{"id":24273,"date":"2010-04-22T17:36:19","date_gmt":"2010-04-22T17:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24273"},"modified":"2014-09-07T02:59:51","modified_gmt":"2014-09-07T02:59:51","slug":"na-ba-demandas-empresariais-podem-atrasar-conselho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24273","title":{"rendered":"Na BA, demandas empresariais podem atrasar conselho"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">As primeiras discuss&otilde;es sobre o formato, as fun&ccedil;&otilde;es e a composi&ccedil;&atilde;o do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Estadual na Bahia j&aacute; d&atilde;o sinais das dificuldades a serem enfrentadas para que o projeto seja efetivado. Governo, sociedade civil e empres&aacute;rios debatem o documento a ser enviado pelo Executivo &agrave; Assembl&eacute;ia Legislativa desde janeiro, num Grupo de Trabalho (GT) criado pelo governador Jaques Wagner (PT) na etapa local da I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom). As discuss&otilde;es emperraram quando o tema passou a ser a composi&ccedil;&atilde;o do conselho. O impasse, criado pelo empresariado, coloca na berlinda inclusive o acordo j&aacute; alcan&ccedil;ado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es do &oacute;rg&atilde;o.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s uma primeira fase de estudos sobre o papel dos conselhos a partir de experi&ecirc;ncias nacionais, o GT iniciou o debate das finalidades com avan&ccedil;os significativos, em especial na predisposi&ccedil;&atilde;o de todos os setores por dar car&aacute;ter deliberativo ao &oacute;rg&atilde;o. Por&eacute;m, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o, os empres&aacute;rios exigem n&uacute;mero de cadeiras igual ao destinados a representantes de outros setores sociais.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, 28, &agrave;s 14 horas, os tr&ecirc;s setores apresentar&atilde;o suas posi&ccedil;&otilde;es em uma reuni&atilde;o aberta na Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal da Bahia, que funcionar&aacute; como consulta p&uacute;blica. <\/p>\n<p>A previs&atilde;o inicial era que o GT fechasse a proposta no fim de abril, mas o Executivo estadual d&aacute; sinais de adiamento do prazo. O governo n&atilde;o tem apresentado muitas sugest&otilde;es ou demandas, mas, at&eacute; agora, as posi&ccedil;&otilde;es colocadas &agrave; mesa foram de converg&ecirc;ncia com os empres&aacute;rios em rela&ccedil;&atilde;o ao enxugamento das atribui&ccedil;&otilde;es do Conselho.<\/p>\n<p><strong>Composi&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A proposta em discuss&atilde;o sobre a composi&ccedil;&atilde;o do GT tamb&eacute;m prev&ecirc; uma estrutura enxuta. At&eacute; o momento, prev&ecirc;-se que o n&uacute;mero de membros deva ficar entre 21 e 25, n&uacute;mero pequeno em compara&ccedil;&atilde;o a outros conselhos. <\/p>\n<p>J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; divis&atilde;o das vagas, a pol&ecirc;mica est&aacute; instaurada. Os empres&aacute;rios almejam garantir um ter&ccedil;o das cadeiras, sob justificativa de que o poder econ&ocirc;mico deve ser enaltecido no Conselho. A premissa &agrave; qual o setor empresarial tem recorrido &eacute; a metodologia usada na 1&ordf; Confecom. Na confer&ecirc;ncia nacional, a &ldquo;sociedade civil empresarial&rdquo; teve direito a 40% dos delegados, n&uacute;mero id&ecirc;ntico ao da &ldquo;sociedade civil n&atilde;o empresarial&rdquo;. Al&eacute;m disso, houve a institui&ccedil;&atilde;o do direito ao &ldquo;voto sens&iacute;vel&rdquo;, a possibilidade de um dos setores exigir qu&oacute;rum qualificados nas vota&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, os empres&aacute;rios baianos defendem ainda que a universidade e os produtores de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria devem ser colocados na cota na sociedade civil.<\/p>\n<p>No geral, as entidades origin&aacute;rias da Comiss&atilde;o Pr&oacute; Confer&ecirc;ncia da Bahia tentam se fortalecer na estrutura de conselhos de outras &aacute;reas, como a sa&uacute;de e a educa&ccedil;&atilde;o, para tentar evitar este formato de divis&atilde;o (<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24275\">saiba mais<\/a> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t-->). Sivaldo Pereira, membro do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e suplente do GT, lembra ainda que, conceitualmente, entes privados n&atilde;o podem participar de inst&acirc;ncias de delibera&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas em p&eacute; de igualdade com movimentos sociais. &quot;Pela sua pr&oacute;pria natureza, os empres&aacute;rios defendem interesses privados-comerciais e os movimentos sociais defendem interesse p&uacute;blico. Num estado democr&aacute;tico, o interesse p&uacute;blico deve prevalecer sobre o interesse privado-comercial&quot;, afirma.  <\/p>\n<p> <strong>Finalidades<\/strong><\/p>\n<p>Embora amea&ccedil;ada pelas negocia&ccedil;&otilde;es sobre a composi&ccedil;&atilde;o, h&aacute; alguma converg&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao car&aacute;ter e &agrave;s finalidades do Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o. At&eacute; o momento, a sinaliza&ccedil;&atilde;o dos empres&aacute;rios &eacute; apoiar o car&aacute;ter deliberativo do conselho e a ida do projeto &agrave; AL. Quanto &agrave;s finalidades e compet&ecirc;ncias, h&aacute; acordo sobre a tarefa de tra&ccedil;ar um Plano Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Certamente as pautas da confer&ecirc;ncia (estadual) deveriam estar nesse conselho, para que se veja at&eacute; que ponto as demandas da sociedade civil s&atilde;o implementadas pelo Estado&rdquo;, enfatiza Daniella Rocha, integrante da Cip&oacute; Comunica&ccedil;&atilde;o e uma das representantes da sociedade civil no GT.<\/p>\n<p>Por outro lado, segundo ela, h&aacute; uma grande pol&ecirc;mica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s compet&ecirc;ncias do novo &oacute;rg&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s verbas destinadas &agrave; publicidade governamental. A preocupa&ccedil;&atilde;o em garantir que o conselho tenha influ&ecirc;ncia nesta quest&atilde;o se justifica pelo fato de o executivo estadual ser o maior anunciante do mercado publicit&aacute;rio baiano, mas serem restritas as a&ccedil;&otilde;es para redirecionar os investimentos atrav&eacute;s de projetos e pol&iacute;ticas que valorizem a diversidade e pluralidade no setor. <\/p>\n<p>O objetivo da sociedade civil &eacute; que o conselho tenha, entre suas atribui&ccedil;&otilde;es o incentivo &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, iniciativas voltadas para as viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos na m&iacute;dia (como observat&oacute;rios e centros de estudos) e outras experi&ecirc;ncias alternativas e populares no estado, al&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o nas atividades dos &oacute;rg&atilde;os de radiodifus&atilde;o e imagem estatais.<\/p>\n<p><strong>Fragilidade institucional<\/p>\n<p><\/strong>Na condu&ccedil;&atilde;o do GT, o primeiro desafio foi encarar a fragilidade institucional dos Conselhos de Comunica&ccedil;&atilde;o, a come&ccedil;ar pelo engavetamento de duas propostas na Assembleia Legislativa (AL) baiana nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990, sob justificativa de inconstitucionalidade. &ldquo;Enquanto temos 20 anos de Constitui&ccedil;&atilde;o, em que se avan&ccedil;a na democracia participativa, na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o a gente retrocede. &Eacute; certo que a gente n&atilde;o tem censura, mas estamos numa &lsquo;terra de ningu&eacute;m&rsquo;, sem legisla&ccedil;&atilde;o, nem nada&rdquo;, sublinha Daniella Rocha.<\/p>\n<p>Outra preocupa&ccedil;&atilde;o apontada pelos representantes da sociedade civil &eacute; a estrutura institucional ao qual o conselho estar&aacute; vinculado. A quase inexist&ecirc;ncia de um sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o, nos moldes da sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; um dos argumentos dos empres&aacute;rios para tentar limitar o alcance das a&ccedil;&otilde;es do conselho na origem. Este argumento tem sido ratificado pelo governo estadual nos poucos momentos em que este apresenta posicionamentos dentro dos debates do grupo de trabalho.<\/p>\n<p>Sivaldo Pereira refor&ccedil;a duas quest&otilde;es que devem ser levadas em conta na estrutura&ccedil;&atilde;o da proposta: &ldquo;Primeiro, ele tem de ter poder de discutir e deliberar. Segundo, &eacute; preciso garantir a legitimidade do conselho. Ele pode ter poder, mas se seus membros forem indicados apenas pelo Executivo, n&atilde;o vai servir pra nada.&rdquo; Pereira ressalta que os representantes da Comiss&atilde;o Pr&oacute; Confer&ecirc;ncia da Bahia que integram o GT t&ecirc;m atuado com unidade, defendendo o car&aacute;ter normativo, fiscalizador e consultivo do conselho. O grupo tamb&eacute;m quer que o projeto passe pela Assembl&eacute;ia Legislativa, ganhando for&ccedil;a de lei e, portanto, pol&iacute;tica permanente do estado.<\/p>\n<p>O resultado das discuss&otilde;es, entretanto, dependem em grande parte da vontade pol&iacute;tica do governo estadual, j&aacute; que o GT &eacute; composto por dois representantes da sociedade civil, dois representantes dos empres&aacute;rios e quatro representantes do governo estadual. Ap&oacute;s o trabalho do GT, o texto ainda dever&aacute; passar pela Casa Civil e, talvez, pela AL. &ldquo;Vamos ter de continuar pressionando pela integridade do conselho&rdquo;, comenta Pereira. <\/p>\n<p>A cria&ccedil;&atilde;o do conselho baiano foi anunciada durante a 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o, realizada em 2008, antes mesmo da convoca&ccedil;&atilde;o da Confecom. As discuss&otilde;es no interior e na capital demonstraram que, apesar da legisla&ccedil;&atilde;o e estrutura administrativa historicamente centralizadora, existem for&ccedil;as econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas interessadas em participar das decis&otilde;es em n&iacute;vel regional. Neste contexto, houve uma valoriza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas locais, sendo o Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o resultado direto deste processo.<\/p>\n<p><em>* Andr&eacute; Ara&uacute;jo colaborou com a realiza&ccedil;&atilde;o desta mat&eacute;ria como integrante do Centro de Comunica&ccedil;&atilde;o, Democracia e Cidadania da Universidade Federal da Bahia.<\/p>\n<p><\/em><strong>VEJA TAMB&Eacute;M:<\/strong><em><br \/><\/em><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24274\">Poucos estados e munic&iacute;pios contam com conselhos de comunica&ccedil;&atilde;o<\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24275\">Experi&ecirc;ncias de outras &aacute;reas inspiram discuss&atilde;o sobre conselhos de comunica&ccedil;&atilde;o<\/a><\/p>\n<p>*** CORRIGIDA EM 26\/4\/2010 &#8211; Os empres&aacute;rios pedem paridade com os demais setores sociais e n&atilde;o a divis&atilde;o parit&aacute;ria do conselho, destinando um ter&ccedil;o para o setor privado, os setores sociais e o governo como expresso anteriormente. O texto j&aacute; foi alterado.  <\/p>\n<p>*** CORRIGIDA EM 29\/4\/2010 &#8211; A pedido do entrevistado, foi modificada a primeira declara&ccedil;&atilde;o de Sivaldo Pereira, sobre a representa&ccedil;&atilde;o empresarial no conselho. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresariado pede representa&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica &agrave; dos outros setores no futuro Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o; consulta p&uacute;blica ser&aacute; realizada dia 28<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1298],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24273"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24273"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28107,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24273\/revisions\/28107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}