{"id":24237,"date":"2010-04-12T17:38:25","date_gmt":"2010-04-12T17:38:25","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24237"},"modified":"2010-04-12T17:38:25","modified_gmt":"2010-04-12T17:38:25","slug":"producao-de-documentarios-dobra-no-brasil-mas-publico-se-mantem-em-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24237","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios dobra no Brasil, mas p\u00fablico se mant\u00e9m em 2,5%"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">RIO &#8211; Os documentaristas brasileiros trabalharam dobrado no ano passado. No per&iacute;odo da Retomada, de 1995 em diante, os document&aacute;rios representaram cerca de 26% do total da produ&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Em 2008, por exemplo, dos 77 t&iacute;tulos nacionais lan&ccedil;ados, 20 eram document&aacute;rios. Mas a&iacute; os equipamentos de produ&ccedil;&atilde;o e exibi&ccedil;&atilde;o baratearam, alguns programadores passaram a apostar mais no g&ecirc;nero, e muitos diretores acabaram se curvando ao charme de hist&oacute;rias (mais ou menos) reais, muitas sobre &iacute;dolos da m&uacute;sica ou sobre esportes. A consequ&ecirc;ncia foi que, dos 85 filmes nacionais que estrearam em 2009, 40 eram document&aacute;rios. Ou seja: a produ&ccedil;&atilde;o chegou perto dos 50%, o melhor resultado tanto em valores percentuais quanto absolutos da Hist&oacute;ria do nosso cinema. S&oacute; que, enquanto o n&uacute;mero de filmes crescia numa ponta, a taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o das salas se estagnava na outra. Mesmo com uma oferta maior, o p&uacute;blico dos document&aacute;rios nacionais foi de 2,5% em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o brasileira. A taxa m&eacute;dia da Retomada? 2,5%. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O melhor p&uacute;blico de um document&aacute;rio brasileiro em 2009 foi o de &quot;Simonal &#8211; Ningu&eacute;m sabe o duro que dei&quot;, de Claudio Manoel, Micael Langer e Cavito Leal, com 71,4 mil espectadores. Por&eacute;m, incluindo-se os filmes de fic&ccedil;&atilde;o, &quot;Simonal&#8230;&quot; surge como o 16&ordm; da lista. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">&ldquo;Os document&aacute;rios sempre ser&atilde;o mercadologicamente um cinema marginal. Est&atilde;o dentro do circuito do cinema de arte em qualquer lugar do mundo e nunca foram um grande neg&oacute;cio. N&atilde;o d&aacute; para voc&ecirc; imaginar que eles ser&atilde;o campe&otilde;es de bilheteria&rdquo;, afirma Amir Labaki, criador e diretor do &Eacute; Tudo Verdade, maior festival de document&aacute;rios da Am&eacute;rica Latina, cuja programa&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou no Rio anteontem e segue at&eacute; o pr&oacute;ximo domingo. &ldquo;No Brasil, estamos construindo para o document&aacute;rio um mercado que n&atilde;o existia. Nos EUA, o desempenho da bilheteria do g&ecirc;nero tamb&eacute;m &eacute; baixo.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Subg&ecirc;neros preferidos s&atilde;o esporte e m&uacute;sica<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O filme &quot;Burma VJ&quot;, de Anders Ostergaard, que foi indicado ao Oscar este ano como melhor document&aacute;rio em longa-metragem, vendeu menos de sete mil ingressos nos Estados Unidos. Mesmo o vencedor do Oscar, &quot;The cove&quot;, n&atilde;o teve um desempenho de blockbuster no pa&iacute;s: foram cerca de 115 mil. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">&ldquo;Os document&aacute;rios t&ecirc;m um circuito exibidor mais restrito, passam apenas em capitais. Eles tamb&eacute;m s&atilde;o lan&ccedil;ados com pouqu&iacute;ssimas c&oacute;pias, e muitos nem conseguem ser exibidos. Em geral, n&atilde;o h&aacute; interesse dos grandes distribuidores, que se baseiam em pesquisas de consumo para tomar a decis&atilde;o de distribuir ou n&atilde;o um t&iacute;tulo. Assim sendo, se os distribuidores n&atilde;o distribuem, os exibidores n&atilde;o exibem&rdquo;, afirma Helena Sroulevich, s&oacute;cia da Caribe Produ&ccedil;&otilde;es e pesquisadora do laborat&oacute;rio do audiovisual do N&uacute;cleo de Economia do Entretenimento da UFRJ. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Helena preparou este ano uma pesquisa, ainda in&eacute;dita, sobre o desempenho dos document&aacute;rios nacionais durante a Retomada. Segundo ela, dos 666 longas-metragens brasileiros exibidos entre 1995 e 2009, 178 (26,7%) foram document&aacute;rios. O p&uacute;blico total dos filmes nacionais foi de cerca de 138 milh&otilde;es de espectadores no per&iacute;odo, com pouco menos de 3,5 milh&otilde;es (2,5%) para os document&aacute;rios. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O trabalho de Helena tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o por apontar uma clara prefer&ecirc;ncia do p&uacute;blico quanto ao tema dos document&aacute;rios nacionais. Entre os filmes lan&ccedil;ados no g&ecirc;nero, 6,6% s&atilde;o esportivos, 11,6% s&atilde;o musicais e 10,5% s&atilde;o biogr&aacute;ficos. Por&eacute;m, olhando para a bilheteria, tudo muda: os document&aacute;rios esportivos ficaram com mais de 25% dos espectadores; os musicais, com mais de 20%; e os biogr&aacute;ficos, com 17,5%. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">&ldquo;Isso n&atilde;o &eacute; surpresa. Os brasileiros adoram m&uacute;sica e esportes. Os filmes de surfe, por exemplo, tiveram um bom resultado. Em outros cantos do mundo, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; a mesma. Lembram como foi a corrida para se assistir a &quot;This is it&quot;, o filme do &uacute;ltimo show do Michael Jackson?&rdquo;,pergunta Labaki. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Por&eacute;m, mesmo com a recente enxurrada de t&iacute;tulos musicais em 2009, o p&uacute;blico total permaneceu em seus 2,5%, o que sugere a exist&ecirc;ncia de um teto de prefer&ecirc;ncia entre os espectadores de document&aacute;rio. <\/p>\n<p>&ldquo;Ficou mais f&aacute;cil captar e fazer document&aacute;rios no Brasil, e muitos diretores est&atilde;o indo por esse caminho. Mas nem sempre com talento, boas ideias ou um grande material. Para atingir o p&uacute;blico de cinema, o document&aacute;rio precisa trazer uma informa&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita ou pol&ecirc;mica, como foi o &quot;Simonal&quot;. Quando isso n&atilde;o acontece, ele cai numa mesmice e entra numa disputa dif&iacute;cil por espa&ccedil;o nos cinemas&rdquo;, diz Paulo S&eacute;rgio Almeida, diretor do portal de an&aacute;lise de mercado Filme B.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO &#8211; Os documentaristas brasileiros trabalharam dobrado no ano passado. No per&iacute;odo da Retomada, de 1995 em diante, os document&aacute;rios representaram cerca de 26% do total da produ&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Em 2008, por exemplo, dos 77 t&iacute;tulos nacionais lan&ccedil;ados, 20 eram document&aacute;rios. 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