiza&ccedil;&otilde;es sociais. Assim, como dizia Adelmo Genro Filho, deixa de disputar hegemonia no terreno do moderno jornalismo, ou seja, assume esta posi&ccedil;&atilde;o de estar &agrave; margem e permite que somente os ve&iacute;culos vinculados a grandes empresas narrem o cotidiano.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; conhece alguma outra experi&ecirc;ncia de jornalismo alternativo que fuja desse padr&atilde;o?<\/strong><br \/>O pr&oacute;prio <em>Brasil de Fato<\/em> representa um esfor&ccedil;o do jornalismo popular alternativo se reinventar. Considero uma experi&ecirc;ncia exitosa, n&atilde;o s&oacute; por sua longevidade, mas porque tenta encontrar uma nova linguagem necess&aacute;ria para estes tempos de crise, principalmente em sua p&aacute;gina na internet. Logicamente, vive problemas das mais diferentes naturezas e passa por dificuldades para se expandir hegemonicamente. Mas, dentro dessa ideia de um jornalismo capaz de abordar os diferentes aspectos da atualidade e da vida em sociedade, acho importante analisarmos experi&ecirc;ncias como o do jornal La Jornada, do M&eacute;xico, a RadioCom, de Pelotas, a R&aacute;dio Viva, de Assun&ccedil;&atilde;o, no Paraguai, e a Radioag&ecirc;ncia NP, parceria do <em>Brasil de Fato<\/em> de S&atilde;o Paulo. No seu conjunto, n&atilde;o s&atilde;o ve&iacute;culos de esquerda, mas tem um &ldquo;lado&rdquo;. E n&atilde;o se furtam de falar de assuntos do cotidiano, do buraco na rua, dos cuidados com a sa&uacute;de, dos resultados do futebol, temas que historicamente foram ignorados por n&atilde;o serem politiz&aacute;veis. S&atilde;o alguns exemplos de possibilidades que me ocorrem agora.<\/p>\n<p><strong>O que a esquerda poderia fazer para ter um jornalismo diferente?<\/strong><br \/>Aqui volto ao Adelmo Genro Filho, que no livro &ldquo;O Segredo da Pir&acirc;mide&rdquo;, cujas id&eacute;ias s&atilde;o incompreendidas na mesma medida em que n&atilde;o s&atilde;o lidas, prop&ocirc;s uma &ldquo;teoria marxista do jornalismo&rdquo;, que vem sendo atualizada por alguns autores. Em resumo, correndo o risco de reduzir a complexidade, Adelmo Genro Filho sustentava que o jornalismo &eacute; uma forma de conhecimento capaz de revelar o que a realidade tem de singular. E o singular tem sua pot&ecirc;ncia na capacidade de revelar os aspectos particulares de determinado acontecimento e nos levar &agrave; compreens&atilde;o do universal. Ou seja, o autor apostava na potencialidade do jornalismo e refutava sua instrumentaliza&ccedil;&atilde;o. Talvez este seja um dos caminhos a serem considerados por quem faz jornalismo alternativo. H&aacute; que se considerar a possibilidade de realiza&ccedil;&atilde;o de um jornalismo informativo contra-hegem&ocirc;nico, que reconhe&ccedil;a a presen&ccedil;a da ideologia n&atilde;o como uma limita&ccedil;&atilde;o da atividade, uma vez que a apreens&atilde;o da realidade objetiva s&oacute; se d&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o dos sujeitos com a realidade &ndash; sendo esta, inclusive, riqueza deste processo &ndash;, mas que n&atilde;o se reduza &agrave; mera propaganda desses pressupostos pol&iacute;ticos. Gosto de uma ideia do Adelmo Genro Filho, que encerra essa aposta nas potencialidades do jornalismo: ele diz que o jornalismo, por mais que tenha sido gestado ao longo do desenvolvimento da sociedade capitalista, supera a mera funcionalidade ao sistema, por&eacute;m &ldquo;n&atilde;o &eacute; reconhecido em sua relativa autonomia e indiscut&iacute;vel grandeza&rdquo;.<\/span> buscou desempenhar de certa forma um papel de &ldquo;jornal de frente&rdquo;, reunindo diferentes organiza&ccedil;&otilde;es sociais. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Em disserta&ccedil;&atilde;o, jornalista analisa os jornais populares e a experi&ecirc;ncia do Brasil de Fato<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1226],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24397"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24397\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}