{"id":24214,"date":"2010-04-08T16:41:51","date_gmt":"2010-04-08T16:41:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24214"},"modified":"2010-04-08T16:41:51","modified_gmt":"2010-04-08T16:41:51","slug":"senado-discute-novo-fundo-publico-para-financiar-expansao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24214","title":{"rendered":"Senado discute novo fundo p\u00fablico para financiar expans\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Enquanto o debate sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) fortalece  a ideia de que &eacute; importante uma presen&ccedil;a maior do Estado no setor, criando uma infraestrutura p&uacute;blica para prestar o servi&ccedil;o, um projeto em tramita&ccedil;&atilde;o no Senado quer deixar a responsabilidade do crescimento da oferta basicamente nas m&atilde;os das empresas privadas. O Projeto de Lei 06\/2010, apresentado em fevereiro pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB\/PA), j&aacute; foi aprovado pela comiss&atilde;o de origem, a de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (CCT), e est&aacute; para ser encaminhando &agrave; Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a. <\/p>\n<p>At&eacute; agora, o texto passou pelas m&atilde;os dos senadores sem modifica&ccedil;&otilde;es. O tucano prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o do Fundo de Investimentos em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fitel), formado por parcelas de alguns fundos j&aacute; existentes &ndash; o Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fust), o Fundo de Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Funttel) e o Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fistel). <\/p>\n<p>Segundo a proposta, 20% de cada um destes fundos seriam destinados ao Fitel. Esse novo fundo poderia ser acionado diretamente por prestadores de servi&ccedil;os privados, no caso, as empresas de telefonia, que atualmente n&atilde;o podem obter os recursos destes fundos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>A  Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Defesa do Consumidor ProTeste considera o projeto de lei ilegal, al&eacute;m de inoportuno por estar sendo apresentado no momento em que o governo federal tenta fechar o PNBL. Para a advogada da ProTeste Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, as empresas que t&ecirc;m concess&atilde;o para oferta em regime p&uacute;blico de Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (STFC) &ndash; a telefonia fixa &ndash; n&atilde;o podem usar recursos vindos de fundos p&uacute;blicos para outras atividades, como as relacionadas &agrave; oferta de internet. &ldquo;Seriam recursos p&uacute;blicos para implanta&ccedil;&atilde;o de redes privadas&rdquo;, afirma Fl&aacute;via.  <\/p>\n<p>O projeto de Flexa Ribeiro prev&ecirc; tamb&eacute;m que as pr&oacute;prias empresas apliquem recursos no Fitel. A proposta prev&ecirc; que empresas que recolham mais de R$ 50 milh&otilde;es ao ano nas taxas relacionadas ao Fistel possam destinar 75% do pagamento que seria feito ao fundo de fiscaliza&ccedil;&atilde;o para o novo fundo. Este mecanismo resultaria, segundo proje&ccedil;&otilde;es do senador, em cerca de R$ 3 bilh&otilde;es por ano. <\/p>\n<p>O Fitel teria como objetivo &ldquo;apoiar investimentos produtivos voltados &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o da capacidade e &agrave; atualiza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica da infraestrutura de redes de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, e de fomentar a competi&ccedil;&atilde;o no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;. A proposta de Flexa Ribeiro &eacute; que as empresas ponham as m&atilde;os nos recursos dos fundos, que, em boa parte, s&atilde;o compostos pela contribui&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os. A medida iria ao encontro das reivindica&ccedil;&otilde;es das empresas de telefonia celular, que reclamam da taxa de fiscaliza&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o obrigadas a recolher.<\/p>\n<p><strong>Crit&eacute;rios<\/strong><\/p>\n<p>O projeto elenca algumas diretrizes de aloca&ccedil;&atilde;o da verba arrecadada com o novo fundo. Uma delas &eacute; a &aacute;rea geogr&aacute;fica, quando for notado que a infraestrutura nela instalada seja comprovadamente insuficiente para atender a demanda por servi&ccedil;os considerados essenciais. Seria tamb&eacute;m crit&eacute;rio a ser considerado nos projetos a moderniza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica das empresas, &ldquo;desde que represente atualiza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica da planta ou redu&ccedil;&atilde;o dos custos de presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os&rdquo;, diz o texto do projeto de lei. <\/p>\n<p>Poderiam receber recursos do Fitel prestadores se servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es que estejam em opera&ccedil;&atilde;o h&aacute;, no m&iacute;nimo um ano e meio e cuja base de assinantes seja superior a 5 mil assinantes. Al&eacute;m destes, seriam beneficiados os fabricantes de equipamentos de telecomunica&ccedil;&otilde;es produzidos no Brasil. <\/p>\n<p>Os agentes privados tamb&eacute;m teriam que oferecer uma contrapartida em seus projetos. Para uma grande empresa, com poder de mercado significativo, esse valor deve chegar a metade do total do projeto. J&aacute; as de menor porte, poder&atilde;o ter de oferecer at&eacute; 30% do custo total do projeto apresentado. <\/p>\n<p>Para gerenciar o Fitel e aprovar os projetos das empresas, seria criado um conselho formado por um representante do Poder Executivo, um da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) e uma pessoa de cada entidade detentora de, no m&iacute;nimo, 5% do Fundo, conforme apurado a final de cada exerc&iacute;cio.<\/p>\n<p>O senador Flexa Ribeiro diz que seu projeto foi motivado pela constata&ccedil;&atilde;o de que a &ldquo;carga tribut&aacute;ria incidente sobre o setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es tem sido o principal fator de atraso no desenvolvimento da respectiva infraestrutura e no acesso da popula&ccedil;&atilde;o aos servi&ccedil;os, na medida em que retira das empresas capacidade de investimento e onera o consumo&rdquo;. <\/p>\n<p>Para o senador, &eacute; &ldquo;consenso que a arrecada&ccedil;&atilde;o do Fistel est&aacute; superdimensionada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; finalidade legal do Fundo &ndash; custear as atividades de fiscaliza&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o regulador &ndash; em cerca de R$ 1,5 bilh&atilde;o&rdquo;. Essa tese, no entanto, n&atilde;o &eacute; corroborada pela Anatel. A Ag&ecirc;ncia afirma que seria necess&aacute;rio mais dinheiro para fortalecer suas a&ccedil;&otilde;es de fiscaliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>At&eacute; setembro do ano passado, o Fistel havia arrecadado R$ 4,49 bilh&otilde;es. Para a Anatel, foram repassados R$ 326,6 milh&otilde;es. Al&eacute;m disso, 5% do Fundo vai para a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que vai garantir &agrave; Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o este ano, por exemplo, R$ 116 milh&otilde;es. O resto dos recursos ficou no caixa da Uni&atilde;o para fins de super&aacute;vit prim&aacute;rio. Existem alguns projetos no Congresso que vedam o contingenciamento de recursos para as ag&ecirc;ncias reguladoras de v&aacute;rios setores, incluindo a Anatel. <\/p>\n<p>J&aacute; no caso do Fust e do Funttel, o problema, para Flexa Ribeiro, seria outro. &ldquo;O montante arrecadado &eacute; compat&iacute;vel com a finalidade a que se destinam. Entretanto, seus recursos v&ecirc;m sendo contingenciados pelo governo para cumprimento das metas de super&aacute;vit prim&aacute;rio&rdquo;, relata ele, na justificativa de seu projeto. <\/p>\n<p>Al&eacute;m do contingenciamento, o Fust, que se estima j&aacute; ter arrecadado cerca de R$ 8 bilh&otilde;es desde 2001, tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser usado por uma quest&atilde;o legal. O Decreto 3.624\/00, que regulamenta a lei do Fust (9.998\/00), determina que os recursos sejam aplicados no cumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o e de continuidade atribu&iacute;das &agrave;s prestadoras de servi&ccedil;os no regime p&uacute;blico. No Brasil, apenas a telefonia fixa est&aacute; assim categorizada. <\/p>\n<p>Como h&aacute; o entendimento que tornou-se prioridade com o passar do tempo a expans&atilde;o da banda larga, v&aacute;rios projetos de lei prop&otilde;e que o Fundo seja usado para este fim. Um deles &eacute; o do senador Alo&iacute;sio Mercadante (PT\/SP), que  prop&otilde;e o uso priorit&aacute;rio das verbas para levar conex&atilde;o de internet banda larga para as escolas do pa&iacute;s, obrigando que ao menos 75% dos recursos sejam utilizados para esta finalidade. O texto aguarda a vota&ccedil;&atilde;o no plen&aacute;rio da C&acirc;mara dos Deputados. <\/p>\n<p>O Fust arrecada cerca de R$ 1 bilh&atilde;o ao ano, na forma de contribui&ccedil;&atilde;o de 1% da receita operacional bruta das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. O Funttel arrecada aproximadamente R$ 300 milh&otilde;es, e o Fistel, R$ 3 bilh&otilde;es, pagos sobre cada linha fixa e celular em funcionamento. <\/p>\n<p><strong>Esc&acirc;ndalo por nada<\/strong><\/p>\n<p>A advogada tamb&eacute;m considera que, pelo aspecto econ&ocirc;mico, o projeto &eacute; um &ldquo;esc&acirc;ndalo&rdquo;. Isso porque as concession&aacute;rias n&atilde;o precisariam das receitas dos fundos, j&aacute; que boa parte de seus rendimentos vem da assinatura b&aacute;sica de telefone. &ldquo;Foi com esse recurso que, ilegalmente, implantaram as redes de fibras &oacute;ticas que tem hoje&rdquo;, lembra Fl&aacute;via. Isso n&atilde;o poderia ser feito, segundo a advogada, pois a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o permitiria que as empresas que possuem concess&atilde;o para o servi&ccedil;o de STFC usem essa condi&ccedil;&atilde;o para ofertar servi&ccedil;os em outras plataformas, como a internet. &ldquo;Se elas (empresas) querem implantar rede, elas t&ecirc;m que tirar esse dinheiro de outro lugar, n&atilde;o do contrato de concess&atilde;o do STFC&rdquo;, resume. <\/p>\n<p>O setor empresarial tamb&eacute;m parece n&atilde;o estar convencido de que o novo sistema de financiamento proposto pelo senador Flexa Ribeiro vai funcionar. O superintendente-executivo da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Telebrasil), C&eacute;sar R&ocirc;mulo, acredita que o projeto n&atilde;o vai causar mudan&ccedil;as significativas nem para as teles. Apesar de se dizer sensibilizado com a proposta do senador, C&eacute;sar diz que o modelo continuaria &ldquo;sujeito a tudo que temos hoje. Tem os fundos e o governo contingencia&rdquo;, avalia.<\/p>\n<p>Para o empres&aacute;rio, o que aumentaria a oferta de banda larga no pa&iacute;s seria a redu&ccedil;&atilde;o dos tributos que recaem sobre o setor. &ldquo;Conceitualmente tem que haver uma redu&ccedil;&atilde;o da carga tribut&aacute;ria. O que vai massificar a banda larga &eacute; o consumidor ter poder de compra para usar o servi&ccedil;o&rdquo;, afirma C&eacute;sar R&ocirc;mulo. Para ele, por exemplo, uma iniciativa importante seria criar uma regula&ccedil;&atilde;o que diminu&iacute;sse o poder dos estados de taxar elevadamente, por meio do ICMS, os servi&ccedil;os das empresas. Segundo ele, o servi&ccedil;o seria compet&ecirc;ncia da Uni&atilde;o.  <\/p>\n<p>J&aacute; a advogada do ProTeste, apesar de considerar alta a carga tribut&aacute;ria sobre os servi&ccedil;os, acredita que a universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga n&atilde;o passa essencialmente pela baixa dos tributos. &ldquo;A energia el&eacute;trica tem a mesma carga tribut&aacute;ria e tem uma penetra&ccedil;&atilde;o grande no pa&iacute;s. &Eacute; caro, mas as pessoas t&ecirc;m luz&rdquo;, compara.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto do senador Flexa Ribeiro retira 20% do Fust, Fistel e Funttel e destina recursos para projetos de grandes operadoras privadas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[545],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24214"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24214\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}