{"id":24336,"date":"2010-05-04T18:28:41","date_gmt":"2010-05-04T18:28:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24336"},"modified":"2010-05-04T18:28:41","modified_gmt":"2010-05-04T18:28:41","slug":"antropologo-da-ufrj-diz-que-veja-fabricou-declaracao-em-reportagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24336","title":{"rendered":"Antrop\u00f3logo da UFRJ diz que Veja &#8220;fabricou&#8221; declara\u00e7\u00e3o em reportagem"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Eduardo Viveiros de Castro, antrop&oacute;logo e professor do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) enviou carta &agrave; revista <em>Veja<\/em>, contestando declara&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da a ele pela publica&ccedil;&atilde;o. Castro diz que mat&eacute;ria publicada na edi&ccedil;&atilde;o desta semana do seman&aacute;rio, intitulada &quot;A farra dos antrop&oacute;logos oportunistas&quot;, inventou declara&ccedil;&atilde;o sua sobre os &iacute;ndios.<\/p>\n<p>A reportagem de <em>Veja<\/em> diz que antrop&oacute;logos e especialistas em cultura ind&iacute;gena &quot;inventaram o conceito de &#39;&iacute;ndios ressurgidos&quot; para se beneficiar da delimita&ccedil;&atilde;o de terras destinadas pelo governo. O texto afirma que a &quot;leni&ecirc;ncia&quot; com que a Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio (Funai) analisa e classifica&nbsp; ind&iacute;genas &quot;permitiu que comunidades espalhadas pelo pa&iacute;s se apresentassem como tribos desaparecidas&quot;, mantendo&nbsp;v&iacute;nculo com a cultura&nbsp;e ficando sujeitas a direitos destinados pela Uni&atilde;o. <\/p>\n<p>Para embasar a tese de que grupos se intitulam erradamente como &iacute;ndios, <em>Veja <\/em>publica suposta declara&ccedil;&atilde;o de Castro, explicando a origem da cultura. &quot;N&atilde;o basta dizer que &eacute; &iacute;ndio para se transformar em um deles. S&oacute; &eacute; &iacute;ndio quem nasce, cresce e vive num ambiente de cultura ind&iacute;gena original&quot;. A reportagem diz ainda que o antrop&oacute;logo &eacute; defensor da teoria dos &quot;&iacute;ndios ressurgidos&quot;. <\/p>\n<p>Em carta enviada &agrave; <em>Veja<\/em>, Castro diz que n&atilde;o teve contato com a reportagem da revista e que n&atilde;o concedeu entrevista aos autores da reportagem. &quot;(&#8230;) N&atilde;o pronunciei em qualquer ocasi&atilde;o, ou publiquei em qualquer ve&iacute;culo, reflex&atilde;o t&atilde;o grotesca, no conte&uacute;do como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribu&iacute;da contradiz o esp&iacute;rito de todas declara&ccedil;&otilde;es que j&aacute; tive ocasi&atilde;o de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de &quot;montado&quot; ou de simplesmente inventado na mat&eacute;ria. A qual, se me permitem a opini&atilde;o, achei repugnante&quot;, escreveu o antrop&oacute;logo. <\/p>\n<p>A revista, por sua vez, divulgou nota, contestando as cr&iacute;ticas de Castro. Segundo a <em>Veja<\/em>, o antrop&oacute;logo teria sido procurado por meio da assessoria de imprensa do Museu Nacional. Na ocasi&atilde;o,&nbsp;de acordo com a publica&ccedil;&atilde;o, o antrop&oacute;logo recomendou o uso de um artigo de sua autoria, chamado &quot;No Brasil, todo mundo &eacute; &iacute;ndio, exceto quem n&atilde;o &eacute;&quot;. O texto expressaria a opini&atilde;o do especialista sobre o tema. <\/p>\n<p>&quot;A frase publicada por <em>VEJA<\/em> espelha opini&atilde;o escrita mais de uma vez em seu texto (&quot;N&atilde;o &eacute; qualquer um; e n&atilde;o basta achar ou dizer; s&oacute; &eacute; &iacute;ndio, como eu disse, quem se garante&quot; e &quot;pode-se dizer que ser &iacute;ndio &eacute; como aquilo que Lacan dizia sobre ser louco: n&atilde;o o &eacute; quem quer. Nem quem simplesmente o diz. Pois s&oacute; &eacute; &iacute;ndio quem se garante&quot;, refor&ccedil;a a revista, acrescentando que o antrop&oacute;logo &quot;pode n&atilde;o corroborar&quot; com a &iacute;ntegra da reportagem, mas &quot;concorda, como est&aacute; demonstrada em sua produ&ccedil;&atilde;o intelectual&quot;, que a autodeclara&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; suficiente para que algu&eacute;m seja considerado &iacute;ndio. <\/p>\n<p>Ap&oacute;s a resposta, o antrop&oacute;logo publicou nova carta &agrave; revista, reiterando que o seman&aacute;rio &quot;fabricou descaradamente&quot; a declara&ccedil;&atilde;o publicada. &quot;Em meu texto sustento, ao contr&aacute;rio e positivamente, que &eacute; perfeitamente poss&iacute;vel especificar diversas condi&ccedil;&otilde;es suficientes para se assumir uma identidade ind&iacute;gena&quot;, diz Castro. &quot;Talvez os respons&aacute;veis pela mat&eacute;ria n&atilde;o conhe&ccedil;am a diferen&ccedil;a entre condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias e condi&ccedil;&otilde;es suficientes. Que voltem aos bancos da escola&quot;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo Viveiros de Castro, antrop&oacute;logo e professor do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) enviou carta &agrave; revista Veja, contestando declara&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da a ele pela publica&ccedil;&atilde;o. Castro diz que mat&eacute;ria publicada na edi&ccedil;&atilde;o desta semana do seman&aacute;rio, intitulada &quot;A farra dos antrop&oacute;logos oportunistas&quot;, inventou declara&ccedil;&atilde;o sua sobre os &iacute;ndios. 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