{"id":24369,"date":"2010-05-11T12:25:37","date_gmt":"2010-05-11T12:25:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24369"},"modified":"2014-09-07T02:59:59","modified_gmt":"2014-09-07T02:59:59","slug":"gestao-e-digitalizacao-sao-desafios-para-rede-encabecada-pela-ebc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24369","title":{"rendered":"Gest\u00e3o e digitaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o desafios para rede encabe\u00e7ada pela EBC"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A Rede Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, encabe&ccedil;ada pela TV Brasil em parceria com emissoras educativas em 23 estados, est&aacute; no ar desde o dia 3 de maio. A empreitada &eacute; um passo mais s&oacute;lido para reverter a disparidade entre as emissoras do campo p&uacute;blico e as grandes redes comerciais. A nova rede cobrir&aacute; 1.716 munic&iacute;pios, atingindo 100 milh&otilde;es de brasileiros. Neste primeiro momento, a rede funcionar&aacute; com transmiss&otilde;es simult&acirc;neas de dez horas de programa&ccedil;&atilde;o, sendo quatro de responsabilidade das emissoras associadas. <\/p>\n<p>O fortalecimento do conjunto das emissoras p&uacute;blicas e o modelo de rede que incentiva a produ&ccedil;&atilde;o local s&atilde;o apontados como os pontos fortes da nova rede. Por&eacute;m, ainda h&aacute; entraves ao seu pleno desenvolvimento. Alguns dos problemas j&aacute; apontados pelas pr&oacute;prias TVs que tomam parte da rede e a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) &eacute; o modelo de gest&atilde;o das emissoras estaduais, ainda com forte inger&ecirc;ncia estatal, e o Operador de Rede P&uacute;blica Digital, que levar&aacute; o sinal da TV Brasil e de outras emissoras federais para todo o pa&iacute;s e est&aacute; em fase final de licita&ccedil;&atilde;o. A entrada em funcionamento do operador digital pode colocar as filiadas em numa faixa do espectro com baixa qualidade na imagem e impossibilit&aacute;-las de realizar multiprograma&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Al&eacute;m destas duas quest&otilde;es, defasagens na estrutura f&iacute;sica, dificuldades na capta&ccedil;&atilde;o de recursos e, consequentemente, produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do pelas emissoras locais s&atilde;o os outros obst&aacute;culos para uma rela&ccedil;&atilde;o equ&acirc;nime com a TV Brasil e tamb&eacute;m para a concorr&ecirc;ncia com as redes comerciais nas regi&otilde;es de cobertura do sinal. <\/p>\n<p>Nas palavras de Tereza Cruvinel, diretora presidente da EBC, &ldquo;a rede p&uacute;blica de televis&atilde;o &eacute; um sonho antigo mas faltava dar centralidade ao projeto&rdquo;, papel que teria sido cumprido agora pela TV Brasil. &ldquo;A rede serve &agrave; expans&atilde;o da TV Brasil, mas seu papel &eacute; muito mais estrat&eacute;gico: assegura maior equil&iacute;brio entre os sistemas p&uacute;blico e privado de radiodifus&atilde;o e a circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos que efetivamente expressam as regi&otilde;es e a diversidade. Acreditamos, ainda, que a rede injetou energia e disposi&ccedil;&atilde;o criadora a todas as televis&otilde;es associadas&rdquo;, analisa Tereza.<\/p>\n<p>Regina Lima, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras P&uacute;blicas, Educativas e Culturais (ABEPEC), defende crit&eacute;rios diferenciados das redes comerciais ainda no modelo anal&oacute;gico. &ldquo;&Eacute; preciso pensar pol&iacute;ticas globais mais definidas para se ter qualidade em todas as TVs&rdquo;, comenta Regina, citando os casos da TV Cultura de S&atilde;o Paulo, da Rede Minas (MG) e a pr&oacute;pria EBC como representantes diferenciadas na rede.<\/p>\n<p><strong>Gest&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A Rede Nacional de TVs P&uacute;blicas conta com um comit&ecirc; gestor, formado por 19 emissoras, mais as quatro ligadas a EBC (em Bras&iacute;lia, Rio, S&atilde;o Paulo e S&atilde;o Lu&iacute;s), num total de 23. A inst&acirc;ncia tem um n&uacute;cleo executivo, composto por um representante da EBC, mais quatro, sendo um representante de cada regi&atilde;o do pa&iacute;s (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul\/Sudeste), escolhidos entre os membros do comit&ecirc; e com mandatos em sistema de rod&iacute;zio. <\/p>\n<p>Os mencionados problemas com a gest&atilde;o, entretanto, n&atilde;o dizem respeito &agrave; rede, mas aos modelos vigentes na maioria das emissoras, incompat&iacute;vel com o m&iacute;nimo esperado de uma TV p&uacute;blica. Na maioria das educativas estaduais ainda prevalece o modelo estatal, com diretores indicados pelo Executivo. A sa&iacute;da para n&atilde;o emperrar as negocia&ccedil;&otilde;es neste quesito, j&aacute; que o projeto da EBC exige que suas parceiras sejam emissoras de car&aacute;ter p&uacute;blico, foi colocar no contrato uma indica&ccedil;&atilde;o para as representantes estaduais buscarem mudar seu modelo de gest&atilde;o. <\/p>\n<p>A refer&ecirc;ncia &eacute; a EBC, que conta com um Conselho Curador. Embora sua atual composi&ccedil;&atilde;o tenha sido indicada pelo Executivo, a pr&oacute;pria lei que criou a estatal previa um processo de abertura, com a realiza&ccedil;&atilde;o de consultas p&uacute;blicas para a indica&ccedil;&atilde;o de novos conselheiros. Atualmente, est&aacute; em curso a escolha de tr&ecirc;s novos membros, que ser&aacute; feita pelo presidente da Rep&uacute;blica a partir de indica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica por organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da cl&aacute;usula contratual, haver&aacute; um incentivo a mais para que as emissoras da rede abram mais espa&ccedil;os participativos na sua estrutura. Aquelas que caminharem para o modelo p&uacute;blico de gest&atilde;o contar&atilde;o com a inje&ccedil;&atilde;o de mais recursos pela EBC.<\/p>\n<p>P&oacute;la Ribeiro, diretor do Instituto de Radiodifus&atilde;o P&uacute;blica da Bahia (Irdeb), v&ecirc; a movimenta&ccedil;&atilde;o para gest&atilde;o p&uacute;blica com &ldquo;carinho&rdquo;, por ser uma resolu&ccedil;&atilde;o da Carta de 2007 do F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas, mas que foi tirada da prioridade em prol da consolida&ccedil;&atilde;o da rede. Ribeiro lembra que a maioria das emissoras estaduais est&atilde;o &ldquo;jogadas ao acaso&rdquo; e a transforma&ccedil;&atilde;o imediata em p&uacute;blica pode n&atilde;o ser acompanhada pela sociedade. <\/p>\n<p>Regina Lima v&ecirc; no uso da multiprograma&ccedil;&atilde;o no sistema digital como uma chance para se solucionar um dos principais obst&aacute;culos para mudan&ccedil;as na gest&atilde;o: a rela&ccedil;&atilde;o com os governos estaduais. &ldquo;A possibilidade de n&atilde;o ter uma &uacute;nica programa&ccedil;&atilde;o, na qual todo mundo cobra participa&ccedil;&atilde;o para divulgar suas a&ccedil;&otilde;es, e gerar pelo menos tr&ecirc;s novos canais, poder&aacute; diminuir a press&atilde;o em cima da programa&ccedil;&atilde;o [das atuais emissoras educativas], para investirmos mais no car&aacute;ter p&uacute;blico&rdquo;, explica a presidente da Abepec.<\/p>\n<p><strong>Operador de Rede<\/strong><\/p>\n<p>Os problemas oriundos da digitaliza&ccedil;&atilde;o prometem ser mais dif&iacute;ceis ainda de superar na expans&atilde;o da Rede P&uacute;blica. O principal deles diz respeito ao cen&aacute;rio ap&oacute;s a entrada em opera&ccedil;&atilde;o do Operador de Rede P&uacute;blico, respons&aacute;vel em distribuir os sinais das emissoras para o padr&atilde;o digital.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23884\">licita&ccedil;&atilde;o do operador<\/a> foi aberta pela governo em dezembro do ano passado com consultas p&uacute;blicas que focaram quest&otilde;es t&eacute;cnicas e jur&iacute;dicas com respostas j&aacute; dispon&iacute;veis na p&aacute;gina eletr&ocirc;nica da EBC. Nos planos do governo federal, o canal usado com exclusividade pela TV Brasil ser&aacute; o &uacute;nico a ter sua transmiss&atilde;o em alta defini&ccedil;&atilde;o (HD). Todos os outros que usar&atilde;o o operador de rede &ndash; os canais do Executivo (NBR e os canais Educa&ccedil;&atilde;o, Cultura e Cidadania) e do Legislativo (TV Senado e TV C&acirc;mara) &ndash; usar&atilde;o uma qualidade inferior, o Standard Definition (SD). <\/p>\n<p>Diante disso, Regina Lima, que tamb&eacute;m &eacute; diretora da Funda&ccedil;&atilde;o Paraense de Radiodifus&atilde;o (Funtelpa), diz que, apesar de a EBC ainda n&atilde;o ter tornado p&uacute;blica qualquer proposta a este respeito, as emissoras estaduais entendem que tomar parte do operador &uacute;nico significa abrir m&atilde;o de transmitir em HD. &ldquo;Foi pensado um operador nacional, n&atilde;o para o n&iacute;vel estadual. A minha compreens&atilde;o &eacute; que se aderirmos [ao operador nacional], vamos entrar em baixa defini&ccedil;&atilde;o. Ningu&eacute;m que tem 6MHz vai querer isso&rdquo;, explica a presidente da Abepec, fazendo men&ccedil;&atilde;o ao fato de que por terem concess&atilde;o no sistema anal&oacute;gico, as educativas t&ecirc;m direito a um canal tamb&eacute;m no espectro digitalizado.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, h&aacute; a amea&ccedil;a de que emissoras estaduais sejam transmitidas nas suas localidades sem o direito a multiprograma&ccedil;&atilde;o, concorrendo de forma desigual com a TV Brasil. Hoje, a multiprograma&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; permitida a emissoras que tenham liga&ccedil;&atilde;o com entes federais. <\/p>\n<p>P&oacute;la Ribeiro exp&otilde;e o que tem sido posi&ccedil;&atilde;o recorrente entre as filiadas da&nbsp; Abepec: &ldquo;Temos interesse em constituir a nossa pr&oacute;pria transmiss&atilde;o digital ao ocupar todos as faixas do espectro de 6MHz [dos canais pr&oacute;prios das educativas]. Tivemos um atraso razo&aacute;vel [na transi&ccedil;&atilde;o para o digital] e precisamos correr atr&aacute;s desse preju&iacute;zo.&rdquo; Ribeiro pensa que os estados possam tamb&eacute;m ter um canal da comunidade, um da educa&ccedil;&atilde;o, um de m&uacute;sica, um da TV Brasil e outro universit&aacute;rio, por exemplo. &ldquo;N&atilde;o queremos uma faixa com apenas quatro horas de conte&uacute;do&rdquo;, conclui P&oacute;la. <\/p>\n<p><strong>Estrutura e Programa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Outros problemas hist&oacute;ricos de estrutura, financiamento e produ&ccedil;&atilde;o das emissoras do campo p&uacute;blico tamb&eacute;m s&atilde;o elementos de diverg&ecirc;ncias. O superintendente da Rede Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, Marco Ant&ocirc;nio Coelho, diz que outras iniciativas ser&atilde;o postas em pr&aacute;tica para alcan&ccedil;ar os princ&iacute;pios defendidos pela presidente Tereza Cruvinel e pelo F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas, a come&ccedil;ar pela capta&ccedil;&atilde;o. Hoje, o or&ccedil;amento das emissoras estaduais &eacute; restrito a cotasde repasses estatais e h&aacute; uma limita&ccedil;&atilde;o de patroc&iacute;nio, muitas vezes burladas por propagandas comerciais tradicionais. &ldquo;Com a rede, iremos desenvolver um formato de capta&ccedil;&atilde;o nacional que tenha no bojo incentivo a quem produz. Aquele que produzir e colocar em rede, vai ter retorno financeiro. N&atilde;o queremos tutelar, mas que eles pr&oacute;prios se capacitem para buscar isso. Um trabalho exaustivo que tamb&eacute;m envolve rateio de an&uacute;ncios institucionais&rdquo;, explica Coelho. Segundo ele, apenas a a Rede Minas e a TVE Bahia contam com departamento de capta&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m limitado.<\/p>\n<p>Regina Lima enxerga no modelo proposto de capta&ccedil;&atilde;o para a programa&ccedil;&atilde;o vinculada a rede algo pr&oacute;ximo das redes comerciais. &ldquo;Formularam uma tabela para capta&ccedil;&atilde;o na qual questionei os crit&eacute;rios. Os percentuais s&atilde;o diferenciados. Tem TV que vai ganhar 1,5% e outras como a RedeMinas 5,5%&rdquo;, comentou. Quanto &agrave; estrutura, a representante da emissora paraense explica que o investimento &eacute; necess&aacute;rio para dar condi&ccedil;&otilde;es as estaduais produzirem conte&uacute;do.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda como reposta ao F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas, o superintendente detalha o desenvolvimento de um sistema de co-produ&ccedil;&otilde;es que ainda n&atilde;o foi assinado: &ldquo;N&oacute;s vamos dar recursos pras emissoras [estaduais]. Ao inv&eacute;s delas fazerem o produto, pegamos os recursos e vamos aos parceiros. Nesse momento, usa-se a produ&ccedil;&atilde;o independente local.&rdquo; <\/p>\n<p>As iniciativas mais en&eacute;rgicas neste momento, de acordo com Coelho, ser&atilde;o para as emissoras mais deficit&aacute;rias, principalmente as universit&aacute;rias, cuja concess&atilde;o para transmitirem em sinal aberto &eacute; autorizada pela pr&oacute;pria EBC. Mato Grosso, Roraima, Pernambuco e Rio Grande do Norte est&atilde;o sendo contemplados. No caso da Para&iacute;ba, citou o investimento direto na montagem de antena e transmissor.<\/p>\n<p>Em Salvador, P&oacute;la Ribeiro diz que j&aacute; h&aacute; avan&ccedil;os concretos relacionados &agrave; rede. &ldquo;Conseguimos a institucionaliza&ccedil;&atilde;o de alguns apoios que estamos maturando h&aacute; dois anos. O recurso &eacute; pequeno, mas o gesto &eacute; importante. Na parte do jornalismo, vai comprometer o regional com o nacional. Nos programas infantis, cada estado vai desenvolver a sua pr&oacute;pria programa&ccedil;&atilde;o com apoio da EBC&rdquo;, cita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emissoras estaduais indicam que v&atilde;o reformular modelos de gest&atilde;o, mas ainda discutem sobre seu espa&ccedil;o na rede com o espectro digitalizado <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[110],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24369"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24369"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24369\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28118,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24369\/revisions\/28118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}