{"id":24374,"date":"2010-05-11T17:05:27","date_gmt":"2010-05-11T17:05:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24374"},"modified":"2014-09-07T03:00:00","modified_gmt":"2014-09-07T03:00:00","slug":"para-organizacoes-plano-representa-avanco-mas-e-insuficiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24374","title":{"rendered":"Para organiza\u00e7\u00f5es, plano representa avan\u00e7o, mas \u00e9 insuficiente"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Especialistas e organiza&ccedil;&otilde;es sociais da &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o avaliam que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) ainda &eacute; insuficiente, apesar de apresentar avan&ccedil;os. Em reuni&atilde;o realizada na sexta-feira (7) com a equipe do governo, os representantes da sociedade civil puderam conhecer e opinar sobre o plano, que est&aacute; em vias de ser oficializado por meio de decreto presidencial. A manuten&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de internet em regime privado e os pre&ccedil;os dos pacotes que o governo pretende oferecer foram os principais alvos das cr&iacute;ticas. <\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24338\">proposta do governo<\/a>  &eacute; que, com a entrada da Telebr&aacute;s no mercado, seja poss&iacute;vel oferecer ao consumidor final acesso &agrave; internet com pre&ccedil;os variando de R$ 15 a R$ 35. O primeiro seria um servi&ccedil;o incentivado para uma velocidade de 512 Kbps, mas com limita&ccedil;&atilde;o para baixar arquivos (downloads). No valor mais alto, seria oferecida uma velocidade de 512 kpbs a 784 kbps. Em caso de desonera&ccedil;&atilde;o do ICMS nos Estados, esse segundo pre&ccedil;o poderia cair a R$ 29. <\/p>\n<p>Esses pacotes foram considerados muito t&iacute;midos pela sociedade civil, que avalia ser importante pensar no futuro. Para Estela Guerrini, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ainda que seja um primeiro passo, essas s&atilde;o velocidades muito pequenas. &ldquo;Tem que partir para uma velocidade maior, de 2 Mbps por pessoa&rdquo;, diz. Al&eacute;m disso, para ela os pre&ccedil;os continuam colocando uma barreira ao acesso. &ldquo;Pacote a R$ 35 n&atilde;o universaliza. Muitos n&atilde;o conseguem pagar, ainda mais um valor desses para uma velocidade baixa.&rdquo; O diretor da Casa de Cultura Digital e professor da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero, S&eacute;rgio Amadeu, tamb&eacute;m criticou a proposta do governo. <\/p>\n<p>Al&eacute;m dos pacotes no varejo, o governo tamb&eacute;m fez uma estimativa de pre&ccedil;o que pretende oferecer aos provedores de internet nas cidades. Um link de 1 Mbps seria vendido pela Telebr&aacute;s por R$ 230 ao m&ecirc;s. Para o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional para Inclus&atilde;o Digital, Percival Henriques de Souza, esse ainda &eacute; um valor alto. Segundo ele, a partir da associa&ccedil;&atilde;o de mais de 500 provedores do pa&iacute;s, eles conseguem comprar o mesmo link a cerca de R$ 150 das concession&aacute;rias privadas. <\/p>\n<p>Apesar disso, o representante da associa&ccedil;&atilde;o acredita que o plano seja positivo e que o pre&ccedil;o para os provedores ainda assim ser&aacute; menor do que &eacute; cobrado em algumas localidades. O governo pretende isentar os pequenos e m&eacute;dios provedores do pagamento do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fust), cuja al&iacute;quota &eacute; de 1% da receita operacional bruta.<\/p>\n<p>O professor de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro Marcos Dantas vai al&eacute;m. Ele coloca em d&uacute;vida os pre&ccedil;os dos pacotes do governo, j&aacute; que neles n&atilde;o estariam embutidos os impostos. S&oacute; o ICMS, que &eacute; cobrado pelos governos estaduais, &eacute; respons&aacute;vel por cerca de 35% do valor do servi&ccedil;o. Para ele, o governo s&oacute; conseguir&aacute; cumprir sua meta se &ldquo;negociar com os estados uma forte redu&ccedil;&atilde;o do ICMS, o que &eacute; dif&iacute;cil&rdquo;. <\/p>\n<p>Por sua vez, o governo tem argumentado que esses pacotes previstos j&aacute; seriam um avan&ccedil;o em compara&ccedil;&atilde;o com o cen&aacute;rio atual do pa&iacute;s e que eles seriam os poss&iacute;veis de serem praticados nesse primeiro momento. <\/p>\n<p><strong>Regime p&uacute;blico<\/strong><\/p>\n<p>Outra cr&iacute;tica feita por v&aacute;rios membros da sociedade civil que estiveram na reuni&atilde;o com o governo foi o abandono da ideia de mudar a forma com que &eacute; feita a presta&ccedil;&atilde;o do Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia (SCM), em que est&aacute; inserida a internet. &ldquo;<span style=\"text-decoration: none\">O governo ainda n&atilde;o fala da presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o de banda larga em regime p&uacute;blico. Reconhece que &eacute; preciso ampliar, que &eacute; um fator da cidadania, mas falta afirmar que &eacute; um direito fundamental e que deve haver garantias de cumprimento. Nossa proposta &eacute; que seja firmado em regime p&uacute;blico&rdquo;, defende a advogada do Idec Estela Guerrini.  <\/p>\n<p>A<\/span>s organiza&ccedil;&otilde;es que defendem a mudan&ccedil;a acreditam que s&oacute; assim seria poss&iacute;vel conseguir oferecer pre&ccedil;os mais baixos pela oferta do servi&ccedil;o de banda larga. A presta&ccedil;&atilde;o em regime p&uacute;blico significa que os prestadores do servi&ccedil;o, seja eles p&uacute;blicos ou privados, est&atilde;o sujeitos a regras que garantam a modicidade tarif&aacute;ria, a qualidade e a continuidade do servi&ccedil;o, al&eacute;m de serem obrigados a cumprir metas para alcan&ccedil;ar a universaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Isso significa, por exemplo, que os pre&ccedil;os dos pacotes oferecidos ao usu&aacute;rio final, bem como toda a pol&iacute;tica de tarifas no atacado, poderiam ser controlados, isto &eacute;, seguir regras estabelecidas pelos &oacute;rg&atilde;os reguladores, no caso a Anatel. Tamb&eacute;m permitiria que o pre&ccedil;o final fosse um dos crit&eacute;rios para as licita&ccedil;&otilde;es, algo parecido com que vem sendo realizado nos leil&otilde;es de rodovias, onde leva a concess&atilde;o quem prop&otilde;e a menor tarifa de ped&aacute;gio.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m poderia haver uma interven&ccedil;&atilde;o mais efetiva para regular a competi&ccedil;&atilde;o e os efeitos desta para o usu&aacute;rio final. O governo poderia utilizar as verbas do Fust, pagos pelos consumidores brasileiros, para subsidiar o servi&ccedil;o oferecido &agrave;queles mais pobres. &ldquo;Poderia ser feita uma pol&iacute;tica de transfer&ecirc;ncia de renda universal e honesta: quem tem renda paga e quem n&atilde;o tem, recebe&rdquo;, opina Marcos Dantas, que avalia que o governo abandonou a ideia do regime p&uacute;blico. Hoje, pela lei, o Fust s&oacute; pode ser usado para a amplia&ccedil;&atilde;o e melhoria da telefonia fixa, que &eacute; o &uacute;nico servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es prestado em regime p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Outro ponto que seria alterado com a mudan&ccedil;a do regime &eacute; a obriga&ccedil;&atilde;o da continuidade do servi&ccedil;o pelo prestador. &ldquo;Quem esta prestando n&atilde;o pode desistir por raz&atilde;o qualquer. Como exigir continuidade de uma lan-house? E se o dono resolve que n&atilde;o &eacute; algo mais vi&aacute;vel pra ele?&rdquo;, questiona o professor da UFRJ. <\/p>\n<p>O professor faz uma avalia&ccedil;&atilde;o geral de que o PNBL &eacute; coerente com as outras pol&iacute;ticas sociais do atual governo. &ldquo;A pol&iacute;tica &eacute; deixar o mercado funcionar onde existe demanda, consumidor, renda e desenvolver pol&iacute;ticas compensat&oacute;rias onde n&atilde;o tem renda&rdquo;, diz Dantas. Para ele, o risco desse tipo de l&oacute;gica &eacute; manter as divis&otilde;es sociais daqueles que usam plenamente os servi&ccedil;os e os que se beneficiam parcialmente.&ldquo;Assim como voc&ecirc; tem a pobreza usando o celular pela metade, voc&ecirc; vai ter um pessoal que vai poder usar 512 Kbps &#8211; que permite fazer alguma coisa, mas n&atilde;o muita -, enquanto a classe m&eacute;dia vai continuar usando os servi&ccedil;os [relacionados &agrave; internet]&rdquo;, critica.<\/p>\n<p><strong>F&oacute;rum Brasil Digital<\/p>\n<p><\/strong>Depois de divulgado o decreto, o que deve ocorrer at&eacute; o fim deste m&ecirc;s, ser&aacute; instalado o F&oacute;rum Brasil Digital, no m&ecirc;s de junho, que ter&aacute; a participa&ccedil;&atilde;o de operadoras, fornecedoras de equipamentos, do governo federal, dos estaduais e municipais.  <\/p>\n<p>O representante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social na reuni&atilde;o com o governo, Jonas Valente, acredita que um pr&oacute;ximo passo importante para as entidades sociais &eacute; reivindicar  uma representa&ccedil;&atilde;o equilibrada no F&oacute;rum. &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio garantir uma presen&ccedil;a majorit&aacute;ria da sociedade civil no F&oacute;rum Brasil Digital, impedindo a captura dele pelos empres&aacute;rios, e ampliar as atribui&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o&rdquo;, defende. <\/p>\n<p>A transforma&ccedil;&atilde;o da atividade de internet em um servi&ccedil;o com presta&ccedil;&atilde;o em regime p&uacute;blico tamb&eacute;m &eacute; uma das principais reivindica&ccedil;&otilde;es do Intervozes. Al&eacute;m disso, Valente cobra que o governo incorpore ao plano &ldquo;o provimento direto pelo Estado, definido no caso-a-caso a partir de uma avalia&ccedil;&atilde;o sobre as defici&ecirc;ncias da oferta pelos operadores privados e sempre buscando a gratuidade quando for poss&iacute;vel&rdquo;. A proposta do PNBL &eacute; que a rede governamental que ser&aacute; gerenciada pela Telebr&aacute;s atue quase que fundamentalmente no atacado, deixando a oferta ao consumidor final nas m&atilde;os do mercado.<\/p>\n<p>*<em> Com colabora&ccedil;&atilde;o de Mariana Tok&aacute;rnia<\/em> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em reuni&atilde;o com o governo, entidades fizeram cr&iacute;ticas ao valor dos planos e &agrave; n&atilde;o inclus&atilde;o da banda larga no regime p&uacute;blico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1123],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24374"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24374"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24374\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28119,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24374\/revisions\/28119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}