{"id":24317,"date":"2010-04-30T14:52:00","date_gmt":"2010-04-30T14:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24317"},"modified":"2010-04-30T14:52:00","modified_gmt":"2010-04-30T14:52:00","slug":"lei-da-anistia-acao-entre-amigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24317","title":{"rendered":"Lei da Anistia: A\u00e7\u00e3o entre amigos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>Coment&aacute;rio para o programa radiof&ocirc;nico do OI, 30\/4\/2010<\/em><\/p>\n<p>A decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal de rejeitar, por sete votos a dois, o pedido de revis&atilde;o da Lei da Anistia, encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil, &eacute; tema de primeira p&aacute;gina de todos os jornais de circula&ccedil;&atilde;o nacional nas edi&ccedil;&otilde;es de sexta-feira (30\/4).<\/p>\n<p>Promulgada em 1979, a lei consolidava um acordo que viria a permitir a retirada do poder dos chefes militares que se sucediam na Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica desde 1964. Com o desgaste do regime, os ide&oacute;logos da ditadura impuseram &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o consentida da &eacute;poca um acordo de esquecimento em troca da reabilita&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os cujos direitos pol&iacute;ticos haviam sido cassados por for&ccedil;a dos atos institucionais.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o do STF vai na contram&atilde;o do entendimento das cortes internacionais, que n&atilde;o aceitam a anistia de crimes contra a humanidade.<\/p>\n<p>Na &eacute;poca, era comum a imprensa se referir &agrave; &quot;sociedade civil organizada&quot; como refer&ecirc;ncia da opini&atilde;o p&uacute;blica que contava &ndash; ou aquele conjunto de for&ccedil;as pol&iacute;ticas que negociava com os militares um final sem traumas para o regime que desmoronava.<\/p>\n<p><strong>Longe das decis&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Foi a segunda ditadura mais longa do per&iacute;odo na Am&eacute;rica Latina, apenas mais curta do que o regime cubano. Centenas de pessoas foram mortas e desapareceram nos &oacute;rg&atilde;os de repress&atilde;o, milhares foram perseguidos e o arcabou&ccedil;o institucional do Brasil virou de pernas para o ar. <\/p>\n<p>Ainda hoje o pa&iacute;s enfrenta sequelas daquele per&iacute;odo autorit&aacute;rio. Uma delas &eacute; o temor de ajustar as contas com a Hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>A imprensa, que foi parte influente nesse acordo, sempre se recusou a vasculhar os crimes da ditadura. Muitos dos pol&iacute;ticos que apoiaram o regime militar se tornaram personagens diletos do notici&aacute;rio e fontes de opini&atilde;o de jornais e revistas.<\/p>\n<p>O jogo do poder segue sendo partilhado pelas mesmas for&ccedil;as que articularam a anistia e a reorganiza&ccedil;&atilde;o institucional que se seguiu. A mesma &quot;sociedade civil organizada&quot; conduziu, na d&eacute;cada seguinte, a Constitui&ccedil;&atilde;o que viria a compor o arcabou&ccedil;o legal do Brasil redemocratizado.<\/p>\n<p>Na &eacute;poca em que se deu essa negocia&ccedil;&atilde;o, quase metade da popula&ccedil;&atilde;o brasileira vivia em condi&ccedil;&otilde;es de pobreza, ocupada com a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia, e, por isso, alienada das decis&otilde;es pol&iacute;ticas. Os acordos da chamada &quot;sociedade civil organizada&quot; contemplavam os interesses da outra metade. <\/p>\n<p><strong>Dormir em paz<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil mudou desde ent&atilde;o. Grande parte daqueles que eram os exclu&iacute;dos forma agora a nova classe m&eacute;dia, a fatia predominante na sociedade. Esses devem acompanhar com estranheza a decis&atilde;o do STF, como se estivesse acontecendo em um pa&iacute;s estrangeiro. &Eacute; nessas fam&iacute;lias que recai a heran&ccedil;a violenta da ditadura, por meio da trucul&ecirc;ncia policial que restou das escolas de tortura.<\/p>\n<p>Os torturadores do tempo da ditadura podem dormir em paz, sem medo da Justi&ccedil;a. Assim como dormem em paz os torturadores e assassinos dos tempos democr&aacute;ticos.<\/p>\n<p><em>* Luciano Martins Costa &eacute; jornalista e colaborador do Observat&oacute;rio da Imprensa.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Muitos dos pol&iacute;ticos que apoiaram o regime militar se tornaram personagens diletos do notici&aacute;rio e fontes de opini&atilde;o de jornais e revistas<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24317"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24317"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24317\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}