{"id":24211,"date":"2010-04-06T18:10:24","date_gmt":"2010-04-06T18:10:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24211"},"modified":"2010-04-06T18:10:24","modified_gmt":"2010-04-06T18:10:24","slug":"qual-o-futuro-da-fundacao-piratini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24211","title":{"rendered":"Qual o futuro da Funda\u00e7\u00e3o Piratini?"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">H&aacute; uma manobra no atual governo do estado do Rio Grande do Sul, comandado por Yeda Crusius, do PSDB, que pode extinguir um bem p&uacute;blico de extrema import&acirc;ncia para todos os ga&uacute;chos, um bem cultural que o Rio Grande do Sul tem como um de seus bra&ccedil;os para a difus&atilde;o de cultura: a Funda&ccedil;&atilde;o Cultural Piratini.<\/p>\n<p>A extin&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; relacionada exatamente ao sumi&ccedil;o da transmiss&atilde;o televisiva ou radiof&ocirc;nica. O governo procurou, no ano passado, entregar a dire&ccedil;&atilde;o da funda&ccedil;&atilde;o a uma Organiza&ccedil;&atilde;o da Sociedade Civil de Interesse P&uacute;blico, mais conhecida como OSCIP. N&atilde;o aceitou nenhuma parceria com a TV Brasil. Al&eacute;m disso, a Funda&ccedil;&atilde;o Cultural Piratini, difusora da TVE e da R&aacute;dio Cultura, que foi pioneira na transmiss&atilde;o televisiva no estado em 1959 e suportou um inc&ecirc;ndio em 1983, recebeu do governo estadual a notifica&ccedil;&atilde;o de que deve, at&eacute; o dia 31 de mar&ccedil;o de 2010, sair do pr&eacute;dio onde funciona h&aacute; 28 anos, alugado do INSS. Tr&acirc;mites abstrusos a qualquer &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico, principalmente a um dos menos assistidos no que diz respeito &agrave;s &aacute;reas de recursos humanos, materiais e financeiros pelo estado.<\/p>\n<p>Ang&eacute;lica Coronel, ex-rep&oacute;rter da TVE, escreveu para um s&iacute;tio da internet que &quot;nos bons tempos, a TVE tinha quase 40 retransmissores funcionando por todo o interior. Em termos de abrang&ecirc;ncia, ficava atr&aacute;s apenas do `grupo&acute; RBS. Seus rep&oacute;rteres eram conhecidos nas ruas de cidades de ch&atilde;o batido. E a vanguarda pensante do estado &ndash; como o cineasta Jorge Goulart e o jornalista Eduardo Bueno &ndash; bolava programas inovadores. Trabalhar na TVE dava status&quot;.<\/p>\n<p><strong>Emissoras v&ecirc;m sofrendo desgaste<\/strong><\/p>\n<p>No dia 22 de dezembro de 2009, a governadora dirigiu-se &agrave; imprensa para explicar que o governo procura um local para realoca&ccedil;&atilde;o da funda&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, o espa&ccedil;o deve ser menor. A quest&atilde;o para os funcion&aacute;rios da TVE, R&aacute;dio Cultura e a popula&ccedil;&atilde;o que acompanha o caso h&aacute; algum tempo &eacute; a escolha estadual em n&atilde;o adquirir o pr&eacute;dio onde hoje est&aacute; instalada a Funda&ccedil;&atilde;o, or&ccedil;ado em R$ 4,7 milh&otilde;es. A&iacute;, ent&atilde;o, movimentos contr&aacute;rios &agrave; iniciativa do governo foram surgindo. Os funcion&aacute;rios afirmam que toda essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas o in&iacute;cio do sucateamento dos servi&ccedil;os prestados aos ga&uacute;chos, o que j&aacute; denunciam h&aacute; tempos.<\/p>\n<p>A Funda&ccedil;&atilde;o Piratini tem a premissa comunicacional de ser uma das &uacute;nicas no pa&iacute;s mantida por recursos estatais sem subordina&ccedil;&atilde;o a qualquer tipo de comando direto de governos. Por&eacute;m, essa premissa parece estar mudando, contr&aacute;ria &agrave;s pr&oacute;prias leis da Funda&ccedil;&atilde;o. A subordina&ccedil;&atilde;o ao governo do PSDB est&aacute; acontecendo atrav&eacute;s de manig&acirc;ncias de censura e condicionamento, por parte de ordens vindas do Pal&aacute;cio Piratini, sobre a programa&ccedil;&atilde;o na grade da emissora, sem voto pr&eacute;vio do Conselho Deliberativo.<\/p>\n<p><strong>A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; bem mais complicada do que pode parecer.<\/strong><\/p>\n<p>No par&aacute;grafo 1&ordm; do Artigo 3&ordm; do Estatuto da Funda&ccedil;&atilde;o Cultural Piratini, fica estabelecido que &quot;a finalidade da formula&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o &eacute; valorizar os bens constitutivos da nacionalidade brasileira, no contexto da compreens&atilde;o dos valores universais&quot;, &quot;valorizar as peculiaridades regionais e do folclore do estado&quot; e &quot;a cria&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de produtos culturais, educativos, art&iacute;sticos e informativos&quot;. Tudo o que se preza em uma &eacute;poca onde buscamos a transforma&ccedil;&atilde;o do Brasil para um pa&iacute;s educado e bem estruturado. N&atilde;o parecem ser os planos da governadora para as terras do extremo-sul do pa&iacute;s. As emissoras v&ecirc;m sofrendo h&aacute; tempos um desgaste, o or&ccedil;amento vem sendo reduzido a cada ano e os equipamentos n&atilde;o recebem a devida manuten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Cargos de confian&ccedil;a como apresentadores<\/strong><\/p>\n<p>Com a chegada do terceiro ano da gest&atilde;o turbulenta dos tucanos no Rio Grande do Sul, a situa&ccedil;&atilde;o da TVE e da R&aacute;dio FM Cultura &eacute; de extrema preocupa&ccedil;&atilde;o e desola&ccedil;&atilde;o. Funcion&aacute;rios delatam o sucateamento tanto na redu&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, que chegou a ter mais de 230 funcion&aacute;rios, quanto na reposi&ccedil;&atilde;o de equipamento. Algumas pe&ccedil;as s&atilde;o retiradas de uma m&aacute;quina para trabalhar em outra. Desde 2001 n&atilde;o h&aacute; concursos e, o que &eacute; pior, metade dos concursados, aproximadamente 40 pessoas, pela situa&ccedil;&atilde;o se viram obrigadas a abandonar a funda&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O representante dos funcion&aacute;rios no Conselho Deliberativo, Alexandre Leboutte, disse &agrave; revistaVi&eacute;s que &quot;o quadro de funcion&aacute;rios se reduziu em mais de um ter&ccedil;o nos &uacute;ltimos anos. Hoje, temos aproximadamente 150 profissionais na TVE e na FM Cultura. Quanto aos equipamentos, precisamos urgentemente de investimentos em todas as &aacute;reas. H&aacute; uma degrada&ccedil;&atilde;o geral dos equipamentos por terem ultrapassado em muito sua vida &uacute;til&quot;.<\/p>\n<p>Voltando ao Estatuto, no Par&aacute;grafo 1&ordm; do Artigo 25 fica garantido que o governador do estado submeter&aacute; a escolha do presidente da Funda&ccedil;&atilde;o ao Conselho Deliberativo. O que n&atilde;o aconteceu desde a posse de Yeda. No dia 23 de outubro de 2008, uma nova dire&ccedil;&atilde;o para a TVE tomou posse questionada pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Tribunal de Contas do estado, assumindo apenas mediante liminar judicial. Desrespeitando v&aacute;rios dos artigos do Estatuto, foi ignorada a necessidade de submeter os nomes dos diretores ao Conselho Deliberativo da Funda&ccedil;&atilde;o, com 25 membros escolhidos pela sociedade para fiscalizar o cumprimento de normas. Em novembro do mesmo ano, cargos de confian&ccedil;a (CCs) do governo Yeda passaram a apresentar programas no lugar dos servidores concursados. O presidente, jornalista Ricardo Azeredo, escolhido por Yeda Crusius, assumiu o lugar da apresentadora do programa Frente a Frente e, logo em seguida, no dia 16 de abril de 2009, j&aacute; entrevistaria a governadora.<\/p>\n<p><strong>Lei que permite gest&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos<\/strong><\/p>\n<p>Quando perguntado se a atual diretoria, formulada pelo Pal&aacute;cio Piratini, est&aacute; devidamente seguindo o estatuto da Funda&ccedil;&atilde;o, em que o Conselho Deliberativo deve ser ouvido e tem poder de voto quando o governo indica cargos, Leboutte diz que h&aacute; uma ilegalidade bem aparente. O Conselho Deliberativo, que tem suas prerrogativas estabelecidas pela lei 10.535\/95, n&atilde;o tem acesso a nenhum documento da Funda&ccedil;&atilde;o Piratini. O representante dos funcion&aacute;rios no Conselho Deliberativo ainda frisa que a rela&ccedil;&atilde;o do quadro de recursos humanos com a diretoria indicada por Yeda est&aacute; bem dif&iacute;cil, sem nenhum di&aacute;logo.<\/p>\n<p>Em 21 de outubro de 2008, a dire&ccedil;&atilde;o determinou censura parcial de uma mat&eacute;ria que tratava da sa&iacute;da de Mercedes Rodrigues da Secretaria da Transpar&ecirc;ncia. Por ordem do Piratini, a dire&ccedil;&atilde;o afastou ainda uma rep&oacute;rter da cobertura pol&iacute;tica que denunciou para a imprensa a interfer&ecirc;ncia do governo na Funda&ccedil;&atilde;o. A 20 de fevereiro de 2009 foi censurada a divulga&ccedil;&atilde;o da entrevista coletiva do PSOL sobre a corrup&ccedil;&atilde;o no governo Yeda e dias depois, o editor-chefe doJornal da TVE foi afastado do cargo. O que se pode ler novamente no Estatuto, no par&aacute;grafo 3&ordm; do Artigo 3&ordm; &eacute;: &quot;A Funda&ccedil;&atilde;o assegurar&aacute; que na sua produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o haja restri&ccedil;&atilde;o &agrave; livre manifesta&ccedil;&atilde;o de pensamento, de cria&ccedil;&atilde;o, de express&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o, sob qualquer forma, especialmente censura de natureza pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica ou art&iacute;stica.&quot; Parece que o Pal&aacute;cio Piratini, ou n&atilde;o leu tais normas, ou resolveu mesmo burlar-las na cara dura.<\/p>\n<p>Para explicar melhor a tentativa do governo em passar a diretoria da Funda&ccedil;&atilde;o Piratini a uma OSCIP, precisamos partir de janeiro de 2008, quando a governadora sancionou a Lei das OSCIPs que permite a ONGS, associa&ccedil;&otilde;es e funda&ccedil;&otilde;es assumir a gest&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p><strong>Pluralidade de saberes, fontes e opini&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>A Lei de autoria do Executivo foi aprovada pela Assembl&eacute;ia Legislativa em regime de urg&ecirc;ncia em dezembro de 2007 e gerou muita pol&ecirc;mica entre sindicatos e movimentos sociais que denunciam as manobras do governo em evitar o debate sobre as OSCIPs. Tais entidades sem fins lucrativos poder&atilde;o estabelecer parcerias com o estado para a realiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos que n&atilde;o sejam exclusivamente de compet&ecirc;ncia do estado. A pol&ecirc;mica se d&aacute; com a possibilidade de desmonte das fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas atrav&eacute;s de terceiriza&ccedil;&otilde;es. Quando perguntada se isso acarretaria numa poss&iacute;vel privatiza&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o e de tantos outros &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos de servi&ccedil;os, Yeda Crusius afirmou que o p&uacute;blico estatal e o p&uacute;blico da sociedade civil n&atilde;o significa privatiza&ccedil;&atilde;o, pois ela significa propriedade privada de um patrim&ocirc;nio. O governo teria interesse de incentivar e estimular a organiza&ccedil;&atilde;o social de interesse p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Na &eacute;poca, os sindicatos e movimentos entraram em conflito direto com a iniciativa do governo porque as OSCIPs poderiam administrar as institui&ccedil;&otilde;es. As OSCIPs assumiriam as fun&ccedil;&otilde;es primordiais do Estado. Na educa&ccedil;&atilde;o poderiam chegar a administra&ccedil;&atilde;o de escolas. Tudo &eacute; fun&ccedil;&atilde;o do governo, pois os impostos dessa mesma sociedade organizada s&atilde;o a base de todo o processo de direitos dos cidad&atilde;os conforme o bom funcionamento das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Pode ser um dos maiores erros de qualquer governo deslocar as fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas b&aacute;sicas para entidades privadas do chamado &quot;terceiro setor&quot; sob argumento de fal&ecirc;ncia do governo. Cabe ao Estado promover uma comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de informa&ccedil;&atilde;o qualificada, diversificada e que n&atilde;o seja subordinada a ideologias partid&aacute;rias ou de governo. Lembrando, s&oacute; como adendo, que o projeto de estabelecimento de parcerias entre ONGs e Estado surgiu no governo federal na gest&atilde;o do tucano Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>No Estatuto da Funda&ccedil;&atilde;o, que se assegurado promoveria um dos formatos mais livres e primorosos para uma comunica&ccedil;&atilde;o que preza pelo respeito aos valores &eacute;ticos e sociais do receptor, est&aacute; escrito que &quot;a produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o sonora e de sons e imagens da Funda&ccedil;&atilde;o funcionar&atilde;o de modo a salvaguardar sua independ&ecirc;ncia perante o governo estadual e demais poderes p&uacute;blicos, e assegurar a possibilidade de express&atilde;o e confronto de diversas correntes de opini&atilde;o&quot;. Muitos funcion&aacute;rios que trabalham diariamente, ajudando no cotidiano dif&iacute;cil, conhecem o par&aacute;grafo &uacute;nico do artigo 6&ordm; e prezam por segui-lo como bem sabemos. Uma pena que o governo n&atilde;o esteja t&atilde;o interessado em prosseguir e dar aten&ccedil;&atilde;o a tal trabalho. Prezar pela pluralidade de saberes, fontes e opini&otilde;es. Um formato quase perfeito de comunica&ccedil;&atilde;o quase extinto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cabe ao Estado promover comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de informa&ccedil;&atilde;o qualificada, diversificada e n&atilde;o subordinada a ideologias partid&aacute;rias ou de governo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1288],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24211"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}