{"id":24375,"date":"2010-05-11T17:08:33","date_gmt":"2010-05-11T17:08:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24375"},"modified":"2010-05-11T17:08:33","modified_gmt":"2010-05-11T17:08:33","slug":"a-comunicacao-e-o-mundo-que-queremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24375","title":{"rendered":"A comunica\u00e7\u00e3o e o mundo que queremos"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><em>Texto apresentado na C&uacute;pula Eurolatinoamericana de Microempresas e economia social, realizada de 3 a 6 de maio em C&aacute;ceres, Espanha.<\/em><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p> <span class=\"padrao\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Existem no Brasil in&uacute;meras entidades representativas dos mais variados setores da economia, inclusive dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Entretanto, nenhuma das entidades formadas por empresas de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; televis&atilde;o, r&aacute;dio, jornais e revistas -, defendem os interesses dos micro e pequenos empres&aacute;rios e empreendedores da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Preocupados com essa realidade, um grupo expressivo de empresas, empres&aacute;rios e empreendedores individuais, reuniu-se em S&atilde;o Paulo e, ap&oacute;s um processo de v&aacute;rios encontros e debates, fundou a ALTERCOM &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunica&ccedil;&atilde;o, da qual, com muito orgulho, foi eleito o primeiro Presidente.<\/p>\n<p>O nome ALTERCOM, em portugu&ecirc;s, significa tanto COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O ALTERNATIVA como OUTRA COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O. &Eacute; exatamente esse o esp&iacute;rito que fez esse expressivo n&uacute;mero de empres&aacute;rios fundarem a ALTERCOM, j&aacute; que n&atilde;o se sentem representados pelas v&aacute;rias entidades existentes, que defendem, exclusivamente, os interesses das grandes empresas de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A recente crise financeira e econ&ocirc;mica internacional mostrou mais uma vez a import&acirc;ncia das micro, pequenas e m&eacute;dias empresas na vida dos pa&iacute;ses. Quando grandes corpora&ccedil;&otilde;es financeiras e n&atilde;o-financeiras desmoronaram em virtude de irrespons&aacute;veis e enlouquecidas movimenta&ccedil;&otilde;es no cassino financeiro global, a conta foi enviada para toda a sociedade. N&atilde;o foi por acaso que os pa&iacute;ses que sa&iacute;ram mais rapidamente da crise foram aqueles que possu&iacute;am mercados internos bem estabelecidos. E n&atilde;o h&aacute; mercado interno sem pequenos produtores. O Brasil &eacute; um exemplo disso, possuindo cerca de 5 milh&otilde;es de micro e pequenas empresas, que representam 98% do total das empresas brasileiras. Em termos estat&iacute;sticos, esse segmento empresarial representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB), gerando 14 milh&otilde;es de empregos, o que representa cerca de 60% do emprego formal no pa&iacute;s, segundo dados do Servi&ccedil;o Brasileiro de Apoio &agrave;s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).<\/p>\n<p>A exist&ecirc;ncia dessa rede de pequenas e micro empresas garante capilaridade econ&ocirc;mica e social, um fator crucial para fazer circular sangue nas veias da economia e manter um pa&iacute;s saud&aacute;vel perante a crise. Gostaria de propor uma reflex&atilde;o sobre a crescente diminui&ccedil;&atilde;o dessa capilaridade em um setor essencial em nossas vidas, o da comunica&ccedil;&atilde;o, e sobre como esse problema pode atrasar e prejudicar os processos de integra&ccedil;&atilde;o entre nossos povos.<\/p>\n<p><strong>A m&iacute;dia e a crise<\/strong><\/p>\n<p>O comportamento da maioria das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o no processo de colapso do sistema financeiro internacional, em 2008, &eacute; exemplar para ilustrar o que estamos falando aqui. Durante pelo menos duas d&eacute;cadas, os ve&iacute;culos dessas empresas repetiram &agrave; exaust&atilde;o a mesma ladainha de exalta&ccedil;&atilde;o do Estado m&iacute;nimo, do livre mercado, das privatiza&ccedil;&otilde;es, da desregulamenta&ccedil;&atilde;o dos mercados, da necessidade de flexibilizar as rela&ccedil;&otilde;es trabalhistas e a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental. Quando esse modelo afundou, sa&iacute;ram todos correndo bater &agrave;s portas daquele que era, at&eacute; ent&atilde;o, o grande vil&atilde;o: o Estado. Os lucros milion&aacute;rios destas d&eacute;cadas foram apropriados por alguns poucos afortunados. J&aacute; os preju&iacute;zos foram socializados com o conjunto da popula&ccedil;&atilde;o. E a m&iacute;dia fez de conta que n&atilde;o havia dito o que disse durante d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Neste processo os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, com seus alt&iacute;ssimos n&iacute;veis de audi&ecirc;ncia, trataram de estruturar diariamente uma determinada realidade dos fatos, gerando sentidos e interpreta&ccedil;&otilde;es e definindo as &ldquo;verdades&rdquo; sobre atores sociais, econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos. Segundo essa realidade e essas verdades, o Estado deveria parar de atrapalhar os mercados para que a prosperidade econ&ocirc;mica pudesse chegar a todos. Nunca chegou, como se sabe. Nunca chegar&aacute; neste modelo excludente e concentrador de renda. A propaganda foi fraudulenta. Mentiras e discursos puramente ideol&oacute;gicos foram repetidos dia e noite, difundindo distor&ccedil;&otilde;es e preconceitos. Quando veio o vendaval, nenhum desses meios veio a p&uacute;blico assumir sua parcela de responsabilidade.<\/p>\n<p>Os mais audaciosos chegaram a criticar o Estado por ter fracassado em fazer o que deveria: fiscalizar os mercados. &Eacute; claro que se o Estado tentasse fazer isso, imediatamente soariam os &ldquo;editoriais cidad&atilde;os&rdquo; denunciando o autoritarismo iminente e a amea&ccedil;a &agrave; liberdade individual. E agora j&aacute; vemos em ritmo crescente uma espantosa campanha midi&aacute;tica que utiliza alguns sinais isolados para dizer que o pior da crise econ&ocirc;mica mundial j&aacute; passou. O renascimento das bolhas financeiras nas bolsas de valores &eacute; apresentado como o sintoma de uma melhoria geral. Na verdade, os socorros (p&uacute;blicos) globais de 2008-2009 desaceleraram a queda econ&ocirc;mica, mas geraram enormes d&eacute;ficits fiscais em diversos pa&iacute;ses (EUA, entre eles), trazendo graves amea&ccedil;as inflacion&aacute;rias. Ou seja, h&aacute; preocupa&ccedil;&otilde;es de sobra no horizonte.<\/p>\n<p>No entanto, prossegue a pr&aacute;tica de uma aut&ecirc;ntica barb&aacute;rie pol&iacute;tica di&aacute;ria, de desinforma&ccedil;&atilde;o e gesta&ccedil;&atilde;o permanente de mensagens formadoras de uma consci&ecirc;ncia coletiva reacion&aacute;ria, conservadora e desinformada. Uma consci&ecirc;ncia que procura alimentar uma opini&atilde;o p&uacute;blica de perfil anti-pol&iacute;tico, que desacredita a exist&ecirc;ncia de um Estado democraticamente interventor na luta de interesses sociais, que apresenta os pol&iacute;ticos como seres que oscilam do rid&iacute;culo ao monstruoso.<\/p>\n<p><strong>Democracia e comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A democracia precisa de maior diversidade informativa e de instrumentos que garantam um amplo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Para que isso se torne realidade, &eacute; necess&aacute;rio modificar a l&oacute;gica que impera hoje no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econ&ocirc;micos. Os propriet&aacute;rios dos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o defendem, entre seus ideais, a liberdade de express&atilde;o, a pluralidade, a competi&ccedil;&atilde;o e o livre mercado. No entanto, o poder midi&aacute;tico est&aacute; cada vez mais concentrado nas m&atilde;os de um pequeno grupo de corpora&ccedil;&otilde;es, que dominam o sistema de produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e det&eacute;m a imensa maioria dos recursos de publicidade (p&uacute;blicos e privados).<\/p>\n<p>Qualquer men&ccedil;&atilde;o &agrave; necessidade de democratizar esse cen&aacute;rio &eacute; rebatida fortemente por artigos e editoriais enfurecidos destes grupos hegem&ocirc;nicos. Quem defende a democratiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &eacute; imediatamente acusado de &ldquo;autorit&aacute;rio&rdquo; e &ldquo;inimigo da liberdade de imprensa&rdquo;. O poder das grandes corpora&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas &eacute; muito forte, estendendo-se tamb&eacute;m &agrave;s escolas e universidades que formam os futuros profissionais da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O escritor franc&ecirc;s Paul Virilio, ao falar sobre o papel da m&iacute;dia no mundo de hoje, definiu bem o tamanho do problema a ser enfrentado. A m&iacute;dia contempor&acirc;nea, disse Virilio, &eacute; o &uacute;nico poder que tem a prerrogativa de editar suas pr&oacute;prias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretens&atilde;o de n&atilde;o se submeter a nenhuma outra. A justificativa para tal procedimento trafega entre o cinismo e a treva: uma vez afetada a liberdade de imprensa, todas as liberdades estar&atilde;o em perigo. Cinismo, denuncia, porque esta reivindica&ccedil;&atilde;o agressiva trata de negar o &oacute;bvio: os meios de divulga&ccedil;&atilde;o e de forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o v&ecirc;m se concentrando, de forma brutal, no mundo inteiro, nas m&atilde;os de grandes empresas.<\/p>\n<p>Vejamos alguns dados apresentados pelo professor Ven&iacute;cio Lima (&quot;<em>Quem controla a m&iacute;dia<\/em>&quot;, Carta Maior, 23\/04\/2010):<\/p>\n<p>Uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias da crise internacional, no setor da m&iacute;dia impressa, tem sido a compra de publica&ccedil;&otilde;es tradicionais por investidores &ndash; russos, &aacute;rabes, australianos, latino-americanos, portugueses &ndash; cujo compromisso maior &eacute; exclusivamente o sucesso de seus neg&oacute;cios. Aparentemente, n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para o interesse p&uacute;blico. J&aacute; aconteceu com os brit&acirc;nicos The Independent e The Evening Standard e com o France-Soir na Fran&ccedil;a. Na It&aacute;lia, est&aacute; em curso uma briga de gigantes no mercado de televis&atilde;o envolvendo o primeiro ministro e propriet&aacute;rio de m&iacute;dia Silvio Berlusconi (Mediaset) e o australiano naturalizado americano Ropert Murdoch (Sky It&aacute;lia). O mesmo acontece no leste europeu. Na Pol&ocirc;nia, tanto o Fakt (o di&aacute;rio de maior tiragem), quanto o Polska (300 mil exemplares\/dia) s&atilde;o controlados por grupos alem&atilde;es.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a News Corporation de Murdoch avan&ccedil;a a passos largos: depois do New York Post, o principal tabl&oacute;ide do pa&iacute;s, veio a Fox News, canal de not&iacute;cias 24h na TV a cabo; o The Wall Street Journal; o est&uacute;dio Fox Films e a editora Harper Collins. E o mexicano Carlos Slim &eacute; um dos novos acionistas do The New York Times. Professor da New York University, Crispin Miller, fez a seguinte advert&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao que vem ocorrendo nos Estados Unidos (mat&eacute;ria da revista Carta Capital, 591): <\/p>\n<p>&ldquo;<em>O grande perigo para a democracia norte-americana n&atilde;o &eacute; a virtual morte dos jornais di&aacute;rios. &Eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o de donos da m&iacute;dia no pa&iacute;s. Ironicamente, h&aacute; 15 anos, se dizia que era prematuro falar em uma crise c&iacute;vica, com os conglomerados exercendo poder de censura sobre a imensid&atilde;o de not&iacute;cias dispon&iacute;veis no mundo p&oacute;s-internet (&#8230;)&rdquo;<\/em>.<\/p>\n<p>A transforma&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o em grandes empresas, com interesses que v&atilde;o muito al&eacute;m daqueles propriamente midi&aacute;ticos, fez da informa&ccedil;&atilde;o, definitivamente, uma mercadoria regida pela l&oacute;gica que comanda o mundo do lucro. Ela, a informa&ccedil;&atilde;o, progressivamente, deixa de ser um bem e um servi&ccedil;o p&uacute;blico. Isso se reflete diretamente na qualidade dos notici&aacute;rios que assistimos todos os dias nos jornais, r&aacute;dios, televis&otilde;es e sites. A economia passou a reinar nestes espa&ccedil;os. Todo o resto passou a ser tratado de forma secund&aacute;ria e como um espet&aacute;culo. Esse fen&ocirc;meno &eacute; mais dram&aacute;tico na pol&iacute;tica, onde a cobertura tornou-se, no mais das vezes, uma explora&ccedil;&atilde;o de fofocas, intrigas e banalidades. As pautas e os espa&ccedil;os priorit&aacute;rios passam a ser definidos pelos interesses econ&ocirc;micos estrat&eacute;gicos dessas empresas.<\/p>\n<p><strong>Grande m&iacute;dia ignora interesses dos pequenos<\/strong><\/p>\n<p>Esse poderio econ&ocirc;mico tem repercuss&atilde;o direta na vida pol&iacute;tica e social dos pa&iacute;ses. Assim, falar da necessidade de democratizar a m&iacute;dia implica, diretamente, falar da necessidade de democratizar o poder pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico. Os interesses econ&ocirc;micos e as articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas decorrentes destes interesses refletem-se diretamente na qualidade da informa&ccedil;&atilde;o oferecida ao p&uacute;blico. N&atilde;o &eacute; por acaso que a cobertura pol&iacute;tica dos grandes ve&iacute;culos mal consegue disfar&ccedil;ar seus interesses econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos e ignora quase que completamente os interesses de micros, pequenos e m&eacute;dios empres&aacute;rios.<\/p>\n<p>Para utilizar uma express&atilde;o ao gosto dos grandes empres&aacute;rios do setor, precisamos de uma revolu&ccedil;&atilde;o capitalista na comunica&ccedil;&atilde;o mundial. Mais propriet&aacute;rios, mais ve&iacute;culos, mais produtores de comunica&ccedil;&atilde;o, produtos de melhor qualidade, consumidores mais exigentes, descentraliza&ccedil;&atilde;o dos centros produtores para garantir o direito de todos os cidad&atilde;os do mundo terem informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o de qualidade. Isso, por&eacute;m, n&atilde;o ser&aacute; feito no modelo atual, fortemente monopolista e excludente. Os empres&aacute;rios da comunica&ccedil;&atilde;o precisam decidir se querem mesmo fazer comunica&ccedil;&atilde;o, entendida como um bem de utilidade p&uacute;blica, ou seguir&atilde;o tratando-a como uma mercadoria qualquer, cujo sucesso, depende de esmagar os competidores a qualquer pre&ccedil;o.<\/p>\n<p>Falar de uma comunica&ccedil;&atilde;o de qualidade, neste cen&aacute;rio, significa falar, entre outras coisas, em liberdade de cria&ccedil;&atilde;o, de difus&atilde;o e de acesso. Significa compartilhar conhecimentos, recursos, pr&aacute;ticas e iniciativas. As palavras &ldquo;liberdades&rdquo; e &ldquo;compartilhamento&rdquo; expressam, em boa medida, o que &eacute; sonegado hoje &agrave; maioria das popula&ccedil;&otilde;es globalizadas. Elas apontam para uma vis&atilde;o generosa de um mundo mais solid&aacute;rio, onde a comunica&ccedil;&atilde;o, o di&aacute;logo com o pr&oacute;ximo e a criatividade n&atilde;o s&atilde;o reduzidas &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de mais uma mercadoria destinada a gerar lucro m&aacute;ximo a custo m&iacute;nimo.<\/p>\n<p>A queda na qualidade do jornalismo &eacute; algo assustador que amea&ccedil;a o futuro da pr&oacute;pria democracia. N&atilde;o se trata, portanto, de um debate restrito aos profissionais do setor, mas de uma agenda de toda a sociedade. &Eacute; o direito de dispor de uma informa&ccedil;&atilde;o de qualidade que est&aacute; em jogo. E quando falamos em processos de integra&ccedil;&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel faz&ecirc;-lo sem levar em conta a quest&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. Trata-se, afinal de contas, de construir canais de di&aacute;logo e informa&ccedil;&atilde;o entre povos que est&atilde;o afastados e que n&atilde;o conhecem uns a vida dos outros. &Eacute; preciso tomar iniciativas concretas nesta dire&ccedil;&atilde;o e &eacute; preciso come&ccedil;ar j&aacute;. Mais do que declara&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ricas, precisamos construir iniciativas concretas que mostrem aos cidad&atilde;os do mundo a natureza do problema e como ele influencia nas suas vidas di&aacute;ria. Um dos primeiros passos &eacute; o fortalecimento da articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre todos aqueles setores preocupados com os temas da integra&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o. Essa articula&ccedil;&atilde;o pode se traduzir em algumas medidas concretas:<\/p>\n<p>&#8211; Incluir o debate sobre a comunica&ccedil;&atilde;o em todos os eventos que tenham a integra&ccedil;&atilde;o como pauta;<\/p>\n<p>&#8211; Criar um espa&ccedil;o virtual para que esse debate possa ocorrer, apontando para a cria&ccedil;&atilde;o de um F&oacute;rum Social Mundial da Comunica&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; Organizar o F&oacute;rum Mundial da Comunica&ccedil;&atilde;o, no &acirc;mbito do processo do F&oacute;rum Social Mundial. Trabalhar para realizar o primeiro F&oacute;rum Mundial da Comunica&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;ximo FSM que ser&aacute; realizado no Senegal. Cabe lembrar aqui a import&acirc;ncia do F&oacute;rum Social Mundial como espa&ccedil;o internacional que se levantou contra o chamado Consenso de Washington, superando em import&acirc;ncia mundial o F&oacute;rum Econ&ocirc;mico de Davos, e que desembocou na elei&ccedil;&atilde;o de Lula no Brasil e de v&aacute;rios presidentes progressistas na Am&eacute;rica do Sul.<\/p>\n<p>&#8211; Criar uma secretaria geral internacional, para a organiza&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum, com a participa&ccedil;&atilde;o da ALAMPYME, da APYME, da RECOM, ASEMCE, da EUROCHAMBRES, e da ALTERCOM, bem como de outras entidades, como o CEXECI, o MEDIA WATCH GLOBAL, o OBSERVAT&Oacute;RIO BRASILEIRO DE M&Iacute;DIA e outras associa&ccedil;&otilde;es aqui n&atilde;o inclu&iacute;das, mas que por sua atividades cotidiana, mere&ccedil;am o convite para participarem.<\/p>\n<p>Todas essas iniciativas podem convergir para uma articula&ccedil;&atilde;o internacional entre nossos pa&iacute;ses pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e pela constru&ccedil;&atilde;o de uma globaliza&ccedil;&atilde;o dos nossos povos e da solidariedade e n&atilde;o apenas do capital.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">* <em>Joaquim Palhares &eacute; diretor da Carta Maior e presidente da ALTERCOM.<\/em><\/span> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p class=\"padrao\">Para utilizar uma express&atilde;o ao gosto dos grandes empres&aacute;rios do setor, precisamos de uma revolu&ccedil;&atilde;o capitalista na comunica&ccedil;&atilde;o mundial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[144],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24375"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24375\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}