{"id":24366,"date":"2010-05-10T15:16:08","date_gmt":"2010-05-10T15:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24366"},"modified":"2010-05-10T15:16:08","modified_gmt":"2010-05-10T15:16:08","slug":"contra-o-controle-social-midia-comercial-defende-autorregulacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24366","title":{"rendered":"Contra o controle social, m\u00eddia comercial defende autorregula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><span class=\"padrao\">N&atilde;o &eacute; de hoje que existe uma disputa no campo da comunica&ccedil;&atilde;o entre aqueles que acreditam que o setor precisa de regras mais r&iacute;gidas &ndash; e que as normas existentes sejam cumpridas &ndash; e aqueles que defendem menos regula&ccedil;&atilde;o. Esses &uacute;ltimos tiveram muito o que comemorar no ano passado, quando a Justi&ccedil;a extinguiu a Lei de Imprensa (5.250\/67) e p&ocirc;s fim de vez com a obrigatoriedade da exig&ecirc;ncia do diploma em jornalismo para exercer a profiss&atilde;o. <\/p>\n<p>Esses s&atilde;o s&oacute; dois exemplos recentes que comprovam que parte significativa das grandes empresas de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s preferem que existam cada vez menos regula&ccedil;&atilde;o para o setor. Ou que, se existirem, as regras sejam feitas pelos pr&oacute;prios ve&iacute;culos privados, sem a participa&ccedil;&atilde;o do Estado. &Eacute; nessa tecla que bateu mais uma vez o vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Editores de Revistas (Aner), Sidnei Basile, na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira (4), durante a 5&ordf; Confer&ecirc;ncia Legislativa sobre Liberdade de Imprensa, realizada na C&acirc;mara em comemora&ccedil;&atilde;o ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de maio).<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o h&aacute; outro jeito. Temos um encontro marcado com a autorregula&ccedil;&atilde;o, ainda que n&atilde;o tenhamos aceito plenamente esse convite. T&atilde;o mais tortuoso e torturado ser&aacute; o nosso caminho quanto por mais tempo adiarmos essa converg&ecirc;ncia da imprensa com seu destino&rdquo;, discursou Basile, que tamb&eacute;m &eacute; vice-presidente de Rela&ccedil;&otilde;es Institucionais do Grupo Abril. <\/p>\n<p>A avalia&ccedil;&atilde;o de Basile n&atilde;o ecoou isolada. Os presidentes da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais (ANJ) e da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert), Judith Brito e Daniel Slaviero respectivamente, deram declara&ccedil;&otilde;es concordando com a ideia da autorregula&ccedil;&atilde;o como sa&iacute;da para os v&aacute;cuos normativos que existem hoje. E al&eacute;m das entidades privadas, a ideia tamb&eacute;m &eacute; defendida por membros do alto escal&atilde;o do Poder P&uacute;blico, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, que foi o relator da proposta que acabou com a Lei de Imprensa. <\/p>\n<p>Segundo Basile seria constru&iacute;do uma esp&eacute;cie de c&oacute;digo de conduta para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o de jornalista. &ldquo;N&atilde;o um, mas muitos c&oacute;digos de conduta, porque s&atilde;o muitos os ve&iacute;culos e o compromisso de se auto-regular &eacute;&nbsp;uma forma de garantir aos leitores, telespectadores, ouvintes, que&nbsp;cada &nbsp;ve&iacute;culo tem um conjunto de regras &#8211; que seu p&uacute;blico precisa conhecer &#8211; e que vai se pautar por essas regras no trabalho de verifica&ccedil;&atilde;o editorial&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>Para o representante do Grupo Abril, esses c&oacute;digos serviriam para disciplinar quest&otilde;es recorrentes na pr&aacute;tica jornal&iacute;stica, como assegurar o direito de defesa de quem esteja sendo acusado por alguma mat&eacute;ria, ouvir as partes envolvidas em um fato, n&atilde;o misturar opini&atilde;o com not&iacute;cia, evitar o m&aacute;ximo as acusa&ccedil;&otilde;es off the records &ndash; aquelas em que n&atilde;o se revela quem deu a declara&ccedil;&atilde;o &ndash; e n&atilde;o conseguir not&iacute;cias se passando por outra pessoa.  <\/p>\n<p>&ldquo;Fica meio c&ocirc;mico. Essas s&atilde;o coisas da pr&eacute;-hist&oacute;ria do jornalismo moderno&rdquo;, critica o pesquisador s&ecirc;nior da Universidade de Bras&iacute;lia Ven&iacute;cio A. de Lima, que &eacute; contr&aacute;rio a ideia da autorregula&ccedil;&atilde;o da atividade jornal&iacute;stica. A Lei de Imprensa, lembra ele, j&aacute; continha alguns mecanismos para evitar esses desvios citados por Basile. Por isso, Lima acredita que acabar com a Lei de Imprensa foi uma decis&atilde;o equivocada do STF. &ldquo;Algumas das partes da lei tinham recep&ccedil;&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p>A proposta das entidades empresariais parece n&atilde;o ser muito diferente do que j&aacute; &eacute; praticado hoje no pa&iacute;s. V&aacute;rios jornais, por exemplo, j&aacute; possuem seus c&oacute;digos internos de conduta. Os jornalistas tamb&eacute;m possuem um c&oacute;digo de &eacute;tica. Mas essas normas, sem d&uacute;vida, tem muito menos poder que uma lei. Para Basile, o Estado n&atilde;o precisa intervir mais na quest&atilde;o porque &ldquo;os poderes constitu&iacute;dos j&aacute; decidiram a moldura em que a liberdade de express&atilde;o se d&aacute;. E, afinal, para coibir abusos, temos o C&oacute;digo Penal, que pune os delitos contra a honra, os &uacute;nicos que podemos perpetrar no exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o, de maneira adequada.&rdquo;<\/p>\n<p>Essa declara&ccedil;&atilde;o do representante do Grupo Abril desvela como os representantes dos grandes grupos privados est&atilde;o satisfeitos com a pouca regula&ccedil;&atilde;o existente hoje sobre a pr&aacute;tica jornal&iacute;stica e tamb&eacute;m sobre a estrutura da m&iacute;dia no pa&iacute;s. Para esses, a liberdade de express&atilde;o vive sua plenitude no Brasil. <\/p>\n<p>Por outro lado, tantos outros especialistas e militantes da luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o acreditam que existe mais liberdade de express&atilde;o no pa&iacute;s, mas ela ainda est&aacute; distante de atingir seu &aacute;pice. H&aacute; no fundo dessa diverg&ecirc;ncia com os empres&aacute;rios uma vis&atilde;o diferente de como se configuraria a liberdade de express&atilde;o atualmente. <\/p>\n<p>O pesquisador Ven&iacute;cio Lima lembra, por exemplo, que os representantes da m&iacute;dia comercial quase nunca citam em seus discursos a concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade que existe no setor da comunica&ccedil;&atilde;o. Para ele, a exist&ecirc;ncia do oligop&oacute;lio ou monop&oacute;lio midi&aacute;tico &eacute; um dos fatores fundamentais para que n&atilde;o se possa considerar que a liberdade de express&atilde;o &eacute; plena no pa&iacute;s. &ldquo;Sem a garantia de funcionamento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o dentro de uma &#39;estrutura polic&ecirc;ntrica&#39;, n&atilde;o h&aacute; como falar em liberdade de imprensa garantidora da democracia&rdquo;, defende Lima, em <a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=554JDB008\" target=\"_blank\">artigo<\/a>  publicado no Observat&oacute;rio da Imprensa.<\/span><strong><\/p>\n<p>Ofensiva<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), S&eacute;rgio Murillo, v&ecirc; nessa movimenta&ccedil;&atilde;o dos empres&aacute;rios em torno da autorregula&ccedil;&atilde;o uma ofensiva conservadora. Para ele, apesar de os avan&ccedil;os do governo terem sido t&iacute;midos na &aacute;rea, percebe-se que as corpora&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia est&atilde;o um pouco acuadas. &ldquo;&Eacute; a resposta que eles est&atilde;o encontrando&rdquo;, avalia. <\/p>\n<p>Ele observa, por exemplo, o grande n&uacute;mero de eventos que os representantes da grande m&iacute;dia comercial tem promovido recentemente. Alguns realizados com parceiros p&uacute;blicos, como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. &ldquo;O que eu lamento&rdquo;, comenta S&eacute;rgio Murilo. <\/p>\n<p>O presidente da Fenaj acredita que a autorregula&ccedil;&atilde;o proposta por entidades de peso do campo privado da comunica&ccedil;&atilde;o, como a ANJ, a Abert e a Aner vem em resposta a um movimento da sociedade civil de cobran&ccedil;a por regula&ccedil;&atilde;o do Estado na &aacute;rea. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que por v&aacute;rias vezes os representantes destas organiza&ccedil;&otilde;es tem atacado em seus discursos as constru&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que tiveram a participa&ccedil;&atilde;o popular, como a 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o e o 3&ordm; Plano Nacional de Direitos Humanos. <\/p>\n<p>&ldquo;O sonho deles &eacute; lei zero&rdquo;, critica S&eacute;rgio Murillo. Mas como, ainda na opini&atilde;o do representante da Fenaj, as entidades patronais n&atilde;o se sentiriam confort&aacute;veis com esse tipo de proposta, que teria dificuldade de ser bem aceita entre a popula&ccedil;&atilde;o, elas vem trabalhando com a ideia de autorregula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidades empresariais do setor pedem, mais uma vez, por autorregula&ccedil;&atilde;o da atividade jornal&iacute;stica; movimento pode ser orquestrado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[271],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24366"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24366\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}